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Saturday, 14 November 2009

Paquistão no Jornal Hoje- Parte 4

Mulheres paquistanesas tentam se libertar do rigor das leis do país
Quase metade das mulheres permanecem analfabetas. Preconceito e pobreza se somam para impedir que muitas meninas tenham acesso à educação.

O Paquistão viveu neste sábado (14/11) mais um dia de violência. Um atentado na cidade Peshawar deixou pelo menos 11 mortos. Entre as vítimas, seis crianças e mulheres.

Na última reportagem da série sobre o Paquistão, os repórteres Marcos Uchôa e Sérgio Gilz mostram a vida das mulheres que tentam se libertar do rigor das leis do país.

Um breve retrato/relato da situação das mulheres no Paquistão é difícil de se fazer... Dentro de uma cidade grande, a liberdade colorida de estudantes dá uma impressão de um otimismo de quem tem um mundo pela frente.

Já uma garotinha vendendo lencinhos no meio do trânsito reflete o outro lado da moeda, um outro mundo.

Quase metade das mulheres permanecem analfabetas. Preconceito e pobreza se somam para impedir que muitas meninas tenham acesso à educação.

Na região próxima ao Afeganistão a situação é muito pior. Ali a burca embrulha a mulher numa vida sem voz e sem rosto.

Às vezes, elas parecem acuadas, empurradas para um cantinho da vida em público.

No interior, onde a maioria vive, é uma vida dura parecida com gerações de mulheres que vieram antes delas. Séculos 21, 20, 19 o trabalho no campo não parece ter evoluído pra essa gente.

Entre casais e famílias muito conservadoras, o comportamento da mulher pode ser uma questão de vida ou morte.

Lavar a roupa suja muitas vezes acaba em assassinato. Cerca de mil mulheres por ano são mortas, são os chamados crimes de honra.

Quatrina Hussein tem um programa na televisão que tenta denunciar tanta violência.

"Muito do que acontece se diz que é em nome da religião, mas é tribal, cultural. Existem leis contra isso, mas não são cumpridas. Temos que punir as pessoas", ela diz.

Já a gravação de uma garota sendo chicoteada em público pelo taliban causou indignação no país e ajudou a unir a sociedade contra os terroristas.

Ao contrário do Brasil, o Paquistão teve uma mulher como líder. Benazir Bhutto foi primeira ministra duas vezes. Ia ser uma terceira quando foi assassinada.



Sábado, 14/11/2009

No Paquistão, quase metade das mulheres é analfabeta. Na região próxima do Afeganistão, elas são cobertas por uma burka, para não terem voz. Mas o país já teve Benazir Bhutto como líder duas vezes

Wednesday, 2 September 2009

Aula de Educação Sexual


Calma, eu não vou dar aula alguma sobre isso he he he (humor sarcástico)




Pensando com os meu botões, depois de ler uma reportagem sobre pedofilia, estrupo etc, no qual uma moça havia sido estrupada pelo tio, até os 11 anos ela não sabia o que estava acontecendo, pois pensava que era algum tipo de brincadeira sentar nua no colo do tio, também nú.


Após ter aulas de educação sexual na escola, ela soube que aquilo que ela fazia com ela era errado, era sexo.


As pessoas pensam que esse tipo de coisa não acontece no Paquistão ou em paises Muçulmanos, etc.. porém que primeiramente não existe aula de educação sexual, isso é uma coisa complicada, porque tudo o que eles aprendem é pela internet ou com os amigos...


Mitos, mitos e mais mitos sobre doenças, gravidez, impotência, etc chegam a serem muito hilários... e pra explicar??? As ocidentais dão aulinhas para os seus amores,....que apesar do fogo (mesmo virgens até os 30 anos e BV também) por trás de um mundo oprimido, aonde nem na tv há cena de sexo, beijos e raros abraços.. filmes com cenas de beijos já são constrangedores de se ver com a família e são raros em Bollywood e Lollywood (diga-se que bollywood anda mudando muito, cada vez mais ocidental, muita dança sensual, roupas curtas e muito jeans...).


Eu, sinceramente, prefiro ver uma coisa sem sex appeal, é mais clean, sem constrangimento... bom para todas as idades, crianças não crescem com malícia e com curiosidade antecipada.

Maasssssss, mesmo assim, aula de educação sexual é um master, porque ao meu ver, não acelera a curiosidade, como muitos pensam, que ao ensinar estariam insentivando o ato. Mas a falta de informação que esse jovens tem é complicado, muito ignorância, mesmo após adultos, poucos vão aos médicos, fazem exames preventivos de papanicolau ou de prostáta...

Sem aulas de educação sexual, e com pais oriundos de uma geração ainda mais conservadora, é impossível que os jovens descubram o que é certo ou errado por si mesmos, ou pesqusando na internet aonde milhares de coisas se misturam.
Por falar em misturar, grande parte não teria nenhum tipo de constrangimento ao ter essas aulas, porque até a faculdade, muitos cursos separam homens e mulheres, isso mesmo, escolas, salas, especiais para mulheres e outras para homens. Nenhum tipo de contato entre os sexos desde a infância, .... somente quando fosse fazer a pós graduação e olhe lá... O número de escolas aonde se separa por sexo é grande.

Ahhh o encontro e etc

ah gente fala sério, esse povo vai viajar no feriado, e todos estão me pedindo para adiar, e como ninguém confirmou 100% vou adiar até eu estar bem..

eu explico:
super confusão com a faculdade, mandei o dinheiro, documentos tudo... mas eles querem os originais,.. ha ha só rindo que eu mando meus originais pelo super correio do pak haahuhauhahauhauah
nem precisa dizer o quanto eu estou arrasada e quantas vezes nesse calor de matar do pak (mais de 45 graus), de jejum, ele foi na faculdade, em outro escritório, em outro órgão, bla bla cada um diz uma coisa, uns dizem que não precisa, outros que sim, ahhhhhhh baita enrolação!!! Mais de um mês nessa lenga lenga.. hehehehe
Só por Deus... eita país (tem acento?) desorganizadooooooooooooooo

=(
sabe quando tudo tem dado errado? Ontem quando ele me contou sobre isso (depois de dois dias quase sem nos falarmos por causa da falta de luz constante nessa M$^**@ de paísssss) eu fiquei arrasada, desnorteada.. completamente sem saber o que fazer!

Friday, 21 August 2009

Diário de Viagem- Semana 3

Diário de viagem no Paquistão- Terceira Parte


Segunda-feira (12 de novembro de 2007)
Lahore


Apesar de ter traçado meus planos para sair de Lahore ainda hoje, fui – como de costume – pego por alguns imprevistos. Ficar acordado até as 3 da manhã para terminar minhas atualizações ontem, foi um; ter leves problemas digestivos foi o outro. Não me sentia disposto o suficiente para começar a pedalar hoje, já que eu quero inciar a pedalar sem a previsão de parar tão cedo, devido à grande distância que serei obrigado a percorrer em apenas 2 semanas.

Com mais um dia em Lahore eu aproveitei para ver o que eu não havia visto. Caminhei por outras ruas, enviei alguns postais e visitei o Museu de Lahore. Em minha caminhada vi hordas de fotógrafos, cada um equipado com 2 ou 3 câmeras, apenas esperando alguma coisa acontecer na cidade, como advogados brigando com a polícia ou Bhutto provocando tumulto ou atentados.

Fora isso, nada de novo. O clima parecia estar ficando mais tenso na cidade, com a presença de Benazir Bhutto e mensagens de grupos terroristas afirmando que vão matá-la num atentado à bomba em Lahore. A hospedagem que estava cheia de turistas quando eu cheguei, 2 semanas atrás, agora já estava quase vazia e os visitantes continuavam migrando para a Índia. Apesar da leve tensão no país, eu estava decidido à atravessá-lo e era melhor fazer isso o mais breve possível, ou seja, amanhã.

Terça-feira (13 de novembro de 2007)
Lahore – Bulagary (101 km)


Não acordei com o despertador e quando despertei, mais tarde do que esperava, fiz tudo da forma mais rápida possível. Fechar as malas, comer, alongar meus músculos e despedir de todos. O problema foi que mesmo assim, só consegui sair para a rua por volta das 11 da manhã, que era tarde para iniciar um pedalada de 100 quilômetros numa época em que o dia acaba às 5 da tarde.

O melhor que me aconteceu foi que ao me despedir dos funcionários da hospedagem, comentei que iria parar numa cidade chamada Pattoki. O sujeito então disse que alí não havia nem hotel nem nada do gênero, mas ao mesmo tempo disse que morava nas proximidades dessa cidade. O melhor de tudo foi que ele disse que estava voltando para sua vila hoje e que se eu quisesse poderia ficar na casa dele por algumas noites.

Aceitei o convite e fui embora para a estrada. As ruas de Lahore não eram nenhuma maravilha e me deram bastante trabalho até sair do perímetro urbano da cidade. Somente depois de 20 quilômetros foi que a estrada começou a melhorar e se tornar mais possível de ser pedalada. A partir daí eu não parei muito, apesar das diversas pessoas que me cumprimentavam e me chamavam para conversar, tomar um chá, comer um chapati ou apenas sentar e descansar.

Parei apenas um vez no meio na estrada para comer um pouco e depois continuei. Quando cheguei em Pattoki percebi que se eu estivesse disposto a ficar por alí teria problemas mesmo. Uma cidade suja de beira de estrada, sem nenhum tipo de acomodação e lotada de gente. Segui então para a próxima cidade, chamada Habibabad, onde – segundo o mapa que Khadim havia desenhado para mim – eu deveria entrar à esquerda e seguir por alguns vilarejos até a vila de Khadim, Bulagary.

Os dias estavam cada vez mais curtos e hoje não foi diferente, às 4 da tarde o sol, já baixo, começou a se esconder atrás da imensa e espessa núvens de poluição. Às 5 horas da tarde me restava apenas poucos minutos para conseguir ver o que havia à minha frente. Foi exatamente nesta hora que eu entrei no estreito caminho para a vila de Khadim. Tive a sorte de poder contar com a ajuda de algumas pessoas que seguiram para lá de carroça e me guiaram até a vila.

Quando cheguei em Bulagary já era noite e eu não tinha a mínima idéia de onde eu deveria ir dentro daquelas ruas de terra sem nome e casas de barro. O local era maior do que eu imaginava também. Perguntei então para um garoto que passava na hora e perguntei se ele sabia onde era a casa de Khadim Hussein. Ele disse que sabia e se propôs a me levar até lá. Não precisei pedalar mais que 50 metros para chegar até a casa de Khadim. O problema foi que ele ainda não havia chegado em sua casa.

