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Monday, 28 December 2009

Aonde eu viajo no Paquistão

Paquistão é o país que veio uma maneira longa, sobrevivendo aos terramotos devastadores que desintegraram quase suas estruturas econômicas e físicas. Se você viaja a Paquistão, você descobrirá um país amigável e bonito orgulhoso de sua herança. Paquistão é situado na parte ocidental do subcontinente indiano com Afeganistão e Irã no oeste, India no leste, e o Arabian Sea no sul. O Urdu e o ingles são as línguas oficiais em Paquistão e há outras línguas como o Punjabi, o Pushto, o sindhi e o Baluchi. Com muitos lugares e possibilidades ilimitadas para a caminhada, trekking e os esportes, um desengate a Paquistão pode ser seu fabricante final do feriado. Onde pode se visitar uma vez suas terras planas neste lado do globo?

Paquistão tem diversos picos e povos da montanha alta de pelo mundo inteiro vindos escalar o Karakorums, os Himalayas, a montanha em segundo a mais elevada do pico- da reunião de Hindu Kush e da montanha K2 no mundo. Todo o estes são encontrados nas áreas do norte. Taxila é um do local archeological o mais famoso no mundo. Há 18 posições nesta área que são locais do património mundial.

Um outro lugar excitante a viajar é Lahore; ele ’ s uma cidade velha que olhe como um drama medieval, com cavalos, asnos e os carros boi-desenhados. Os edifícios incríveis de Mughal o – um da mesquita do forte e do Badshahi de Lahore dos mundos os maiores, são uma obrigação a ver. Você pode comer o comensal no terraço do antro convertido do ’ s de Haveli Cocco.

A estrada de Karakorum é referida como a estrada a mais elevada no mundo e enrola através da escala de montanha de Karakorum que conecta a China através da passagem de Khunjerab. Tècnica, ele ’ s a única maneira às atracções turísticas das áreas do norte.

Karimabad é ficado situado no vale luxúria de Hunza e é uns oásis do turista. As ruas crammed com as lojas que vendem artesanatos locais tais como xailes e tapetes junto com frutas, antiguidades e pedras de gema secadas locais. Um outro lugar hilariante é o mausoléu do ’ s de Jahangir dos jardins e do imperador de Shalimar. Não visita este lugar é como a visita de Roma sem considerar o Colosseum. O lugar de Mohotta é um museu autêntico que carreg coleções provisórias. A estrutura é construída no estilo Hindu-Britânico e feita da pedra cor-de-rosa que lhe dá um estilo distintivo.

O mausoléu de Jinnah é um marco famoso em Karachi. É um símbolo icónico de Karachi e é situado no coração da cidade. É compo do mármore branco com os arcos de Moorish curvados. O sactum interno fresco reflete o verde de um candelabro de cristal quatro-estratificado dado pelos povos de China. O túmulo de incandescência pode ser visto das milhas na noite. A parada de Jehangir Kothari é um lugar dedicado ao público e é um exemplo bonito da arquitetura colonial.

Moenjodero foi considerado uma das cidades as mais espectaculares dos tempos antigos. É ficado situado 350 quilômetros fora de Karachi. Ande ao longo das sobras desta cidade velha e testemunhe a maneira de vida onde o paquistanês viveu há muito tempo. O lago Ansoo é um lago teardrop-dado forma famoso em Paquistão encontrado em Kaghan Valley na escala Himalayan. Karachi é igualmente uma área urbana ocupada que hospede um número museus, lojas, consoles, clubes, beachfronts, edifícios coloniais, parques de diversões e de mais.

Apesar do estado subdesenvolvido da indústria de turista paquistanesa, o país tem alguns das paisagens e dos lugares impressionantes no mundo. Você soube que os tempos da refeição são uma celebração e um presente em Paquistão? Onde quer que você vai a, de um acampamento da barraca de refugiados do terremoto às multi milhão casas da libra do mercado ascendente Islamabad, você será convidado a um comensal simples mas entusiasta do caril dhal e da galinha ou da cabra com chapattis .
Fonte (tradução muito tosquinha)

Thursday, 10 September 2009

Paquistão adota E10




governo paquistanês adotou a mistura de 10% do etanol na gasolina (E10) para a cidade de Karachi, a segunda maior do país. Com a medida, o Paquistão pretende incentivar a produção de etanol de cana-de-açúcar e diminuir a importação de combustíveis fósseis.
A introdução da mistura ficará sob responsabilidade da estatal de petróleo Pakistan State Oil (OSP). Segundo o diretor da empresa, Irfan Qureshi, o governo deverá economizar anualmente entre US$ 100 milhões e US$ 130 milhões em importação de petróleo.
O Paquistão produz hoje cerca de 400 mil t/ano de etanol, volume que tende a aumentar após a adoção da medida em Karachi. Para atender a essa demanda no futuro, o ministro da Privatização do Petróleo e Recursos Naturais, Syed Naveed Qamar, disse que o governo dará incentivos fiscais aos produtores agrícolas que cultivam a cana-de-açúcar no país.
As informações são do jornal paquistanês The News Internacional

Thursday, 20 August 2009

Diário de Viagem- Semana 1

Muito interessante são 4 semanas de diário de viagem, divirtam-se!

Primeira Parte
Terça-feira (30 de outubro de 2007)
Amritsar – Lahore (61 km)

Já sabia que hoje que o meu último de dia de Índia e eu não tinha como negar a felicidade que isso me trazia. Ao mesmo tempo também não podia esconder a certa apreensão que eu tinha dentro de mim por estar entrando no Paquistão, uma terra que carrega tantas histórias e lendas em seu lado de fora. Se todas elas fossem verdade eu já estaria morto antes mesmo de chegar em minha primeira cidade no país, mas precisava saber o que era verdade neste mundo feito de mentiras.

E estava disposto a pagar caro por isso. Pedalei então em direção à fronteira Índia/ Paquistão.

Despedi-me do Templo Dourado e do povo sikh. Depedi-me das hordas de turístas. Despedi-me dos hippies buscadores da felicidade. E finalmente subi na bicicleta. Antes de deixar a cidade, no entanto, eu me perdi pela última vez na Índia e então encontrei o caminho. Pouco mais de uma hora depois eu já estava na fronteira, pronto para iniciar o processo de carimbos, formulários e horas de espera.

O organização do lado indiano não conseguia ser boa mesmo, assim como a educação dos funcionários. Depois de mais de uma hora de espera, eu consegui ganhar o cartão verde para cruzar a fronteira, mas antes fui trocar minhas rúpias indianas que não valiam nada no lado de lá. Depois da troca, tive ainda que assinar mais alguns papeis e enfim cruzei o portão.

