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Sunday, 25 July 2010

Wahga Border- cont

essa foto não é minha mas ...hehehehehhehe

o tal video longo!
(não consegui postá-lo)

Wahga Border
Fonte: Wikipedia

Wagah (वाघा em hindi,واگها em urdu) é uma cidade onde fica a única passagem da fronteira Índia-Paquistão, na rota do "Grand Trunk Road" entre as cidades de Amritsar (Índia) e Lahore (Paquistão).

Por Wagah passa a polémica linha Radcliffe. A cidade foi dividida aquando da partição da Índia em agosto de 1947. Assim, a metade oriental faz parte da Índia, e a ocidental do Paquistão.

Em cada final do dia, Wagah assiste a uma cerimónia em que se faz o fecho da fronteira. Soldados de ambos os países protagonizam uma pitoresca dança, carregada de belicosidade, que termina com o arrear das bandeiras.

Wagah border
The Wagah border, often called the "Berlin wall of Asia", is a ceremonial border on the India–Pakistan Border where each evening there is a retreat ceremony called 'lowering of the flags',which has been held since 1959.At that time there is an energetic parade by the Border Security Force (B.S.F) of India and the Pakistan Rangers soldiers. It may appear slightly aggressive and even hostile to foreigners.Troops of each country put on a show in their uniforms with their colorful turbans.Border officials from the two countries sometimes walk over to the offices on the other side for day to day affairs. The happenings at this border post have been a barometer of the India-Pakistan relations over the years.





obs: dica super! leve seu passaporte para sentar na area vip!

Diário de viagem: Lahore- Wahga Border (Adorooo)

Minha parte favorita!!!!!!!!!!!!! Gostei tanto que fui duas vezes, hehehe quer dizer na primeira agente chegou atrasado e perdeu hhauhauahauhahaua e voltamos outro dia.

Wahga border - é fronteira entre o pak e a india, somente entre esse dois paises que existe esse tipo de cerimonia, que é muito engraçada por sinal! Lembrando que em nenhum momento um indiano entra no pak e vice-versa.
Para entrar se paga 10 rupias e tem muitos checks, detectores de metal toda hora... é seguro!
O que rola- começa com uma animação (veja na foto homens com bandeiras), música,.. tudo isso para ver quem canta e grita mais alto (competição entre os paises). Homens e mulheres ficam em arquibancadas diferentes, e na área VIP ficam os estrangeiros.
Depois cada pais tem o seu gritador de ÔÔÔôÔÔÔ, para ver que aguenta mais tempo gritando... aff
huahuahuahuaha as ideas do povo
Posso dizer que o pak ganhou todas! o cara era bom!
Depois vem os primeiro soldado marchando daquela forma engraçada levantado as pernas super alto, e vestindo um roupa preta e com um chapéu de pavão... ehehhee pior é o da india que tem o mesmo uniforme mas de cor de coco de diarreia.. pessimo!
Então eles abrem os portões da fronteira entre os dois paises, fiquei super emocionada!
Competem novamente para ver quem desata a bandeira primeiro.. o pak ganha novamente! nois e bom!
As duas bandeiras são retiradas, os soldados marcham cada um para o lado do seu pais e os portões se fecham. Dura cerca de 13 minutos e superrrrrrrrrrrrrrrrrr, foi a melhor parte da viagem (em termos de turismo).

Local: Wahga- Lahore
Preço: 10 rupias
Nota: 10- vale muito a pena
duração: 15 minutos

Eu fiz vários videos e fiquei horasssssssssss para postá-los, masssss o melhor video de 18 minutos, depois de quase 24 hors online esperando, o utube retira o video do ar pq era mto longo =( quis chorar!

os animadores
do lado de dentro

arquibancada vip na frente e atrás a dos homens
um dos soldados
depois do espetaculo, pedimos uma fotinha heheheheh











outro brasileiro que foi:

Monday, 11 January 2010

Manoel Morgado no Paquistão- diário de viagem

21/6/2006 - Karakorum Highway - percorrendo a Rota da Seda

Desde que passei dois meses caminhando pelos vales do Paquistão em 2000
que vinha sonhando em voltar para este pais maravilhoso. Duas coisas fazem
deste pais um lugar especial. Em primeiro o seu povo que consegue ser
ainda mais hospitaleiro que os nepaleses. Os paquistaneses realmente
ganham o prêmio do povo que melhor trata os estrangeiros. Me lembro de
estar caminhando ao lado de um vilarejo e ver uma senhora andando em nossa
direção com uma jarra de iogurte para nos oferecer. Não queria nada em
troca, nunca tinha nos visto e queria apenas nos oferecer seu delicioso
iogurte como ato de hospitalidade. Assim como desta vez outras tantas
vezes me senti emocionado com a gentileza dos paquistaneses. Além disso a
paisagem do pais é simplesmente deslumbrante para os amantes de montanhas.
O norte do Paquistão é cruzado por três cordilheiras, o Himalaia, o
Karakorum e o Hindu Kush oferecendo paisagens magníficas, imponentes e
cinco das mais altas montanhas do mundo incluindo o famoso K2, a segunda
mais alta da Terra.

Naquele ano fiz dois fantásticos treks, um até a base do K2 e outro
pela região noroeste, próximo da fronteira com o Afeganistão por alguns
vales perdidos, habitados por alguns poucos nômades, yaks, ibex e nada
mais. Poucas vezes em minha vida me senti tão feliz caminhando, explorando
e interagindo com pessoas como nesses dois deliciosos meses.

Não é surpreendente então que desde então eu venha sonhando em voltar para
lá. A chance aconteceu agora quando ao invés de voar para Bishkek, capital
do Kyrgystão, eu tenha decidido ir por terra cruzando o Paquistão e
noroeste da China. A rota que levaria da Índia ate o Kyrgystão não poderia
ser mais intrigante e desafiadora. Ligando Islamabad, capital do
Paquistão, ate Kashgar na China há pouco mais de 20 anos foi completada a
construção de uma das estradas mais bonitas do planeta, a chamada
Karakorum Highway. Esta Estrada pode ser considerada uma das obras de
engenharia mais fabulosas do século. Por mais de 20 anos foram usados
milhares de trabalhadores para cavar uma estrada por entre vales
estreitos, profundos e íngremes, cruzando um dos mais montanhosos terrenos
do planeta. Conta-se que houve uma morte de um trabalhador para cada
quilômetro de estrada!

Depois de minhas desventuras tentando escalar o Mera Peak no Nepal tomei
um vôo para Delhi onde reencontrei a Andrea, minha companheira guatemalteca
que depois do trek do Everest tinha ido para a Índia enquanto eu tentava o
Mera. Ela já estava viajando por mais de 6 meses pela Índia tendo estado
principalmente pelo sul. Mais um caso de amor pela Índia já que ela saiu
da Itália onde vive para passa um mês na Índia mas acabou ficando e
ficando. Quando a convidei para vir comigo para o Paquistão, China e
Kyrgystão aceitou sem pestanejar. Um convite irrecusável para quem tem
aventura no sangue.

De Delhi seguimos de trem para Amritsar, capital do estado do Punjab e
onde está um dos mais lindos templos da Índia, o chamado Golden Temple, da
religião Sikh. Passamos o dia andando pelas ruelas da cidade antiga e a
noite fomos mais uma vez ao templo apreciá-lo completamente iluminado e
com suas luzes refletidas nas águas do lago que o rodeia já que ele foi
construído como uma ilha no meio deste pequeno lago artificial.

No dia seguinte cruzamos a fronteira com o Paquistão e fomos para Amritsar
e Islamabad. Na fronteira todos os dia acontece uma cerimônia curiosa.
Dos dois lados da fronteira acontece pontualmente as 18 horas a troca de
guarda e isso é feito de forma extremamente elaborada com cada lado
tentando suplantar o outro aos gritos de apoio de indianos e paquistaneses
que viajam das cidades próximas para exaltar o seu pais. Em nenhum outro
lugar nesses anos todos senti a rivalidade Índia/Paquistão de forma tão
aberta e intensa. Sai da cerimônia um pouco assustado e como sempre
abalado com essas manifestações tão intensas de ufanismo. Governos
fomentando uma inimizade que até antes da divisão Índia/ Paquistão em
1947 não existia.