Mesmo na ausência de Khadim, a família foi muito simpática comigo me convidando para dentro da casa e me deixando a vontade, ainda que houvesse quase que apenas mulheres na casa e elas não pudessem falar comigo mesmo que soubessem falar inglês, devido à conduta imposta pela religião islãmica (mulher casada não fala, não olha e, muito menos, toca um outro homem). Tomei então um banho, coloquei meu largo traje muçulmano e esperei Khadim.

Durante minha espera chegou um amigo dele, que se indentificou como irmão de Khadim. Conversamos. Bem, tentamos nos comunicar um pouco com mímica e poucas palavras até que chegaram com meu jantar: 2 chapatis, uma porção de vegetais refogados no fogo a lenha do quintal e um copo d’água. Tinha fome para mais, mas fiquei quieto, diante da situação daquele aldeia, capaz de fazer qualquer imagem das secas do nordeste parecer um passeio no parque.

Logo que terminei de comer o amigo de Khadim, me levou para fora da casa para “me mostrar o vilarejo”. Obviamente não havia mulheres nas ruas, já era noite, no entanto parecia que todos os homens estava fora de suas casas. O agrupamento desses homens era algo curioso, sempre em volta de tipo de um nargileh (instrumento usado para se fumar tabaco) típico do Paquistão, com apenas um braço metático de cerca de um metro de diâmetro, porém numa base giratória, que facilitava a socialização da fumaça.

Apesar de dentro desse gigante cachimbo só se queimar tabaco, logo descobri que por alí as pessoas queimavam algo mais. Quase todos os homens do vilarejo fumavam hashish de forma delibarada. Seria fácil julgar esses homens que fumavam essa substância, mas depois de algum tempo com eles, percebi que eles nunca fumavam sozinhos e fora hashish eles não consumiam nenhum outro tipo de droga, nem mesmo álcool, que é mais recriminado que o próprio hashish por aqui. Caso algum deles fosse pego bebendo a metade da quantidade que um adolescente de 15 anos bebe no Brasil, aqui eles já teriam grande problemas com as pessoas, sendo tratados pelo o que a nossa sociedade chama de “drogados” e correndo o risco de ir para a cadeia.

Quando estava nas ruas desta aldeia, Khadim chegou. Com ele alí eu poderia falar com as pessoas, já que ele conseguia entender e falar razoavelmente inglês. Khadim fez questão de me levar para conhecer todas as rodas de amigos de sua aldeia, todas formadas em função do tabaco ou do hashish. Somente quando já era tarde e eu já havia conhecido quase todos os homens da comunidade, fui embora para a casa de Khadim para dormir.

Quarta-feira (14 de novembro de 2007)
Bulagary – Sahiwal (84 km)

Acordei cedo, pelo menos para o Paquistão, onde as pessoas não conseguem acordar antes das 8 da manhã e as escolas começam as aulas às 9 da manhã. Khadim já estava acordado e sua mulher já preparava o café da manhã de todos no fogão a lenha instalado no chão. Comi o mesmo que no jantar de ontem, com a diferença que hoje havia um copo de lassi, que parecia estar estragado, mas o bebi mesmo assim. Logo que acabei de comer, Khadim me convidou para dar uma volta em sua vila e conhecer a vida local.

Eles começou pela sua família, que incluindo tios, primos e todos os parentes possíveis, totalizava quase que o vilarejo inteiro. Todas as casas eram feitas de barro com tijolos, ou de cocô de vaca e barro apenas. As ruas tinham uma poeira avermelhada mais fina que talco, que subia a cada vez que um pé tocava o solo. Os búfalos saiam sozinhos às ruas, onde as cabras já estavam fazia algum tempo, onde os cachorros latiam e as galinhas fugiam das pessoas.

Depois de mostra-me as ruas, Khadim foi me mostrar novamente as pessoas, que em plana manhã já se reuniam para fumar o que fosse. Cada círculo de pessoas me oferecia alguma coisa, gerelmante um copo de chai feito com leite de búfala tirado na hora. Após os amigos, seguimos para outros pontos de interesse como a escola local, a oficina do artesão e o cemitério da vila. O mais curioso foi o cemitério, pois não havia sinal algum para identificar os túmulos, sendo todos apenas um monte de terra batida num terreno repleto de montes de terra batida.

Se eu deixasse, Khadim ficaria me mostrando a vila até a noite, mas eu tinha que ir embora, caso contrário acabaria passando a noite por alí novamente. Voltei então para a casa de onde havia deixado minhas coisas e arrumei tudo para seguir em frente. Despedi-me de todos e segui em frente, com a intenção de chegar em Harappa, mas sem saber se eu chegaria ou não.

Na estrada eu apenas pedalei em direção ao oeste, contra um leve vento e entre algumas pequenas cidades e muitos postos de gasolina, quase sempre amplos e bastante organizados. Ao final da tarde eu estava em Sahiwal, a maior cidade da região, logo antes da vila de Harappa, que era o meu objetivo. Não sabia o que eu encontraria em Harappa e nem a distância que eu teria que percorrer para chegar até lá. Com o sol em já seus últimos minutos eu resolvi ficar por Sahiwal e não arriscar uma pedalada extra.

Parei então a bicicleta no acostamento da estrada, já na parte urbana da cidade, com a intenção de pensar o que eu faria. Infelizmente percebi que pensar não seria possível alí. Em poucos minutos já havia uma roda de mais de 10 pessoas ao meu redor, todas rindo ou falando algo que eu não tinha nem idéia. Isso não era comum no Paquistão, mas estava acontecendo agora. Era um momento indiano fora da Índia (mas não tão longe de lá).

Iria ficar na cidade, mas era melhor encontrar um lugar para ficar, pois já havia percebido que não teria paz com aquelas pessoas. Parei então num hotel e logo tive a resposta padrão da Índia: estamos cheios, mesmo que as chaves dos quartos estivem quase todas alí. Nunca consegui entender o porque deles fazerem isso e gostaria de descobrir. De qualquer forma, tive que procurar outra hospedagem pela beira da estrada.

Não longe de minha primeira tentativa eu encontrei outra hospedagem, um pouco mais afastada da estrada, o que amenizava o ruído dos motores. Consegui um quarto, jantei, descobri que não havia nada para ser visto na cidade e voltei para o quarto para dormir e começar outro dia amanhã.

Quinta-feira (15 de novembro de 2007)
Sahiwal – Harappa – Lahorinwala (51 km)


Sabia que Harappa não estava longe de mim, apenas não sabia o quanto. Pedalei por cerca de 20 quilômetros e resolvi perguntar para alguém. Coincidentemente eu já estava praticamente na entrada da estrada que me levaria até a vila de Harappa e depois para o museu e sítio arqueológico de Harappa. Foram mais 8 quilômetros por entre ruas estreitas e pequenos vilarejos até chegar ao sítio arqueológico de Harappa.

Parei a bicicleta na guarita de entrada, paguei 200 Rúpias e entrei no museu, onde a fotografia era estritamente proibida. O museu não era muito significante, mas bastante interessante para mim que já havia estudado um pouco da civilização do Vale do Rio Indo, a qual é a base da população do que hoje se conhece como sub-continente.

Em poucas palavras, os registro dessa civilização datam de mais de 5000 anos atrás e mostram umas das mais avançadas civilizações da ápoca. Dessa civillização, da qual as informações ainda são bastante escassas, sabe-se que a cidade de Harappa juntamente com Moenjo Daro formavam a capital dessa civilização. Em ambas escavações formam encontradas uma arquitetura avançada, com sistema de água e esgoto, que mostrava que eles se importavam com a higiêne. Também foram encontrados diversos trabalhos em pedra e selos mostrando uma espécie de culto à natureza, animais (especialmente o búfalo) e à mulher.

Depois de meu passeio pelo museu eu segui para o sítio arqueológico que ocupava uma grande área do local. As escavações não eram as melhores que eu já havia visto, já que o máximo que conseguiram reconstituir foi a base das construções. Obviamente isso era interessante, mas estava longe de ser tão cativante como Machu Picchu ou Angkor Wat, mas havia toda a história de uma civilização atrás de cada uma daqueles blocos. Blocos que até pouco tempo estavam sendo roubados para a construção de casas e até mesmo da ferrovia que pessa perto dalí.

Após a visita ao sítio arqueológico eu voltei para a minha bicicleta e fui embora. Diversas pessoas tentaram me ajudar em relação ao caminho, mas no final das contas apenas me confundiram e eu acabei tomando o mesmo caminho que eu havia usado para chegar ao local. Quando eu voltei à estrada perguntei sobre a localização de Lahorinwala e descobri que estava mais próxima do que eu imaginava.

Poucos quilômetros depois eu já estava no vilarejo, onde perguntei sobre a casa de Mohammed Ashraf e todos sabiam me indicar. Quando cheguei na casa não sabia quem procurar, muito menos o que dizer, já que eu não falo a lingüa local, o urdu. Logo M. Ashraf apareceu e me convidou para entrar, já sentando na cama em que eu dormiria nesta noite. Por algum tempo eu fiquei sozinho, mas aos poucos chegaram mais pessoas até um ponto em que o quarto estava repleto de pessoas, quase todas olhando para a minha cara e tentando se comunicar comigo de alguma forma.

Até certo ponto isso foi bastante interessante, mas quando o relógio já marcava 11 horas da noite e todos ainda estavam alí e eu já com sono, percebi que teria que fazer alguma coisa. Fui direto e disse que queria dormir, não tinha o porque de usar um caminho mais longo para dizer isso e quase todos foram embora na mesma hora. Quase todos. Alguns sujeitos ficaram por alí ainda e só me deixaram dormir quando já era quase meia-noite. (tadinho.. porque será que no pak eles tem mania disso? dormem muito tarde, acordam também... nós somos a única diversão deles hehehehe)

Sexta-feira (16 de novembro de 2007)
Lohorinwala – Multan (132 km)

Acordei cedo, hoje não poderia perder muito tempo caso quisesse pedalar uma longa distância. Arrumei tudo rapidamente e logo já estava pronto para a estrada, mas esperei o café da manhã e depois esperei todos da casa virem se despedir de mim, eu tive que esperar os que chegariam na casa para se despedir de mim. Quando já era 9:30 da manhã e eu via que já teria problemas para chegar em Multan durante o dia e decidi ir embora e não esperar mais ninguém.

A manhã estava fria e com uma névoa que não me deixava ver mais do que 10 metrso à minha frente. Precisava contar com minha audição agora. Por algum tempo foram meus ouvidos que me guiaram, mas conforme o sol se levantava, a neblina também ia embora e a temperatura se elevava.

Durante toda a manhã eu não me sentia disposto à pedalar e já previa que eu não conseguiria chegar em Multan hoje, tendo que parar no meio do caminho para continuar a viagem amanhã. Assim, parei algumas vezes para comer e beber e por fim cheguei em uma cidade chamada Khanewal, a qual ficava a apenas 40 quilômetros de Multan. Sabia que qualquer hotel da cidade seria uma porcaria e a melhor opção seria acampar.