Pensei que o lado paquistanês seria pior. Apenas pensei. Com toda a educação e um ótimo inglês os policiais paquistaneses me indiacaram aonde ir. Alí um sujeito me indicou o que fazer e onde deixar a bicicleta. Preenchi o formulário e depois de ter meu passaporte carimbado dentro do centro de imigração que poderia ser de qualquer país desenvolvido, tamanha organização e limpeza, fui passar pela revista de bagagem, mas os simpáticos policiais apenas perguntaram o que eu tinha e me deixaram passar sem abrir nenhuma de minhas malas.

Pronto, estava oficialmente no Paquistão e havia sido mais fácil do que eu imaginava. Pedalei poucos metros para dentro do país e já via uma cultura diferente, um idioma diferente, trajes diferentes e rostos diferentes. Era uma diferença enorme, que não chegavam ao outro lado devido à pesada fronteira que não deixa o caminho livre entre os 2 países.

A estrada continuava boa, assim como era na Índia, masuase não havia carros na pista e os poucos que haviam quase não buzinavam. Não eram excelentes motoristas, mas pelo menos não faziam questão de mostrar suas buzinas. Isso foi um alívio para mim. A poluição continuava pesada e fiz uma breve parada perto de um posto de gasolina ao lado da pista e percebi que diversas pessoas tinham armas, que não eram, mas sim metraladoras e escopetas.

Essa imagem, numa foto tendenciosa – como as que são colocadas nas revistas –, poderia indicar o início de uma guerra, mas a realidade é que até mesmo aquelas pessoas que levavam armas eram simpáticas e educadas. Era uma cena peculiar e, de certa forma, estranha também. De toda forma, não fiquei aí para ver como eles usavam suas armas e segui em frente, na direção de Lahore, a 2ª maior cidade do país.

Na medida em que eu me aproximava de Lahore o trânsito ficava cada vez mais caótico, mas mesmo assim, sem buzinas. Ao entrar na cidade, eu sabia que seria bom ligar para o número de telefone que haviam me dado, mas para isso seria bom conseguir um telefone. Como eu já previa aqui não há telefones públicos e a melhor saída seria comprar um novo chip telefônico para mim e já ter um número paquistanês também.

Estava perdido na cidade e não tinha a menor idéia de que direção eu tinha que tomar, assim resolvi apenas procurar uma loja de celular. Em meio à confusão das ruas foi um pouco difícil me deslocar de um lugar para o outro, mas num tempo menor do que eu previa eu já tinha meu número de celular do Paquistão, por uma quantia equivalente a 6 Reais. Com o telefone funcionando eu resolvi ligar para o número que eu tinha e – sem me surpreender – descobri que o número estava desligado.

Era hora de mudar os planos. Seria bom eu ir para algum hotel da cidade. Segui então para um hotel que é uma instituição na cidade e creio que mais de 90% dos turistas estrangeiros ficam nele quando em Lahore. Vi o nome da rua e fui perguntando pelo caminho. Ao contrário da Índia, as pessoas aqui me informavam com todo o carinho e pareciam realmente preocupadas comigo. Fiquei feliz com isso, mesmo quando eu não entendi nada da informação que eles estavam me dando em urdu (idioma local).

Em pouco tempo e depois de poucas ruas eu cheguei ao local, que à primeira vista, não parecia nada agradável. Localizado numa rua pequena e suja, com apenas uma pequena porta que dizia o nome do hotel: Regale Internet Inn. Depois da porta havia um jogo de escadas que já levava para o 2º andar do prédio. Assim deixei a bicicleta no lado de fora e subi para conferir o lugar.

Os quartos estavam cheios e só havia algumas camas no dormitório. Isso não era um probelma para mim, o mais difícil mesmo foi levar a bicicleta e os alforjes para cima. Depois foi tudo tranqüilo. Conheci o dono do local, Malik, e fui aos poucos conhecendo todos os hóspedes e até mesmo os moradores do local, gente que parece que chegou para ficar. Quando arrumava minhas coisas no quarto para 6 pessoas conheci um casal canadense que estava por alí e depois 3 viajantes da Islândia, o que é realmente difícil de ver, já que este país tem apenas 300.000 habitantes.

Com os islandeses eu saí para comer. Eles eram muito simpáticos e naquele momento já estavam há mais de uma mês no Paquistão, onde ficaram em Karachi, inclusive durante o incidente da bomba. Eles não estavam apenas viajando, mas sim a procura de um outro lugar para viver, já que a Islândia parecia não agradá-los. Tudo indicava que eles não sairiam mais do Paquistão e agora eles estavam apenas escolhendo um lugar para montar uma casa.

Depois de tanto tempo de Índia, o Paqusitão parecia um milagre em meu caminho. Limpo (comparando com a Índia), sem buzinas, com pessoas educadas e até mesmo carne de vaca, era tudo o que eu queria. Podia até mesmo comer sem me preocupar tanto como na Índia, onde não me lembro de ter comido algum prato sem uma cabelo, mosquito ou algo que eu não consegui identificar. Parecia que meu caminho estava mudando e para melhor.

Quarta-feira (31 de outubro de 2007)
Lahore


Lahore pedia alguns dias para ser conhecida. Aparentemente não havia muita coisa para ser vista nesta cidade de 12 milhões de habitantes, mas fazia tempo que eu não me sentia tão bem como na hospedagem onde eu estava. No pequeno hotel onde eu estava já conhecia quase todos e me sentia em casa, o que eu poderia fazer era aproveitar um pouco dessa boa sensação que eu não conseguia sentir na Índia.

Hoje eu tirei o dia para ver alguns locais da cidade, o que eu queria fazer logo pela manhã, mas no começo do dia de hoje eu descobri que o comércio aqui abre apenas por volta das 10 horas da noite, o que fez que eu demorasse para encontrar um mercado aberto para comprar meu café da manhã. Somente depois disso é que eu saí, com rumo à cidade velha, aonde está localizado o Forte de Lahore.

Ao chegar no local tive uma surpresa, ele estava fechado. Não fazia sentido, ele não fechava para almoço, tampouco para siesta, mas os policiais não estavam deixando ninguém entrar. Perguntei o que estava acontecendo e eles disseram que algum político americano estava alí dentro e enquanto ele estivesse alí, ninguém poderia entrar. Como não tinha escolha, fui para o parque da cidade, logo à frente do forte, para esperar o tempo passar.

Alí vi muita gente e muitas dessas pessoas vinha conversar comigo. Nessas conversas eu fui descobrindo que o paquistanês, ao contrário do que a mídia diz, é um sujieto muito bom. Eles acreditam que a Índia é uma país bom e não tem nada contra os Estados Unidos, o que me chamou muito a atenção. Já os indianos nunca falam nada de bom do Paquistão e os americanos vêem o país como o novo celeiro de terroristas do mundo. Era interessante descobrir um pouco mais do Paquistão.

