fico rindo sozinha lembrando do Casseta e Planeta e o pescocinho ahuhauahuha
só assim que eu me divirto!
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Wednesday, 28 July 2010
Sunday, 25 July 2010
Wahga Border- cont
essa foto não é minha mas ...hehehehehheheo tal video longo!
(não consegui postá-lo)
Fonte: Wikipedia
Wagah (वाघा em hindi,واگها em urdu) é uma cidade onde fica a única passagem da fronteira Índia-Paquistão, na rota do "Grand Trunk Road" entre as cidades de Amritsar (Índia) e Lahore (Paquistão).
Por Wagah passa a polémica linha Radcliffe. A cidade foi dividida aquando da partição da Índia em agosto de 1947. Assim, a metade oriental faz parte da Índia, e a ocidental do Paquistão.
Em cada final do dia, Wagah assiste a uma cerimónia em que se faz o fecho da fronteira. Soldados de ambos os países protagonizam uma pitoresca dança, carregada de belicosidade, que termina com o arrear das bandeiras.
Wagah border
The Wagah border, often called the "Berlin wall of Asia", is a ceremonial border on the India–Pakistan Border where each evening there is a retreat ceremony called 'lowering of the flags',which has been held since 1959.At that time there is an energetic parade by the Border Security Force (B.S.F) of India and the Pakistan Rangers soldiers. It may appear slightly aggressive and even hostile to foreigners.Troops of each country put on a show in their uniforms with their colorful turbans.Border officials from the two countries sometimes walk over to the offices on the other side for day to day affairs. The happenings at this border post have been a barometer of the India-Pakistan relations over the years.
obs: dica super! leve seu passaporte para sentar na area vip!
Tuesday, 6 July 2010
Fila? Escada rolante? que isso?
Não tinha nada contra até conhecer mais de perto a real cultura deles, quase nada do que foi mostrado na novela Caminhos da Índia era verdade hehehehehe, aqui em Dubai os Indianos são os mais odiados.. os vôos para lá são os mais temidos e literamente horríveis, não somente pelo comportamento a boardo deles mas também pelo estado deplorável que fica o avião!
Sujo mesmo! Nojeto! Banheiro inentráveis!
Eles são super pedintes, mandões e mal educados! É sim um super choque cultural! ( tá certo de vez em quando uns 2% são legalzinhos e bonitinhos, mas é algo ultra raro).
Quando eles veem que você é branquinha e do Ocidente então... te tratam feito lixo, especialmente na hora de recolher a bandeija, como se você fosse a emprega deles, se vê nos olhos deles o prazer de terem uma branquinha os servindo... aff
O que mais não gosto (odeio) é aquele pescocinho teek teek mexendo... assim:
- o senhor gostaria de beber alguma coisa?
- vater vater ( ou na maioria das vezes viski viski, or biir biir) errr \pq tem que falar td em dobro e fazendo teek teek com o pescoço??????????\
- vc quer gelo?
- infeliz mexe o pescoço...
errrrrrrrr isso é sim ou não?
repito: - quer gelo???
(mexe a p&*%$ de novo)
-yes or no sir???!!!!!!!!!!!
pqp custa responder.. olha o que tempo que leva,...
e essa mexidinha do pescoço não siginifica nada mesmo, é um grande tanto faz para eles, então é um tanto faz para mim também ahuahuahuahau se não responde eu não boto o gelo e se reclama e digo você não disse nada uÊ.... (tô aprendendo!)
Quando ao lado pessoal..
indo ao shopping ou qualquer outro lugar, reparo que esse povo daqui (os árabes, indianos e pakis) não tem noção do que SER FILA
são muito mal educados, vão entrando na sua frente, se acham no direito de fazer o que vem entender....
Antes eu era boazinha (trouxa), mas agora como vi que não é um ou outro, e sim todos, e logo vou e falo alto: BENHE A FILA É LÁ ATRÁS! aprende a esperar sua vez! eita povo impacienteeeeeeeeeeeeeee (para tudo mesmo, até quando fazemos o serviço eles não conseguem esperar agente terminar de servir o povo e vão logo nos dando as bandeija sujas enquanto agente ainda está entregando comida para os outros passajeiros.. aff, e ae quando servimos o café e chá e eles querem eu pergunto kd sua bandeija??? eles ficam com a cara no chão.. hahahaha bem feito! hehehehehhehehe (principalmente os libaneses)
Uma coisa engraçada que notei foi que os Indianos tem medo de escada rolante...
antes de entrar em uma, eles ficam uns segundos esperando para pisar... e isso eu reparei que é quase geral.. será que não tem escada rolante na Índia?????? e depois a mesma coisa para sair, então se você está atrás quase atola o pé! afffffffff
estou tentando ser paciente, prometo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sujo mesmo! Nojeto! Banheiro inentráveis!
Eles são super pedintes, mandões e mal educados! É sim um super choque cultural! ( tá certo de vez em quando uns 2% são legalzinhos e bonitinhos, mas é algo ultra raro).
Quando eles veem que você é branquinha e do Ocidente então... te tratam feito lixo, especialmente na hora de recolher a bandeija, como se você fosse a emprega deles, se vê nos olhos deles o prazer de terem uma branquinha os servindo... aff
O que mais não gosto (odeio) é aquele pescocinho teek teek mexendo... assim:
- o senhor gostaria de beber alguma coisa?
- vater vater ( ou na maioria das vezes viski viski, or biir biir) errr \pq tem que falar td em dobro e fazendo teek teek com o pescoço??????????\
- vc quer gelo?
- infeliz mexe o pescoço...
errrrrrrrr isso é sim ou não?
repito: - quer gelo???
(mexe a p&*%$ de novo)
-yes or no sir???!!!!!!!!!!!
pqp custa responder.. olha o que tempo que leva,...
e essa mexidinha do pescoço não siginifica nada mesmo, é um grande tanto faz para eles, então é um tanto faz para mim também ahuahuahuahau se não responde eu não boto o gelo e se reclama e digo você não disse nada uÊ.... (tô aprendendo!)
Quando ao lado pessoal..
indo ao shopping ou qualquer outro lugar, reparo que esse povo daqui (os árabes, indianos e pakis) não tem noção do que SER FILA
são muito mal educados, vão entrando na sua frente, se acham no direito de fazer o que vem entender....
Antes eu era boazinha (trouxa), mas agora como vi que não é um ou outro, e sim todos, e logo vou e falo alto: BENHE A FILA É LÁ ATRÁS! aprende a esperar sua vez! eita povo impacienteeeeeeeeeeeeeee (para tudo mesmo, até quando fazemos o serviço eles não conseguem esperar agente terminar de servir o povo e vão logo nos dando as bandeija sujas enquanto agente ainda está entregando comida para os outros passajeiros.. aff, e ae quando servimos o café e chá e eles querem eu pergunto kd sua bandeija??? eles ficam com a cara no chão.. hahahaha bem feito! hehehehehhehehe (principalmente os libaneses)
Uma coisa engraçada que notei foi que os Indianos tem medo de escada rolante...
antes de entrar em uma, eles ficam uns segundos esperando para pisar... e isso eu reparei que é quase geral.. será que não tem escada rolante na Índia?????? e depois a mesma coisa para sair, então se você está atrás quase atola o pé! afffffffff
estou tentando ser paciente, prometo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Saturday, 1 May 2010
Uma curiosidade sobre os indianos
Por que os Indianos levam tantas MALAS?????? Afinal o que tem dentro das malas?
se eles não tomam banho, nem trocam de ropa com frequencia????
aff..
