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Wednesday, 9 May 2012

Livro sobre muculmana Paquistanesa que se converte ao Cristianismo

Esse livro esta na minha lista! indicado por uma amiga, esse livro conta a historia de uma paquistanesa muculmana que se converte ao cristianismo vale a pena ler > acho que da para ler online por aqui http://www.scribd.com/doc/7256820/Bilquis-Sheikh-AtreviMe-a-ChamarLhe-Pai Atrevi me a chamar lhe PAI Atrevi-me a Chamar-lhe Pai - Bilquis Sheikh Quando o Espírito Santo tocou esta orgulhosa mulher da nobreza muçulmana, as repercussões se fizeram sentir ao redor do mundo! Está é a história verídica de Bilquis Sheikh, uma senhora muçulmana que repentina e dramaticamente sofre uma transformação completa ao encontra-ser com Deus por intermédio da leitura da Bíblia. Enfrenta, então, ameaças de morte, perda da família, da posição social e é forçada a deixar sua terra natal. Tudo isso por procura ser fiel a seu salvador. Pelos olhos da Sra. Sheikh podemos ver em primeira mão, o confronto entre cristianismo e islamismo, e o tremendo abismo existente entre as duas culturas. E, num nível ainda muito mais pessoal, descobrimos que o Espírito Santo muda os corações - ater nas circunstâncias menos prováveis. Nesta época de dificuldades, é vital que os cristãos ocidentais compreendam quão difícil é ser crente em terras muçulmanas e mediante essa compreensão percebem a preciosa dádiva que têm de adorar ao Senhor livremente. The book rolls on to cover some of her experiences in her walk with Jesus during the next seven years. As you can imagine, becoming a Christian in a resolutely fundamental Muslim country can make life very precarious to say the least. The ostracising from family and talk in the village of “something having to be done” about this woman who had become an “infidel” were not easy to bear. However, there is always a compensating factor in God’s economy it seems. Although Bilquis had only a limited circle of people with whom she could fellowship, God continued to speak to her and instruct her heart quite directly in a number of ways. In particular, she quickly learnt that when we begin to either fear or put our trust in the ‘arm of the flesh’ (our old natural strengths) spiritual peace departs. Whenever she repented of these things and simply trusted and obeyed the guiding of the Holy Spirit in her heart she would find afresh that comfort and sense of God’s presence and protection. Maintaining the knowledge and sense of His presence was everything to her.

Sunday, 14 November 2010

Livro retrata vida no Paquistão a partir de rotina de família

Livro retrata vida no Paquistão a partir de rotina de família
"Paquistão - Viagem à Terra dos Puros" será lançado nesta terça-feira (9).
Autor conviveu 2 meses com família paquistanesa na região de Peshawar

Um olhar descontaminado de preconceitos sobre o Paquistão, país que no mundo ocidental costuma ser associado a atentados terroristas, ditaduras, fanatismo religioso e a violenta rivalidade com a Índia, por conta da disputa territorial pela região da Cachemira. É o que propõe “Paquistão – Viagem à Terra dos Puros” (Editora Globo, 240 págs., R$ 29,90), livro do jornalista Fernando Scheller que será lançado nesta terça-feira (9), na Livraria Cultura do Shopping Bourbon.

A começar pelo título –“terra dos puros” é o significado de Paquistão em urdu, língua oficial do país- o que se observa é o contraste entre a auto-imagem de um povo que se vê como espiritualmente evoluído e a de apenas vítimas do terrorismo, propagado principalmente pelo domínio talibã, atribuída pelo Ocidente.

Para escrever o relato, Scheller conviveu durante quase dois meses com a família Khan, paquistaneses da tribo pachto que vivem em Mardan, na região de Peshwar, fronteira com o Afeganistão. Neste período, no qual ocorreram dois atentados, o autor teve de se adaptar a um contexto guiado por uma série de regras que “não foram feitas para ser entendidas, e sim seguidas".

O livro também revela, como afirma o texto de divulgação, o papel da fé e dos valores familiares na vida de paquistaneses comuns com os Khan. “Para muito além da noção ocidental de ‘fundamentalismo’, a crença, aqui, é vista como elevação espiritual traduzida em prática diuturna de atos de gentileza, solidariedade e compaixão.”