Até entrei num hotel para ver as condições e percebi que não eram nada boas. Assim, decidi acampar num gramado de algum posto de gasolina pela estrada. Quando eu encontrei um posto de gasolina razoável, lembrei que eu não tinha comida, não havia nenhuma restaurante por perto e o posto de gasolina não contava nem com água para eu tomar banho de caneca.

O sol estava se pondo e eu percebi que mesmo que eu quisesse eu não conseguiria dormir na barulhenta lateral da estrada. Assim, tomei a decisão de pedalar nem que fosse um pouco durante a noite, mas de chegar em Multan e descansar por um dia na cidade. Subi na bicicleta, coloquei a uma lanterna em minha cabeça e outra na traseira da bicicleta, agora estava pronto para encarar a noite.

Tive luz por mais cerca de 10 quilômetros e depois já era plena noite. Continuei em frente dentro da noite, do frio e da neblina que fazia. Pedalar à noite não é das atividades mais agradáveis de se fazer, ainda mais numa estrada movimentada e num país como o Paquistão. O problema que surgia era a fome, pois eu não tinha comida e a última refeição que havia feito havia sido no café da manhã.

Agora já estava cansado, com fome, com frio e no escuro, mas de uma forma incrível, completamente calmo e tranqüilo, tão tranqüilo que até parei no acostamento 10 quilômetros antes de Multan para comer algumas bolachas que eu lembrei que tinha. Comi traqüilamente as bolachas e depois abri uma folha de papel para descobrir onde eu poderia ir em Multan e onde encontrar um hotel.

No que eu procurava, um sujeito se aproximou de mim para perguntar se estava tudo bem e se eu precisava de ajuda. Disse que estava tudo bem e que eu não precisava de nada a não ser a indicação de um hotel razoável na cidade. O sujeito disse que não sabia me indicar, mas disse que morava perto dalí e que eu poderia dormir na casa dele se eu quisesse. Ele estava de carro com sua família. Achei que não teria problemas e aceitei o convite.

Segui o carro por uma curta distância e cheguei até o vilarejo onde ele morava. No entanto, ele não era um simples morador do local, mas ele era o dono de toda a vila. Sua casa, uma espécie de mansão, ficava no centro dessa aldeia e ele tinha alguns funcionários que trabalhavam para ele, o que é raro por aqui. Logo ao chegar alí ele me deu um quarto, me mostrou o banheiro e disse que em poucos minutos o jantar estaria pronto.

Logo o jantar estava na mesa e eu tive a oportunidade de comer algo que não era bem paquistanês, uma pizza e queijo. Comi muito, como fazia tempo que eu não comia e depois fui para o quarto para uma merecida noite de sono.

Sábado (17 de novembro de 2007)
Multan


Como era sábado toda a família estava na casa, o pai, a mãe e os 3 filhos. Tomamos café da manhã juntos e depois eles foram me mostrar a vila deles, do galinheiro no fundo da casa até a fábrica de blocos e os grande terrenos para o plantio de cana-de-açúcar. Quando eu já havia visto tudo disse que iria até a cidade (Multan) para fazer algumas coisas e ver alguns dos templos da cidade.

Apesar de toda a hospitalidade da família eu não sei dizer até que ponto eles estava felizes em me receber alí. Eu sentia que eles estavam fazendo uma obrigação de me receber na casa deles, especialmente pela mãe da família que era falsa e dissimulava suas atitudes a todo o momento tentando parecer simpática. O pai da da família desde que eu havia dito que não era muçulmano já não fazia questão alguma de conversar comigo. Assim, passar o dia em Multan seria uma ótima saída para hoje.

A idéia do passeio em Multan não foi muito longe. Com alguns argumentos sem pé nem cabeça a família resolveu me levar para conhecer Multan. O passeio programado pela família não me mostrou muito da cidade, com exceção do parque, de um mausoléu e dos lugares que eles queriam ir. Após o passeio voltamos para a casa da família e teve início o momento mais emocionante do dia.

Um dos filhos da família me perguntou o que eu levava para a minha proteção. Mostrei para ele minha perigosíssima faca de menos de 10 centímetros e disse que acreditava em Deus (apesar de não ser fanático por nenhuma religião). Pensei que como bons muçulmanos, que parecem fazer tudo para Allah, eles iriam concordar. Estava enganado. Eles disseram que eu tinha que me proteger melhor, pois estava passando por longares perigosos, e começaram a mostrar a coleção de armas que eles tinham.

Começaram com uma simples espingarda de chumbo, com a qual eles brincavam dentro da casa para o meu espanto. Depois passaram para algumas carabinas e chegaram a uma escopeta e um cinto de cartuchos digno de Silvester Stallone. Passei a notar o quanto os filhos da família eram obcecados em armas. Mesmo após o show das armas eles chegaram com fotos dos melhores momentos da família. Os garotos ainda bebês, a primeira bicicleta, a primeira arma e a primeira experiência com uma metralhadora automática. (eita...)

Depois de tudo isso, eu apenas resolvi ficar sozinho um pouco e arrumar todas minhas coisas para deixar a cidade na manhã de amanhã.

Domingo (18 de novembro de 2007)
Multan – Bahawalpur (103 km)


Pela manhã eu já tinha tudo pronto para deixar a cidade. Havia arrumado minhas malas, me alongado e até passado o protetor solar, mas descobri que seria uma grande falta de educação ir embora sem tomar um café da manhã com a família. Não me sentia muito bem em relação ao estômago, mas mesmo assim sabia que teria que comer para poder conseguir pedalar uma distância de cerca de 100 quilômetros.

Após o refeição eu me despedi de todos e segui em frente, sabendo que teria muito que pedalar hoje. No entanto, antes de começar a pedalar para valer eu tive que procurar um banheiro na estrada. As estradas por aqui nem sempre possibilitam a improvisação de um banheiro devido ao grande número de pessoas que existe por toda a parte, assim tive que parar num posto de gasolina e pedir para usar o banheiro.

Depois de me aliviar emergencialmente eu sabia que estava pronto para pedalar. Com o ar parado e diversos caminhões me ajudando com o movimento de ar que geravam eu tive um empurrão extra hoje, conseguindo desenvolver uma velocidade média acima do comum. Quase não parei pelo caminho e mesmo saindo mais tarde do que eu esperava de Multan, eu consegui chegar cedo em Bahawalpur, onde logo encontrei um lugar barato para passar a noite e depois saí para comer uma boa refeição, para curar meu estômago e encerrar esta semana de boas pedaladas e algumas surpresas.


=) amooooooo
mas parece que essa parte foi meio dark! Dá pra sentir a desaminada dele.

Thursday, 20 August 2009

Diário de Viagem - Semana 2

Por isso que eu amo o Pak!!!!!!!

Essa série está tudo de bom, que nem pude esperar pra postar a segunda parte.
Eu tinha colocado o link do site, mas deu erro em tudo aqui.. aff, no último post eu coloco oks?

Diário de Viagem - Segunda Parte




Segunda-feira (5 de novembro de 2007)
Gilgit – Karimabad (3 horas)


A noite havia sido fria. Fria como havia tempo que eu não via. Apesar do frio, os dias estavam espetaculares neste começo de outono, quando o clima ainda está bastante seco e o céu completamente azul. Dei uma volta pela cidade logo pela manhã, em busca de do centro de informação e de descobrir o preço da passagem aérea de volta, já que eu não estava nem um pouco interessado em tomar aquele ônibus mais uma vez.

O centro de informação parecia que não iria abrir tão cedo nesta segunda-feira, a companhia aérea cobrava uma valor mais caro do que eu esperava e a úncia coisa boa desta minha caminhada foi que eu encontrei a roupa paquistanesa que eu queria numa loja de roupas usadas e o melhor, por uma camisa e calça que eu queria, paguei apenas cerca de 7 Reais.

Depois disso eu voltei para a minha hospedagem, arrumei minhas coisas e parti para o ponto de ônibus, para tomar um veículo rumo à turística cidade de Karimabad, localizada no coração do Vale do Hunza (a melhor tradução que eu encontrei para Hunza Valley). A van comportava 18 pessoas e não sairia da estação enquanto não estivesse completa. Esperei cerca de 30 minutos até que o veículo estivesse lotado e então, espremido num dos bancos do veículo, segui para o norte.

A viagem foi muito melhor que a de ontem. Desta vez a estrada estava em bom estado – ela só não estava no trecho anterior porque ela foi devastada pelo terremoto de 2004, que também matou centenas de pessoas – e a viagem foi mais agradável, especialmente pelo fato de ter durado apenas 3 horas. No início da tarde eu já estava em Karimabad, numa hospedagem simples, barata e acolhedora, onde encontrei mais alguns viajantes.

Alí eu via a beleza da região em sua melhor forma. Algumas das montanhas mais altas do mundo, picos nevados, vales e geleiras, além de uma gente altamente hospitaleira e simpática, as quais levam a vida de uma forma serena e pacata, sendo muçulmanos, mas sem as paranóias que o islamismo por vezes cultiva. Senti-me em casa logo nos primeiros instantes no local.

Ao final do dia, após um pôr-do-sol de tirar o fôlego, todos os hóspedes do hotel jantaram juntos e conversaram durante horas, até o sono chegar.

Terça-feira (6 de novembro de 2007)
Karimabad e arredores

Acordei cedo, junto com o sol na realidade. Queria ver o sol dar início ao dia iluminando primeiro o topo das montanhas que cercavam o vale. Relutando um pouco devido ao frio, eu coloquei diversas camadas de roupa e subi até o terraço da casa onde estava. O frio estava forte e as pequenas poças d’água pelo chão estavam congeladas. Apesar disso, a vista compensou o esforço: um céu sem nuvens e os raios de sol, quase que visíveis, chegavam apenas nos altos picos das montanhas com seus 8 e 7 mil metros.

Na medida que o sol iluminava de dourado cada um desses picos a neve derretia e pequenas núvens se formavam ao redor dos cumes. Fora eu e o o Ji (o dono da hospedagem, que sempre falava “ji” no final de cada frase, assim passei a chamá-lo de Ji), todos na hospedagem estavam dormindo, mas aos poucos começaram a acordar, na medida que o sol chegava e esquentava o ambiente.

Tomei um simples café da manhã e fui para o Baltiti Forte, como é conhecido este forte de mais de 800 anos que fica no alto de uma montanha, com picos de 7 mil metros ao seus fundo. Ao caminhar pelas ruas da cidade, passei pelo campo de polo, já desativado, pois não há mais cavalos na cidade, cruzei com alguns yaks (espécie de búfalos presente nas regiões mais altas) e cheguei ao forte.