As conversas foram interessantes e me senti bem com os paqusitaneses, com quem fiquei conversando até os portões do Forte se abrirem somente após as 3 da tarde, quando os americanos resolveram deixar o local. O forte é um resquício da dinastia Mughal, a mesma que dominou a Índia durante séculos e levantou as construções mais famosas do país, entre elas o Taj Mahal. A idade precisa do forte não é sabida, mas o que se sabe é que sua forma atual foi dada pelo imperador Akbar, o qual transformou Lahore em sua capital em 1566.

Seguindo as mesmas linhas das construções muçulmanas encontradas no norte indiano, o Forte de Lahore, conta com diversas divisões, palácios e templos, incluindo até mesmo uma caminho para elefantes, o que era comum naquela época. Igualmente grandioso e mais elaborado que o forte está a Mesquita Badshasi (Badshasi Mosque), que foi finalizada em 1647 por Aurangzeb (filho de Shah Jahan), tornando-se uma das maiores mesquitas do mundo.

Estar alí durante o pôr-do-sol apenas deixou o lugar ainda mais especial. Vi o dia acabar diante daquela imponente mesquista e somente então voltei para a minha hospedagem, encontrando ainda mais gente que havia chegado hoje, especialmente para aproveitar a quinta-feira de Lahore, que trás uma agenda recheada de eventos Sufi – o misticismo muçulmano.

Depois de conversar com tanta gente comecei a perceber que eu não poderia simplesmente deixar o país sem conhecer a região norte do Paquistão, uma região conhecida pelas suas montanhas (as mais altas do mundo), pela hospitalidade das pessoas e por ter o maior números de geleiras (glaciares) do mundo, depois da Antártida. Pedalar seria praticamente impossível, levando em consideração o meu tempo no país, mas um ônibus poderia resolver isso. De qualquer forma, ainda tinha a quinta-feira em Lahore para decidir.

Quinta-feira (1º de novembro de 2007)
Lahore


Pela manhã eu saí com algumas missões a cumprir, entre elas encontrar o correio, uma bicicletaria, comprar uma roupa tradicional, chamada shalwar-kamiz (algo como “calça e camisa”), a qual todos os homens usam e assim eu poderia passar despercebido em algumas regiões do país, com os trajes tradicionais e minha barba de alguns meses.

Encontrar o correio foi fácil, as bicicletarias também, até mesmo as lojas de roupas não foi assim tão difícil, porém não consegui fazer nada. Algumas das coisas que eu queria enviar para o Brasil era proibido aqui no Paquistão, como um simples DVD, eu precisava pegar minha bicicleta e levá-la para a bicicletaria e as roupas que eu encontrei não eram bem aquelas que iriam me fazer passar despercebido, pois tinham tantos detalhes, que eu chamaria mais a atenção usando elas que não usando nada.

Quando eu voltei para a hospedagem já era depois do meio-dia e as pessoas já se preparavam para ir até uma mesquita da cidade para conferir uma série de apresentações de música devocional muçulmana, chamada de qawwali (desse gênero musical o maior expoente é, sem dúvida, Nusrat Fateh Ali Khan, que morreu há uma década mas deixou uma grande obra que ainda pode ser apreciada).

Depois de rodar pela cidade, com mais de 20 turistas, cheguei à mesquita da cidade, onde via de regra havia apenas homens, todos sentados, olhando apenas e, algumas vezes, 1 ou 2 dançado ao som da música que o grupo tocava. Os cantores eram muito bons e a aprensatação que deixava cada banda tocar apenas 1 música durou por mais de 1 hora. Depois das apresentações que eram retribuidas não com palmas, mas sim com uma banho de dinheiro (recolhido durante a performance) sobre os músicos, seguimos para uma sala do local, onde nos serviriam o almoço, que comemos com as mãos.

Após todo o processo, voltamos para a hospedagem, mas no meio do caminho os grupos se separaram e acabaram cada um seguindo um caminho diferente. Quando eu cheguei na hospedagem, fiquei boa parte do tempo conversando com algumas pessoas e buscando organizar algumas atividades que eu tinha que fazer, porém quando eu vi já estava com fome, saindo para comer mais uma vez e depois já me preparando para ir conferir uma outra apresentação de música qawwali, porém desta vez, num estilo mais ritualístico.

Todos nós subimos novamente nos pequenos rickshaws e seguimos até um ponto distante da cidade, numa mesquista diferente que mais parecia uma casa. Porém, mas diferente que a mesquita era o que estava acontecendo dentro dela. Uma multidão se concentrava dentro do local para ver 2 sujeitos tocarem tambores num ritmo frenético, que conduzia as pessoas para um estado de transe. Como se não bastanssem os tambores, todos alí na platéia fumavam hashish quase que sem parar, num ato que faz parte da religião deles.

Mesmo aqueles que não fumavam já estavam entrando em transe também com a repetição da música e a dança de alguns poucos, que me lembrava algo como um terrero de umbanda no Brasil. A atmosfera do local foi apenas quebrada quando um sujeito chegou alí para tocar seu saxofone. Nada contra saxofones, porém naquele momento onde apenas os tambores falavam, algo ao estilo de Kenny G. não parecia se encaixar muito bem no repertório.

O sujeito sofreu com seu saxofone, já que o som de seu instrumento era incompatível com o som dos tambores. Eles foi persistente, mas num determinado momento teve que desistir. A partir daquele instante os tambores passaram a tocar mais alto e os cigarros carregados de hashish voltaram a se tornar apenas fumaça. Entretanto, eu já estava cansado daquilo e resolvi ir embora de volta para a hospedagem e encerrar este dia carregado de misticismo muçulmano.

Sexta-feira (2 de novembro de 2007)
Lahore


Meus planos era de hoje já deixar a cidade, mas no decorrer do dia persebi que isso não seria possível, pelo menos não hoje. Após o café da manhã muita gente foi embora, já que muitos ficam na cidade apenas para conferir as noites de música e rituais antes de seguirem seus rumos. A hospedagem que não tinha mais espaço nos útimos dias e obrigava as pessoas a dormirem no terraço do prédio, agora estava quase vazia.

Despedi-me de todos e voltei para minhas missões de dias atrás. Agora segui para o correio do país e não perdi muito tempo alí. Depois fui até um bicicletaria e alinhei minha roda traseira, que havia se tornado oval após a Índia e, em conseqüencia disso, os raios estavam sempre quebrando. Arrumei a bicicleta também. A única coisa que ainda me faltava, mas que a essa altura eu já havia desistido era um traje paquistanês.

Decidi então almoçar antes de voltar para a hospedagem e durante o meu almoço eu conheci um juíz do tribunal de justiça de Lahore. Fomos conincidentemente colocados na mesma mesa do restaurante e acabamos conversando bastante, antes de encerrarmos nossa refeição e cada um seguir o seu rumo.