Nascido no Paraná e radicado em São Paulo, Fernando Scheller é repórter do jornal "O Estado de S.Paulo" e antes passou por veículos como "Gazeta Mercantil", a emissora alemã "Deutsche Welle' e pelo G1, onde foi repórter e editor de economia. É mestre em economia e política internacional pela Universidade de Kassel, na Alemanha, onde conheceu Mohammad Ishfaq Khan, cuja família abriu as portas para a experiência que resultou em “Paquistão – Viagem à Terra dos Puros”.

Serviço:
Lançamento de “Paquistão –Viagem à Terra dos Puros, do jornalista Fernando Scheller
Quando: nesta terça-feira (9), a partir das 19 horas
Onde: Livraria Cultura do Shopping Bourbon (Rua Turiassu, 2100, Perdizes)
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/11/livro-retrata-vida-no-paquistao-partir-de-rotina-de-familia.html

Thursday, 4 February 2010

Apoio das leitoras

Oi, Eu sou uma ASSIDUA leitora do seu blog e simplesmente adoro lê-lo, saber transparecer o que pensa através de palavras é um dom. Eu li seu ultimo post e fiquei muito triste com essa situação ( eu tbm leio o blog pakmixbrazil e o que fizeram com a Mishal foi horrrivel, eu senti uma vergonha alheia por akela moça, que é ofensiva e pior que isso preconceituosa). Sabe, algumas das coisas que vc escreveu eu jah passei pelo mesmo e ler seu blog e ver que eu naum sou a unica foi mtu bom, dá alivio, força, coragem, ver que meus problemas não é soh eu qe tenho e ver que meus sonhos não são tão absurdos e impossiveis pq outros tbm sonham na msma medida e intensidade e estão alcançando o que é o melhor de tdo é mtu reconfortante e encorajador. Carol, não se apegue as pessoas ofensivas, maldosas, invejosas, isso eh atraso de vida, atraso pra sua vida. Pra esses tipos de pessoas naum gaste seu tempo brigando, nao se ofenda, naum sinta dó o que vc deve fazer é rezar por elas pq essas pessoas tem problemas e sempre se defenda com amor, com carinho e boas palavras e isso nem é pra ser 'superior' eh pq essas pessoas precisam de ajuda pra tirar a inveja do coração, reze e apenas reze e pode ter certeza qe nada de ruim a atingirá. Eu conheci o seu blog eu tava pesquisando curiosidades sobre o paquistao pra um trabalho de inglês do meu curso e posso dizer qe li tdo, e por sua causa o Pak é um dos places to go da minha lista =D, pq eu naum conhecia nada agora eu descobri um pais encantador sem contar outros blogs tão bom qto o seu. Mesmo se vc deixe de escrever no blog ou o privatize eu qro que vc saiba que eu e mtas outras leitoras anonimas leem e torcem muito por vc e sua linda historia de todo o coração e que qr seu melhor mtu msmo e naum é pq leem o eu blog ou se simpatizaram por vc mas eh pq vc merece, vc lutou foi atras naum desistiu e esses tipos de pessoas que fazem isso como vc fez deve ser admirada, eu tenho certeza que vc e seu blog fizeram muitas pessoas seguirem em frente e naum fraquejarem e desistir. Eu li que está acontecendo uma grande mudança com vc, muito boa por sinal e o que eu te recomendo é reze, tome um banho de sal grosso..hihihi, vai em uma benzedeira..hihih, tome um banho de mar, vai que vai e seja mtu feliz!!!!!!!!!!!!!!
Quando eu fico nervosa com uma pessoa, ou ela me irrita, algo que me faça sentir algo ruim tem uma oração que eu li em um livro 'Salim, O magico de Malba Tahan' ( o Salim eh um muçulmano sirio casado com um cristã libanesa que por acaso se torna magico) que é mtu linda e leia pois o livro tbm pq eh mtu fofo e esse eh ate bom pra vc postar no seu blog pq coisa boa a gnt tem espalhar pra ver se toca o coração de outras pessoas =D
Aqui está:
"Conceda-me senhor a graça de ser boa,
De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas,
E tira da alma alheia o espinho que magoa."

Desculpa ter escrito tanto mas depois dakele seu post revoltado (e com razão!) eu quis te mostrar q tem gnt mtu bem intencionado lendo o seu blog. Nunk deixe akele pokos que são uns coitados controlar o q vc faz pq se vc fazer isso uma vez fará smp, ignore-os!!!