Não havia quase ninguém na cidade e ninguém no forte, que ainda estava fechado e já eram 9 da manhã. A vida nas montanhas era mesmo diferente. Encontrei um guarda e ele disse que o forte logo abriria as suas portas. Enquanto esperava, observei algumas família começarem o seu dia. A população desta parte do país não carrega a fisionomia do sul asiático, mas sim do centro deste continente, de países que um dia já foram parte da URSS, como Kazaquistão, Tajiquistão e Usbequistão (os vizinhos mais próximos desta região).

Mais que a diferente fisionomia, o comportamento das pessoas também é bastante diferente. Uma grande hospitalidade e uma enorme simpatia faz parte dessas pessoas. Depois de esquecer do tempo vendo a vida daquelas pessoas, o guarda do forte veio me avisar que o local já havia aberto suas portas e que eu poderia entrar.

No valor do ticket de entrada, que não era barato para o Paquistão, estava incluso um guia e boa parte daquele dinheiro iria para ajudar na restauração do local. Logo apareceu o guia e me mostrou todo o local, que para a residência de uma “família real” não era assim tão grande e mais rústico que o normal. O prédio como um todo era marcado por linhas e formas tibetanas, já que na época que foi construído a região estava mais influenciado por esse povo, incusive tendo o budismo como religião.

No subsolo do prédio de 3 andares, estava um pequeno calabouço para os desertores, que ficavam detidos alí por pouco tempo antes de serem tranferidos para o que é o hoje a fronteira entre China e Paquistão, onde eram apenas largados por lá. Alguns morriam, outros ficavam por lá e outros ainda conseguiam voltar, depois de anos, para o Vale do Hunza.

No andar intermediário, ficava a cozinha, ainda negra pela fumaça, com panelas de pedra e algumas de metal – trazidas da China –, também havia o armazém de frutas secas, que ficavam estocadas para o inverno. Somente no 3º andar havia outras influências que não tibetanas, no caso especialmente da Kashemira. Neste andar estavam os cômodos da família real, um para o verão e outro para o inverno, este com mais tapetes e cobertores, além da sala de instrumentos musicais, onde ocorriam as celebrações. Por fim, havia o terraço, com vista para o vale e para as montanhas, com uma decoração sem muitos detalhes.

Após a visita ao forte, eu já estava próximo das montanhas e de uma gelereira, resolvi então caminhar até lá, apesar de saber que não seria uma caminhada fácil. Comecei cruzando o vale e já subindo uma ingreme elevação repleta de pedras e areia o que foi a primeira dificuldade para os meus tênis de sola completamente lisa. Depois tive que cruzar um pequeno rio caminhando sobre pedras soltas. Até aí tudo bem, mas depois havia pedras gigantes em meu caminho e passagens realmente difícies. Ao chegar na metade, tive que admitir que não seria mais possível, assim voltei para o pequeno vilarejo, já com algumas bolhas nos pés e cortes nas mãos.

No vale eu almocei e depois fui até o Rio Hunza, justamente na base do vale. Além do fato de estar na base do vale, alí eu podia ver algumas formações rochosas curiosas e pontes frágeis sobre o rio. Após o passeio eu tinha que voltar e não queria subir caminhando até o vilarejo, assim eu usei a técnica que as pessoas nativas usam: corri atrás de uma van, saltei e agarrei num suporte metálico que há na traseira do veículo. Agarrado alí eu subi a montanha e quando era hora de descer eu apenas saltei do veículo e caminhei por mais alguns metros até minha hospedagem, para então ver o sol se pôr, jantar e me preparar para mais uma noite fria.

Quarta-feiram (7 de novembro de 2007)
Karimabad – Passu – Gilgit


Acordei com uma dúvida: voltaria para Gilgit para depois seguir para Islamabad ou seguiria mais ao norte, perto da fronteira com a China, na bela cidade de Passu. Todos os que estava na hospedagem haviam ido embora e eu ainda tinha essa dúvida em minha cabeça. Fui para cidade para comprar um mapa que eu queria, mas descobri que o o comércio abriria suas portas somente depois das 11 da manhã, como de costume.

Assim, resolvi sair da cidade sem meu mapa mesmo, agora com um destino certo, mais ao norte. Pulei então em outro carro, agarrei na barra de ferro e segui até a próxima cidade, 5 quilômetros dalí, Aliabad. Em Aliabad ainda pensava se valeria mesmo a pena seguir para Passu, mas resolvi não pensar muito e apenas entrar na van lotada de gente e segui até lá.

O motorista estava correndo bem e a viagem foi mais rápida do que eu esperava, os problemas, entretanto, começaram quando eu cheguei ao local. A aldeia parecia uma cidade fantasma. Não havia ninguém por alí, havia placas de hoteis, mas todos eles estavam fechados, assim como as 5 vendas do vilarejo. Bati na porta dos hoteis e ninguém apareceu, busquei entrar alguém pelas ruas e nada. Depois de algum tempo encontrei um bando de crianças jogando cricket, mas infelizmente nenhuma delas falava inglês.

Não sabia mais o que fazer. Um sujeito então parou seu carro na beira da estrada, perto da onde eu estava e eu fui falar com ele. Não tive boas notícias, parecia que hoje era algum dia especial no local (ou fora do local) e diversos do moradores dalí haviam ido para outra cidade. Talvez eles voltassem pela noite, mas ainda era incerto. O pior mesmo era que não havia mais nenhum tipo de transporte para eu voltar agora. Sem comida, sem local para ficar, eu sabia que estava com problemas e quando o sol fosse embora eu poderia congelar alí.

Voltei para a estrada e no mesmo instante eu vi um carro passando, estendi a mão e pedi uma carona. No mesmo instante o carro parou e me convidou para entrar. Os 2 sujeitos dos bancos dianteiros pareciam simpáticos, no entanto não falavam uma palavra em inglês e eu quase nada de urdu. A comunicação estava prózima de zero, mas o suficiente para eu conseguir explicar que eu queria sair dalí. Inicialmente falei de Aliabad, mas eles disseram que estava indo para Gilgit, aonde eu queria chegar. Segui com eles até Gilgit, da onde eu iria tomar um avião para Islamabad amanhã.

Quando cheguei na cidade, por volta das 5:30 da tarde, tinha dúvidas se encontraria o escritório da companhia aérea ainda aberto. Todas instituições fecham antes das 4 por aqui. Corri então para o escritório da PIA (nome da companhia aérea) e como eu já esperava eles estavam fechados. Não desisti, nunca desisto tão cedo. Bati na porta e ninguém. Bati na porta novamente e apareceu alguém. Falei com o senhor e ele disse para eu voltar amanhã, pois hoje eles já estavam fechados. Tentei falar com ele e ele, que já estava sem paciência, chamou outro funcionário.

Ao falar com este outro funcionário disse que tinha uma reserva e ele abriu a porta para mim. Agora poderia comprar meu ticket sem problemas. O problema foi que ao comprar meu ticket de avião, me sobraram quase 300 Rúpias (menos de 10 Reais) e eu ainda tinha que dormir e comer com esse dinheiro. Voltei então para a hospedagem onde eu estava ficando e pedi o quarto mais barato, 150 Rúpias, e uma prato de comida barato e que me sustentasse, mais 100 Rúpias.

Tinha ainda mais 40 Rúpias, o que não daria para muita coisa, mas pelo manos eu chegaria até Islamabad, onde poderia encontrar um caixa eletrônico para sacar mais dinheiro. Agora, não me restava muito a fazer, senão dormir e esperar.

Quinta-feira (8 de novembro de 2007)
Gilgit – Islamabad


Acordei cedo, tomei um banho quente, não tomei um café da manhã hoje, pois não tinha dinheiro e apenas esperei chegar a hora de seguir para o aeroporto. Paguei o hotel e eles me ajudaram dando um desconto de 100 Rúpias, na minha conta, dizendo que eu iria precisar desse dinehiro quando eu chegasse em Islamabad. Aceitei o desconto e fui embora para o aeroporto.

Caminhei até o aeroporto que tinha sua única pista quase que no centro da cidade. No entanto, havia chegado cedo demais e tive que esperar na rua, já que eles não tem sala de espera. Quando chegou o momento de entrar fui revistado algumas vezes e depois cheguei a uma pequena sala destinada apenas aos passageiros. Esperei por mais uma hora até abrirem a porta para os passageiros caminharem até a pista e entrarem no único avião do local.

Eu tinha 2 motivos para estar tomando uma avião. O primeiro era a vista que eu ganharia do avião, que poderia mostrar diversas das altas montanhas da região, incluindo o Nanga Parbat, com seus 8.125 metros, o segundo motivo era que eu não queria realizar mais uma vez a viagem insalubre de 17 horas entre Gilgit e Islamabad. Por isso, pedi um assento na janela do lado esquerdo do avião ao embarcar. Fui atentido, podem me deram o pior assento, justo debaixo da asa.

Ao avião decolou e na medida do possível eu consegui ter uma boa visão das montanhas mais altas do mundo. A incrível paisagem permaneceu durante toda a curta viagem de 55 minutos. Aterrissar no aeroporto de Islamabad, o qual é usado para vôos domesticos, internacionais e militares, foi tranqüilo, o problema foi que os caixa-eletrônicos do aeroporto estava quebrados e eu continuava sem dinheiro.

Resolvi pedir uma carona para Islamabad, que estava a alguns quilômetros dalí. Ninguém me deu uma carona, mas um sujeito me deu 100 Rúpias. Agora já tinha 200 Rúpias de esmola e poderia tomar um táxi. Pedi para o táxi seguir para um banco, ele conhecia bem a cidade, mas o que eu não sabia é que quase nenhum banco era compatível ao sistema internacional que eu uso para sacar dinheiro, Cirrus. (eu tb usava esse.. mto ruim de achar, somente o Banco Samba aceita, hauhauahua conhecidencia?)

Depois de uma longa jornada e diversos caixas-eletrônicos, cheguei ao CitiBank, que pelo visto era o único que funcionava. Saquei o dinheiro e segui para o departamento de vistos e passaportes, para perguntar como poderia fazer para extender meu visto caso necessário. Descobri que poderia fazer alí, porém eles haviam fechado as portas fazia mais de 2 horas e amanhã não abriria devido a um feriado especial. Não poderia ser pior, agora seria melhor não perder tempo para começar a pedalar.

Encontrei também a Embaixada do Brasil, onde seria bom ter uma conversa, mas ela também já estava fechada em plena tarde de quinta-feira e, claro, também não abriria amanhã devido ao feriado que havia sido declarado derrepente. Não poderia fazer muita coisa a não ser conhecer um pouco da cidade então. Entretanto, Islamabad não conta com muitas atrações, sendo mais uma cidade política que turística.