Pela tarde na hospedagem, busquei atualizar meus diários e fotos antes de deixar a cidade, o que eu faria amanhã mesmo de qualquer forma. Segui até a noite escrevendo e buscando algumas informações sobre o país e coisas do gênero, até que fui interrompido pela chegada de alguns músicos que iriam tocar (qawwali) no terraço do prédio. Segui então para o terraço e assisti à aprensatação dos músicos, que fizeram tudo de forma gratuita. Ao final do show eu voltei para o computador, mas acabei dormindo na frente da tela, tão cansado que eu estava.

Sábado (3 de novembro de 2007)
Lahore – Islamabad – caminho às montanhas do norte


Eu acordei cedo e logo comecei a separar o que eu levaria em minha curta viagem e o que eu deixaria em Lahore, quase tudo. Sabia que se eu ficasse em Lahore, cercado de tanta gente interessante, eu não conseguiria trabalhar e seria melhor eu sair dalí o quanto antes. E meu destino eu já havia decido, o norte do país.

Eu que me sentia em casa na hospedagem onde eu estava, passei a reparar um ponto interessante: o quanto o Paquistão é diferente da Índia. Mesmo estando tão perto há inúmeras diferenças, inclusive em relação aos seus turístas. Aqui ninguém vem em busca de mestre, atrás de resposta ou como marinheiro de primeira viagem, aqui só vem quem sabe viajar e, especialmente, aqueles que não acreditam em tudo o que a imprensa diz, porque os que acreditam tem medo até mesmo de pensar no nome deste país.

Todos os estrangeiros que eu conheci aqui tinham uma história incrível. Diversos viajando de bicicleta, de moto, de paraglider, ou mesmo vindo de países como Afeganistão e Iraque. Não havia como negar que as histórias que eram contadas nesta hospedagem eram as melhores que eu já havia ouvido. Além disso havia uma grande troca de informações entre os viajantes que quase sempre seguiam em direções opostas.

Mesmo atraído pelo ambiente eu deixei a hospedagem hoje, por volta do meio dia, com apenas uma mochila, uma bolsa e minha câmera. Segui para a periferia da cidade, até um terminal de ônibus, da onde eu tomaria um coletivo para Islamabad, a capital do país. Isso foi fácil, um rickshaw me levou até o terminal onde os ônibus saia para a capital do país a cada 20 minutos. O ônibus era muito melhor do que eu poderia esperar: ar condicionado, assentos espaçosos e tudo muito organizado.

Numa estrada perfeita o veículo percorreu quase 300 quilômetros em apenas 4 horas e meia. Parecia que algo estava errado, tudo estava muito perfeito. Quando eu cheguei em Islamabad, com a ajuda de um senhor que eu conhecera no ônibus eu tomei um táxi para a cidade vizinha, Rawapindi, aonde estava o terminal da NATCO (Northern Areas Transport Company), de onde partiam os ônibus para as regiões nórdicas do país.

Eu estava pensando em dormir uma noite em Islamabad, mas resolvi já reguir de uma vez para o norte do país e assim ganhar um dia de viagem. Ao chegar na estação de ônibus já era noite e eu não tinha almoçado e nem mesmo jantado e pelo visto iria seguir assim mesmo. Comprei então a minha passagem de ônibus, cuja saída estava marcada para as 8 da noite, para uma viagem nada fácil que prometia durar de 15 até 18 horas.

Seriam mais de 24 horas dentro de um ônibus e eu já sabia que não seria fácil, mas eu não tinha escolha caso quisesse mesmo chegar ao norte do país. Comprei um pacote de bolacha, uma garrafa de água e subi no ônibus para a longa jornada. A viagem começou bem, e eu não demorei muito para pegar no sono. O problema era que o meu assento quase não se reclinava, não havia muito espaço para as minhas pernas, espacialmente pelo fato de eu ter que levar minhas malas comigo, além do fato do sujeito de meu lado também gostar que de se esparramar.

No meio da noite eu já não aguentava mais ficar alí e numa das paradas do ônibus eu resolvi procurar algum assento vazio para tentar dormir. Sorte ou não, eu encontrei a última fileira de assentos vazia, o que deixaria eu dormir na horizontal alí. A desvantagem era que justamente no final do ônibus era onde o veículo mais trepidava e oscilava. De qualquer forma deitei nos assentos sujos e até me cobri com meu lençol, para ter mais conforto.

Dormir bem alí era uma missão quase impossível. O ônibus pulava tanto que eu constantemente voava dos assentos e algumas vezes até caia fora dele. Fora isso pela estrada havia uma espécie de controle policial rigoroso que me fazia descer do ônibus a todo o momento com meu passaporte para preencher um livro com minhas informações. Mesmo assim a viagem seguiu.

Domingo (4 de novembro de 2007)
À caminho das montanhas do norte – Gilgit


O dia nasceu e eu sabia que eu ainda tinha muito chão pela frente, pois não haviam se passado nem 12 horas ainda. Bastava paciência. Eu não tinha mais sono, mas me sentia cansado. Eu não queria dormir mais, mas não tinha o que fazer e no final das contas sempre acabava dormindo mais uma vez.

O ônibus parou mais uma vez para o café da manhã e naquele momento eu já sentia um pouco da região, incluindo a paisagem montanhosa e frio que fazia. Comi um ovo frito e um chapati, mais uma xícara de chá com leite e depois o ônibus seguiu em frente. Somente por volta das 13 horas, 17 horas depois da partida eu chegava em Gilgit, a maior cidade da região norte do Paquistão. A maior, mas mesmo assim apenas com cerca de 25 mil habitantes.

No momento que eu pisei na cidade meu pai me telefonou, senti que ele estava aflito, mais que o normal. Descobri então o porque: o Paquistão havia declado estado de emergência. Isso nunca é bom, mas eu ainda não sabia o quanto ruim isso era neste caso. De toda a forma, eu estava numa parte do país onde nada chegava, nem mesmo os conflitos políticos. Sabia que poderia ficar por aqui até a poeira baixar também, isto é, se houvesse mesmo poeira para baixar.

Busquei conversar com algumas pessoas sobre a situação política do país e todas já sabiam, mas não estavam se importando, pois sabiam que era apenas mais um jogo político de Musharraf, que é muito bem aceito pela população em geral, especialmente a população rural. O estado de emergência, apesar de deixar o país virtualmente “sem leis” não afetava o dia-a-dia das pessoas, muito menos dos turistas, que, por um ponto de vista, estariam ainda mais protegidos sob a asa deste Estado militar ainda mais fortalecido.

Alguns turistas, os que nem deveriam estar aqui, já estavam arrumando as malas para sair do país, como se todos fossem morrer. Estavam seguindo para a Índia em busca de segurança. Certo ou errados, na minha visão é mais fácil morrer de diarréia na Índia que por algum conflito aqui no Paquistão. De qualquer forma, eles estavam tomando as decisões deles. (huaauahauhaa)

Caminhei um pouco pela cidade e depois de alguns minutos eu decobri que não havia nada para ser visto na cidade, mas também descobri que as pessoas eram muito simpáticas e hospitaleiras nesta região do país, onde as pessoas tem outra fisionomia, mais parecida com a do centro asiático – Tajiquistão, Kazaquistão e outros “quistãos”. Descobri que na cidade eu poderia fazer uma trilha até perto de uma das mais altas e perigosas montanhas do mundo – Nanga Parbat, com seus 8.125 metros – ou assitir à uma emocionante partida de pólo, jogo comum na região.