De Islamabad partimos para nossa jornada pela Karakorum Highway. Mas, como
tudo nesta parte do mundo as coisas não são tão fáceis assim. Quando
chegamos na estação rodoviária descobrimos que o único ônibus diário já
estava lotado (e lotado por aqui significa realmente lotado, com todos os
assentos ocupados e mais um monte de pessoas em pé). Não tivemos outra
opção do que tomar uma pequena van que nos levaria a um vilarejo a pouco
mais de 100 quilômetros onde com alguma sorte poderíamos tomar outra van e
assim continuar por todo o dia. Apos 2 ou 3 horas de viagem pelos planos a
paisagem começou a se tornar mais interessante e após o meio dia já
estávamos percorrendo a região montanhosa do pais. A estrada sinuosa e
estreita corria ao lado do lindo Rio Indus e da pequena janela de nossa
van tínhamos que encostar o rosto no vidro para podermos ver o topo das
montanhas que dos dois lados fechavam o pequeno vale.

Ao final do dia chegamos em um pequeno vilarejo chamado Besham onde
passamos a noite. As 4 horas da manha acordamos para tomar o ônibus que
nos levaria a Gilgit, a maior cidade desta parte do pais. Gilgit tinha
sido meu ponto de partida 6 anos antes para o trek a base do K2 e guardava
alegres memórias desta pequeno lugar. Durante todo o dia nos deliciamos
com a linda paisagem que se descortinava ao nosso redor. Infelizmente
quando passamos ao lado do Nanga Parbat, a oitava mais alta montanha da
Terra, estava nublado e até começava a cair uma fina garoa de modo que não
pudemos avistá-la. Uma boa razão para voltar mais uma vez.

Nos hospedamos no agradável pequeno hotel onde tinha ficado na minha
primeira visita e no dia seguinte fizemos uma deliciosa caminhada por um
vale próximo. Descrevo o que aconteceu nesta caminhada pois ela ilustra de
maneira muito clara como os estrangeiros são recebidos aqui. Tomamos um
táxi ate o começo do vale a poucos quilômetros da cidade. Como acontece
com freqüência aqui na Ásia o motorista estava com seu amigo para fazê-lo
companhia e assim fomos eu, a Andrea, o motorista e seu amigo. A estrada
chegar até uma linda estátua de Buda construída a 2 mil anos atrás quando
esta região seguia o Budismo. No caminho o motorista resolveu parar para
subir em uma árvore para colher apricots para nós. Pensei em como isso era
surpreendente. Um motorista perder seu tempo, sujar suas roupas para
colher frutas para nós. Mas dai, eles desceram do carro e resolveram
brincar de guias turísticos e nos levar ate a estátua, mais uma caminhada
de uns 30 minutos cruzando um pequeno riacho. Depois de nos mostrar a
estátua voltaram felizes ao seu trabalho. E tudo isso por uma corrida de
três dólares!! Caminhamos então vale acima até encontramos uma pequena
hidroelétrica onde os trabalhadores nos ofereceram uma carona em seu jeep
até lugar onde iam, isso, claro, depois do habitual chá e muitos
sorrisos e de recitar o time completo da seleção brasileira. Mais uma vez
nos surpreendemos com o calor com que estávamos sendo tratados.

Seguimos então para o Vale de Hunza, um nome quase mítico entre os
aventureiros e turistas que buscam lugares especiais. Hoje a pequena
cidade de Karimabadh tem apenas um lindo forte no alto de uma colina, mas
alguns séculos atrás o governante de Hunza governava uma vasta área e era
temido por todos os povos vizinhos de quem extraia pesados impostos para
passar por seu território. Hunza fazia parte de uma das muitas Rotas da
Seda, esse conjunto de trilhas e pequenas cidades que ligavam a China ao
Mediterrâneo funcionando não só como rota de comércio mas principalmente
como ligação cultural ajudando na divulgação de novas religiões e
filosofias e ajudando na troca de tecnologia entre povos distantes.
Hoje Hunza é um dos lugares mais bonitos de toda a Karakorum Highway, com
sua maravilhosa vista das montanhas, varias rotas de trekking e alguns
deliciosos cafés para passar as tardes lendo sob a sombra de pessegueiros.

Em Hunza fizemos um pequeno trek de dois dias de duração até um passo a
4.000 metros de altitude de onde se vê todo o lindo vale. No primeiro dia
subimos por 5 horas um estreito vale pedregoso que aos poucos foi se
abrindo e revelando lindas montanhas nevadas. Chegamos em uma área mais
plana onde pastavam placidamente ovelhas e yaks e lá decidimos passar a
noite. Não tínhamos trazido barraca então nos instalamos ao lado de uma
grande rocha, colocamos nossos sleeping bags e lá dormimos sob um céu
absolutamente repleto de estrelas e cruzado a cada 5 minutos por
brilhantes estrelas cadentes. Inesquecível! No dia seguinte completamos a
subida até o topo do passo, curtimos a linda vista e descemos de volta a
Hunza com a alma repleta de felicidade.

Mais um dia de ônibus nos levou ao pequeno vilarejo de Sust e no dia
seguinte cruzamos o famoso Kunjurab Pass com 4800 metros de altitude
atravessando assim para a China.

O contraste não podia ser maior. De um lado o povo mais receptivo do
mundo. Do outro a frieza quase rude chinesa. Dormimos em uma cidade com
largas avenidas e sem alma e no dia seguinte partimos para outro lugar que
há muito tempo sonho em visitar, o Lago Karakol. Meu grande amigo Saverio
esteve aqui há alguns anos e me falava maravilhas do lugar. Com certeza
não me decepcionei pois o lago de uns 5 quilômetros de extensão e de cor
azul turquesa e rodeado de grama verde bem viva e a poucos quilômetros se
erguem duas montanhas com mais de 7000 metros. Mágico!

Logo que chegamos fomos abordados por vários homens a cavalo nos oferecendo
para ficarmos em seus yurts, essas casas movies dos nômades Kyrgystanis.
Fomos para uma e nos apaixonamos pelo lugar. O yurts tinha ao redor de 4
metros de diâmetro, feito de lã de camelo, esse de duas corcovas chamado
Bactrian, típico da Ásia Central. Dentro do yurts era todo enfeitado com
tapetes e com o chão também coberto desta forma. Extremamente
aconchegante. O melhor de tudo é que para controlar a temperatura e para
sair a fumaça do pequeno fogão que existe no centro, existe uma abertura
no teto que pode ser aberta ou fechada de acordo com a necessidade. Nos
dormíamos com ela aberta, apesar do frio, para podermos ver as estrelas
durante a noite.

No dia seguinte mais uma caminhada até a base de uma montanha para vermos
a linda paisagem ao redor. Apesar da vontade de ficarmos mais tempo por lá
tínhamos que seguir para a última etapa da Karakorum Highway, Kashgar.
Esta cidade é famosa como centro de comércio da Rota da Seda por mais de 2
milênios e seu bazar de domingo é uma lenda.

Seguimos então os últimos quilômetros desta fascinante estrada e chegamos
em Kashgar com muita expectativa em relação a cidade e seu mercado. Mas,
infelizmente parece que chegamos um pouco atrasados, mais ou menos uns 50
anos... A cidade é super moderna, com largas avenidas e apesar de ter uma
grande e interessante mistura de povos deixou-nos muito frustrados em
relação ao que esperávamos. O tão famoso bazar foi uma decepção ainda
maior. Qualquer mercado indiano é mais agitado, exótico e interessante.

Apesar disso, depois de 20 dias percorrendo a maravilhosa Karakorum
Highway não podíamos reclamar...Foram dias maravilhosos com paisagens
deslumbrantes e experiências com pessoas incrivelmente receptivas.
Próxima etapa: Kyrgystao!

Fonte: http://www.manoelmorgado.com.br/textos_blog.asp?IdTexto=61
Com muito mais textos e fotos! Excelente

Friday, 21 August 2009

Diário de Viagem - Semana 4

Diário da Viagem ao Paquistão- Quarta e última Parte

Segunda-feira (19 de novembro de 2007)
Bahawalpur – perto do vilarejo de Bela Khan (102 km)


O que eu iria encontrar pelo caminho a partir de agora era imprevisível. Desta vez eu não conhecia mais ninguém para me dar um teto ou um prato de comida e sabia que contar com a sorte que eu tive em Multan não era uma boa idéia. Apenas poderia me preparar para acampar em algum lugar pelo meio do caminho e levar comida para alguns dias comigo.