INDIAPHOBIA
se eu ver mais um indiano hoje eu mato!!! ooooooo raça ruim!!!!!!!!!!!!
se eles não tomam banho, nem trocam de ropa com frequencia????
aff..
INDIAPHOBIA
se eu ver mais um indiano hoje eu mato!!! ooooooo raça ruim!!!!!!!!!!!!
Thursday, 12 November 2009
Diário de Bordo - Paquistao
De acordo com os ensinamentos islâmicos, receber visitas é considerado uma expressão da benção de Deus e até mesmo o muçulmano mais pobre sairá de seu rumo para ajudar o próximo, nunca esperando algo em troca...
Isso é o Paquistão! Apesar da sua imagem deteriorada e de sua má fama de pais terrorista, o Paquistão possui um dos povos mais hospitaleiros da face da Terra. Para nós, foi uma surpresa cruzar a fronteira India/Paquistão e encontrar pessoas tão diferentes e amigáveis do lado de cá. Todo paquistanês que cruzava o nosso caminho ou com quem conversávamos nos dava a mão e as boas vindas ao seu pais. Queriam saber de onde viemos, se achávamos que viajar por ali era perigoso, se estávamos gostando... e quando falávamos que estamos adorando, ficavam todos orgulhosos.

O Paquistão, cujo significado é Terra da Espiritualidade Pura, possui apenas 60 anos de existência. O pais foi criado quando a Inglaterra, exausta depois da Segunda Guerra Mundial, percebeu que não teria mais condições de manter todo o seu império unido. Então, em 1947, os ingleses tiveram que abrir mão da “Jóia da Coroa”, India, e declarar sua independência. Primeiramente, os ingleses queriam deixar para trás um único país, porém os indianos muçulmanos estavam receosos de serem reprimidos pela maioria hindu. Sobre a liderança de Mohammed Ali Jinnah, os muçulmanos persuadiram os ingleses de que deveriam ser criados dois paises distintos: India e Paquistão e, após muita relutância, a Inglaterra desenhou uma linha no mapa demarcando os dois territórios. A demarcação teve nexo apenas no papel, pois na realidade tornou-se um pesadelo, pois resultou num dos maiores movimentos humanos. Milhares de muçulmanos deixaram suas casas e trabalhos e mudaram-se a pé ou de trem para as áreas que se tornariam o Paquistão e, enquanto eles iam para oeste, encontraram milhares de hindus viajando em direção contrária, resultando em uma guerra sangrenta. Durante o tempo em que os líderes indianos puderam reestruturar seu pais baseados no legado deixado pelos britânicos, os paquistaneses tiveram que construir seu pais do zero.
Após a independência, o Paquistão era uma nação dividida em duas partes, leste e oeste, com mais de 1.000km de distância entre elas. As dificuldades para governar dois territórios separados foram enormes e foi inevitável a sua separação, a qual aconteceu em 1971, após mais uma sangrenta guerra, quando o Paquistão do leste tornou-se Bangladesh.
Mesmo tendo sido desenhada a divisão entre India e Paquistão, o território de fronteira, que se chama Caxemira (norte), até hoje está sendo disputado no mais alto campo de batalha do mundo, a 6.000m de altitude. Temperaturas de -50˚C, ventos fortes e ar rarefeito mataram mais soldados do que a própria disputa, que apesar do atual cessar-fogo, está longe de ser resolvida.
Depois de tantas guerras trágicas, aconteceu o episódio de 11 de setembro e o governo paquistanês entrou na luta contra o terrorismo, apoiado pelos Estados Unidos. Muitos não-muçulmanos, pessoas que trabalham para o governo e policiais passaram a ser o alvo dos fundamentalistas Talibãs,. Além de tudo isso, o pais ainda possui problemas com suas diversas tribos existentes em seu território, das quais, algumas lutam por independência, e outras, aplicam suas próprias leis em seus territórios onde o governo não possui nenhum poder.
Bom, mas deixando toda a história de lado, vamos falar um pouco de nossas experiências por lá...
Quando entramos em território paquistanês, seguimos direto para Islamabad (capital) por uma rodovia perfeita e sem comparações com as estradas indianas. Foi um alívio ver as coisas mudando da água para o vinho e tornando-se mais organizadas e limpas.
Na capital, fomos surpreendidos quando encontramos um camping para turistas bem no meio da cidade. Lugar perfeito para montar acampamento e organizar as nossas coisas. Islamabad é uma cidade planejada e muito diferente de todo o resto do país. Cada bloco possui o seu comércio, que é cheio de vida e comidas que nunca mais tínhamos visto, como carne de boi.
Logo ali do lado, na cidade vizinha Rawalpindi, pudemos apreciar uma das mais importantes e significativas artes do país, a decoração e ornamentação de caminhões. Mais impressionante do que ver os acessório e como eles são feitos, é ver um típico caminhão paquistanês rodando pelas estradas. Existe até uma competição entre eles, onde ninguém quer ficar para trás e sempre querem ter o caminhão mais bonito e mais decorado. Um caleidoscópio de cores e enfeites que animaram a nossa viagem pelas ruas e rodovias do Paquistão. Nem as motos, tuk-tuks e tratores escapam e são cheios de penduricalhos.
Porém, o nosso maior objetivo nesta parte da Ásia era dirigir por uma das rodovias mais bonitas do mundo, a Karakoram Highway. Esta rodovia com 1.200km foi construída entre 1966 e 1982, através de uma parceria entre Paquistão e China com o objetivo de ligar os dois países através do Passe Khunjerab (4.730m de altitude). Deslizamentos, calor, frio, e acidentes tiraram a vida de um paquistanês a cada 1.5 quilômetros. Além desta massiva obra, essa região é muito famosa por possuir a maior concentração de picos altos e glaciares do mundo, incluindo o K2 de 8.611m, segunda montanha mais alta do planeta, além de ser cheia de história e cultura. Foi através dela que o budismo se espalhou pela China e Tibet, por ela que o islamismo chegou ao Paquistão e a região foi palco da luta entre ingleses e russos pelo Afeganistão.
Colocamos o pé na estrada e lá fomos nós sentido o norte. Uma das grandes vantagens dessa rodovia é que ela não é cheia de sobe e desce, mas sim, vai acompanhando o Rio Indus e subindo aos poucos. As primeiras cidades foram tumultuadas e com bastante trânsito, porém, quanto mais subíamos, melhor a estrada ficava e mais impressionante a paisagem se tornava.
O tempo não estava dos melhores, pois havia uma espécie de fumaça no ar e não podíamos enxergar muito longe, tampouco ver as montanhas com muita definição. Portanto, os melhores momentos da ida foram com as pessoas. O Paquistão possui uma grande diversidade de pessoas e o que mais nos chocou neste pais foi a predominância masculina, onde vilas eram dominadas por homens e nenhuma, mas nenhuma mulher mesmo, era vista. Muitas vezes a Michelle se sentia incomodada, pois mesmo toda coberta com roupa comprida e lenço na cabeça, ela chamava a atenção, sendo a única mulher nas ruas e restaurantes.

A Karakoram é cheia de postos policiais, pois além de seus limites é uma terra sem leis, onde as tribos ditam as regras e o governo não tem muita interferência. Numa de nossas primeiras noites por lá, achamos um lugar bem legal e com uma linda vista a beira da estrada para passar a noite, mas quando estávamos prestes a ir para a cama, escutamos uma sirene e 3 policiais vieram nos avisar que era muito perigoso passar a noite por ali. Nos aconselharam segui-los e acampar no posto policial. Nos convidaram para tomar chá, como em todos os lugares que fomos por lá, e até nos trouxeram pão e molho para a janta. Sempre querendo ajudar!!