A trilha seria interessante, mas iria me tomar muito tempo, assim resolvi amanhã mesmo sair da cidade, seguindo mais ao norte até um famoso vale da região, o Hunza Valley. Mas isso já parte da semana que vem.

Para ver fotos de mais paisagens clique aqui:
http://www.nohorizons.net/Countries/Pakistan/Files/Karimabad%20(2).htm

Monday, 22 June 2009

A verdade sobre o Paquistao

Achei esse documentario muito interessante, espero que todos possam ver os videos =)






A Truth about Pakistan.

Pakistan is a sovereign country of more than 164 million peace loving people. It is 7'th declared nuclear state in the world and has 7'th largest army equipped with latest missile defence system.

Moreover Pakistan is a rapidly developing country and a major emerging market, with an economic growth rate of 7 percent per annum for four consecutive years up to 2007.

However, the year 2008 was not good for Pakistan and it faced certain problems created by those who have no concern with the prosperity of Pakistan, but soon the brave people of Pakistan will cope up those bad guys and by the Grace of Allah almighty, Pakistan will be once again on the road of prosperity .

Best wishes for the whole world
Pakistan Zindabad

Enquanto isso eu continuo dismistificando esse lado A do Pak, mas em breve (dependendo da minha inspiracao) sobre o lado B.

Amo esse videozinhooo

Wednesday, 17 June 2009

Pakistanis: Terrorists or Terrorized?

Achei muito interessante esse testemunho e quis compartilhar com voces-> Paquistaneses: Terroristas ou Aterrorizados?

Pakistanis: Terrorists or Terrorized?
By: Sharmeen
The night of May 10, 2007, was violently nightmarish for us.
My husband and I were on a yearly trip from our home in New York to visit family and friends in Pakistan. We arrived in Karachi on the night of May 10, 2007. My family met us at the airport and in just 20 minutes of landing, our car, carrying my sister, brother, and myself, rolled up to the front of my parents’ house.
Another car, carrying my husband and father, had left the airport bit sooner. We expected to see them removing the luggage as we pulled up. Instead, I saw my father and husband standing outside their car, encircled by four, young, clean-shaven boys brandishing AK-47 assault rifles.
Before I could comprehend the situation, there was a burst of rifle shots. In utter confusion, my brother threw the car into reverse. The armed men began spraying bullets at us, and we crashed into a lamppost. Wielding their rifles, they surrounded our car, smashing the windows with their guns and forcing us out into the street.
I was convinced that I would not see my loved ones again. My brother was pulled out of the car and beaten up before my eyes, while my husband and father looked on at gunpoint.
Meanwhile, another vehicle pulled alongside our car, yelled something at the armed boys, and they all zoomed off, taking only our luggage. We thanked our stars that it had not been worse.
It was not the first time I came face to face with violence in Pakistan. I was only a small child when I witnessed a 1986 bomb blast in the central business district of Karachi. I recall bright, red blood profusely spurting from torn and mangled limbs.
Today, the grim reality of daily violence is an ever-present concern for millions of Pakistanis. Sadly, fearing for the safety of one’s family is a part of everyday life.
From my perch outside Pakistan, the international discussion often focuses on my homeland as a place for harboring and exporting terrorists. What goes missing is any apparent concern for what is happening to civilian life within the country.
Since 2002, there have been 140 suicide blasts. But the total figures obscure a worrying rising trend: in 2008 alone, 61 suicide bombings killed approximately 889 civilians and injured 2,072.
“When suicide bombs are such a norm, who would cry over kidnappings, robberies, and murders?” said my brother.
The gang robbery we faced was called “political fundraising” by friends accustomed to daily life in Pakistan. Initially, it didn’t make sense to me. But two days later, it all came full circle.
The ruling party had planned a May 12 rally to support (now former) President Pervez Musharraf’s decision to depose Chief Justice Iftikhar Chaudhry. That same day, Mr. Chaudhry was scheduled to address bar associations in Karachi as part of his speaking tour across Pakistan.
The two sides had staked out their territory. Opposition parties had organized welcome rallies to support Mr. Chaudhry, while the Muttahida Qaumi Movement party (MQM), which claims to represent the middle- and lower-middle class Pakistani citizens—and whose leader lives in exile in London on charges of corruption and murder—planned another rally to support Musharraf’s decision.
It was a sure recipe for conflict. That day, armed supporters of leading political parties fought each other on the streets of Karachi. Approximately 50 civilians lost their lives. From the relative safety of our home, we watched the television as armed men moved freely about the city, blocking roads, burning cars, attacking each other, and damaging public property.
The police and army rangers were silent spectators—as they were on the night of our robbery. The crime against my family, while insignificant perhaps in light of the events two days later, had probably gone to fund the perpetrators of this political carnage.
But the disregard shown by Pakistan’s police force didn’t come as a total shocker—they are notorious for corruption, high-handedness, and brutality.
At the root of the problem are Pakistan’s weak political and legal institutions, and the lack of opportunities for educated and the resourceful youth. As such, those with the means (like myself) look to migrate abroad. Those who don’t have sufficient funds or connections to leave the country often resort to picking up arms—either for corrupt political leaders, on behalf of terrorist organizations, or sometimes just for themselves.
In fact, following a bank robbery in 2004, Pakistani intelligence officials reported that the young boys involved in such crimes represent a new brand of Islamic militants who are more educated, but less established, and thus largely cut off from traditional sources of terror funding, such as private money from rich families and charities in the Middle East.
The lack of economic opportunities for youth combined with religious indoctrination has resulted in a gang mentality, with violent crime as the obvious result. There are more students graduating than there are jobs available, and a lack of technical, professional, and vocational institutions adds to the problem.
In this climate, criminal activities offer a lucrative option, spiced with religious frenzy and anti-American banter that has roots in the U.S.-supported war against the Soviet Union in Afghanistan in 1979 and that has been re-inflamed by recent events.
If the scourge of terrorism is to be fought and won in that country, the United States will have to ally with local youth (in both Pakistan and Afghanistan) who can be won over by positive economic and social development.
In the past, Pakistanis have responded warmly to American humanitarian efforts. For example, after the United States pledged $510 million for post-earthquake relief efforts in Pakistan in 2005, 78 percent of Pakistanis expressed a more favorable opinion of the United States—with the strongest support among those under 35 years of age. Interestingly, this also resulted in a significant decline in support for Al Qaeda.
But what must come first is support for the rule of law and the rebuilding of a broken police and security apparatus. Until people feel safe at home and have opportunities for education, advancement, and steady employment, the lure of the gun will prove too strong.