Pela manhã eu deixei Bahawalpur por uma estrada bastante diferente da que eu me acostumei a percorrer aqui no Paquistão, desta vez o caminho era ruim e com muitos buracos e defeitos. Pensei que o caminho seria assim até eu chegar ao meu destino, mas por sorte estava enganado. Depois de 10 quilômetros eu entrei novamente na autopista (National Highway n. 5) e voltei a pedalar da forma que estou acostumado.

Mais uma vez contei com a sorte e com a ajuda dos caminhões que pasavam ao meu lado e por vezes geravam o “vácuo” que eu precisava para escapar do vento e desenvolver uma velocidade boa. Com isso, consegui passar pelo caminho monótono e desértico mais rápido até um momento que acreditei estar na metade do caminho até a próxima cidade e resolvi parar para acampar num posto de gasolina do caminho.

Procurei um posto grande, 24 horas e com um segurança. Quando encontrei pedi para acampar no pequeno gramado no fundo do posto de gasolina, que ficava levemente afastado da estrada, por onde passavam os caminhões mais barulhentos que eu já vira. A princípio tive bastante sorte, o posto era bom, tinha um banheiro limpo e não fazia muito frio, o suficiente para eu não precisar tirar meu equipamento de frio da mala.

Depois de uma banho frio e comer no restaurante que ficava a poucos metros do posto de gasolina eu entrei em minha barraca e somente por volta das 9 horas da noite eu resolvi dormir. No entanto, descobri que mesmo estando numa região seca e desértica, a noite era fria e úmida. Fui obrigado a colocar a segunda capa da barraca e até mesmo a entrar no meu saco de dormir para completar a barulhenta noite.


Terça-feira (20 de novembro de 2007)
Perto do vilarejo de Bela Khan – Sadiqabad (104 km)


Acordei cedo, porém sabia que teria que esperar um bom tempo até a minha barraca secar. Da forma que ela estava eu não conseguiria guardá-la. Aproveitei o tempo para tomar um café da manhã e guardar tudo enquanto esperava a barraca secar. Nesse meio tempo, entre acordar e partir, eu vi uma caminhão carregado de óleo diesel chegar no posto e ter a válvula que controlava a saída do combustível estourarda. Isso resultou num banho de diesel em alguns homens que tentavam controlar o desastre e numa pequena piscina no chão do posto.

Após o show eu já estava coma barraca seca e pronto para guardá-la. Mais alguns bons minutos e pronto, tudo certo para ir embora. Subi na bicicleta e segui na direção de Sadiqabad, a próxima cidade de porte médio em meu caminho. Pensei que o caminho seria fácil com o dos dias anteriores, mas me enganei. O vento soprou contra mim hoje e os caminhões não foram tão amigos quanto os dos dias anteiros.

Meu início tardio resultou numa chegada igualmente tardia. O caminho foi monótono e igual ao dos outros dias, exceto pelo fato de hoje eu ter visto não apenas um caminhão tombado na pista, mas sim 3 e outros veículos batidos. Fora isso o caminho foi feito de deserto e poeira. Quando cheguei em Sadiqabad, queria apenas encontrar um hotel para passar a noite e ter um bom descanso.

Perguntei para um sujeito que falava inglês onde poderia encontrar um hotel e ele me indicou 2. Melhor do que isso, mandou um de seus funcionários me levar até o hotel mais próximo. Pelo caminho logo descobri que o funcionário além de não falar inglês (até aí tudo bem), não tinha a mínima idéia de onde ficava o hotel e também era completamente analfabeto (assim como boa parte da população do Paquistão). O resultado da ajuda do funcionário foi nulo, já que além de tudo ele me levou para um hotel que não aceitava estrangeiros.

Percebi que eu estaria melhor sozinho que acompanhado por aquele sujeito que parecia mais perdido do que eu. Segui então para o centro da cidade com a esperança de encontrar um lugar para passar a noite. Logo encontrei o que queria e este hotel sim aceitava estrageiros, provavelmente o único da cidade que fazia isso. Instalei-me alí e depois segui para um restaurante para comer e descansar para continuar minha jornada pelas estradas do Paquistão.

Quarta-feira (21 de novembro de 2007)
Sadiqabad – Ghotki (91 km)


Logo que acordei ao som de marteladas, serras, buzinas e jumentos debaixo da minha janela, localizada no centro de Sadiqabad, percebi que seria bom não perder muito tempo iniciar minhas atividades. Minha prioridade hoje era arrumar a roda da minha bicicleta que havia tido um raio quebrado ontem logo que entrei nesta cidade. Tomei um dos raios reservas que levo comigo, que por sinal já estão acabando e desci até uma espécie de sala de motores onde eu havia sido obrigado a colocar minha magrela.

Alí troquei o raio quebrado e descobri que havia mais alguns probremas na roda. Enfim, arrumar tudo e alinhar a roda me tomou mais de 30 minutos e só então eu podia ir tomar meu café da manhã. Não sei porque, mas eu já não aguento mais tomar o café da manhã daqui. Nada contra chapatis e vegetais apimentados, mas creio que meu corpo está pedindo algo mais com a cara do que eu comia no Brasil: um pão francês, queijos, yogurt e frutas.

Como eu sou obrigado a comer o que tiver para poder pedalar, eu saí para as ruas em busca de algo. O pão de estilo europeu e o queijo eu não encontrei, mas já sabia que não encontraria – ainda mais em Sadiqabad. O yogurt eu também não encontrei, mas poderia haver em algum canto da cidade. Por fim, encontrei frutas, que não existem numa variedade enorme como no Brasil, mas sempre tem uma cara boa. A frutas que sempre há por aqui são: banana, um tipo de mexerica, uma goiaba que tem forma de pêra (é verdade), maçãs e a favorita deles, romã, que não tem comparação com a pobre romã que eu via no Brasil. Aqui a romã tem quase um tamanho de um côco pequeno, tem uma cor viva e conta com sementes bastante suculentas.

Com o que eu enontrei, fiz meu café da manhã com frutas, incluindo uma romã, que de tão grande deu até trabalho para comer. Ao final da minha refeição e de arrumar tudo para seguir viagem já era próximo das 10 da manhã, mas eu tinha a vantagem de ter que pedalar menos de 100 quilômetros hoje. Pela pobreza das ruas desta cidade eu cheguei até a auto estrada e logo me deparei com o que seria o meu maior problema hoje: o vento contra (mim).

Nenhum momento da pedalada foi fácil e eu nem tinha idéia da onde iria chegar. Havia apenas visto um pequeno povoado chamado Ghotki no mapa e achei que seria uma boa ficar por alí hoje. Com minha velocidade comprometida devido ao vento que me segurava de forma incrível, segui de forma mais lenta e parei algumas vezes para descansar. Minha salvação foi entrar atrás de um lento caminhão que passava na estrada e seguir atrás dele, protegido do vento.

De toda a forma, minha pedalada nesta região árida do país foi mais demorada que o normal no dia de hoje. Cheguei em Ghotki próximo do final da tarde e percebi que o local era mesmo pequeno e não contava com estrutura alguma. Para a minha sorte, depois de pedalar um pouco pelo local eu encontrei um pequeno hotel na beira da estrada, já na saída da pequena cidade.

Não era um local exemplar, mas era suficiente para uma noite e para não precisar montar minha barraca. No final da tarde já fazia frio e eu tomei uma banho rápido para então cair na cama e me preparar para descansar e continuar minha pedalada até a cidade de Sukkur amanhã.

Quinta-feira (22 de novembro de 2007)
Ghotki – Sukkur (61 km)


Ao começar o dia de hoje eu percebi que já estava cansado de pedalar sem parar por tantos dias. Precisava de um descanso e esse descanso eu me daria em Sukkur minha próxima parada. Mesmo assim o descanso teria que ser curto, pois meu visto para o país estava acabando eu precisava chegar até Quetta para estendê-lo e ganhar mais alguns dias no país o que seria suficiente para terminar minha pedalada por aqui.

Depois de um café da manhã de frutas e um chapatti eu segui para a estrada, que passava na porta da hospedagem onde eu estava ficando. Alí percebi que não me falatava muito para chegar em Sukkur, quase 60 quilômetros e isso seria bom para mim, que já estava cansado. O ruim foi que o vento ainda seguia contra mim e não me dava nenhum descanso pelo caminho. Hoje eu já não tinha nem mais energia para acelerar e conseguir entrar no “vácuo”da traseira de uma caminhão. Contentei-me em seguir num ritmo mais lento, sabendo que não estava longe de meu objetivo.