Nos dias seguintes foi a mesma história. Era só pararmos em um posto policial e eles já nos convidavam para um chai (chá). Depois de tanta hospitalidade, chegou a nossa vez de ajudar também. Um carro havia sofrido um acidente, quando vinha em alta velocidade e após passar um monte de areia, que havia se acumulado sobre a estrada, rodou e desceu de ré um barranco de uns 6m de altura. Os 3 passageiros foram sortudos que o carro parou a 1cm de cair do muro de contenção, onde seriam mais muitos metros de barranco até o rio. Colocamos nosso guincho para funcionar e puxamos o carro barranco acima assistidos por uma platéia de curiosos barbudos. Em menos de uma hora, o carro quase que intacto e os passageiros a salvo, continuaram sua viagem e nós a nossa.
O cenário a cada quilometro era mais espetacular, com montanhas cada vez mais altas e nevadas. Duas partes de todo o trajeto nos chamaram mais a atenção por sua beleza: as cidades de Ghulmet e Karimabad, rodeadas por picos de mais de 7.000m de altitude; e o vilarejo de Passu, com seus glaciares e as montanhas pontudas que formam as catedrais. A vontade era de não sair mais dali...
Nos últimos quilômetros, mais precisamente 85, subimos cerca de 2.000m de altitude e passamos por um dos vales mais estreitos da rodovia até chegarmos no Parque Nacional Khunjerab. As paredes deste vale são compostas por um pedregulho preto, o que origina o nome kara koram. Acampamos a 4.050m de altitude e a uns 17km do passe, onde tivemos uma noite congelante o que realmente contrastava com o calor de mais de 40 graus que vinha fazendo nas partes mais baixas. O Parque Khunjerab é o habitat de um grande carneiro chamado Marco Polo, o qual possui um chifre encaracolado e que é muito raro (cerca de 100 exemplares que só existem neste parque), além dos chifrudos ibex, marmotas cor de ouro, lobos e leopardos da neve.
A paisagem lá no topo era espetacular, longa, plana, com rios e lagos congelados, montanhas fantásticas e cheias de yaks pastando. Passamos algumas horas curtindo o lugar e até colocamos um pé na China, mesmo que só por debaixo do portão. A China não faz parte de nossos planos nesta viagem, mas confessamos que a vontade de continuar pela rodovia e desbravar o território chinês foi enorme. Depois de mais um convite para chá, tomamos nossa caminho de volta. Pensamos que iria ser uma volta entediante, vendo as mesmas paisagens e vilas, porém o cenário foi totalmente diferente indo no outro sentido. As montanhas eram vistas de outros ângulos, outras eram a primeira vez a serem vistas e o melhor, o tempo mudou de 8 para 80 e o céu azul tornou tudo muito mais bonito e mais claro do que na vinda. A cada curva dávamos um suspiro, pois a paisagem era mesmo de tirar o fôlego.
Foram apenas oito dias que passamos neste lugar e sabemos que não foi o suficiente devido haver muita coisa para se explorar por lá. Com certeza, voltaremos novamente para a Karakoram Highway, ou de carro, ou de bicicleta, ou simplesmente para fazer umas das diversas caminhadas que são possíveis de se fazer nas montanhas paquistanesas.
Dois dias de descanso em Islamabad e pisamos no acelerador sentido Irã. Foram 4 longos dias de viagem, onde nos dois primeiros, com um calor de 45 graus, cruzamos diversas cidades mais ao sul do país e nos outros dois, com o mesmo calor, cruzamos o Deserto do Baluchistan. Tínhamos que dirigir com a janelas fechadas, pois o vento que vinha de fora era de queimar a pele, mas o cenário desértico e montanhoso foi compensador e os pequenos vilarejos no caminho pareciam uma coleção de abrigos de barro, secos e sujos.
Viajar pelo Paquistão foi uma das melhores experiências que tivemos em nossas vidas. Quebramos paradigmas e imagens distorcidas e conhcemos a realidade desse pais tão enigmático e hospitaleiro e isso, levaremos para nossa vida toda.
In Sha’ Allah, nos vemos no Irã!
PS 1 - Uma particularidade entre os homens paquistaneses é o modo de cumprimentarem-se. Por ser uma sociedade masculina, falta de afeto constante com uma mulher e restrições religiosas, os homens são muito sinestésicos com seus amigos e companheiros. Abraços apertados, dar as mãos e segurá-las durante uma conversa, andar de mãos dadas na rua é algo muito comum de ser ver. Para nossa sociedade isso seria motivo para um Mmmhhh (o que nós dois fazíamos quando víamos essas cenas), mas que para eles é muito normal e não afeta em nada a sua masculinidade. Quando o Roy chegava a primeira vez para conversar com eles, todos davam as mãos, mas se os encontrássemos pela segunda vez, já vinham para o abraço. Ainda bem que não encontramos ninguém pela terceira vez...
PS 2 – Se o Roy era recebido com apertos de mão e abraços, a Michelle, pelo contrário, era muitas vezes ignorada e nem a olhavam na cara. Se precisávamos receber algum troco ou alguma informação nunca ninguém falaria com ela, somente com o Roy. O engraçado era vê-los muitas vezes surpresos, pois ao invés de ela ficar submissa e quieta no canto dela (comportamento normal de uma mulher muçulmana), ela se metia nas conversas e nos acontecimentos e todos a olhavam com um olhar de choque.
PS 3 – Depois dos comprimentos e do convite para o chá, vinham os imensos questionários a serem respondidos, e sempre eram as mesmas perguntas.
- Que pais?
- Com o que você trabalha?
- Amiga ou esposa? Essa sempre temos que mentir aqui na Ásia, pois para a cultura deles, um casal estar viajando juntos e não ser casado é um absurdo. E se falamos que não, temos que explicar pra eles como isso funciona e isso é praticamente uma tarefa impossível. Um guarda até chegou a comentar conosco, indignado, que existem vários casais que vão viajar e são apenas namorados.
- Vocês não tem filhos? Por quê? Não precisamos explicar a difícil questão de sermos namorados e estarmos viajando juntos, mas temos que explicar o porque que não temos filhos depois de casados. Para um muçulmano, ter muitos filhos é uma dádiva de Deus e é ele que decide quantos você terá (três, cinco, sete ou mais que dez!!).
- Sem banho? Quando nos encontravam em nosso acampamento, sempre vinham com essa pergunta, pois nunca viam um chuveiro em nossa casa. Para eles, a limpeza é muito importante e eles são meio que vidrados nisso, portanto lavam-se antes de comer, de orar, de dormir, depois da relações sexuais e tudo mais... e ver-nos naquele calor infernal e sem banho, era um tremendo baque para eles. Mas nós tomamos banho, viu?

Fonte e mais fotos: http://www.mundoporterra.com.br/diario/diario-de-bordo-no-36---paquistao/
Isso é o Paquistão! Apesar da sua imagem deteriorada e de sua má fama de pais terrorista, o Paquistão possui um dos povos mais hospitaleiros da face da Terra. Para nós, foi uma surpresa cruzar a fronteira India/Paquistão e encontrar pessoas tão diferentes e amigáveis do lado de cá. Todo paquistanês que cruzava o nosso caminho ou com quem conversávamos nos dava a mão e as boas vindas ao seu pais. Queriam saber de onde viemos, se achávamos que viajar por ali era perigoso, se estávamos gostando... e quando falávamos que estamos adorando, ficavam todos orgulhosos.