Monday, 8 June 2009

Arte Islâmica nos EUA

Olha que bacana essa reportagem do site Uol
Artistas muçulmanas expressam conflitos políticos em um "expressionismo islâmico"

Depois de um longo namoro por telefone, a pintora Asma Ahmed, de Karachi, no Paquistão, casou-se com seu noivo, Rafi-uddin Shikoh, consultor de negócios em Nova York, numa cerimônia bicontinental, por webcam.
Quando a noiva se mudou para Queens em 2002, tentou se sentir à vontade, reivindicando seu espaço através da arte.
No Paquistão, o trabalho de Ahmed Shikoh era sócio-político e retratava sua visão de um país colonizado pelas redes de fast-food americanas em telas como "The Invasion" ["A Invasão"], na qual uma multidão de Ronald McDonalds, usando perucas de palhaço em vermelho gritante, cercam um monumento central em Karachi.
Aqui, entretanto, a arte dela foi ficando profundamente pessoal à medida que ela tentava se ajustar à sua nova identidade como imigrante e como uma muçulmana cada vez mais praticante (em sua terra natal, ela raramente punha os pés numa mesquita). Em suas primeiras pinturas feitas nos EUA, Ahmed Shikoh revestiu a Estátua da Liberdade em sua própria imagem: com um vestido de casamento paquistanês, como uma imigrante grávida e como uma mãe real, com seu bebê no colo. Depois ela usou tinta e caligrafia árabe para transformar o mapa do metrô em um manuscrito em urdu, que fez a cidade parecer mais sua.
Finalmente, em 2006, depois de tomar a difícil decisão de cobrir seu cabelo, inspirada por mulheres muçulmanas americanas que conseguiam combinar a fé e a carreira, Ahmed Shikoh começou a usar o lenço de cabeça como uma imagem recorrente em sua arte.
Aparentemente, Ahmed Shikoh, 31, tem pouca coisa em comum com Negar Ahkami, 38, uma artista iraniano-americana magra e de cabelos pretos, além do espaço na parede que elas dividem na recém-inaugurada exposição "The Seen and the Hidden: [Dis]Covering the Veil" ["O Revelado e o Velado: [Des]Cobrindo o Véu", em tradução livre], no Austrian Cultural Forum em Manhattan. Ahkami, que cresceu nos subúrbios de Nova Jersey, considera a si mesma apenas "tecnicamente muçulmana" e brinca com imagens estereotipadas de mulheres exóticas do Oriente Médio em sua arte.
Mas as duas têm em torno de 30 anos, são mães de crianças pequenas e artistas emergentes na região de Nova York. Ambas estão explorando suas identidades a partir de sua herança cultural desde o atentado de 11 de setembro. E ambas estão trabalhando para criar uma nova forma de arte islâmica que é moderna, ocidentalizada e centrada na mulher."Como mulheres artistas de descendência muçulmana, tanto Asma quanto Negar estão tentando descobrir quem elas são, olhar para si mesmas e sua herança cultural e ir além dos estereótipos", disse David Harper, curador da mostra do Austrian. "O que é mais interessante é que elas apresentam duas formas bem diferentes de examinar o assunto em solo americano.""The Hidden and the Seen", que vai até 29 de agosto, expõe obras de 15 artistas, 13 delas mulheres, entre as quais Ahmed Shikoh e Ankami são as únicas que moram nos Estados Unidos em tempo integral. A mostra é um evento-parceiro do Festival Muçulmano Vozes organizado pela Academia de Música do Brooklyn, a Asian Society e o Centro para os Diálogos da Universidade de Nova York.Nessa exposição, Ahmed Shikoh e Ahkami buscam humanizar as mulheres por trás do véu. A abordagem de Ahmed Shikoh é profundamente séria.Sua instalação, "Beehive" ["Colmeia"], é uma colmeia de abelhas de papelão cujas células estão preenchidas com os lenços coloridos que ela coletou de centenas de mulheres muçulmano-americanas que também enviaram mensagens - "Corri a maratona de Bolder Boulder usando esse lenço" - que pontuam esse trabalho intencionalmente mal-acabado.Em contraste, a peça de Ahkami é brincalhona, cáustica e bem acabada. Consiste em oito bonecas, uma dentro da outra, luxuosamente pintadas em cores brilhantes com rostos dourados, transformadas em "Persian Dolls" ["Bonecas Persas"]. A boneca de fora é austera, com sobrancelhas grossas e unidas, vestida com um xador [traje feminino muçulmano] inteiro e preto. As bonecas cada vez menores, do lado de dentro, usam lenços de cabeça Chanel ou vestidos de festa ou, a menor de todas, não usa nada além de suas próprias curvas."Sempre tive problemas com as imagens de mulheres iranianas, sóbrias, sem humor, vestidas em xador completo preto", disse Ahkami. "Para mim, essas imagens não refletem a verdadeira mulher iraniana assim como as imagens das garotas de harém feitas no século 19 não refletiam".Ahkami concedeu a entrevista recentemente em seu estúdio no Queens, sentada confortavelmente num sofá Luís 14, totalmente fechado, que ela desenhou para replicar os sofás ornamentados normalmente encontrados nas salas de estar iranianas. Ela o chama de "Suffocating Loveseat Sectional" [algo como "Namoradeira Modular Sufocante"]; sofás semelhantes aparecem, cheios de concubinas e mulheres encobertas, em suas pinturas fantásticas de cenas de harém.
Apesar de "Persian Dolls" ser uma escultura, Ahkami é principalmente uma pintora, de quadros com uma narrativa elaborada na qual ela combina a estética persa com a crueza psicológica da arte ocidental. "Sempre senti que deveria haver um expressionismo islâmico", disse ela. "Queria especialmente que a arte persa, que é tão delicada e refinada, não fosse tão distante da angústia que tantas pessoas lá sentiam.
"Ahkami também se sentiu angustiada. Filha de iranianos que emigraram nos anos 60, ela cresceu em Clifton, Jova Jersey, e se lembra de ter passado "verões mágicos" no Irã até a revolução islâmica de 1979. Com a crise dos reféns, seu mundo se dividiu em dois, fazendo com que ela se sentisse filha de um complicado divórcio público."Na época em que eu estava tentando me adequar ao ambiente, foi muito confuso para mim", disse. "Eu nasci aqui, e de repente a menina do outro lado da rua dizia: 'Você nunca me falou que era iraniana. Você disse que era persa.' E eu nunca mais a vi."Uma jovem artista supersensível, Ahkami não ficou magoada apenas com o colega de classe que sussurrou "ayatollah" para ela. Ela odiava ter que explicar como era sua família no contexto das imagens de televisão que fizeram todos os iranianos parecerem fundamentalistas que gritavam "morte aos Estados Unidos". Ela odiava a forma como a cultura que ela amava era "degradada, demonizada e reduzida a uma caricatura" tanto nos EUA quanto no Islã.
Anos mais tarde, com as habilidades que ela começou a desenvolver aos dez anos na Liga de Estudantes de Arte de Nova York, ela canalizou todos esses sentimentos em pinturas nas quais se apropriava desses estereótipos caricatos e os subvertia. Mas então ela se afastou de sua cultura. Ela se reconectou à consciência de sua herança cultural no ambiente da Universidade de Columbia no final dos anos 80. Nas aulas de história, ela percebeu conexões entre a arte ocidental e a arte persa que os acadêmicos desconsideravam, condescendentemente, na visão dela. Ela se formou em língua e cultura do Oriente Médio. Ahkami nunca deixou de fazer arte, mesmo quando "saiu do caminho" ao entrar para a faculdade de direito da Universidade Georgetown. Ao se formar, ela trabalhou primeiro numa firma de advogados da elite branca conservadora, depois no departamento jurídico do Museu de Arte Moderna. Durante o tempo em que esteve lá, ela começou a beijar papel.