Como havia saído cedo de Ghotki eu consegui chegar não muito tarde em Sukkur, onde demorei para encontrar um hotel, já que a cidade era dividida e contava com o lado pobre, de hotéis baratos, mas completamente insalúbres, e o lado menos pobre, de hotéis melhores, porém caros. Percebi que ficar no lado pobre seria um desafio e para descansar (a única coisa que eu queria) seria quase impossível. Segui então para o lado menos pobre, onde consegui negociar um preço melhor em uma das hospedagens e então ficar por alí por uma noite.

Comi bem hoje, descansei e planejei minha ida até as ruínas de Moenjo Daro, que ficava numa cidade próxima de Sukkur, aonde eu iria de ônibus amanhã.

Sexta-feira (23 de novembro de 2007)
Sukkur – Moenjo Daro – Sukkur (ônibus)


Hoje não coloquei o despertador para tocar e despertei um pouco mais tarde, mas ainda a tempo de seguir para Moenjo Daro e ver um pouco das ruínas dessa civilização de mais de 5000 anos. Logo pela manhã percebi que não seria fácil chegar lá. Do meu hotel tive que tomar um rickshaw até o terminal de ônibus, a cerca de 5 quilômetros de distância. Depois tomei um ônibus até a cidade de Larkana, base da família Bhutto e localizada a apenas 30 quilômetros de Moenjo Daro.

Quando cheguei em Larkana, depois de 1 hora e meia de viagem, tive que tomar outro pequeno táxi até o local da onde saiam os veículos para Moenjo Daro. O problema foi que no caminho o taxista encucou que eu tinha que ir até a polícia para obter um guarda-costas e depois segui para onde eu queria. Ele parou numa delegacia e os policiais deram risada da cara dele e o mandaram para outro lugar. No outro lugar o policial fez uma cara de “saco-cheio” e disse que eu poderia ir sozinho que a escolta policial seria me dada em Moenjo Daro.

Segui então para a van lotada, que levou 1 hora para percorrer os 30 quilômetros que separavam as duas cidades. Quando em Moenjo Daro, os policiais me chamaram para a sala deles, onde eu teria que preencher alguns papéis e pegar meu policial guarda-costas. Conversei com os policiais, que gostaram da minha barba muçulamana, e depois de alguns minutos eles me disseram que não havia problema com brasileiros e me deixaram seguir sem ninguém, para a minha alegria.

Conversando com as pessoas descobri que agora, que seria o pico da estação turística do país, eu havia sido o único turista da semana toda. Todos os estrageiros haviam fugido do país com medo de algum conflito e os que haviam planejado vir, mudaram de idéia após o Estado de Emergência declarado por Musharraf há pouco tempo. Em outras palavras, eu tinha as ruínas de Moenjo Daro quase que só para mim.

Não precisei de muito tempo para percorrer todo o local e depois de 3 horas alí já era hora de voltar para Sukkur, pois sabia que a viagem de volta também seria longa. Assim dei início ao retorno. Um rickshaw até o cruzamento das vans. Uma van até Larkana. Um rickshaw até o terminal de ônibus. Um ônibus até Sukkur. E um rickshaw até o hotel onde eu estava. Enfim, o passeio durou o dia todo, sendo que eu passei mais horas dentro dos desconfortáveis transportes que nas ruínas em si.

Agora eu tinha que deixar tudo pronto para segui na direção de Quetta amanhã ainda.

Sábado (24 de novembro de 2007)
Sukkur – Shikarpur (44 km)


Já me sentia bem para pedalar novamente e não levei muito tempo para deixar tudo pronto para seguir em frente. Como não queria perder muito tempo para me organizar, pedi um café da manhã do hotel. Esta simples refeição demorou mais que o normal e não foi nada de especial, mas o suficiente para me alimentar para uma boa pedalada.

Depois de comer eu já tinha tudo pornto para seguir em frente. Fui então para a estrada, onde tudo parecia normal. Em pouco mais de 1 hora de pedalada, comecei a sentir uma forte dor no estômago e não sabia o que era. Achei que poderia ser pelo café que eu havia tomado, mas na medida que a dor foi crescendo eu percebi que se fosse o café ele deveria estar estragado.

A dor foi se tornando tão intensa que eu já não conseguia pedalar. Fui obrigado a parar então na beira da pista, sentar no chão e apenas ficar parado, percebendo que eu tinha um grande problema agora. Quando levantei senti uma forte tontura e ânsia de vômito. Achei melhor vomitar aquilo que estava me fazendo mal e vomitei, mas não tanto quanto eu esperava e, aparentemente, longe do necesário também.

Subi na bicicleta mais uma vez e com a velocidade extremamente baixa eu segui em frente. Quando cheguei numa bifurcação não sinalizada eu resolvi parar no posto de gasolina e perguntar qual era o caminho para Jacobabad, onde eu queria chegar. Eles disseram que era o da direita. Perguntei então se eles tinham água, eles então perceberam que eu não estava bem e disseram que iriam me trazer água. Sentei então numa cadeira e esperei.

Quando a água chegou eu tomei boa parte da garrafa num gole só e depois deitei numa cama suja que eles havia trazido para mim. Acabei dormindo alí e quando levantei minha ânsia estava ainda mais forte, assim como as dores que eu sentia no estômago. Percebi que era hora de vomitar. Desta vez eu vomitei tudo ou quase tudo. Mas junto com o vômito, veio também uma diarréia. Nesse momento tive que admitir que eu não chegaria em Jacobabad hoje. Teria que ficar por Shikarpur e seguir viagem pela manhã.

Perguntei se havia algum hotel na cidade e eles disseram que sim, porém como turista, eu era obrigado a ser escoltado por policiais nesta cidade. Assim, eles ligaram para a polícia, que chegou em pouco tempo e me conduziu até a delegacia da pequena cidade. Na delegacia que parecia mais uma mercado de peixe, eu preenchi meus dados em algumas folhas e depois tive que esperar um policial chegar para me conduzir até o hotel, localizado a 50 metros da delegacia.

Devo confessar que aquilo não era nada agradável. Eu não podia ir para lugar algum sem o policial e eles eram chatos. O hotel era uma porcaria e sujo e os policiais ficavam a cada 5 minutos batendo em minha porta ou entrando em meu quarto. Um deles até arrombou a porta do meu quarto, para meu susto, pensando que um grito que ele havia escutado viera de dentro do quarto que eu estava. Bem, em resumo, a noite não foi fácil.

Eu que não tinha apetite algum, me contentei em comer algumas tangerinas e bananas, para então guardar minhas energias para conseguir deixar a cidade ainda amanhã.

Domingo (25 de novembro de 2007)
Shikarpur – Jacobabad (41 km) – Quetta


Às 6 da manhã os policiais já batiam à minha porta, o que me fez despertar nenhum um pouco feliz. Falei para eles pararem de bater na porta e que eu já iria começar a arrumar tudo para ir embora em pouco tempo. Depois de mais algumas dezenas de batidas na porta e de entrarem no quarto, eu estava com tudo pronto para seguir viagem.

Não me sentia muito bem, mas sabia que poderia pedalar um pouco. Mesmo assim, um veículo chegou até a porta do pulgueiro onde eu estava ficando e me obrigou a colocar a bicicleta na caçamba da caminhonete dele. Como não tinha escolha, coloquei. Ele então deu uma volta pela cidade e quando chegou na estrada, esperou um outro policial chegar e me levar escoltar até Jacobabad.

Este oputro policial estava de moto e me deixou pedalar. Assim, eu pedalei até Jacobabad, cerca de 40 quilômetros, o que não foi uma boa idéia, já que eu ainda não estava em condições de pedalar longas distâncias, devido à minha saúde. Quando chegamos em Jacobabad, os policiais disseram que me levariam até Quetta. Assim, eu pedalei até o limite onde eu poderia pedalar, a fronteira com o Balochistão. O motivo disso era simples, a 2 dias atrás foi morto um dos líderes e guerrilheiros da região, chamado Balach Khan Mari, parente de Nawab Akber Khan Bhugti, que foi morto no ano passado, pelas tropas do exército paquistanês. Isso resulou e resulta numa certa instabilidade na região que se opõe a Musharraf e se envolve em conflitos com os militares.