O Paquistão, cujo significado é Terra da Espiritualidade Pura, possui apenas 60 anos de existência. O pais foi criado quando a Inglaterra, exausta depois da Segunda Guerra Mundial, percebeu que não teria mais condições de manter todo o seu império unido. Então, em 1947, os ingleses tiveram que abrir mão da “Jóia da Coroa”, India, e declarar sua independência. Primeiramente, os ingleses queriam deixar para trás um único país, porém os indianos muçulmanos estavam receosos de serem reprimidos pela maioria hindu. Sobre a liderança de Mohammed Ali Jinnah, os muçulmanos persuadiram os ingleses de que deveriam ser criados dois paises distintos: India e Paquistão e, após muita relutância, a Inglaterra desenhou uma linha no mapa demarcando os dois territórios. A demarcação teve nexo apenas no papel, pois na realidade tornou-se um pesadelo, pois resultou num dos maiores movimentos humanos. Milhares de muçulmanos deixaram suas casas e trabalhos e mudaram-se a pé ou de trem para as áreas que se tornariam o Paquistão e, enquanto eles iam para oeste, encontraram milhares de hindus viajando em direção contrária, resultando em uma guerra sangrenta. Durante o tempo em que os líderes indianos puderam reestruturar seu pais baseados no legado deixado pelos britânicos, os paquistaneses tiveram que construir seu pais do zero.
Após a independência, o Paquistão era uma nação dividida em duas partes, leste e oeste, com mais de 1.000km de distância entre elas. As dificuldades para governar dois territórios separados foram enormes e foi inevitável a sua separação, a qual aconteceu em 1971, após mais uma sangrenta guerra, quando o Paquistão do leste tornou-se Bangladesh.
Mesmo tendo sido desenhada a divisão entre India e Paquistão, o território de fronteira, que se chama Caxemira (norte), até hoje está sendo disputado no mais alto campo de batalha do mundo, a 6.000m de altitude. Temperaturas de -50˚C, ventos fortes e ar rarefeito mataram mais soldados do que a própria disputa, que apesar do atual cessar-fogo, está longe de ser resolvida.
Depois de tantas guerras trágicas, aconteceu o episódio de 11 de setembro e o governo paquistanês entrou na luta contra o terrorismo, apoiado pelos Estados Unidos. Muitos não-muçulmanos, pessoas que trabalham para o governo e policiais passaram a ser o alvo dos fundamentalistas Talibãs,. Além de tudo isso, o pais ainda possui problemas com suas diversas tribos existentes em seu território, das quais, algumas lutam por independência, e outras, aplicam suas próprias leis em seus territórios onde o governo não possui nenhum poder.Bom, mas deixando toda a história de lado, vamos falar um pouco de nossas experiências por lá...
Quando entramos em território paquistanês, seguimos direto para Islamabad (capital) por uma rodovia perfeita e sem comparações com as estradas indianas. Foi um alívio ver as coisas mudando da água para o vinho e tornando-se mais organizadas e limpas.
Na capital, fomos surpreendidos quando encontramos um camping para turistas bem no meio da cidade. Lugar perfeito para montar acampamento e organizar as nossas coisas. Islamabad é uma cidade planejada e muito diferente de todo o resto do país. Cada bloco possui o seu comércio, que é cheio de vida e comidas que nunca mais tínhamos visto, como carne de boi.
Logo ali do lado, na cidade vizinha Rawalpindi, pudemos apreciar uma das mais importantes e significativas artes do país, a decoração e ornamentação de caminhões. Mais impressionante do que ver os acessório e como eles são feitos, é ver um típico caminhão paquistanês rodando pelas estradas. Existe até uma competição entre eles, onde ninguém quer ficar para trás e sempre querem ter o caminhão mais bonito e mais decorado. Um caleidoscópio de cores e enfeites que animaram a nossa viagem pelas ruas e rodovias do Paquistão. Nem as motos, tuk-tuks e tratores escapam e são cheios de penduricalhos.Porém, o nosso maior objetivo nesta parte da Ásia era dirigir por uma das rodovias mais bonitas do mundo, a Karakoram Highway. Esta rodovia com 1.200km foi construída entre 1966 e 1982, através de uma parceria entre Paquistão e China com o objetivo de ligar os dois países através do Passe Khunjerab (4.730m de altitude). Deslizamentos, calor, frio, e acidentes tiraram a vida de um paquistanês a cada 1.5 quilômetros. Além desta massiva obra, essa região é muito famosa por possuir a maior concentração de picos altos e glaciares do mundo, incluindo o K2 de 8.611m, segunda montanha mais alta do planeta, além de ser cheia de história e cultura. Foi através dela que o budismo se espalhou pela China e Tibet, por ela que o islamismo chegou ao Paquistão e a região foi palco da luta entre ingleses e russos pelo Afeganistão.
Colocamos o pé na estrada e lá fomos nós sentido o norte. Uma das grandes vantagens dessa rodovia é que ela não é cheia de sobe e desce, mas sim, vai acompanhando o Rio Indus e subindo aos poucos. As primeiras cidades foram tumultuadas e com bastante trânsito, porém, quanto mais subíamos, melhor a estrada ficava e mais impressionante a paisagem se tornava.O tempo não estava dos melhores, pois havia uma espécie de fumaça no ar e não podíamos enxergar muito longe, tampouco ver as montanhas com muita definição. Portanto, os melhores momentos da ida foram com as pessoas. O Paquistão possui uma grande diversidade de pessoas e o que mais nos chocou neste pais foi a predominância masculina, onde vilas eram dominadas por homens e nenhuma, mas nenhuma mulher mesmo, era vista. Muitas vezes a Michelle se sentia incomodada, pois mesmo toda coberta com roupa comprida e lenço na cabeça, ela chamava a atenção, sendo a única mulher nas ruas e restaurantes.

A Karakoram é cheia de postos policiais, pois além de seus limites é uma terra sem leis, onde as tribos ditam as regras e o governo não tem muita interferência. Numa de nossas primeiras noites por lá, achamos um lugar bem legal e com uma linda vista a beira da estrada para passar a noite, mas quando estávamos prestes a ir para a cama, escutamos uma sirene e 3 policiais vieram nos avisar que era muito perigoso passar a noite por ali. Nos aconselharam segui-los e acampar no posto policial. Nos convidaram para tomar chá, como em todos os lugares que fomos por lá, e até nos trouxeram pão e molho para a janta. Sempre querendo ajudar!!
Nos dias seguintes foi a mesma história. Era só pararmos em um posto policial e eles já nos convidavam para um chai (chá). Depois de tanta hospitalidade, chegou a nossa vez de ajudar também. Um carro havia sofrido um acidente, quando vinha em alta velocidade e após passar um monte de areia, que havia se acumulado sobre a estrada, rodou e desceu de ré um barranco de uns 6m de altura. Os 3 passageiros foram sortudos que o carro parou a 1cm de cair do muro de contenção, onde seriam mais muitos metros de barranco até o rio. Colocamos nosso guincho para funcionar e puxamos o carro barranco acima assistidos por uma platéia de curiosos barbudos. Em menos de uma hora, o carro quase que intacto e os passageiros a salvo, continuaram sua viagem e nós a nossa.
O cenário a cada quilometro era mais espetacular, com montanhas cada vez mais altas e nevadas. Duas partes de todo o trajeto nos chamaram mais a atenção por sua beleza: as cidades de Ghulmet e Karimabad, rodeadas por picos de mais de 7.000m de altitude; e o vilarejo de Passu, com seus glaciares e as montanhas pontudas que formam as catedrais. A vontade era de não sair mais dali...Nos últimos quilômetros, mais precisamente 85, subimos cerca de 2.000m de altitude e passamos por um dos vales mais estreitos da rodovia até chegarmos no Parque Nacional Khunjerab. As paredes deste vale são compostas por um pedregulho preto, o que origina o nome kara koram. Acampamos a 4.050m de altitude e a uns 17km do passe, onde tivemos uma noite congelante o que realmente contrastava com o calor de mais de 40 graus que vinha fazendo nas partes mais baixas. O Parque Khunjerab é o habitat de um grande carneiro chamado Marco Polo, o qual possui um chifre encaracolado e que é muito raro (cerca de 100 exemplares que só existem neste parque), além dos chifrudos ibex, marmotas cor de ouro, lobos e leopardos da neve.