Segui para um dos poucos pontos de interessa da cidade, a Mesquita Faisad, a qual foi considerada a maior mesquita do mundo durante a década de 80. Hoje ela não é mais a maior do mundo, mas dizem que segue sendo a maior da Ásia, o que já é bastante. Eu cheguei ao local na hora do pôr-do-sol, o que deixou a beleza da mesquita ainda maior. Com o Sol se pondo de um lado e uma cadeia de montanhas do outro, eu estava no local certo na hora certa.

Dalí segui para a cidade, atrás de algo para comer, pois já era noite e eu ainda estava com o estômago vazio. Demorei para encontrar um restaurante, mas valeu a pena. Dalí tomei um pequeno táxi até a hospedagem onde eu estava e me preparei para encerar mais um dia e planejar minha ida para Lahore amanhã.

Sexta-feira (9 de novembro de 2007)
Islamabad – Lahore


Acordei sozinho no quarto para 4 pessoas e depois de uma banho quase frio, arrumei minha bagagem para seguir para Lahore. Fui para a rua e tomei um táxi para o terminal de ônibus. Alí descobri que não era uma boa idéia tomar um daqueles ônibus, que além de demorar não eram lá muito confortáveis. Segui então para outra companhia de ônibus, um pouco mais longe e pelo caminho, vi que havia uma confusão na estrada, o que estava obrigando o taxista a contornar em plena rodovia e seguir pela contra-mão.

Depois de algumas manobras arriscadas eu descobrir o motivo da confusão, haviam acabado de matar 2 sujeitos na pista e as ambulâncias já estava alí e a polícia a caminho. Num determinado ponto, não era mais possível mais seguir no táxi, pois todas as pistas haviam sido fechadas, agora eu tinha que caminhar até a companhia de ônibus.

Essa companhia apesar de organizada tinha uma demanda muito grande que resultava em enormes filas para comprar as passagens. Tive apenas tempo de comprar a minha passagem e entrar no ônibus, que era mesmo confortável, mais até do que eu esperava, e seguir tranqüilamente para Lahore. A viagem durou exatamente o tempo previsto e por volta das 3 da tarde eu já estava num ponto de Lahore que eu nem fazia idéia. Tomei então um rickshaw para a hospedagem onde eu estava e pelo caminho descobri que o feriado havia chegado em Lahore também, pelo menos nas instituições governamentais.

Ao chegar na hospedagem descobri que não havia cama para mim e acabei encontrando quase todas as pessoas que estavam alí durante a semana passada. Parecia que ninguém queria ir embora dalí. Fiquei conversando com todos e com as novas caras também e até entrando numa discussão, pelo simples fato de eu dizer que não gosto da Índia para os amantes do país.

O dia acabou comigo dormindo no terraço e sabendo que ainda teria amanhã pela frente, mas que seria basicamente um dia de trabalho.

Sábado (10 de novembro de 2007)
Lahore


Apesar da hospedagem oferecer algumas falicidades para seus hóspedes, como água tratada e máquina de lavar roupa, tudo gratuitamente, esses benefícios era altamente disputados. Ontem eu não havia conseguido lavar a minha roupa e hoje estava brigando para usar a máquina e por algum lugar no varal. Após lavar meu saco de roupa suja eu resolvi inciar o processo de atualização do meu site, que só não pode ser realizado pois a energia elétrica da cidade acabou e não tinha previsão de voltar.

A energia voltou pela tarde e eu consegui fazer um pouco do que precisava, pelo menos até a noite chegar e todos os hóspedes decidirem fazer um churrasco e até comprar cervejas. Malik, o dono da hospedagem, também entrou na festa e até convidou alguns músicos para participar, o que musicou o churrasco realizado no terraço do prédio localizado no centro de Lahore.

Domingo (11 de novembro de 2007)
Lahore


Apesar dos meus planos de iniciar minhas pedaladas ainda hoje eu percebi que se quisesse fazer as atualizações que queria isso não seria possível. Assim, desisti de começar a pedalar hoje e passei quase todo o dia na frente do computador para finalizar o que eu tinha que fazer. Quase todos os turistas foram embora e de cheia, a hospedagem ficou quase vazia no final desta semana paquistanesa.



Amooooooooooooooooooooooooooooooooooo
Essa saudade deixa meu coração apertado!
Deu vontade de conhecer o Pak??

Wednesday, 1 July 2009

Pobreza- algo a se pensar

Lado B
Nao ha muito pra se falar, talvez quase nada que possamos fazer..
80 %Pakistanis spending 50-60 % of their total income on food have been forced to curtail clothing, health education expenses to stave off starvation...


Not everyone who is poor was born into poverty. New research shows that large numbers of poor people have fallen into poverty within their lifetimes as is happening in recent months in Pakistan where poverty is on rise due to food inflation and shortages.
Any inflationary impact that increases the rates of food badly impacts majority of people living in Pakistan as more than 80 per cent of them earn less than $2 per day (isso mesmo menos de 2 dolares por dia..). They are more vulnerable than the affluent class because they spend 50-60 per cent of their total income on food. When food becomes expensive they have to curtail other essential expenses to save themselves from starvation. It is time for starvation for those 23.4 per cent of the population that the government officially recognizes at living below poverty line.
Conventionally, poverty has been measured as a stock, considering the numbers of poor people at a particular moment in time. Such stocks can be compared across two points in time and the net change calculated. Such analysis does not reveal, however, exactly how this change was derived: how many people fell into poverty within the specified time frame, and how many others concurrently escaped poverty?
Poverty is definitely on rise in Pakistan as its citizen fight to buy wheat, rice or ghee at whatever price they could get it. Price has lost significance, as it is the availability that matters. Past experience indicates that poverty rises sharply in these circumstances. This according to economic experts is the right time to assess the poverty in the country, which would give the planners an insight to the vulnerable population of the country that could fall into poverty on slightest disturbance in economic out look. The experts point out that except fixed income groups or elite class majority of families in Pakistan buy food on daily basis. There are families in poor localities that do not afford to buy as 20 kg atta bag. In normal circumstances they used to buy one or two kg of this commodity on daily basis or the shopkeeper in their neighbourhood provided them the 20 kg bag on credit.
They said now that the atta is not available through normal retail channels. They have to buy atta now at cash and that too at much higher rates. The alternate staple food to atta is rice the rates of which have risen more sharply.
Almost doubling of edible oil rates in one year and historic high rates of vegetables have further compounded the problems of lower middleclass and poor families. The poor families have been forced to neglect the health or education (acabam deixando de estudar porque nao tem como pagar..)if their children just to ensure that they are adequately fed.
Poor planning and bad governance has landed the nation in to present mess. According to economists the government�s poverty reduction strategy lacked substance. They said the government did not conduct any study (simples, se esqueceram deles, nem planos tinham) about the development and policy measures that reduce poverty. They said studies in neighboring India indicate that investment on road infrastructure reduces poverty more sharply then other developments. They said India experience shows that for every one million rupees spent on rural roads, 124 poor people could be lifted above the poverty line-the largest rate of poverty reduction among all types of investment. Furthermore, one rupee invested in rural roads would generate more than five rupees in returns from agricultural production, which is the second-largest production growth effect after agricultural research and development (R&D). Additional government spending on agricultural R&D and extension has the largest impact on production growth, with a cost- benefit ratio of 13; it also leads to large rural poverty-reduction benefits, second only to rural road investment. Additional government spending on education has the third-largest impact in reducing rural poverty, largely because of the increases in non-farm employment and rural wages that it induces. Finally, public investment in irrigation has an impact on agricultural productivity similar to that of education investments and only a small impact in reducing rural poverty. The economists regret that no such analysis is available in Pakistan.

Me diz se num eh uma droga de governo???? O cara foi capaz de matar a propria mulher (Benazir), porque ele iria se importar com seu pais?

Melhor Musharraf do que nada:

“POVERTY DECREASED DURING MUSHARRAF ERA”
According to Economic Survey 2005 & CIA Factbook 2007. Poverty in Pakistan in 2001 was 34.46%. And, now after 7 years of Musharraf; Poverty in 2005 was 23.9%. Poverty DECREASED by 10.56%.
Overall, 12 million people have been pushed out of Poverty in 2001 -2005!

No Pak existem muitas pessoas pedindo dinheiro nas ruas, mas eles num pedem como aqui, elas dizem, me de um trocado que eu te abencoo, que eu rezo por voce, ou eu preciso de um uniforme da escola, algum material, ...
Mas existem alguns tipos de exploradores, para quem assistiu `Quem quer ser um Milionario` viu que eles pegam algumas criancas e bebes e os colocam para pedir esmola, no pak acontece o mesmo, infelizmente.

Tuesday, 23 June 2009

O que aprendi com os muçulmanos

Enquanto eu busco mais informacoes e vontade pra falar sobre a Sharia, vou falar desse tema que acho bacana tambem, ha um certo tempo (2 anos) e penso nisso..

Hoje eu postei bastante ne? Tem semana que eu nao posto tanto quanto hoje ahuahuahuaha

Entao vou dar meu testemunho com relacao ao que presensiei e senti convivendo com um Muçulmano mais de 3 anos e 4 meses em um pais que eh uma republica islamica. (ainda estou sem acento no teclado, sei la o que eu apertei..leigaleiga).
Eu perbeci que as mulheres sao mais devotas, isso eh o que vi ok? Nao estou generalizando, porque por elas (maioria) nao trabalham fora ou somente meio periodo, teem mais tempo para rezar, apesar que os homens vao mais a mesquista, especialmente as sextas, quando eh obrigatorio (como Domingo para nos Cristaos). Acho bonito o ato (posicao)de devocao ao se rezar, o compromotimento de muitos, o anuncio da oracao 5 vezes por dia (Azaan) tenho inclusive no meu celular. Acho bacana o objetivo de ir pelo menos uma vez na vida ate a Mecca para pedir perdao dos pecados..

Eles sempre pedem que seja feita a vontade de Deus- Inshallah! Obrigada a Deus Mashallah, entre outras. No Paquistao me senti voltando no tempo, na epoca Biblica, tipo junto com Abraao (que tambem eh considerado um grande profeta para eles), a sensacao foi retro, porem me senti perto de Deus, um povo humilde, senti que Deus me ouviu.

Por total ignorancia, realmente ignorava, eu me vestia de forma qualquer, nem tinha nocao da visao que as pessoas tinham das brasileiras, aprendi a me dar mais valor, apesar de que ao ver agora por outro angulo e nunca fui vulgar; me visto de maneira normal, porem nao me exponho, tentei me adaptar ao que ele me pediu, e nem mesmo por isso deixei de ser eu (leiam o post nao vou ceder, explico o que cedi nas roupas) ate porque pra mim foi natural, foi uma escolha minha para que agente "desse certo".