Da fronteira em diante, coloquei minha bicicleta na caçamba de uma caminhonete e segui em frente. Pensei que eles me levariam diretamente até Quetta, que estava a mais de 300 quilômetros dalí, mas percebi que não. A cada 10 quilômetros, eles faziam a troca, ou seja, eu tinha que pular de uma caminhonete para outra com minha bicicleta. Aquilo não era nada agradável, pois o tempo perdido em cada troca não era pequeno, sendo que em cada veículo havia 4 ou 5 policiais e nenhum deles me ajudava.

Depois de 7 caminhonetes e cerca de 50 quilômetros, eu percebi que aquilo era a coisa mais imbecil que eu já tinha visto. Apesar dos policiais não falarem inglês eu tentei me comunicar com eles para que eles me deixassem num ônibus direto para Quetta, o que seria menos doloroso que ficar trocando de veículo a cada 10 minutos e agüentando os policiais, o que talvez fosse o pior de tudo.

Eu já havia pedido isso antes, mas eles apenas havia me dito que me levariam até o terminal de ônibus, mas não levavam. Tive a impressão que eles gostavam de conduzir turistas pela estrada. Mas desta vez, estes policiais me levaram até o terminal de ônibus, que era no meio da estrada, no meio de uma cidade e no meio de um mercado de frutas, ou seja, algo completamente caótico. Os sujeitos do ônibus colocaram minhas malas e bicicleta no topo do veículo e quando eu entrei no ônibus percebi que não havia lugar para mim a não ser também no topo do ônibus.

Fui para cima e ganhei uma vista incrível enquanto viajava os 300 quilômetros que me separavam de Quetta. De cima do ônibus, eu pude ver o porque da polícia não deixar ninguém viajar sozinho pela região. O local é completamente deserto, para onde se olhe só se vê pedras e terra, nada mais. Até mesmo as cidades que me mapa mostrava, não era mais que um conjunto de casas feitas de barro. Percebi que mesmo sem os perigos dos terroristas, eu teria bastante trabalho para pedalar por alí.

A viagem durou cerca de 5 horas e somente do final do dia eu cheguei em Quetta, um pouco perdido nesta cidade fria, de pessoas bastante peculiares. Não há ninguém na rua que não use algum pano ou um tipo de chapéu diferente em sua cabeça. O motivo disso é simples, a população é simples e, basicamente, de origem tribal, como quase todo o Balochistão, região dividida entre o Paquistão, Afeganistão e Irã.

Fui então para o centro da cidade, onde para procurar um lugar para ficar dentro das noites frias de Quetta. Encontrar hotéis foi fácil, porém encontrar um para ficar foi mais difícil. Não sei porque, mas muitos deles estavam lotados (ou simplesmente disseram que estava lotados porque não queriam turistas e outros eram ruins de verdade, quase que indianos). Depois de diversas tentativas encontrei um lugar razoável para ficar, onde apenas coloquei minhas coisas e depois saí para comer.

Encontrei um restaurante bom e resolvi comer um peixe frito, o que parecia ser uma boa idéia. Comi bastante e logo percebi que era cedo demais para fazer uma refeição como essa, depois de todos os problemas que eu havia tido. Ao voltar para o hotel eu já não me sentia bem, mas o cansaço logo me levou para a cama e apenas adiou os efeitos desta pesada refeição.

Segunda-feira (26 de novembro de 2007)
Quetta


Ainda na cama, não demorei a descobrir que eu tinha sérios probelmas. Logo pela manhã eu já não conseguia mais sair do banheiro, numa disenteria complicada, que estava até me desidratando, de tanta água que eu estava perdendo. Pelos sintomas que eu estava tendo percebi que o que eu tinha era um parasita chamado Giardia lambia, geralmente chamada apenas de giardia. (eu tive isso, perdi 5 kilos em uma semana)

Estava arrotando bastante, sempre com gosto de “ovo”, sendo que eu não havia comido ovo, tinha uma disenteria forte e não tinha apetite. Enfim, tinha giardia. Agora precisava saber o que fazer para acabar com o problema. Já não queria perder meu tempo indo até um médico, pois o que ele iria me receitar eu já sabia. Resolvi apenas confirmar na internet, nuns sites de medicina e pronto, já tinha meu auto-diagnóstico e meu auto-medicamento. (também fiz isso hehehe)

Precisava tomar uma dose alta de tinidazol, a mesma droga que eu tomei contra a ameba, porém desta vez numa dose única e pesada, aparentemente suficiente para acabar com o meu problema. Comprei então o remédio, comprei yogurt e alguns probiótios para ajudar a recuperar a minha flora intestinal. Agora me restava descansar e não gastar energia. Fiquei vendo televisão e depois fui para a internet ver alguns e-mails, para resumir o meu dia.

Terça-feira (27 de novembro de 2007)
Quetta – direção à fronteira com o Irã


Acordei já me sentindo melhor. A diarréia havia acabado e já não me sentia tão fraco. Sentindo-me bem resolvi solucionar os probelmas que eu tinha com o meu visto, que iria acabar amanhã, assim para ficar mais no país eu teria que estendê-lo, porém para fazer isso eu teria primeiro que saber se eu poderia pedalar até a fronteira, o que eu teria que descobrir com a polícia.

Fui então até a delegacia da cidade e perguntei para o delegado se eu poderia pedalar até a fronteira. A resposta que ele me deu, eu já esperava: não. A polícia poderia me conduzir até fornteira se eu quisesse, fazendo dezenas de trocas de caminhonetes como eu havia feito antes, por isso, eles aconselhavam todos os viajantes a tomar um ônibus e evitar problemas.

Com essa resposta eu já não tinha muito o que pensar. Não havia mais razão para estender meu visto, sendo que eu já não poderia pedalar pelo país. Agora me restava arrumar tudo para deixar o país. Quando já tinha tudo pronto, resolvi então visitar uma fundação presente em Quetta, relacionada à saúde pública do Paquistão. A chamada Fundação Maulana Muhammadumar tinha uma papel importante na saúde de Quetta e de todo o Balochistão, já que a maioria da população desse estado segue para Quetta quando precisa de atendimento médico.

Após toda esta conversa, eu tinha pouco tempo para tomar meu ônibus até a cidade de Taftan, localizada na fronteira Paquistão/Irã. O ônibus sairia às 6 horas da tarde e levaria de 10 a 12 horas para chegar até o borda do país. Às 5:30 eu saí da minha hospedagem em direção terminal de ônibus e alí percebi o que me esperava. Por fora o ônibus parecia bom, mas por dentro não era muito confortável, especialmente para uma viagem de 12 horas, de qualquer forma, era o melhor que havia para lá.

A viagem começou e logo eu percebi qual seria a maior dificuldade, a estrada. A estrada era horrível, não contava com asfalto e estava impregnadas de pedras e buracos, o que fazia o ônibus trepidar bastante e o ato de dormir um desafio para qualquer passageiro. Mesmo assim, me esforcei para dormir e quando conseguia sempre havia algo para me acordar. O motorista acendendo as luzes do ônibus de brincadeira ou colocando a música mais alto que de costume, a polícia entrando no ônibus para me fazer descer e preencher papéis que não serviam de nada ou, simplesmente, todos descendo para comer e beber no meio do deserto.

Foi nessa viagem desconfortável, fria e insalubre que eu vi meus dias de Paquistão acabarem no meio desta noite e darem lugar para uma outra parte do mundo, o Oriente Médio. Mas esta já é outra história.

The End
=)
Espero que tenham gostado

Thursday, 20 August 2009

Diário de Viagem- Semana 1

Muito interessante são 4 semanas de diário de viagem, divirtam-se!

Primeira Parte
Terça-feira (30 de outubro de 2007)
Amritsar – Lahore (61 km)

Já sabia que hoje que o meu último de dia de Índia e eu não tinha como negar a felicidade que isso me trazia. Ao mesmo tempo também não podia esconder a certa apreensão que eu tinha dentro de mim por estar entrando no Paquistão, uma terra que carrega tantas histórias e lendas em seu lado de fora. Se todas elas fossem verdade eu já estaria morto antes mesmo de chegar em minha primeira cidade no país, mas precisava saber o que era verdade neste mundo feito de mentiras.