A paisagem lá no topo era espetacular, longa, plana, com rios e lagos congelados, montanhas fantásticas e cheias de yaks pastando. Passamos algumas horas curtindo o lugar e até colocamos um pé na China, mesmo que só por debaixo do portão. A China não faz parte de nossos planos nesta viagem, mas confessamos que a vontade de continuar pela rodovia e desbravar o território chinês foi enorme. Depois de mais um convite para chá, tomamos nossa caminho de volta. Pensamos que iria ser uma volta entediante, vendo as mesmas paisagens e vilas, porém o cenário foi totalmente diferente indo no outro sentido. As montanhas eram vistas de outros ângulos, outras eram a primeira vez a serem vistas e o melhor, o tempo mudou de 8 para 80 e o céu azul tornou tudo muito mais bonito e mais claro do que na vinda. A cada curva dávamos um suspiro, pois a paisagem era mesmo de tirar o fôlego.
Foram apenas oito dias que passamos neste lugar e sabemos que não foi o suficiente devido haver muita coisa para se explorar por lá. Com certeza, voltaremos novamente para a Karakoram Highway, ou de carro, ou de bicicleta, ou simplesmente para fazer umas das diversas caminhadas que são possíveis de se fazer nas montanhas paquistanesas.
Dois dias de descanso em Islamabad e pisamos no acelerador sentido Irã. Foram 4 longos dias de viagem, onde nos dois primeiros, com um calor de 45 graus, cruzamos diversas cidades mais ao sul do país e nos outros dois, com o mesmo calor, cruzamos o Deserto do Baluchistan. Tínhamos que dirigir com a janelas fechadas, pois o vento que vinha de fora era de queimar a pele, mas o cenário desértico e montanhoso foi compensador e os pequenos vilarejos no caminho pareciam uma coleção de abrigos de barro, secos e sujos.
Viajar pelo Paquistão foi uma das melhores experiências que tivemos em nossas vidas. Quebramos paradigmas e imagens distorcidas e conhcemos a realidade desse pais tão enigmático e hospitaleiro e isso, levaremos para nossa vida toda.
In Sha’ Allah, nos vemos no Irã!
PS 1 - Uma particularidade entre os homens paquistaneses é o modo de cumprimentarem-se. Por ser uma sociedade masculina, falta de afeto constante com uma mulher e restrições religiosas, os homens são muito sinestésicos com seus amigos e companheiros. Abraços apertados, dar as mãos e segurá-las durante uma conversa, andar de mãos dadas na rua é algo muito comum de ser ver. Para nossa sociedade isso seria motivo para um Mmmhhh (o que nós dois fazíamos quando víamos essas cenas), mas que para eles é muito normal e não afeta em nada a sua masculinidade. Quando o Roy chegava a primeira vez para conversar com eles, todos davam as mãos, mas se os encontrássemos pela segunda vez, já vinham para o abraço. Ainda bem que não encontramos ninguém pela terceira vez...
PS 2 – Se o Roy era recebido com apertos de mão e abraços, a Michelle, pelo contrário, era muitas vezes ignorada e nem a olhavam na cara. Se precisávamos receber algum troco ou alguma informação nunca ninguém falaria com ela, somente com o Roy. O engraçado era vê-los muitas vezes surpresos, pois ao invés de ela ficar submissa e quieta no canto dela (comportamento normal de uma mulher muçulmana), ela se metia nas conversas e nos acontecimentos e todos a olhavam com um olhar de choque.
PS 3 – Depois dos comprimentos e do convite para o chá, vinham os imensos questionários a serem respondidos, e sempre eram as mesmas perguntas.
- Que pais?
- Com o que você trabalha?
- Amiga ou esposa? Essa sempre temos que mentir aqui na Ásia, pois para a cultura deles, um casal estar viajando juntos e não ser casado é um absurdo. E se falamos que não, temos que explicar pra eles como isso funciona e isso é praticamente uma tarefa impossível. Um guarda até chegou a comentar conosco, indignado, que existem vários casais que vão viajar e são apenas namorados.
- Vocês não tem filhos? Por quê? Não precisamos explicar a difícil questão de sermos namorados e estarmos viajando juntos, mas temos que explicar o porque que não temos filhos depois de casados. Para um muçulmano, ter muitos filhos é uma dádiva de Deus e é ele que decide quantos você terá (três, cinco, sete ou mais que dez!!).
- Sem banho? Quando nos encontravam em nosso acampamento, sempre vinham com essa pergunta, pois nunca viam um chuveiro em nossa casa. Para eles, a limpeza é muito importante e eles são meio que vidrados nisso, portanto lavam-se antes de comer, de orar, de dormir, depois da relações sexuais e tudo mais... e ver-nos naquele calor infernal e sem banho, era um tremendo baque para eles. Mas nós tomamos banho, viu?

Fonte e mais fotos: http://www.mundoporterra.com.br/diario/diario-de-bordo-no-36---paquistao/
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Thursday, 10 September 2009
Canais de TV
http://www.livetvcenter.com/islam_channel_1080.asp
Sobre o Islam em Inglês (uk)
http://www.livetvcenter.com/ -> Canais do Mundo todo =D
http://www.livetvcenter.com/geo_tv_722.asp Geo Tv- Pakistan
http://www.livetvcenter.com/nile_tv_international_1517.asp Nile TV Egito
http://www.livetvcenter.com/ibn_tv8_1545.asp IBN India
http://www.livetvcenter.com/al_quds_al_arabi_1575.asp Al Quds Al Arabi Líbano
http://www.livetvcenter.com/ashna_tv_1472.asp Ashna TV Afeganistão
http://www.livetvcenter.com/iqraa_tv_1544.asp Iqraa- Arábia Saudita
enjoyyy
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Friday, 21 August 2009
Diário de Viagem- Semana 3
Diário de viagem no Paquistão- Terceira Parte
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Segunda-feira (12 de novembro de 2007)
Lahore
Apesar de ter traçado meus planos para sair de Lahore ainda hoje, fui – como de costume – pego por alguns imprevistos. Ficar acordado até as 3 da manhã para terminar minhas atualizações ontem, foi um; ter leves problemas digestivos foi o outro. Não me sentia disposto o suficiente para começar a pedalar hoje, já que eu quero inciar a pedalar sem a previsão de parar tão cedo, devido à grande distância que serei obrigado a percorrer em apenas 2 semanas.
Com mais um dia em Lahore eu aproveitei para ver o que eu não havia visto. Caminhei por outras ruas, enviei alguns postais e visitei o Museu de Lahore. Em minha caminhada vi hordas de fotógrafos, cada um equipado com 2 ou 3 câmeras, apenas esperando alguma coisa acontecer na cidade, como advogados brigando com a polícia ou Bhutto provocando tumulto ou atentados.
Fora isso, nada de novo. O clima parecia estar ficando mais tenso na cidade, com a presença de Benazir Bhutto e mensagens de grupos terroristas afirmando que vão matá-la num atentado à bomba em Lahore. A hospedagem que estava cheia de turistas quando eu cheguei, 2 semanas atrás, agora já estava quase vazia e os visitantes continuavam migrando para a Índia. Apesar da leve tensão no país, eu estava decidido à atravessá-lo e era melhor fazer isso o mais breve possível, ou seja, amanhã.