Tuesday, 23 June 2009

O que aprendi com os muçulmanos

Enquanto eu busco mais informacoes e vontade pra falar sobre a Sharia, vou falar desse tema que acho bacana tambem, ha um certo tempo (2 anos) e penso nisso..

Hoje eu postei bastante ne? Tem semana que eu nao posto tanto quanto hoje ahuahuahuaha

Entao vou dar meu testemunho com relacao ao que presensiei e senti convivendo com um Muçulmano mais de 3 anos e 4 meses em um pais que eh uma republica islamica. (ainda estou sem acento no teclado, sei la o que eu apertei..leigaleiga).
Eu perbeci que as mulheres sao mais devotas, isso eh o que vi ok? Nao estou generalizando, porque por elas (maioria) nao trabalham fora ou somente meio periodo, teem mais tempo para rezar, apesar que os homens vao mais a mesquista, especialmente as sextas, quando eh obrigatorio (como Domingo para nos Cristaos). Acho bonito o ato (posicao)de devocao ao se rezar, o compromotimento de muitos, o anuncio da oracao 5 vezes por dia (Azaan) tenho inclusive no meu celular. Acho bacana o objetivo de ir pelo menos uma vez na vida ate a Mecca para pedir perdao dos pecados..

Eles sempre pedem que seja feita a vontade de Deus- Inshallah! Obrigada a Deus Mashallah, entre outras. No Paquistao me senti voltando no tempo, na epoca Biblica, tipo junto com Abraao (que tambem eh considerado um grande profeta para eles), a sensacao foi retro, porem me senti perto de Deus, um povo humilde, senti que Deus me ouviu.

Por total ignorancia, realmente ignorava, eu me vestia de forma qualquer, nem tinha nocao da visao que as pessoas tinham das brasileiras, aprendi a me dar mais valor, apesar de que ao ver agora por outro angulo e nunca fui vulgar; me visto de maneira normal, porem nao me exponho, tentei me adaptar ao que ele me pediu, e nem mesmo por isso deixei de ser eu (leiam o post nao vou ceder, explico o que cedi nas roupas) ate porque pra mim foi natural, foi uma escolha minha para que agente "desse certo".

Gosto de ver que muitos param para fazer as oracoes, porem quem trabalha quase nao o faz, ou faz em outro horario, mas isso eh pessoal de cada um com Deus.
Achei muito bacana o respeito com livros sagrados, como eles respeitam, nao colocam em qualquer lugar, nao usar em baixo do braco, nem colocam em sacolas, nem usam pra se abanar (ja vi alguem fazer isso com uma parte da liturgia da Biblia), acho que eh o certo, eh um livro sagrado, inspirado e escrito por Deus tem que ser respeitado, e muitas vezes nao se eh passado, eu sei porque fui catequista.

Outra coisa que acho muito boa, eh se lavar antes de rezar, achei um ato muito respeitoso, por isso antes de tocar na Biblia hoje em dia pelo menos lavo minha mao.

Nem por isso me tornei muculmana, sempre fui catolica praticante e minha familia tambem, de grupos de jovens, catequese, encontrinho e encontro de casais. Por isso, no comeco tive muitos problemas com ele, agente brigou bastante, ate que entramos em um acordo, tentamos entender a religiao do outro ou pelo menos respeitar.


So ha uma coisa que eu acho que falta no islamismo, pelo menos eh o que eu percebi, a falta do perdao. DENTE POR DENTE, OLHO POR OLHO.

Eu sei que cada pessoa eh uma pessoa, porem uma parte da Sharia (lei) permite a vinganca, exemplo: seu filho foi morto, voce decide o que faz com o assassino.. e uma das suas opcoes eh mata-lo como seu filho foi morto. (muculmanos online, me contem sobre o perdao, porque nao presenciei, vi vingancas e muita magia negra la).

Mas Jesus disse: UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMAIS UNS AOS OUTROS; COMO EU VOS AMEI A VÓS, QUE TAMBÉM VÓS UNS AOS OUTROS VOS AMEIS.NISTO TODOS CONHECERÃO QUE SOIS MEUS DISCÍPULOS, SE VOS AMARDES UNS AOS OUTROS.Jo 13.34-35.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.