E estava disposto a pagar caro por isso. Pedalei então em direção à fronteira Índia/ Paquistão.

Despedi-me do Templo Dourado e do povo sikh. Depedi-me das hordas de turístas. Despedi-me dos hippies buscadores da felicidade. E finalmente subi na bicicleta. Antes de deixar a cidade, no entanto, eu me perdi pela última vez na Índia e então encontrei o caminho. Pouco mais de uma hora depois eu já estava na fronteira, pronto para iniciar o processo de carimbos, formulários e horas de espera.

O organização do lado indiano não conseguia ser boa mesmo, assim como a educação dos funcionários. Depois de mais de uma hora de espera, eu consegui ganhar o cartão verde para cruzar a fronteira, mas antes fui trocar minhas rúpias indianas que não valiam nada no lado de lá. Depois da troca, tive ainda que assinar mais alguns papeis e enfim cruzei o portão.

Pensei que o lado paquistanês seria pior. Apenas pensei. Com toda a educação e um ótimo inglês os policiais paquistaneses me indiacaram aonde ir. Alí um sujeito me indicou o que fazer e onde deixar a bicicleta. Preenchi o formulário e depois de ter meu passaporte carimbado dentro do centro de imigração que poderia ser de qualquer país desenvolvido, tamanha organização e limpeza, fui passar pela revista de bagagem, mas os simpáticos policiais apenas perguntaram o que eu tinha e me deixaram passar sem abrir nenhuma de minhas malas.

Pronto, estava oficialmente no Paquistão e havia sido mais fácil do que eu imaginava. Pedalei poucos metros para dentro do país e já via uma cultura diferente, um idioma diferente, trajes diferentes e rostos diferentes. Era uma diferença enorme, que não chegavam ao outro lado devido à pesada fronteira que não deixa o caminho livre entre os 2 países.

A estrada continuava boa, assim como era na Índia, masuase não havia carros na pista e os poucos que haviam quase não buzinavam. Não eram excelentes motoristas, mas pelo menos não faziam questão de mostrar suas buzinas. Isso foi um alívio para mim. A poluição continuava pesada e fiz uma breve parada perto de um posto de gasolina ao lado da pista e percebi que diversas pessoas tinham armas, que não eram, mas sim metraladoras e escopetas.

Essa imagem, numa foto tendenciosa – como as que são colocadas nas revistas –, poderia indicar o início de uma guerra, mas a realidade é que até mesmo aquelas pessoas que levavam armas eram simpáticas e educadas. Era uma cena peculiar e, de certa forma, estranha também. De toda forma, não fiquei aí para ver como eles usavam suas armas e segui em frente, na direção de Lahore, a 2ª maior cidade do país.

Na medida em que eu me aproximava de Lahore o trânsito ficava cada vez mais caótico, mas mesmo assim, sem buzinas. Ao entrar na cidade, eu sabia que seria bom ligar para o número de telefone que haviam me dado, mas para isso seria bom conseguir um telefone. Como eu já previa aqui não há telefones públicos e a melhor saída seria comprar um novo chip telefônico para mim e já ter um número paquistanês também.

Estava perdido na cidade e não tinha a menor idéia de que direção eu tinha que tomar, assim resolvi apenas procurar uma loja de celular. Em meio à confusão das ruas foi um pouco difícil me deslocar de um lugar para o outro, mas num tempo menor do que eu previa eu já tinha meu número de celular do Paquistão, por uma quantia equivalente a 6 Reais. Com o telefone funcionando eu resolvi ligar para o número que eu tinha e – sem me surpreender – descobri que o número estava desligado.

Era hora de mudar os planos. Seria bom eu ir para algum hotel da cidade. Segui então para um hotel que é uma instituição na cidade e creio que mais de 90% dos turistas estrangeiros ficam nele quando em Lahore. Vi o nome da rua e fui perguntando pelo caminho. Ao contrário da Índia, as pessoas aqui me informavam com todo o carinho e pareciam realmente preocupadas comigo. Fiquei feliz com isso, mesmo quando eu não entendi nada da informação que eles estavam me dando em urdu (idioma local).

Em pouco tempo e depois de poucas ruas eu cheguei ao local, que à primeira vista, não parecia nada agradável. Localizado numa rua pequena e suja, com apenas uma pequena porta que dizia o nome do hotel: Regale Internet Inn. Depois da porta havia um jogo de escadas que já levava para o 2º andar do prédio. Assim deixei a bicicleta no lado de fora e subi para conferir o lugar.

Os quartos estavam cheios e só havia algumas camas no dormitório. Isso não era um probelma para mim, o mais difícil mesmo foi levar a bicicleta e os alforjes para cima. Depois foi tudo tranqüilo. Conheci o dono do local, Malik, e fui aos poucos conhecendo todos os hóspedes e até mesmo os moradores do local, gente que parece que chegou para ficar. Quando arrumava minhas coisas no quarto para 6 pessoas conheci um casal canadense que estava por alí e depois 3 viajantes da Islândia, o que é realmente difícil de ver, já que este país tem apenas 300.000 habitantes.

Com os islandeses eu saí para comer. Eles eram muito simpáticos e naquele momento já estavam há mais de uma mês no Paquistão, onde ficaram em Karachi, inclusive durante o incidente da bomba. Eles não estavam apenas viajando, mas sim a procura de um outro lugar para viver, já que a Islândia parecia não agradá-los. Tudo indicava que eles não sairiam mais do Paquistão e agora eles estavam apenas escolhendo um lugar para montar uma casa.

Depois de tanto tempo de Índia, o Paqusitão parecia um milagre em meu caminho. Limpo (comparando com a Índia), sem buzinas, com pessoas educadas e até mesmo carne de vaca, era tudo o que eu queria. Podia até mesmo comer sem me preocupar tanto como na Índia, onde não me lembro de ter comido algum prato sem uma cabelo, mosquito ou algo que eu não consegui identificar. Parecia que meu caminho estava mudando e para melhor.

Quarta-feira (31 de outubro de 2007)
Lahore


Lahore pedia alguns dias para ser conhecida. Aparentemente não havia muita coisa para ser vista nesta cidade de 12 milhões de habitantes, mas fazia tempo que eu não me sentia tão bem como na hospedagem onde eu estava. No pequeno hotel onde eu estava já conhecia quase todos e me sentia em casa, o que eu poderia fazer era aproveitar um pouco dessa boa sensação que eu não conseguia sentir na Índia.

Hoje eu tirei o dia para ver alguns locais da cidade, o que eu queria fazer logo pela manhã, mas no começo do dia de hoje eu descobri que o comércio aqui abre apenas por volta das 10 horas da noite, o que fez que eu demorasse para encontrar um mercado aberto para comprar meu café da manhã. Somente depois disso é que eu saí, com rumo à cidade velha, aonde está localizado o Forte de Lahore.

Ao chegar no local tive uma surpresa, ele estava fechado. Não fazia sentido, ele não fechava para almoço, tampouco para siesta, mas os policiais não estavam deixando ninguém entrar. Perguntei o que estava acontecendo e eles disseram que algum político americano estava alí dentro e enquanto ele estivesse alí, ninguém poderia entrar. Como não tinha escolha, fui para o parque da cidade, logo à frente do forte, para esperar o tempo passar.

Alí vi muita gente e muitas dessas pessoas vinha conversar comigo. Nessas conversas eu fui descobrindo que o paquistanês, ao contrário do que a mídia diz, é um sujieto muito bom. Eles acreditam que a Índia é uma país bom e não tem nada contra os Estados Unidos, o que me chamou muito a atenção. Já os indianos nunca falam nada de bom do Paquistão e os americanos vêem o país como o novo celeiro de terroristas do mundo. Era interessante descobrir um pouco mais do Paquistão.

As conversas foram interessantes e me senti bem com os paqusitaneses, com quem fiquei conversando até os portões do Forte se abrirem somente após as 3 da tarde, quando os americanos resolveram deixar o local. O forte é um resquício da dinastia Mughal, a mesma que dominou a Índia durante séculos e levantou as construções mais famosas do país, entre elas o Taj Mahal. A idade precisa do forte não é sabida, mas o que se sabe é que sua forma atual foi dada pelo imperador Akbar, o qual transformou Lahore em sua capital em 1566.