Terça-feira (13 de novembro de 2007)
Lahore – Bulagary (101 km)
Não acordei com o despertador e quando despertei, mais tarde do que esperava, fiz tudo da forma mais rápida possível. Fechar as malas, comer, alongar meus músculos e despedir de todos. O problema foi que mesmo assim, só consegui sair para a rua por volta das 11 da manhã, que era tarde para iniciar um pedalada de 100 quilômetros numa época em que o dia acaba às 5 da tarde.
O melhor que me aconteceu foi que ao me despedir dos funcionários da hospedagem, comentei que iria parar numa cidade chamada Pattoki. O sujeito então disse que alí não havia nem hotel nem nada do gênero, mas ao mesmo tempo disse que morava nas proximidades dessa cidade. O melhor de tudo foi que ele disse que estava voltando para sua vila hoje e que se eu quisesse poderia ficar na casa dele por algumas noites.
Aceitei o convite e fui embora para a estrada. As ruas de Lahore não eram nenhuma maravilha e me deram bastante trabalho até sair do perímetro urbano da cidade. Somente depois de 20 quilômetros foi que a estrada começou a melhorar e se tornar mais possível de ser pedalada. A partir daí eu não parei muito, apesar das diversas pessoas que me cumprimentavam e me chamavam para conversar, tomar um chá, comer um chapati ou apenas sentar e descansar.
Parei apenas um vez no meio na estrada para comer um pouco e depois continuei. Quando cheguei em Pattoki percebi que se eu estivesse disposto a ficar por alí teria problemas mesmo. Uma cidade suja de beira de estrada, sem nenhum tipo de acomodação e lotada de gente. Segui então para a próxima cidade, chamada Habibabad, onde – segundo o mapa que Khadim havia desenhado para mim – eu deveria entrar à esquerda e seguir por alguns vilarejos até a vila de Khadim, Bulagary.
Os dias estavam cada vez mais curtos e hoje não foi diferente, às 4 da tarde o sol, já baixo, começou a se esconder atrás da imensa e espessa núvens de poluição. Às 5 horas da tarde me restava apenas poucos minutos para conseguir ver o que havia à minha frente. Foi exatamente nesta hora que eu entrei no estreito caminho para a vila de Khadim. Tive a sorte de poder contar com a ajuda de algumas pessoas que seguiram para lá de carroça e me guiaram até a vila.
Quando cheguei em Bulagary já era noite e eu não tinha a mínima idéia de onde eu deveria ir dentro daquelas ruas de terra sem nome e casas de barro. O local era maior do que eu imaginava também. Perguntei então para um garoto que passava na hora e perguntei se ele sabia onde era a casa de Khadim Hussein. Ele disse que sabia e se propôs a me levar até lá. Não precisei pedalar mais que 50 metros para chegar até a casa de Khadim. O problema foi que ele ainda não havia chegado em sua casa.
Mesmo na ausência de Khadim, a família foi muito simpática comigo me convidando para dentro da casa e me deixando a vontade, ainda que houvesse quase que apenas mulheres na casa e elas não pudessem falar comigo mesmo que soubessem falar inglês, devido à conduta imposta pela religião islãmica (mulher casada não fala, não olha e, muito menos, toca um outro homem). Tomei então um banho, coloquei meu largo traje muçulmano e esperei Khadim.
Durante minha espera chegou um amigo dele, que se indentificou como irmão de Khadim. Conversamos. Bem, tentamos nos comunicar um pouco com mímica e poucas palavras até que chegaram com meu jantar: 2 chapatis, uma porção de vegetais refogados no fogo a lenha do quintal e um copo d’água. Tinha fome para mais, mas fiquei quieto, diante da situação daquele aldeia, capaz de fazer qualquer imagem das secas do nordeste parecer um passeio no parque.
Logo que terminei de comer o amigo de Khadim, me levou para fora da casa para “me mostrar o vilarejo”. Obviamente não havia mulheres nas ruas, já era noite, no entanto parecia que todos os homens estava fora de suas casas. O agrupamento desses homens era algo curioso, sempre em volta de tipo de um nargileh (instrumento usado para se fumar tabaco) típico do Paquistão, com apenas um braço metático de cerca de um metro de diâmetro, porém numa base giratória, que facilitava a socialização da fumaça.
Apesar de dentro desse gigante cachimbo só se queimar tabaco, logo descobri que por alí as pessoas queimavam algo mais. Quase todos os homens do vilarejo fumavam hashish de forma delibarada. Seria fácil julgar esses homens que fumavam essa substância, mas depois de algum tempo com eles, percebi que eles nunca fumavam sozinhos e fora hashish eles não consumiam nenhum outro tipo de droga, nem mesmo álcool, que é mais recriminado que o próprio hashish por aqui. Caso algum deles fosse pego bebendo a metade da quantidade que um adolescente de 15 anos bebe no Brasil, aqui eles já teriam grande problemas com as pessoas, sendo tratados pelo o que a nossa sociedade chama de “drogados” e correndo o risco de ir para a cadeia.
Quando estava nas ruas desta aldeia, Khadim chegou. Com ele alí eu poderia falar com as pessoas, já que ele conseguia entender e falar razoavelmente inglês. Khadim fez questão de me levar para conhecer todas as rodas de amigos de sua aldeia, todas formadas em função do tabaco ou do hashish. Somente quando já era tarde e eu já havia conhecido quase todos os homens da comunidade, fui embora para a casa de Khadim para dormir.
Quarta-feira (14 de novembro de 2007)
Bulagary – Sahiwal (84 km)
Acordei cedo, pelo menos para o Paquistão, onde as pessoas não conseguem acordar antes das 8 da manhã e as escolas começam as aulas às 9 da manhã. Khadim já estava acordado e sua mulher já preparava o café da manhã de todos no fogão a lenha instalado no chão. Comi o mesmo que no jantar de ontem, com a diferença que hoje havia um copo de lassi, que parecia estar estragado, mas o bebi mesmo assim. Logo que acabei de comer, Khadim me convidou para dar uma volta em sua vila e conhecer a vida local.
Eles começou pela sua família, que incluindo tios, primos e todos os parentes possíveis, totalizava quase que o vilarejo inteiro. Todas as casas eram feitas de barro com tijolos, ou de cocô de vaca e barro apenas. As ruas tinham uma poeira avermelhada mais fina que talco, que subia a cada vez que um pé tocava o solo. Os búfalos saiam sozinhos às ruas, onde as cabras já estavam fazia algum tempo, onde os cachorros latiam e as galinhas fugiam das pessoas.
Depois de mostra-me as ruas, Khadim foi me mostrar novamente as pessoas, que em plana manhã já se reuniam para fumar o que fosse. Cada círculo de pessoas me oferecia alguma coisa, gerelmante um copo de chai feito com leite de búfala tirado na hora. Após os amigos, seguimos para outros pontos de interesse como a escola local, a oficina do artesão e o cemitério da vila. O mais curioso foi o cemitério, pois não havia sinal algum para identificar os túmulos, sendo todos apenas um monte de terra batida num terreno repleto de montes de terra batida.
Se eu deixasse, Khadim ficaria me mostrando a vila até a noite, mas eu tinha que ir embora, caso contrário acabaria passando a noite por alí novamente. Voltei então para a casa de onde havia deixado minhas coisas e arrumei tudo para seguir em frente. Despedi-me de todos e segui em frente, com a intenção de chegar em Harappa, mas sem saber se eu chegaria ou não.