Acho otimo o fato de ser proibido alcool, quantas pessoas e familias sofrem por esse mau. Algumas das similaridades que nos ajudaram, vejam a foto acima, seria esse tipo de terco, nao sei o nome, mas tambem achei legal. Ele acreditam que Jesus seja a alma de Deus, apesar de que nos Cristaos acreditamos em um pouco mais que isso.
Tambem sobre Maria, que acho que muculmanos chegam mais proximos ao que eu acredito, que eh virgem, pura e mae de Jesus, coisa que ate muitos evangelicos nao acreditam; gosto muito do respeito que eles tem por Maria.
Em algumas coisas Muculmanos sao mais proximos dos judeus, em outras os Catolicos sao, mas ambas as religioes tem muitas coisas em comum.

Bom, espero que nao fique polemico e que respeitem o meu ver, mas claro que aceito a opniao e resposta de todos, afinal, ao passo que decidi escrever e me expor sabia de todos os "riscos".

obs: Achei esse livro quando buscava figuras pro post, alguem ja leu? Nao sei se fala mal ou bem, mas se alguem conhece me conte, segue a foto e descricao:


Os muçulmanos constituem uma ameaça ao mundo ocidental? O islã é uma religião de violência? Por que o islamismo é a crença que mais cresce em todo o planeta? Como sua bela e rica tradição cultural convive com a profusão dos homens-bomba, dos atentados em série e do terrorismo em larga escala? Para responder a essas e outras perguntas, Peter Demant, um dos maiores especialistas internacionais no assunto, escreveu O MUNDO MUÇULMANO, um livro provocativo e esclarecedor. Uma obra monumental do ponto de vista histórico, que rastreia as origens do mundo muçulmano, discute seus impasses contemporâneos e aponta as ações que precisam ser desencadeadas para se evitar uma ameaçadora "guerra entre civilizações". A tarefa é complexa - e da maior urgência. Este livro procura colaborar com ela.



Se tiver algo escrito errado, ai desculpa ja sao quase meia noite, estou com muito sono e amanha acordo as 5 =( fuiiii

Thursday, 26 February 2009

Sugestão de Livro

Como o blog também é cultura, gostaria de dividir com vocês dois livros muito interessantes:

Sobre o Islã- Ali Kamel
Não sou muçulmana, porém gosto de saber aonde estou me metendo hauhauhau, brincadeira, gostei desse livro pois não fala das diferenças entre as religiões, mas sim fala sobre as similaridades entre as três maiores fés: Cristianismo, Islamismo e Judaismo. Fale a pena ler! O legal é que o autor é brasileiro muçulmano casado com um judia.


SOBRE O ISLÃ - A AFINIDADE ENTRE MUÇULMANOS, JUDEUS E CRISTÃOS E AS ORIGENS DO TERRORISMO


Estudioso de longa data do tema, Kamel faz um interessante cruzamento dos ensinamentos das três principais religiões monoteístas do planeta - o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo - para demonstrar que a percepção geral da fé muçulmana como fonte de violência e terror é, para dizer o mínimo, errônea. Brasileiro, filho de um sírio muçulmano e uma baiana católica (filha, ela própria, de um muçulmano e de uma católica), e casado com uma judia, ele está inusitadamente bem situado para fazer uma avaliação sem os preconceitos nem as paixões que comumente turvam a visão de muitos que se debruçam sobre temas religiosos. Didática e jornalisticamente, Kamel leva o leitor a conhecer os princípios do islamismo, situando-o num contexto histórico-cultural preciso, e fazendo uma leitura comparativa não de suas diferenças com relação às outras fés monoteístas, mas de suas semelhanças: "Esse caldeirão cultural do qual sou fruto me ajudou a ver onde as religiões se tocam e onde se afastam", diz. Escrito de forma a prender a atenção, até mesmo do leitor não particularmente interessado em temas políticos ou religiosos, Sobre o Islã é uma lição de como fazer uma boa análise de um assunto que ocupa parte significativa do noticiário atual. Kamel certamente conseguirá atingir os objetivos expressos logo no início da obra junto àqueles que dedicarem algumas horas à leitura de seu livro: "Estarei satisfeito se conseguir (...) ressaltar que as três religiões monoteístas têm mais pontos em comum do que antes o leitor imaginava", e "dar ao leitor ainda mais certeza de que nenhuma delas é base para o horror do terrorismo".