Seguindo as mesmas linhas das construções muçulmanas encontradas no norte indiano, o Forte de Lahore, conta com diversas divisões, palácios e templos, incluindo até mesmo uma caminho para elefantes, o que era comum naquela época. Igualmente grandioso e mais elaborado que o forte está a Mesquita Badshasi (Badshasi Mosque), que foi finalizada em 1647 por Aurangzeb (filho de Shah Jahan), tornando-se uma das maiores mesquitas do mundo.

Estar alí durante o pôr-do-sol apenas deixou o lugar ainda mais especial. Vi o dia acabar diante daquela imponente mesquista e somente então voltei para a minha hospedagem, encontrando ainda mais gente que havia chegado hoje, especialmente para aproveitar a quinta-feira de Lahore, que trás uma agenda recheada de eventos Sufi – o misticismo muçulmano.

Depois de conversar com tanta gente comecei a perceber que eu não poderia simplesmente deixar o país sem conhecer a região norte do Paquistão, uma região conhecida pelas suas montanhas (as mais altas do mundo), pela hospitalidade das pessoas e por ter o maior números de geleiras (glaciares) do mundo, depois da Antártida. Pedalar seria praticamente impossível, levando em consideração o meu tempo no país, mas um ônibus poderia resolver isso. De qualquer forma, ainda tinha a quinta-feira em Lahore para decidir.

Quinta-feira (1º de novembro de 2007)
Lahore


Pela manhã eu saí com algumas missões a cumprir, entre elas encontrar o correio, uma bicicletaria, comprar uma roupa tradicional, chamada shalwar-kamiz (algo como “calça e camisa”), a qual todos os homens usam e assim eu poderia passar despercebido em algumas regiões do país, com os trajes tradicionais e minha barba de alguns meses.

Encontrar o correio foi fácil, as bicicletarias também, até mesmo as lojas de roupas não foi assim tão difícil, porém não consegui fazer nada. Algumas das coisas que eu queria enviar para o Brasil era proibido aqui no Paquistão, como um simples DVD, eu precisava pegar minha bicicleta e levá-la para a bicicletaria e as roupas que eu encontrei não eram bem aquelas que iriam me fazer passar despercebido, pois tinham tantos detalhes, que eu chamaria mais a atenção usando elas que não usando nada.

Quando eu voltei para a hospedagem já era depois do meio-dia e as pessoas já se preparavam para ir até uma mesquita da cidade para conferir uma série de apresentações de música devocional muçulmana, chamada de qawwali (desse gênero musical o maior expoente é, sem dúvida, Nusrat Fateh Ali Khan, que morreu há uma década mas deixou uma grande obra que ainda pode ser apreciada).

Depois de rodar pela cidade, com mais de 20 turistas, cheguei à mesquita da cidade, onde via de regra havia apenas homens, todos sentados, olhando apenas e, algumas vezes, 1 ou 2 dançado ao som da música que o grupo tocava. Os cantores eram muito bons e a aprensatação que deixava cada banda tocar apenas 1 música durou por mais de 1 hora. Depois das apresentações que eram retribuidas não com palmas, mas sim com uma banho de dinheiro (recolhido durante a performance) sobre os músicos, seguimos para uma sala do local, onde nos serviriam o almoço, que comemos com as mãos.

Após todo o processo, voltamos para a hospedagem, mas no meio do caminho os grupos se separaram e acabaram cada um seguindo um caminho diferente. Quando eu cheguei na hospedagem, fiquei boa parte do tempo conversando com algumas pessoas e buscando organizar algumas atividades que eu tinha que fazer, porém quando eu vi já estava com fome, saindo para comer mais uma vez e depois já me preparando para ir conferir uma outra apresentação de música qawwali, porém desta vez, num estilo mais ritualístico.

Todos nós subimos novamente nos pequenos rickshaws e seguimos até um ponto distante da cidade, numa mesquista diferente que mais parecia uma casa. Porém, mas diferente que a mesquita era o que estava acontecendo dentro dela. Uma multidão se concentrava dentro do local para ver 2 sujeitos tocarem tambores num ritmo frenético, que conduzia as pessoas para um estado de transe. Como se não bastanssem os tambores, todos alí na platéia fumavam hashish quase que sem parar, num ato que faz parte da religião deles.

Mesmo aqueles que não fumavam já estavam entrando em transe também com a repetição da música e a dança de alguns poucos, que me lembrava algo como um terrero de umbanda no Brasil. A atmosfera do local foi apenas quebrada quando um sujeito chegou alí para tocar seu saxofone. Nada contra saxofones, porém naquele momento onde apenas os tambores falavam, algo ao estilo de Kenny G. não parecia se encaixar muito bem no repertório.

O sujeito sofreu com seu saxofone, já que o som de seu instrumento era incompatível com o som dos tambores. Eles foi persistente, mas num determinado momento teve que desistir. A partir daquele instante os tambores passaram a tocar mais alto e os cigarros carregados de hashish voltaram a se tornar apenas fumaça. Entretanto, eu já estava cansado daquilo e resolvi ir embora de volta para a hospedagem e encerrar este dia carregado de misticismo muçulmano.

Sexta-feira (2 de novembro de 2007)
Lahore


Meus planos era de hoje já deixar a cidade, mas no decorrer do dia persebi que isso não seria possível, pelo menos não hoje. Após o café da manhã muita gente foi embora, já que muitos ficam na cidade apenas para conferir as noites de música e rituais antes de seguirem seus rumos. A hospedagem que não tinha mais espaço nos útimos dias e obrigava as pessoas a dormirem no terraço do prédio, agora estava quase vazia.

Despedi-me de todos e voltei para minhas missões de dias atrás. Agora segui para o correio do país e não perdi muito tempo alí. Depois fui até um bicicletaria e alinhei minha roda traseira, que havia se tornado oval após a Índia e, em conseqüencia disso, os raios estavam sempre quebrando. Arrumei a bicicleta também. A única coisa que ainda me faltava, mas que a essa altura eu já havia desistido era um traje paquistanês.

Decidi então almoçar antes de voltar para a hospedagem e durante o meu almoço eu conheci um juíz do tribunal de justiça de Lahore. Fomos conincidentemente colocados na mesma mesa do restaurante e acabamos conversando bastante, antes de encerrarmos nossa refeição e cada um seguir o seu rumo.

Pela tarde na hospedagem, busquei atualizar meus diários e fotos antes de deixar a cidade, o que eu faria amanhã mesmo de qualquer forma. Segui até a noite escrevendo e buscando algumas informações sobre o país e coisas do gênero, até que fui interrompido pela chegada de alguns músicos que iriam tocar (qawwali) no terraço do prédio. Segui então para o terraço e assisti à aprensatação dos músicos, que fizeram tudo de forma gratuita. Ao final do show eu voltei para o computador, mas acabei dormindo na frente da tela, tão cansado que eu estava.

Sábado (3 de novembro de 2007)
Lahore – Islamabad – caminho às montanhas do norte


Eu acordei cedo e logo comecei a separar o que eu levaria em minha curta viagem e o que eu deixaria em Lahore, quase tudo. Sabia que se eu ficasse em Lahore, cercado de tanta gente interessante, eu não conseguiria trabalhar e seria melhor eu sair dalí o quanto antes. E meu destino eu já havia decido, o norte do país.

Eu que me sentia em casa na hospedagem onde eu estava, passei a reparar um ponto interessante: o quanto o Paquistão é diferente da Índia. Mesmo estando tão perto há inúmeras diferenças, inclusive em relação aos seus turístas. Aqui ninguém vem em busca de mestre, atrás de resposta ou como marinheiro de primeira viagem, aqui só vem quem sabe viajar e, especialmente, aqueles que não acreditam em tudo o que a imprensa diz, porque os que acreditam tem medo até mesmo de pensar no nome deste país.

Todos os estrangeiros que eu conheci aqui tinham uma história incrível. Diversos viajando de bicicleta, de moto, de paraglider, ou mesmo vindo de países como Afeganistão e Iraque. Não havia como negar que as histórias que eram contadas nesta hospedagem eram as melhores que eu já havia ouvido. Além disso havia uma grande troca de informações entre os viajantes que quase sempre seguiam em direções opostas.