Na estrada eu apenas pedalei em direção ao oeste, contra um leve vento e entre algumas pequenas cidades e muitos postos de gasolina, quase sempre amplos e bastante organizados. Ao final da tarde eu estava em Sahiwal, a maior cidade da região, logo antes da vila de Harappa, que era o meu objetivo. Não sabia o que eu encontraria em Harappa e nem a distância que eu teria que percorrer para chegar até lá. Com o sol em já seus últimos minutos eu resolvi ficar por Sahiwal e não arriscar uma pedalada extra.
Parei então a bicicleta no acostamento da estrada, já na parte urbana da cidade, com a intenção de pensar o que eu faria. Infelizmente percebi que pensar não seria possível alí. Em poucos minutos já havia uma roda de mais de 10 pessoas ao meu redor, todas rindo ou falando algo que eu não tinha nem idéia. Isso não era comum no Paquistão, mas estava acontecendo agora. Era um momento indiano fora da Índia (mas não tão longe de lá).
Iria ficar na cidade, mas era melhor encontrar um lugar para ficar, pois já havia percebido que não teria paz com aquelas pessoas. Parei então num hotel e logo tive a resposta padrão da Índia: estamos cheios, mesmo que as chaves dos quartos estivem quase todas alí. Nunca consegui entender o porque deles fazerem isso e gostaria de descobrir. De qualquer forma, tive que procurar outra hospedagem pela beira da estrada.
Não longe de minha primeira tentativa eu encontrei outra hospedagem, um pouco mais afastada da estrada, o que amenizava o ruído dos motores. Consegui um quarto, jantei, descobri que não havia nada para ser visto na cidade e voltei para o quarto para dormir e começar outro dia amanhã.
Quinta-feira (15 de novembro de 2007)
Sahiwal – Harappa – Lahorinwala (51 km)
Sabia que Harappa não estava longe de mim, apenas não sabia o quanto. Pedalei por cerca de 20 quilômetros e resolvi perguntar para alguém. Coincidentemente eu já estava praticamente na entrada da estrada que me levaria até a vila de Harappa e depois para o museu e sítio arqueológico de Harappa. Foram mais 8 quilômetros por entre ruas estreitas e pequenos vilarejos até chegar ao sítio arqueológico de Harappa.
Parei a bicicleta na guarita de entrada, paguei 200 Rúpias e entrei no museu, onde a fotografia era estritamente proibida. O museu não era muito significante, mas bastante interessante para mim que já havia estudado um pouco da civilização do Vale do Rio Indo, a qual é a base da população do que hoje se conhece como sub-continente.
Em poucas palavras, os registro dessa civilização datam de mais de 5000 anos atrás e mostram umas das mais avançadas civilizações da ápoca. Dessa civillização, da qual as informações ainda são bastante escassas, sabe-se que a cidade de Harappa juntamente com Moenjo Daro formavam a capital dessa civilização. Em ambas escavações formam encontradas uma arquitetura avançada, com sistema de água e esgoto, que mostrava que eles se importavam com a higiêne. Também foram encontrados diversos trabalhos em pedra e selos mostrando uma espécie de culto à natureza, animais (especialmente o búfalo) e à mulher.
Depois de meu passeio pelo museu eu segui para o sítio arqueológico que ocupava uma grande área do local. As escavações não eram as melhores que eu já havia visto, já que o máximo que conseguiram reconstituir foi a base das construções. Obviamente isso era interessante, mas estava longe de ser tão cativante como Machu Picchu ou Angkor Wat, mas havia toda a história de uma civilização atrás de cada uma daqueles blocos. Blocos que até pouco tempo estavam sendo roubados para a construção de casas e até mesmo da ferrovia que pessa perto dalí.
Após a visita ao sítio arqueológico eu voltei para a minha bicicleta e fui embora. Diversas pessoas tentaram me ajudar em relação ao caminho, mas no final das contas apenas me confundiram e eu acabei tomando o mesmo caminho que eu havia usado para chegar ao local. Quando eu voltei à estrada perguntei sobre a localização de Lahorinwala e descobri que estava mais próxima do que eu imaginava.
Poucos quilômetros depois eu já estava no vilarejo, onde perguntei sobre a casa de Mohammed Ashraf e todos sabiam me indicar. Quando cheguei na casa não sabia quem procurar, muito menos o que dizer, já que eu não falo a lingüa local, o urdu. Logo M. Ashraf apareceu e me convidou para entrar, já sentando na cama em que eu dormiria nesta noite. Por algum tempo eu fiquei sozinho, mas aos poucos chegaram mais pessoas até um ponto em que o quarto estava repleto de pessoas, quase todas olhando para a minha cara e tentando se comunicar comigo de alguma forma.
Até certo ponto isso foi bastante interessante, mas quando o relógio já marcava 11 horas da noite e todos ainda estavam alí e eu já com sono, percebi que teria que fazer alguma coisa. Fui direto e disse que queria dormir, não tinha o porque de usar um caminho mais longo para dizer isso e quase todos foram embora na mesma hora. Quase todos. Alguns sujeitos ficaram por alí ainda e só me deixaram dormir quando já era quase meia-noite. (tadinho.. porque será que no pak eles tem mania disso? dormem muito tarde, acordam também... nós somos a única diversão deles hehehehe)
Sexta-feira (16 de novembro de 2007)
Lohorinwala – Multan (132 km)
Acordei cedo, hoje não poderia perder muito tempo caso quisesse pedalar uma longa distância. Arrumei tudo rapidamente e logo já estava pronto para a estrada, mas esperei o café da manhã e depois esperei todos da casa virem se despedir de mim, eu tive que esperar os que chegariam na casa para se despedir de mim. Quando já era 9:30 da manhã e eu via que já teria problemas para chegar em Multan durante o dia e decidi ir embora e não esperar mais ninguém.
A manhã estava fria e com uma névoa que não me deixava ver mais do que 10 metrso à minha frente. Precisava contar com minha audição agora. Por algum tempo foram meus ouvidos que me guiaram, mas conforme o sol se levantava, a neblina também ia embora e a temperatura se elevava.
Durante toda a manhã eu não me sentia disposto à pedalar e já previa que eu não conseguiria chegar em Multan hoje, tendo que parar no meio do caminho para continuar a viagem amanhã. Assim, parei algumas vezes para comer e beber e por fim cheguei em uma cidade chamada Khanewal, a qual ficava a apenas 40 quilômetros de Multan. Sabia que qualquer hotel da cidade seria uma porcaria e a melhor opção seria acampar.
Até entrei num hotel para ver as condições e percebi que não eram nada boas. Assim, decidi acampar num gramado de algum posto de gasolina pela estrada. Quando eu encontrei um posto de gasolina razoável, lembrei que eu não tinha comida, não havia nenhuma restaurante por perto e o posto de gasolina não contava nem com água para eu tomar banho de caneca.
O sol estava se pondo e eu percebi que mesmo que eu quisesse eu não conseguiria dormir na barulhenta lateral da estrada. Assim, tomei a decisão de pedalar nem que fosse um pouco durante a noite, mas de chegar em Multan e descansar por um dia na cidade. Subi na bicicleta, coloquei a uma lanterna em minha cabeça e outra na traseira da bicicleta, agora estava pronto para encarar a noite.
Tive luz por mais cerca de 10 quilômetros e depois já era plena noite. Continuei em frente dentro da noite, do frio e da neblina que fazia. Pedalar à noite não é das atividades mais agradáveis de se fazer, ainda mais numa estrada movimentada e num país como o Paquistão. O problema que surgia era a fome, pois eu não tinha comida e a última refeição que havia feito havia sido no café da manhã.