320 páginas, preço médio: 30,00 reais



TENHO ALGO A TE DIZER -KUREISHI, HANIF

Em 'Tenho algo a te dizer', o psicanalista londrino Jamal Khan, tenta lidar ao mesmo tempo com os fantasmas do seu passado - entre eles um assassinato não inteiramente acidental - e os contratempos do presente, que incluem um filho problemático no início da adolescência, uma irmã mais velha com tendências depressivas e inclinação por sexo grupal, sem contar o medo cotidiano gerado por uma onda de atentados que abala Londres. Nas páginas deste romance, imigrantes asiáticos, artistas frustrados e desajustados de toda ordem convivem com popstars, bandidos, ricaços, cinquentonas solitárias e adolescentes perdidos. Orgias em antros londrinos e festas em luxuosas mansões rurais são o contraponto a um cotidiano de frustrações e falta de horizontes.
Obs: O autor é Paquistânes, e sofreu bastante preconceito na Inglaterra. Ainda não li esse livro, mas fiquei com vontade quando vi em um resvista, bati o olho e vi Paquistânes hehehe me chamou a atenção.
504 páginas, Preço médio: 58,00 reais


Achei essa entrevista bem interessante: http://blogdofavre.ig.com.br/tag/tenho-algo-a-te-dizer/
Seu livro termina com a crescente paranoia sobre homens-bomba, indicando que os atentados de julho de 2005 em Londres não serão os últimos. Como você, que escreveu o primeiro livro explorando a jihad inglesa oito anos antes desses acontecimentos, O Álbum Negro, vê o recrudescimento do sentimento racista contra muçulmanos na Inglaterra?
De fato, costumo dizer que os muçulmanos europeus formam uma espécie de almas perdidas na tradução, tentando construir uma identidade para eles baseada numa religião puritana. Porém, não se deve defender por isso uma reação violenta contra o Islã. Pessoalmente, a monocultura é, para mim, uma anomalia. Sou pelo multiculturalismo, tenho fascínio por ele. É provável que nem todos dividam o mesmo credo, a julgar pela crescente paranoia que vem, não de julho de 2005, quando as bombas explodiram em Londres, mas do 11 de Setembro.

O estilo literário de Tenho Algo a Te Dizer tem a ver com a tradição satírica de Swift, no sentido de eleger a farsa para tratar de problemas sérios. Essa é uma maneira de dizer, parafraseando D.H. Lawrence, que a nossa é uma era essencialmente trágica, mas incapaz de entender a tragédia?
Não acho que caminhamos para o cinismo apenas por ver as coisas de modo diferente dos gregos. Vivemos, sim, uma tragédia cotidiana, mas nosso dilema não é o de entender a tragédia, mas enfrentá-la. A verdade é que, a despeito da situação crítica mundial, não deixamos de ser otimistas. É o que muda nossa postura diante dos gregos. Quando criança, adorava comédia. A farsa foi meu caminho literário natural para entender o mundo. E continua sendo.
O psicanalista Jamal, personagem central de seu livro, acredita que a paixão sexual é a razão de viver de todo ser humano, mas você não parece dividir com ele essa opinião, considerando que, numa recente entrevista, você admitiu não ter mais ilusões sobre o sexo, falando mesmo num certo “thatcherismo da alma”. Pessoas da sua geração costumam - ou costumavam - dizer que sexo e amor são a mesma coisa. Você pensa diferente?
Há uma grande diferença entre intercurso sexual e libido, que pode estar ligada a uma outra atividade, como escrever livros, espécie de sublimação, admito, mas uma forma mais elevada de sexo. Passei anos fazendo sexo inconsequente, o que já não me interessa mais. Acho que houve uma vulgarização do sexo. No tempo de O Buda do Subúrbio, lutávamos contra a repressão sexual e hoje, liberados, vemos que as pessoas foram desumanizadas por conta da instrumentalização da sexualidade, esse ?thatcherismo da alma? que transforma o amor em mercadoria.

Você ocupa a cena literária há 20 anos, sempre elegendo temas polêmicos e personagens ambíguos, como o paquistanês de Minha Adorável Lavanderia, que faz uma “ponta” em Tenho Algo a Te Dizer. Autodestruição e irresponsabilidade parecem ser os traços comuns desses personagens. Como você constrói a identidade deles? Adota alguém conhecido como modelo?
Quando comecei a escrever nos anos 1980 adotava, de fato, pessoas reais como modelos de meus contos, novelas e peças. A maioria era uma combinação de gente que conhecia, mas isso foi mudando à medida que fui me conhecendo melhor e me interessando por outros temas além de preconceito racial e diversidade sexual. Não estou bem certo se meus personagens são autodestrutivos. Acho que alguns deles são irresponsáveis, mas isso é circunstancial.