Com a boca pintada de vermelho, ela usava suas impressões labiais para fazer retratos afetuosos de iranianas usando lenços na cabeça. Ela chamou essa série de "Lipstick Revolution" [ou a "Revolução do Batom"], num tributo às mulheres que procuravam se expressar através do hijab, ou vestido modesto, imposto pelo governo, usando um pouquinho de blush aqui, um pouquinho de rímel acolá.
Quando estava prestes a fazer 30 anos, Ahkami decidiu largar o emprego para pintar em tempo integral. Sua última semana de trabalho foi a semana de 11 de setembro de 2001."Depois daquilo, todas essas feridas em relação ao Irã que de fato nunca haviam sido curadas, abriram-se novamente", disse ela. "Por cerca de um ano eu trabalhei em casa, sem sair do meu apartamento por dias a fio. Eu fiz todos esses desenhos depravados em estilo caricatural, com todos esses personagens assustadores e brutos e depois, mais tarde, essas miniaturas persas coloridas."Eventualmente, conforme Ahkami passou tempo na casa de artistas, formou-se em belas artes, casou-se e teve um filho, ela elaborou um estilo único ao combinar esses dois impulsos em direção "ao visceral e ao refinado", em suas próprias palavras. Formalmente, Ahkami empresta elementos da arte persa, mas com mais entusiasmo, tornando as cores mais elétricas e a justaposição de espirais e padrões mais "cacofônicos", como ela diz. Ela também acrescenta textura com glitter, massa e camadas de tinta.Ao longo do tempo, Ahkami desenvolveu um vocabulário de ícones: déspotas de turbante, mesquitas derretendo e mulheres exóticas que ela chama de "fetiches ocidentais", como o emplumado "cabelo de Farrah Fawcett". Nas telas grandes ela coloca miniaturas de histórias dentro da narrativa central, como em "The Fall", a fantástica peça central de sua primeira exposição solo em Manhattan, que aconteceu em março na galeria Leila Taghinia-Milani Heller.
Na tela de 1,50 por 1,20 m "The Fall", ela retrata fileiras de iranianos em êxodo saindo de uma terra natal paradisíaca que derrete, passando por um cavaleiro persa sobre montanhas com padrão de tapetes persas no caminho para um futuro incerto - porém consumista.
Enquanto Ahkami, que é a primeira geração de sua família nascida nos EUA, se dispõe a olhar para o passado de sua terra natal com a complexidade de uma introspectiva habitante de Manhattan, Ahmed Shikoh, uma imigrante relativamente recente, olha principalmente para o futuro."Eu nunca me senti tão feliz ou tão livre", disse Ahmed Shikoh, na garagem de sua casa em Marlboro, Nova Jersey, onde "Beehive" ficou deitada no chão antes da abertura da exposição na Austrian. Transmitindo uma confiança serena, ela andava por sua própria célula de colmeia enquanto falava.
Em Karachi, Ahmed Shikoh considerava as mulheres que cobriam seus cabelos como relíquias do passado. Sua avó havia jogado fora o lenço de cabeça durante o período colonial britânico, e sua mãe foi a primeira mulher na família a frequentar uma universidade. Ahmed Shikoh lembra-se de uma mulher toda coberta em sua própria faculdade, uma escola de arte. Ela era uma figura espectral a quem os outros estudantes ignoravam."Ela tinha coisas belas a dizer", disse Ahmed Shikoh. "Eu sinto muito só ter percebido isso depois de me mudar para cá". Em seus trabalhos daquela época, Ahmed Shikoh depositava um olhar crítico no que ela considerava como manifestações do pós-colonialismo em seu país. Ela era particularmente obcecada com a onipresença do McDonald's e do Kentucky Fried Chicken.
Como mais tarde faria com a Estátua da Liberdade, ela refez uma imagem familiar em seu próprio país, o selo oficial em homenagem a Muhammad Ali Jinnah, fundador do Paquistão. Usando acrílico e esmalte, Ahmed Shikoh lentamente transformou Jinnah, ao longo de uma série de pinturas, no Colonel Sanders [fundador do KFC]. Da mesma forma, ela usou o estilo das pinturas indianas em miniatura para retratar um Big Mac gigante sendo transportado numa liteira real pelas ruas do Paquistão."As pessoas adoraram", disse ela. "Bem, as pessoas do McDonald's e do KFC não ficaram muito contentes, mas os outros..."Nunca tendo morado fora de Karachi até se mudar para Nova York, Ahmed Shikoh não imaginou a mistura de admiração e estranhamento que sentiria ao chegar aos EUA. "Aqui eu olhava para uma cidade imensa e nova e pensava: Onde é que eu me encaixo? Como posso tornar esse lugar minha casa e meu território?", disse.
Artisticamente, ela se voltou para sua Estátua da Liberdade e para as pinturas do mapa do metrô em urdu. Socialmente, ela começou a frequentar uma mesquita."Acho que, quando somos parte de uma minoria, começamos a procurar pessoas iguais a nós mesmos", disse ela. "Eu nunca tinha ido a uma mesquita no Paquistão. A mesquita, enquanto centro comunitário, descobri apenas aqui. Então fiz alguns amigos muçulmanos, e isso abriu meus olhos. Havia mulheres progressistas, modernas, elegantes, e que usavam o lenço na cabeça."Ao longo dos anos seguintes, Ahmed Shikoh lutou consigo mesma para não cobrir seu cabelo, pensando: Por que não usar apenas roupas modestas? Seu marido - que depois de vinte anos aqui está de certa forma mais relaxado e americanizado - ficou fora do processo de decisão. Sua mãe, cansada de ouvir ela argumentar consigo mesma,disse: "OK, o que você está esperando? Eles não farão uma festa para você começar a usar esse lenço." E então Ahmed Shikoh decidiu que Deus estava pedindo para ela usar o lenço como uma demonstração de fé."Eu tinha a liberdade para fazer a escolha nesse país", acrescentou. "Aqui as pessoas simplesmente deixam você viver sua vida."Ahmed Shikoh começou a fazer o que ela chamou de um diário do hijab [lenço]. Todos os dias, ela fazia uma pintura ou uma colagem que incorporava um modelo de lenço de cabeça, as vezes de um jeito brincalhão, como um hijab com iPod embutido ou outro, feito de massinha, na cabeça da personagem de desenho animado Dora, a Exploradora.
Depois, sentindo que estava muito concentrada em si mesma, ela espalhou entre suas amigas e na Internet a notícia de que queria fazer um trabalho artístico coletivo sobre o lenço de cabeça.
Ela recebeu 200 respostas em duas semanas, e lenços começaram a se empilhar em sua cozinha-estúdio. As mensagens anexadas eram desde banais - "Adoro lenços H&M" - até as dolorosas, como uma vinda de uma estudante do Texas, que enviou o lenço que ela usou em protesto mesmo depois que uma amiga foi "brutalmente atacada" no campus por usar o hijab. Ahmed Shikoh não estava certa sobre o que fazer com os lenços até o dia, em 2007, às vésperas de uma exposição solo na Galeria Ceres em Chelsea, ela leu um capítulo do Corão chamado "A Abelha", que a fez lembrar que as abelhas operárias são fêmeas. "Tornar esse país o meu lar foi como criar uma casa com todas essas mulheres me dando apoio", disse ela. "E então eu decidi construir uma colmeia". Ela também fez uma série de telas grandes de super-heroínas muçulmano-americanas inspiradas em suas amigas: uma médica, uma advogada e uma escritora. "Essas são as novaiorquinas muçulmanas fortes que salvam a cidade diariamente, ao contrário do que aconteceu em 11 de setembro", disse.
Assim como no Paquistão, o trabalho de Ahmed Shikoh mais uma vez se tornou político, mas de um jeito muito mais intimista.