Gosto de ver que muitos param para fazer as oracoes, porem quem trabalha quase nao o faz, ou faz em outro horario, mas isso eh pessoal de cada um com Deus.
Achei muito bacana o respeito com livros sagrados, como eles respeitam, nao colocam em qualquer lugar, nao usar em baixo do braco, nem colocam em sacolas, nem usam pra se abanar (ja vi alguem fazer isso com uma parte da liturgia da Biblia), acho que eh o certo, eh um livro sagrado, inspirado e escrito por Deus tem que ser respeitado, e muitas vezes nao se eh passado, eu sei porque fui catequista.

Outra coisa que acho muito boa, eh se lavar antes de rezar, achei um ato muito respeitoso, por isso antes de tocar na Biblia hoje em dia pelo menos lavo minha mao.

Nem por isso me tornei muculmana, sempre fui catolica praticante e minha familia tambem, de grupos de jovens, catequese, encontrinho e encontro de casais. Por isso, no comeco tive muitos problemas com ele, agente brigou bastante, ate que entramos em um acordo, tentamos entender a religiao do outro ou pelo menos respeitar.


So ha uma coisa que eu acho que falta no islamismo, pelo menos eh o que eu percebi, a falta do perdao. DENTE POR DENTE, OLHO POR OLHO.

Eu sei que cada pessoa eh uma pessoa, porem uma parte da Sharia (lei) permite a vinganca, exemplo: seu filho foi morto, voce decide o que faz com o assassino.. e uma das suas opcoes eh mata-lo como seu filho foi morto. (muculmanos online, me contem sobre o perdao, porque nao presenciei, vi vingancas e muita magia negra la).

Mas Jesus disse: UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMAIS UNS AOS OUTROS; COMO EU VOS AMEI A VÓS, QUE TAMBÉM VÓS UNS AOS OUTROS VOS AMEIS.NISTO TODOS CONHECERÃO QUE SOIS MEUS DISCÍPULOS, SE VOS AMARDES UNS AOS OUTROS.Jo 13.34-35.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.


Acho otimo o fato de ser proibido alcool, quantas pessoas e familias sofrem por esse mau. Algumas das similaridades que nos ajudaram, vejam a foto acima, seria esse tipo de terco, nao sei o nome, mas tambem achei legal. Ele acreditam que Jesus seja a alma de Deus, apesar de que nos Cristaos acreditamos em um pouco mais que isso.
Tambem sobre Maria, que acho que muculmanos chegam mais proximos ao que eu acredito, que eh virgem, pura e mae de Jesus, coisa que ate muitos evangelicos nao acreditam; gosto muito do respeito que eles tem por Maria.
Em algumas coisas Muculmanos sao mais proximos dos judeus, em outras os Catolicos sao, mas ambas as religioes tem muitas coisas em comum.

Bom, espero que nao fique polemico e que respeitem o meu ver, mas claro que aceito a opniao e resposta de todos, afinal, ao passo que decidi escrever e me expor sabia de todos os "riscos".

obs: Achei esse livro quando buscava figuras pro post, alguem ja leu? Nao sei se fala mal ou bem, mas se alguem conhece me conte, segue a foto e descricao:


Os muçulmanos constituem uma ameaça ao mundo ocidental? O islã é uma religião de violência? Por que o islamismo é a crença que mais cresce em todo o planeta? Como sua bela e rica tradição cultural convive com a profusão dos homens-bomba, dos atentados em série e do terrorismo em larga escala? Para responder a essas e outras perguntas, Peter Demant, um dos maiores especialistas internacionais no assunto, escreveu O MUNDO MUÇULMANO, um livro provocativo e esclarecedor. Uma obra monumental do ponto de vista histórico, que rastreia as origens do mundo muçulmano, discute seus impasses contemporâneos e aponta as ações que precisam ser desencadeadas para se evitar uma ameaçadora "guerra entre civilizações". A tarefa é complexa - e da maior urgência. Este livro procura colaborar com ela.



Se tiver algo escrito errado, ai desculpa ja sao quase meia noite, estou com muito sono e amanha acordo as 5 =( fuiiii

Saturday, 20 June 2009

Dubai: Reino Islamico Moderno

Eu achei excelente essa materia sobre Dubai, espero que gostem:

O reino encantado
As monumentais obras arquitetônicas de Dubai, no Oriente Médio, são o lado mais vistoso de uma experiência econômica e cultural que pode indicar uma resposta ao choque entre o Ocidente e o Islã. Pequeno e com o petróleo quase esgotado, o emirado cresce a um ritmo mais acelerado que a China graças à capacidade de mirar na diversificação da economia. A base da estratégia é vender o minúsculo reino como um porto seguro a empresas estrangeiras, investidores e turistas, em meio ao conturbado mundo árabe.

As ilhas artificiais privadas do The World: a mais barata custa 10 milhões de dólares


Nos manuais de etiqueta para executivos no exterior e em guias de viagem de Dubai, são apresentadas algumas regras que os estrangeiros em visita à cidade-estado deveriam seguir para não ferir os costumes muçulmanos. Recomenda-se, por exemplo, que as mulheres se vistam de maneira conservadora, com saias longas e mangas compridas, e que não se tente marcar compromissos de trabalho na sexta-feira, que para os muçulmanos é o dia de descanso e de rezas. Algumas horas em Dubai e logo fica claro que essas orientações são desobedecidas sem cerimônia a todo instante – e ninguém parece se incomodar seriamente com isso. O que dizer das turistas loiras passeando no shopping com as pernas vermelhas do sol e usando shortinho de dar inveja às foliãs do Carnaval de Salvador? O máximo que se ouve é algum residente local, sentado em um café de uma rede americana, dizendo quase em tom de piada: "Russas...". Tampouco alguém parece se importar quando vê casais gay trocando carícias comedidas dentro dos centros comerciais ou no hall de hotéis. Isso em um país em que um xeque tradicional tem o poder absoluto, as mulheres usam manto negro e cobrem os cabelos e as disputas familiares obedecem à sharia, o rígido conjunto de leis baseado em escritos religiosos milenares. Disneylândia árabe, Las Vegas do Oriente Médio, Xangai do deserto, Dubai merece também uma outra classificação. Para os céticos que crêem na incompatibilidade do mundo islâmico com a cultura ocidental, o pequeno e florescente emirado é apresentado como o laboratório onde está sendo criado o antídoto contra o choque de civilizações.
A fórmula de tolerância de Dubai, uma das sete cidades-estado que compõem os Emirados Árabes Unidos, confederação que tem o Golfo Pérsico de um lado, a Arábia Saudita do outro e um mar de petróleo embaixo, consiste em uma cultura disseminada entre a população de pensar com o bolso. Todos os moradores da cidade – e nisso os cidadãos de Dubai se equiparam aos estrangeiros – parecem concentrados em uma só meta: ganhar dinheiro. A intolerância cultural, nesse contexto, seria incompatível com o desejo de atrair cada vez mais investimentos externos e de aumentar o já alucinante número de turistas que visitam a cidade a cada ano – o equivalente a cinco vezes a população permanente de 1,2 milhão de pessoas. "De nossa cultura, certamente vamos conseguir manter as roupas típicas, a culinária e a música", contabiliza o xeque Ahmed bin Saeed Al Maktoum, presidente da estatal Emirates, a companhia aérea que mais cresce no mundo, com 50 bilhões de dólares investidos apenas na compra de novas aeronaves. No início de outubro(2007), a Emirates inaugura o primeiro vôo direto ligando São Paulo a Dubai, diariamente. "O mundo está mudando em relação à maneira de fazer negócios e, se queremos fazer parte dessas transformações, temos de ser abertos e tolerantes", diz o executivo, que é tio de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o chefe da família reinante em Dubai.


SOL, NEVE, COMPRAS Dubai recebe 6,1 milhões de turistas por ano, o equivalente ao número de estrangeiros que visitam o Brasil, país com território 2 200 vezes maior. A taxa de ocupação média dos hotéis é de 85% (contra 64% no Brasil). Os turistas são atraídos pelos paraísos artificiais nos hotéis imensos, pelas compras em shoppings que têm até pista de esqui e pelos eventos esportivos como o Dubai World Cup, de corrida de cavalos.

O resultado dessa atmosfera pró-negócios é de fazer arrepiar o mais blasé dos estatísticos. No ano passado, o PIB de Dubai cresceu a uma taxa de 16%, enquanto o da China alcançou 10,5%. O índice de desemprego de Dubai é tecnicamente nulo (era antes da crise). A população cresce a uma taxa de 10% ao ano, principalmente devido à imigração, e a demanda por imóveis é incessante. Não há outro lugar no mundo em que a indústria da construção civil esteja tão atarefada: um terço das gruas do planeta está lá, muitas funcionando dia e noite, como na China – com a diferença de que esta tem população 1 000 vezes maior. O setor ocupa um quarto de toda a mão-de-obra, e, no total, estão sendo erguidos 110 novos arranha-céus entre o mar o deserto. O hotel mais alto do mundo fica lá, em uma pequena ilha artificial rente às águas do Golfo Pérsico (ou Golfo Árabe, segundo a terminologia local). Com 321 metros de altura e 56 andares, o Burj Al Arab é considerado um dos dois únicos hotéis sete-estrelas do mundo. O outro, o Emirates Palace, fica em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes.
Uma boa maneira de decifrar Dubai é observar os cartazes de propaganda e as placas de rua. Logo na chegada ao moderno aeroporto internacional vêem-se os anúncios de bancos e consultorias que prometem ajudar os clientes a fazer seus negócios sem ferir as regras islâmicas – os empréstimos a juros, por exemplo, são proibidos, mas sempre se encontra um malabarismo financeiro que permite a uma empresa tomar dinheiro sem ficar mal com a lei divina. Igualmente reveladoras são as inúmeras placas que indicam o caminho para chegar a lugares que ainda não existem ou nem sequer podem ser visitados. A cidade não está pronta, mas aponta freneticamente para o futuro. Das três ilhas artificiais em forma de palmeira que vão abrigar 100 hotéis e dezenas de milhares de residências, por exemplo, apenas uma, a Palm Jumeirah, já foi parcialmente inaugurada. Qualquer mapa turístico de Dubai, no entanto, indica a localização de cada uma delas. O padrão estético desses empreendimentos é escancaradamente mirabolante – de perto, as casas parecem formar um condomínio temático das Mil e Uma Noites –, mas atende um público que parece querer exatamente isso: muito dourado, muito mármore, muita coisa gritando dinheiro. Quando começou a criar a infra-estrutura para tornar Dubai um destino turístico de luxo no Oriente Médio, na década passada, o governo dos xeques logo percebeu uma séria limitação geográfica: a natureza só lhes deu 70 quilômetros de costa (contra os 8.000 quilômetros do litoral brasileiro), constituídos de mar de um lado e deserto do outro. A construção de ilhas, no entanto, vai multiplicar a extensão de praias para 1.500 quilômetros. Isso inclui um arquipélago artificial com o formato do mapa-múndi que poderá ser visto do espaço.