Mesmo atraído pelo ambiente eu deixei a hospedagem hoje, por volta do meio dia, com apenas uma mochila, uma bolsa e minha câmera. Segui para a periferia da cidade, até um terminal de ônibus, da onde eu tomaria um coletivo para Islamabad, a capital do país. Isso foi fácil, um rickshaw me levou até o terminal onde os ônibus saia para a capital do país a cada 20 minutos. O ônibus era muito melhor do que eu poderia esperar: ar condicionado, assentos espaçosos e tudo muito organizado.

Numa estrada perfeita o veículo percorreu quase 300 quilômetros em apenas 4 horas e meia. Parecia que algo estava errado, tudo estava muito perfeito. Quando eu cheguei em Islamabad, com a ajuda de um senhor que eu conhecera no ônibus eu tomei um táxi para a cidade vizinha, Rawapindi, aonde estava o terminal da NATCO (Northern Areas Transport Company), de onde partiam os ônibus para as regiões nórdicas do país.

Eu estava pensando em dormir uma noite em Islamabad, mas resolvi já reguir de uma vez para o norte do país e assim ganhar um dia de viagem. Ao chegar na estação de ônibus já era noite e eu não tinha almoçado e nem mesmo jantado e pelo visto iria seguir assim mesmo. Comprei então a minha passagem de ônibus, cuja saída estava marcada para as 8 da noite, para uma viagem nada fácil que prometia durar de 15 até 18 horas.

Seriam mais de 24 horas dentro de um ônibus e eu já sabia que não seria fácil, mas eu não tinha escolha caso quisesse mesmo chegar ao norte do país. Comprei um pacote de bolacha, uma garrafa de água e subi no ônibus para a longa jornada. A viagem começou bem, e eu não demorei muito para pegar no sono. O problema era que o meu assento quase não se reclinava, não havia muito espaço para as minhas pernas, espacialmente pelo fato de eu ter que levar minhas malas comigo, além do fato do sujeito de meu lado também gostar que de se esparramar.

No meio da noite eu já não aguentava mais ficar alí e numa das paradas do ônibus eu resolvi procurar algum assento vazio para tentar dormir. Sorte ou não, eu encontrei a última fileira de assentos vazia, o que deixaria eu dormir na horizontal alí. A desvantagem era que justamente no final do ônibus era onde o veículo mais trepidava e oscilava. De qualquer forma deitei nos assentos sujos e até me cobri com meu lençol, para ter mais conforto.

Dormir bem alí era uma missão quase impossível. O ônibus pulava tanto que eu constantemente voava dos assentos e algumas vezes até caia fora dele. Fora isso pela estrada havia uma espécie de controle policial rigoroso que me fazia descer do ônibus a todo o momento com meu passaporte para preencher um livro com minhas informações. Mesmo assim a viagem seguiu.

Domingo (4 de novembro de 2007)
À caminho das montanhas do norte – Gilgit


O dia nasceu e eu sabia que eu ainda tinha muito chão pela frente, pois não haviam se passado nem 12 horas ainda. Bastava paciência. Eu não tinha mais sono, mas me sentia cansado. Eu não queria dormir mais, mas não tinha o que fazer e no final das contas sempre acabava dormindo mais uma vez.

O ônibus parou mais uma vez para o café da manhã e naquele momento eu já sentia um pouco da região, incluindo a paisagem montanhosa e frio que fazia. Comi um ovo frito e um chapati, mais uma xícara de chá com leite e depois o ônibus seguiu em frente. Somente por volta das 13 horas, 17 horas depois da partida eu chegava em Gilgit, a maior cidade da região norte do Paquistão. A maior, mas mesmo assim apenas com cerca de 25 mil habitantes.

No momento que eu pisei na cidade meu pai me telefonou, senti que ele estava aflito, mais que o normal. Descobri então o porque: o Paquistão havia declado estado de emergência. Isso nunca é bom, mas eu ainda não sabia o quanto ruim isso era neste caso. De toda a forma, eu estava numa parte do país onde nada chegava, nem mesmo os conflitos políticos. Sabia que poderia ficar por aqui até a poeira baixar também, isto é, se houvesse mesmo poeira para baixar.

Busquei conversar com algumas pessoas sobre a situação política do país e todas já sabiam, mas não estavam se importando, pois sabiam que era apenas mais um jogo político de Musharraf, que é muito bem aceito pela população em geral, especialmente a população rural. O estado de emergência, apesar de deixar o país virtualmente “sem leis” não afetava o dia-a-dia das pessoas, muito menos dos turistas, que, por um ponto de vista, estariam ainda mais protegidos sob a asa deste Estado militar ainda mais fortalecido.

Alguns turistas, os que nem deveriam estar aqui, já estavam arrumando as malas para sair do país, como se todos fossem morrer. Estavam seguindo para a Índia em busca de segurança. Certo ou errados, na minha visão é mais fácil morrer de diarréia na Índia que por algum conflito aqui no Paquistão. De qualquer forma, eles estavam tomando as decisões deles. (huaauahauhaa)

Caminhei um pouco pela cidade e depois de alguns minutos eu decobri que não havia nada para ser visto na cidade, mas também descobri que as pessoas eram muito simpáticas e hospitaleiras nesta região do país, onde as pessoas tem outra fisionomia, mais parecida com a do centro asiático – Tajiquistão, Kazaquistão e outros “quistãos”. Descobri que na cidade eu poderia fazer uma trilha até perto de uma das mais altas e perigosas montanhas do mundo – Nanga Parbat, com seus 8.125 metros – ou assitir à uma emocionante partida de pólo, jogo comum na região.

A trilha seria interessante, mas iria me tomar muito tempo, assim resolvi amanhã mesmo sair da cidade, seguindo mais ao norte até um famoso vale da região, o Hunza Valley. Mas isso já parte da semana que vem.

Para ver fotos de mais paisagens clique aqui:
http://www.nohorizons.net/Countries/Pakistan/Files/Karimabad%20(2).htm

Tuesday, 5 May 2009

Hoje Sonhei com A Fronteira...

Nao entendeu nada ne? hehe ...Essa noite eu sonhei que organizei uma excursao para a fronteira do Paquistao.. (coisa de gente desocupada que nao tem o que sonhar?) Ai fomos todos de onibus ( rapido e impossivel no mundo real) mas o onibus era em formato redondo.. aff sera que era um disco voador? Dentro agente se separou em grupo que vestia preto, rosa e vermelho e o azul (num sei porque, coisa estranha). Bom, ai eu vi varias amigas minhas na epoca da faculdade, elas estavam trabalhando, bem sucedidas, ate entao o cenario parecia Jundiai interior de Sampa...
Entaum uma amiga minha disse: -Olha pra ligar para o Pak daqui eh so 0.34, liga voce que eh de sampa porque eu sou de Minas e eh mais de 3 reais... (nada a ver ne?) Entao eu sai do onibus (voador?) e fui ligar pro meu amore pedindo para que ele fosse ate a fronteira para eu pudesse ao menos ve lo ... So que eu estava de biquini (affff) e os guardinhas comecaram a me seguir, como meu amore nao apareceu, eu sai correndo de voltar para o bus... ahauauauauhuhahauhaua

Aff nao entendi nada? Alguem sabe interpretar sonhos?


Falando nisso, ja estava na minha listinha de temas, entao vou falar sobre a TROCA DE GUARDA NA FRONTEIRA : INDIA/PAQUISTAO

Um ritual diferente na fronteira entre Índia e Paquistão: Clique aqui para ver o Video maravilhoso que o Fantastico fez em 2006.

O ritual, que virou tradição desde a sangrenta separação, transforma a tensa fronteira entre os dois países em um lugar de espetáculo pacífico.

Todos os dias, no final da tarde, acontece uma espécie de “teatro oficial”, assistido por uma pequena multidão de cada lado da fronteira, muitos turistas incluídos (do lado indiano, claro). O ritual, quase caricato, parece medir o testosterona de cada lado, com marchas exageradas, uniformes pomposos e demonstrações de poder. Tanto exagero chegou ao extremo de atingir um nível cômico. De cada país marcham durante meia hora, pelotões de militares vigorosamente até se encontrarem, na linha da fronteira, enquanto a multidão grita o nome de seu país, como num jogo de futebol. Os oficiais trocam então apertos de mão diplomaticamente, hasteiam as bandeiras até que fiquem na mesma altura e assim fecham, com toda a pompa, a única passagem entre os dois países por toda a noite.
Hilario nao?
Eh chamado em Ingles de: Wagah Border Ceremony





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