Tenho Algo a Te Dizer pode funcionar como uma história social da Grã-Bretanha nos últimos 40 anos, como disse um crítico. Sua intenção foi mesmo a de escrever um épico ou fazer um balanço de sua geração?
É mais um balanço geracional de alguém que já passou dos 50 anos e que, jovem, tinha vergonha de ser descendente de paquistaneses. Queria acompanhar a evolução de personagens com o mesmo problema, como o garoto paquistanês que abre a “adorável lavanderia” com o amigo inglês e passa de um rejeitado “paki” (pejorativo para paquistanês na Inglaterra) a empresário conservador e bem-sucedido. Essa é a razão de Ali reaparecer em Tenho Algo a te Dizer. Sempre vi meus personagens como pessoas reais, que se transformam com o passar dos anos.

É comum ler resenhistas que comparam sua escritura à de Philip Roth e Saul Below, a despeito das nítidas diferenças entre seus livros e os deles. Quais eram suas referências no começo de carreira e agora?
Eram mesmo Philip Roth, Saul Below, Norman Mailer, além dos gigantes do romance francês, como Balzac. Hoje não tenho mais ídolos. Gosto de conversar com autores jovens e meus alunos. Tenho pouco contato com colegas escritores.

Há sempre um personagem homossexual em seus livros. Por que um homem casado e com três filhos se interessa tanto pelos gays? Você acha que homossexualidade é opção ou predestinação?
Não cheguei a nenhuma conclusão, mas acho que opção não é, de maneira nenhuma. Como uma criança pode escolher? No entanto, a inclinação homossexual surge na infância e ela nada pode fazer contra ela. Escrevo indiferentemente sobre gays e heterossexuais porque, para mim, a manifestação do desejo sexual impede pessoas de serem neuróticas, histéricas ou perversas.

Seu contato com a cultura pop é muito forte, a ponto de Mick Jagger ser mencionado no livro como o homem que recomendou a escola secundária em que Rafi, o filho do psicanalista Jamal, estuda. O que o pop significa para você?
Cresci na Inglaterra nos anos 1960, ou seja, num cenário inteiramente dominado pela cultura pop. Assim, é impossível renegar minha formação. Ainda amo o pop. As melhores cabeças da minha geração são do rock.

Freud está de novo no centro das discussões e também ocupa os pensamentos do principal personagem do livro, o psicanalista Jamal. Você, que faz análise, como vê suas teorias?
Freud é incontornável, o maior pensador crítico da sexualidade que o mundo já teve, além de um profundo estudioso de questões como o monoteísmo. A psicanálise me salvou das drogas e das obsessões sexuais. Pena não a ter descoberto antes. Escrevi Tenho Algo a te Dizer tendo em mente sua contribuição nos estudos sobre repressão sexual e O Mal-Estar da Civilização como guia.

Parece que seu público-alvo hoje é bem diferente do leitor que perseguia na época de Minha Adorável Lavanderia. Que tipo de leitor tinha em mente ao escrever Tenho Algo a te Dizer?
Primeiro, nunca tive em mente um só tipo de leitor, mesmo quando escrevi o roteiro de Minha Adorável Lavanderia, que poderia, teoricamente, ser dirigido aos gays. Escrevo para entender a mim mesmo, para me entreter.

Mesmo falando de coisas como preconceito racial e fundamentalismo religioso?
Sou fascinado pelo estudo das religiões, mas não estou interessado em nenhuma delas em particular. Frequentei, sim, uma mesquita quando meu pai morreu, mas para entender sua formação cultural, não porque pretendia me converter ao islamismo.

Você acredita que a Inglaterra se tornou mais racista desde que era criança e sofria o preconceito de colegas brancos? Ouvi dizer que você foi preso e o policial londrino disse que tinha uma “aparência mediterrânea”. Como reagiu a essa provocação?
Há muitas formas de racismo na Europa. A desse policial é apenas uma entre muitas. É difícil erradicar o racismo. Sempre haverá alguém disposto a odiar o outro por causa de sua cor, religião ou preferência sexual. Isso é inevitável. O que não é lícito permitir é a repressão da criatividade e das liberdades fundamentais. Preparo uma adaptação teatral de O Álbum Negro, que deve estrear em julho, em Londres, justamente por acreditar nisso.

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