FUTURO COM VINTE FILHOS

Funcionário do governo central dos Emirados Árabes, o motorista Raeed Ahwadi, de 27 anos, vai se casar neste ano com uma prima do Iêmen. Seguindo a tradição, pagará um dote de 4 000 dólares ao pai da noiva, mais jóias e roupas. Ele pretende ter uma segunda esposa no futuro, porque assim fica mais fácil atingir sua meta de ter vinte filhos. "O Islã é muito bom porque permite que um homem tenha até quatro mulheres, desde que trate todas da mesma forma", diz o motorista. A ajuda que o governo dos Emirados dá aos cidadãos é importante para equilibrar as despesas: "Aqui, o governo paga a festa de casamento e ainda por cima dá 20 000 dólares e uma bela casa de presente ao casal". Sexo antes do casamento? "Nem pensar", diz Raeed.

Dubai é o lugar onde as mais exacerbadas alucinações arquitetônicas se tornam realidade. Só na construção do Palm Jumeirah e do Palm Jebel Ali serão utilizados 100 milhões de metros cúbicos de areia e pedras, o suficiente para soterrar dezesseis vezes a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Já começou a sair do papel Hidrópolis, o primeiro resort subaquático do mundo, e o Burj Dubai, candidato a edifício mais alto do mundo, tem entrega marcada para 2009. A cada semana, o espigão cresce dois andares. Também estão em construção os dois shoppings que levarão o título de os maiores do planeta. Num lugar onde as compras são paixão nacional e atração turística, os shopping centers funcionam ainda como centro da vida social, inclusive por razões climáticas – no verão, a temperatura durante o dia chega a quase 50 graus e não há quem agüente ficar na rua, longe do ar-condicionado. Resultado: os shoppings de Dubai levam ao extremo o conceito de centros de entretenimento, mais do que simplesmente de compras. No Emirates Mall, uma pista de esqui indoor com temperatura ambiente de menos 4 graus reproduz o ambiente alpino mesmo que lá fora a realidade seja de fornalha. No futuro, a cidade quer sediar os Jogos Olímpicos de Inverno, já que outra pista de esqui ainda maior será construída em um gigantesco parque temático chamado Dubailândia. Lá os turistas também poderão apreciar uma réplica dos Jardins Suspensos da Babilônia e uma da Torre Eiffel – 20 metros mais alta que a original, de Paris. O dinheiro para essas lucrativas excentricidades vem em sua maior parte do governo, que cria estatais para tocar os projetos. O restante dos investimentos em megaprojetos vem de empresas privadas, principalmente de países árabes. Uma das empreiteiras mais ativas é a saudita Bin Laden Group. A piada que corre entre os estrangeiros que vivem e trabalham em Dubai é que o emirado é o lugar mais seguro do mundo para investir porque a Al Qaeda não ousaria atacar o reduto dos negócios da família de seu terrorista-chefe, o barbudo Osama bin Laden.
De maneira tortuosa, Osama bin Laden realmente contribuiu para o boom da construção civil em Dubai. "Depois dos atentados de 11 de setembro, uma grande quantidade do dinheiro de investidores árabes que estava nos Estados Unidos e na Europa voltou para o Oriente Médio, em parte porque as restrições bancárias aumentaram", diz Mohammed Ahmed bin Abdul Aziz, subsecretário de Planejamento do Ministério da Economia dos Emirados Árabes. Esse capital precisava ser aplicado de alguma forma, e Dubai pareceu o lugar mais promissor para isso. O governo local, no entanto, cuida para que os investimentos de estrangeiros chovam apenas onde lhe convém. Empresas do exterior, por exemplo, só podem comprar propriedades em uma das 33 zonas livres de Dubai – com incentivos fiscais generosos. "Se não fosse assim, os chineses viriam para cá e comprariam cada pedacinho de nosso pequeno território", afirma Aziz.

Suhair Mortada é uma das apresentadoras do Al Arabiya, um canal privado de notícias por satélite com base em Dubai que disputa com a Al Jazira o posto de preferido dos telespectadores árabes. "A diferença básica entre eles e nós é que somos contra fazer uma abordagem populista de temas que possam incitar a população à violência", diz o editor executivo da Al Arabiya, o palestino Nabil Khatib. Ele cita o caso das charges de Maomé feitas por um jornal dinamarquês, no ano passado. "A Al Jazira parecia que se esforçava para atiçar os ânimos dos manifestantes", diz Khatib. No Al Arabiya, apresentadoras sem véu na cabeça são mais freqüentes do que na Al Jazira, subsidiada pelo governo do Catar.


Até meados do século passado, Dubai não passava de um pequeno entreposto comercial, que sobrevivia em condições primitivas da localização marítima, da pesca e da coleta de pérolas. Em 1958, jorrou petróleo em Abu Dhabi e, oito anos depois, em Dubai. Ao contrário do reino vizinho, no entanto, Dubai tinha reservas muito pequenas – estima-se que a última gota seja tirada em menos de uma década. Segundo a mitologia nacional fervorosamente repetida – o que não significa que não tenha base na realidade –, o grande feito da família Al Maktoum, que comanda o lugar há quase 200 anos, foi ter visão para perceber a necessidade de criar fontes alternativas de riqueza. Em 1979, o xeque Rashid bin Saeed Al Maktoum decidiu construir um porto artificial em Dubai. Hoje, está entre os dez mais movimentados do mundo. O xeque criou também uma zona franca vizinha ao porto, o embrião da tradição de incentivos fiscais que caracteriza o emirado hoje. Com isso, o país conseguiu se livrar da maldição da petrodependência e se abriu para o espírito empreendedor que o tornou um lugar único. A filosofia dos Al Maktoum sempre foi: "Construa e eles virão". Diz a lenda que o xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes, antes de morrer, fez com que lhe prometessem que, em sua rota irrefreável rumo ao desenvolvimento econômico, Dubai ao menos não cederia à construção de cassinos. Todo o restante cardápio de tentações do consumismo e do liberalismo que os radicais islâmicos consideram atávico ao Ocidente, no entanto, pode ser encontrado ali. Isso inclui prostitutas de luxo e, com um certo esforço, drogas. As bebidas alcoólicas são permitidas nos hotéis e restritas aos consumidores não muçulmanos. Alguns hotéis, no entanto, têm uma oferta tão variada de bares e casas noturnas que a função de receber hóspedes parece mais um acessório. E, em lugares mais reservados, não é difícil ver jovens árabes detonando um escocês – o uísque, claro.

MILAGRE NO DESERTO

A principal avenida de Dubai na década de 80 e hoje, margeada de arranha-céus: a meta de todos é ganhar dinheiro.

Tanta permissividade em pleno mundo muçulmano, em um lugar onde está sendo construída a maior mesquita do globo (em Abu Dhabi), e Dubai passa imune à praga dos atentados terroristas movidos a fanatismo religioso? A realidade não é tão simples. A Al Qaeda usava bancos de Dubai para lavar dinheiro, dois dos suicidas do 11 de Setembro tinham passaporte dos Emirados Árabes e a enorme população de trabalhadores estrangeiros – os cidadãos locais são apenas 15% do total –, na maioria vindos de países muçulmanos pobres, provê um ambiente de vulnerabilidade. O fato, no entanto, é que não existem grupos terroristas com base nos Emirados Árabes, tampouco o país é um celeiro de jovens fanáticos, violentos e revoltados – um fenômeno incontrolável na vizinha Arábia Saudita, celeiro de suicidas com destino ao Iraque. Em comum, dubaienses e sauditas têm a mesma matriz cultural – descendem das tribos de beduínos do deserto –, a fartura, embora irregularmente distribuída, do petróleo e a rigidez religiosa. Os homens mantêm a tradição de usar a túnica branca chamada dishdasha e de cobrir as mulheres de negro. São governados por chefes tribais que se proclamam nobres e controlam a burocracia religiosa com fartos subsídios. Comparado com a Arábia Saudita, no entanto, Dubai é um bastião de tolerância e flexibilidade. Em relação ao restante do Oriente Médio, com o quadro de horrores do Iraque, o Líbano sendo mais uma vez sugado para o abismo e a desgraça palestina aumentada atualmente por iniciativa própria, Dubai parece um milagre.
"O governo e a população de Dubai agem com a convicção de que é preciso, antes de tudo, ter prosperidade e desenvolvimento", diz o palestino Nabil Khatib, editor executivo da Al Arabiya, um canal de notícias sediado em Dubai que disputa com a Al Jazira a audiência do público árabe. Esse modelo influencia os países vizinhos, como Omã, o Iêmen e a própria Arábia Saudita. Todos querem imitar um pouco do ar de modernidade que Dubai criou para si. A questão é saber se conseguirão transpor as enormes barreiras culturais. "Queremos estimular os outros países da região a assumir o nosso modelo de abertura e concorrência global", diz o subsecretário do Ministério da Economia Abdulla bin Ahmed Al-Saleh. "Não podemos garantir o sucesso de nossa experiência se nossos vizinhos não adotarem o princípio do desenvolvimento econômico como meio para reduzir a violência." É precipitado e arriscado dizer que Dubai poderia sinalizar um caminho para tirar o Oriente Médio de seu estado de convulsão permanente. Mas o ambiente de miragens arquitetônicas que brotam do deserto propicia um sonho assim.

ENTRE A PRESSÃO SOCIAL DA TRADIÇÃO, O SHOPPING CENTER E O NAMORO POR CELULAR

VÉU COM JEANS


Ola Al-Alawi é uma típica e rica jovem de Dubai: faz faculdade e só sai na rua maquiada, grifada e coberta de preto (na foto à direita, fazendo compras com a irmã Aldana). Por baixo da túnica preta, está sempre dentro da moda ocidental, como aqui, em sua casa em um condomínio de luxo.