Friday, 1 May 2009

Thursday, 11 December 2008

Points em Karachi

Como eu disse, estou aberta a sugestoes, e recebi de uma Amiga, leitora e linda, esse site muito interessante sobre Karachi, e aproveitando o topico anterior que mostrava essa cidade super industrializada e pre-moderna. Vale a pena conferir:
fonte: http://www.karachisnob.com/

Clicando no site, vc podera ver o lado Chic do negocio, porque a midia somente mostra a pobreza, terrorismo, guerras, mas eu vejo aqui em Islamabad tantas massoes, vcs num tem nocao, lindassss de morrer, um luxo! Cada carro lindissimo, so BMW, Porches, etc... Tudo bem que a grande maioria da populacao eh pobre, mesmo se compararmos com o Brasil, porque os ricos aqui seriam (baseado no salario) da classe media.
Pra vc que eh preguicosa vou colocar um pouquinho do site pra vc ficar com vontade de clicar heheheheh, tem muitas dicas otimasss de lugares, e que pra gente eh mesmo sendo caro ainda sai barato!




The newly opened Cinnamon Coffee Lounge offers a relaxing escape, away from the noisy crowds, and into a spacious and elegant atmosphere combined with a selection of high quality sandwiches, European desserts and coffees. As an entirely non-smoking lounge, Cinnamon Lounge ensures a pleasant and healthful ambiance which makes it perfect for business meetings, get-togethers or just quiet time with a favorite book and Latté.









New & Now in the City

SHARK IMPROVISATIONAL COMEDY TOUR
Saad Haroon, from the Creator of Blackfish, performs his Brand New Improve Comedy Show at PACC Auditorium, Wednesday, December 10th - 14th, 2008 at 8:00pm. Get out and laugh a little!! Tickets available exclusively at McDonald's.

BEIRUT ~ LEBANESE RESTAURANT IN ZAMZAMA
Authentic Lebanese cuisine combined with an exotic and modern ambiance of white couches and zebra decor create a dining experience reminiscent of the world's top cosmopolitan city nightlife venues

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THE KARACHISNOB FOOD DELIVERY GUIDE
Now you can get food delivered to your home or office quickly and easily using our convenient food delivery guide. Complete with phone numbers, menus, "Snob Approved" restaurants and more.

AVARI TOWERS GOES NON-SMOKING.
All restaurants, meeting rooms and public areas in Avari Towers Hotel are now entirely non-smoking areas. This implementation has greatly improved the ambiance and health of the atmosphere, as well as the general well being and comfort of all guests and staff. Congratulations Avari for taking this important public health initiative, which is the first of its kind in the hotel industry in Pakistan.


Se vc predente se casar em Karachi de uma olhada nessa pagina:
http://www.karachisnob.com/bridal_make-up_hair_beauty_salons_karachi.htm




Sabs is one of the premier salons of Pakistan and is known for its amazing bridal and valima make-up, hair styling, coloring and haircuts, herbal facials, acrylic nails, massages, slimming treatments and most importantly... customer satisfaction. After opening in 2001, Sab's quickly became one of the leading salons in the country. Sabs is currently one of the largest salons in Pakistan and offers premium facilities of which few of the other top salons offer.








E pra mim, uma das partes mais importantes e a Diversao, entaum da uma olhada nessa parte:
http://www.karachisnob.com/fun_things_to_do_in_Karachi.htm
AREA 51 -Bowling alley, pool, snooker & a cafe/restaurant.
ARENA
· Ice skating
· Bowling alley
·
pool/s
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kiddy rides
· arcade games
· gymnasium
· birthday party hall
· corporate hall
· BANQUET HALL
· WEDDING HALL
· cafe
· rock climbing
· miniature golf
· paint ball
· rangoli buffet
· gift shop
· desserts/mocktail bar


BODYBEAT- Dance workout set to the latest Indian and Hip-Hop music.
CANDELA SALSA GROUP-Classic Salsa Dancing Nights. Classic salsa, cha-cha-cha & merengue dances classes.

entre outros..
Esse site eh muito bom, cheio de dicas e pode ser usado como guia turistico, .. confesso que num estava nos meus planos ir ate Karachi ( mesmo que o tiozinho da embaixada do Paquistao ter me dito que era como Sao Paulo..) mas agora fiquei com vontade de conhecer.. hummm quem sabe

Obrigada Eve
ameiii





Wednesday, 10 December 2008

Documentario sobre Karachi

Esse eh um excelente documentario feito pela BBC com o ator Atta ( do filme Ae fond kiss), fale a pena conferir.
Ele volta a Karachi apos 20 anos que havia se mudado pra a Escocia, e mostra a evolucao, artistas, modelos, juventude etc
confiram os videozinhosssss ENJOY

Parte 1


Parte 2


adorooo

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