Os jovens de Dubai enfrentam o dilema entre tradição e modernidade de forma intensa e constante, refletindo os valores que os Emirados Árabes têm de equilibrar como nação. Da escolha sobre o que vestir aos relacionamentos amorosos, tudo lembra que eles vivem em um país com o olhar voltado para o Ocidente e os pés fincados no mundo islâmico. É comum ver rapazes vestidos com as túnicas brancas que são o traje nacional masculino e boné de beisebol no lugar do tradicional kaffiyeh, o lenço branco na cabeça. À noite, quando vão aos bares onde se fuma narguilé, os rapazes preferem jeans e camiseta. Garotas modernas como as irmãs Ola e Aldana Al-Alawi só saem em público de lenço na cabeça e abaia – vestido negro, tradicional na Arábia Saudita e nos países do Golfo, usado sobre as outras roupas para não deixar ver o contorno do corpo das mulheres. Em Dubai, o uso da abaia não é obrigatório, mas muitas mulheres não saem de casa descobertas por pressão dos pais, do marido ou até das amigas. "O bom da abaia é que, dessa forma, o que escondemos por baixo do pano fica reservado para o futuro marido", diz Aldana, estudante de contabilidade na Universidade Americana (nas faculdades de Dubai, todas as aulas são em inglês). Elas têm abaias, feitas por estilistas locais renomados, que chegam a custar 1 000 dólares. "Pela abaia dá para saber a que classe social pertence a mulher", diz Zena, a mãe das garotas. Ela própria não se sente obrigada a usar a roupa tradicional.
As irmãs são fascinadas por bolsas e sapatos de grife, os poucos acessórios que aparecem em público. "Mas por baixo da abaia também nos preocupamos com a qualidade das roupas, porque gostamos de estar bem vestidas quando vamos à casa das amigas", diz Ola, que já morou no Canadá e hoje estuda finanças na mesma universidade que a irmã. Uma beldade de longos cabelos e olhos que evocam os mistérios do Oriente, Ola já sonhou em ser modelo – é uma admiradora da baiana Adriana Lima. Mas desistiu quando lhe disseram em uma agência que devia começar distribuindo panfletos. Apesar de acatar a pressão social para se cobrir de negro em público, ela desfruta uma liberdade inimaginável em países vizinhos como a Arábia Saudita, onde as mulheres são proibidas de dirigir e de viajar sozinhas. No frescor de seus 20 anos, Ola diz que não pretende se casar. "Os homens não são confiáveis", queixa-se. Filha de um alto executivo da indústria do aço, ela pertence a uma classe social em que os casamentos arranjados diminuem e os namoros – por celular – prosperam.

Saturday, 13 June 2009

Educação de crianças no Paquistão

Vou escrever um pouco de Educacão mais tarde, mas leiam esse texto e por favor comentem.

Reportagem da UOL

Madrassas preenchem lacuna na educação de crianças no Paquistão
Escolas religiosas islâmicas fazem o que o estado deixa de fazer. Mas seu papel é questionado por conta das relações com a insurgência.

A escola primária nesta pobre vila pode ser facilmente confundida com um celeiro. Ela tem o chão sujo e nenhuma luz, e corvos entram pelas janelas sem vidro. A classe tem 140 alunos, o que os levou a ter aulas no pátio. Porém, se o estado esqueceu as crianças daqui, os mulás, não. Com o ensino público em condições desastrosas, as famílias mais pobres do Paquistão recorreram às madrassas, ou escolas islâmicas, que alimentam e abrigam as crianças, enquanto oferecem uma versão mais militante do Islã.
A concentração de madrassas aqui no sul do Punjab se tornou uma preocupação urgente diante da insurgência paquistanesa em expansão. As escolas quase não oferecem instrução além da memorização do Alcorão, criando um grupo cada vez maior de jovens mentes simpáticas à militância. Analisando os perfis de homens-bomba que atacaram Punjab, a polícia local disse que dois terços deles frequentaram madrassas. "Estamos no início de uma grande onda que está prestes a varrer o país", disse Ibn Abduh Rehman, diretor da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, uma organização independente.
"É um alerta vermelho para a nação." A educação nunca foi prioridade aqui. Até o plano atual do Paquistão de dobrar o orçamento com o ensino público no próximo ano pode fracassar. Foi assim com esforços anteriores, impedidos por burocracias morosas, governos instáveis e falta de compromisso da elite governante com os pobres. "Este estado nunca levou a educação a sério", disse Stephen P. Cohen, especialista em Paquistão da Brookings Institution.
"Estou muito pessimista sobre se o sistema educacional pode ser ou será reformado." Famílias paquistanesas há muito tempo recorrem às madrassas. As escolas que seguem uma linha religiosa são uma minoria. Mas, mesmo para a maioria que frequenta escolas públicas, o aprendizado tem uma tendência islâmica. O currículo nacional foi islamizado durante a década de 1980, sob o governo do general Mohammad Zia ul-Haq, governante militar que promoveu a identidade islâmica do Paquistão como forma de unir o mosaico de tribos, etnias e línguas.
O grau de instrução no Paquistão cresceu, de quase 20%, na época de sua independência, há 61 anos, e o governo recentemente melhorou o currículo e reduziu sua ênfase no Islã. Entretanto, mesmo nos dias de hoje, somente cerca de metade dos paquistaneses sabem ler e escrever, muito menos que a proporção de países com renda per capita similar, como o Vietnã. Uma em cada três crianças em idade escolar no Paquistão não frequenta a escola. Das que frequentam, um terço abandona a escola até a quinta série, segundo a Unesco. O índice de garotas matriculadas está entre os menores do mundo, atrás da Etiópia e do Iêmen. "A educação no Paquistão foi abandonada aos cachorros", disse Pervez Hoodbhoy, professor de física da Universidade Quaid-e-Azam, em Islamabad. Ele critica abertamente as falhas do governo em resistir à expansão da militância islâmica. Esta pobre área rural ao sul de Punjab, onde o Talibã começou a obter progresso com a ajuda de grupos militantes, tem uma das maiores concentrações de madrassas do país. Das mais de 12 mil madrassas registradas no Paquistão, cerca de metade estão em Punjab. Especialistas calculam que os números são ainda maiores: quando o estado tentou contá-las, em 2005, um quinto da área nesta província recusou o registro. Apesar das madrassas corresponderem a somente cerca de 7% das escolas primárias do Paquistão, sua influência é amplificada pela inadequação da educação pública e a religiosidade inata das áreas rurais, onde vivem dois terços da população.
A escola primária pública para meninos nesta vila é o fiel retrato das gerações de negligências que trouxeram a muitos paquistaneses pobres o sentimento de abandono por parte do governo. Shaukat Ali, de 40 anos, um homem alto, com jeito sério, que ensina para quinta série, disse ter pedido ajuda financeira a todos, incluindo oficiais do governo e do exército. Um canal de televisão até fez uma reportagem sobre o assunto. "O resultado", disse ele, "foi zero". Um oficial do governo responsável por monitorar as escolas na área, Muhamed Aijaz Anjum, disse conhecer os problemas da escola. No entanto, ele não tem carro, nem escritório, e seu orçamento anual para viagens é de menos de US$ 200; ele afirmou ser incapaz de fazer qualquer coisa. Com pouco lugar para avanço, no que permanece sendo uma sociedade feudal, muitos paquistaneses pobres não acreditam que a educação pode melhorar suas vidas. O índice de evasão escolar reflete isso. Um dos melhores alunos de Ali, Muhamed Arshad Ali, recebeu a oferta de uma bolsa para continuar os estudos depois da quinta série.
Seus pais não permitiram que ele aceitasse. Ele abandonou a escola e arrumou um trabalho de passar roupas a ferro, por cerca de 200 rupees por dia, ou US$ 2,50. "Muitos pobres pensam que o trabalho assalariado é só para os ricos", disse Ali. "Eles não acreditam no resultado final da educação." Em Punjab, a província mais populosa do país, a falta de esperança e a negligência abriram um espaço, preenchido pelas escolas religiosas. "As madrassas têm se multiplicado", disse Zobaida Jalal, membro do parlamento e ex-ministro da Educação.
O fenômeno começou na década de 1980, quando Zia deu às madrassas dinheiro e terras, por meio de uma política, apoiada pelos Estados Unidos, de ajudar os combatentes islâmicos a lutar contra as forças soviéticas, no Afeganistão. As escolas islâmicas também são vistas como oportunidade de emprego. "Quando alguém não vê um futuro para si, compra uma mesquita e senta nela", disse Jan Sher, cuja vila, Shadan Lund, localizada ao sudeste de Punjab, se tornou uma fortaleza militante, com madrassas agora superando escolas públicas em números. A pobreza também ajudou a expandir as matrículas em madrassas, que servem como uma rede de segurança, ao oferecer abrigo e alimento para as crianças pobres.
"Como alguém que ganha 200 rupias por dia pode custear as despesas de cinco crianças?", perguntou Hafeezur Rehman, servente da madraçal Jamia Sadiqqia Taleemul Quran, em Multan, a principal cidade ao sul de Punjab. A escola abriga e alimenta 73 garotos de vilarejos pobres. O ex-presidente Pervez Musharraf tentou regulamentar as madrassas, oferecendo incentivos financeiros, se elas concordassem em adicionar disciplinas gerais ao currículo. Porém, depois de receber o dinheiro, muitas se recusaram a permitir o monitoramento das aulas. "O projeto de reforma falhou", disse Javed Ashraf Qazi, general aposentado que serviu, na época, como ministro da educação. Não havia madrassas em Mohri Pur no final dos anos de 1980, quando Ali começou a ensinar. Hoje, existem pelo menos cinco.
A maioria é afiliada a um ramo do Darul Uloom, na cidade vizinha de Kabirwala. Trata-se de um seminário deobandi fundado em 1952, cujos líderes em outras partes do Paquistão têm ligações com o Talibã. Vários moradores locais acreditam que o seminário de Kabirwala é perigoso. Alguns de seus membros estiveram envolvidos na violência sectária contra os xiitas na década de 1990, dizem eles. "As pessoas parecem ter medo deles", disse Ali. "Não fazemos perguntas." Mesmo que as madrassas não criem militantes, elas criam uma visão de mundo capaz de tornar a militância possível. "A mentalidade deles quer interromper a música, escolas para garotas e festividades", disse Salman Abid, pesquisador social baseado ao sul de Punjab. "A mensagem deles é que aqui não é a vida real. A vida real vem depois" – depois da morte. Em um dia recente, o seminário de Kabirwala estava agitado. Oficiais mostraram salas com garotos encurvados sobre o Corão, lendo e se balançando. Uma cozinha completa tinha um forno industrial de pão. Flores adornavam os corredores. A base para um novo dormitório havia sido iniciada. Havia também uma seção para garotas, com entrada própria, onde várias de jovens cantavam em uníssono, seguindo instruções de uma voz masculina que vinha de trás da cortina. "Somos apaixonados por esse trabalho", disse Seraj ul-Haq, professor de informática, que faz parte da família fundadora do seminário. Os professores pregam sobre restrições. A newsletter de fevereiro indicava uma lista de tabus: dia dos namorados (São Valentim), música, mulheres urbanas que usam "perfume importado", falar sobre direitos das mulheres. Os atentados suicidas não eram nem incentivados, nem condenados. A ideologia pode ser rígida, mas oferece a promessa de respeito, um atrativo poderoso para jovens das classes sociais mais pobres.

Waqar Gillani contribuiu com a reportagem de Mohri Pur e Lahore, Paquistão.

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