Agora já estava cansado, com fome, com frio e no escuro, mas de uma forma incrível, completamente calmo e tranqüilo, tão tranqüilo que até parei no acostamento 10 quilômetros antes de Multan para comer algumas bolachas que eu lembrei que tinha. Comi traqüilamente as bolachas e depois abri uma folha de papel para descobrir onde eu poderia ir em Multan e onde encontrar um hotel.
No que eu procurava, um sujeito se aproximou de mim para perguntar se estava tudo bem e se eu precisava de ajuda. Disse que estava tudo bem e que eu não precisava de nada a não ser a indicação de um hotel razoável na cidade. O sujeito disse que não sabia me indicar, mas disse que morava perto dalí e que eu poderia dormir na casa dele se eu quisesse. Ele estava de carro com sua família. Achei que não teria problemas e aceitei o convite.
Segui o carro por uma curta distância e cheguei até o vilarejo onde ele morava. No entanto, ele não era um simples morador do local, mas ele era o dono de toda a vila. Sua casa, uma espécie de mansão, ficava no centro dessa aldeia e ele tinha alguns funcionários que trabalhavam para ele, o que é raro por aqui. Logo ao chegar alí ele me deu um quarto, me mostrou o banheiro e disse que em poucos minutos o jantar estaria pronto.
Logo o jantar estava na mesa e eu tive a oportunidade de comer algo que não era bem paquistanês, uma pizza e queijo. Comi muito, como fazia tempo que eu não comia e depois fui para o quarto para uma merecida noite de sono.
Sábado (17 de novembro de 2007)
Multan
Como era sábado toda a família estava na casa, o pai, a mãe e os 3 filhos. Tomamos café da manhã juntos e depois eles foram me mostrar a vila deles, do galinheiro no fundo da casa até a fábrica de blocos e os grande terrenos para o plantio de cana-de-açúcar. Quando eu já havia visto tudo disse que iria até a cidade (Multan) para fazer algumas coisas e ver alguns dos templos da cidade.
Apesar de toda a hospitalidade da família eu não sei dizer até que ponto eles estava felizes em me receber alí. Eu sentia que eles estavam fazendo uma obrigação de me receber na casa deles, especialmente pela mãe da família que era falsa e dissimulava suas atitudes a todo o momento tentando parecer simpática. O pai da da família desde que eu havia dito que não era muçulmano já não fazia questão alguma de conversar comigo. Assim, passar o dia em Multan seria uma ótima saída para hoje.
A idéia do passeio em Multan não foi muito longe. Com alguns argumentos sem pé nem cabeça a família resolveu me levar para conhecer Multan. O passeio programado pela família não me mostrou muito da cidade, com exceção do parque, de um mausoléu e dos lugares que eles queriam ir. Após o passeio voltamos para a casa da família e teve início o momento mais emocionante do dia.
Um dos filhos da família me perguntou o que eu levava para a minha proteção. Mostrei para ele minha perigosíssima faca de menos de 10 centímetros e disse que acreditava em Deus (apesar de não ser fanático por nenhuma religião). Pensei que como bons muçulmanos, que parecem fazer tudo para Allah, eles iriam concordar. Estava enganado. Eles disseram que eu tinha que me proteger melhor, pois estava passando por longares perigosos, e começaram a mostrar a coleção de armas que eles tinham.
Começaram com uma simples espingarda de chumbo, com a qual eles brincavam dentro da casa para o meu espanto. Depois passaram para algumas carabinas e chegaram a uma escopeta e um cinto de cartuchos digno de Silvester Stallone. Passei a notar o quanto os filhos da família eram obcecados em armas. Mesmo após o show das armas eles chegaram com fotos dos melhores momentos da família. Os garotos ainda bebês, a primeira bicicleta, a primeira arma e a primeira experiência com uma metralhadora automática. (eita...)
Depois de tudo isso, eu apenas resolvi ficar sozinho um pouco e arrumar todas minhas coisas para deixar a cidade na manhã de amanhã.
Domingo (18 de novembro de 2007)
Multan – Bahawalpur (103 km)
Pela manhã eu já tinha tudo pronto para deixar a cidade. Havia arrumado minhas malas, me alongado e até passado o protetor solar, mas descobri que seria uma grande falta de educação ir embora sem tomar um café da manhã com a família. Não me sentia muito bem em relação ao estômago, mas mesmo assim sabia que teria que comer para poder conseguir pedalar uma distância de cerca de 100 quilômetros.
Após o refeição eu me despedi de todos e segui em frente, sabendo que teria muito que pedalar hoje. No entanto, antes de começar a pedalar para valer eu tive que procurar um banheiro na estrada. As estradas por aqui nem sempre possibilitam a improvisação de um banheiro devido ao grande número de pessoas que existe por toda a parte, assim tive que parar num posto de gasolina e pedir para usar o banheiro.
Depois de me aliviar emergencialmente eu sabia que estava pronto para pedalar. Com o ar parado e diversos caminhões me ajudando com o movimento de ar que geravam eu tive um empurrão extra hoje, conseguindo desenvolver uma velocidade média acima do comum. Quase não parei pelo caminho e mesmo saindo mais tarde do que eu esperava de Multan, eu consegui chegar cedo em Bahawalpur, onde logo encontrei um lugar barato para passar a noite e depois saí para comer uma boa refeição, para curar meu estômago e encerrar esta semana de boas pedaladas e algumas surpresas.
=) amooooooo
mas parece que essa parte foi meio dark! Dá pra sentir a desaminada dele.
Segunda-feira (12 de novembro de 2007)
Lahore
Apesar de ter traçado meus planos para sair de Lahore ainda hoje, fui – como de costume – pego por alguns imprevistos. Ficar acordado até as 3 da manhã para terminar minhas atualizações ontem, foi um; ter leves problemas digestivos foi o outro. Não me sentia disposto o suficiente para começar a pedalar hoje, já que eu quero inciar a pedalar sem a previsão de parar tão cedo, devido à grande distância que serei obrigado a percorrer em apenas 2 semanas.
Com mais um dia em Lahore eu aproveitei para ver o que eu não havia visto. Caminhei por outras ruas, enviei alguns postais e visitei o Museu de Lahore. Em minha caminhada vi hordas de fotógrafos, cada um equipado com 2 ou 3 câmeras, apenas esperando alguma coisa acontecer na cidade, como advogados brigando com a polícia ou Bhutto provocando tumulto ou atentados.
Fora isso, nada de novo. O clima parecia estar ficando mais tenso na cidade, com a presença de Benazir Bhutto e mensagens de grupos terroristas afirmando que vão matá-la num atentado à bomba em Lahore. A hospedagem que estava cheia de turistas quando eu cheguei, 2 semanas atrás, agora já estava quase vazia e os visitantes continuavam migrando para a Índia. Apesar da leve tensão no país, eu estava decidido à atravessá-lo e era melhor fazer isso o mais breve possível, ou seja, amanhã.
Terça-feira (13 de novembro de 2007)
Lahore – Bulagary (101 km)
Não acordei com o despertador e quando despertei, mais tarde do que esperava, fiz tudo da forma mais rápida possível. Fechar as malas, comer, alongar meus músculos e despedir de todos. O problema foi que mesmo assim, só consegui sair para a rua por volta das 11 da manhã, que era tarde para iniciar um pedalada de 100 quilômetros numa época em que o dia acaba às 5 da tarde.
O melhor que me aconteceu foi que ao me despedir dos funcionários da hospedagem, comentei que iria parar numa cidade chamada Pattoki. O sujeito então disse que alí não havia nem hotel nem nada do gênero, mas ao mesmo tempo disse que morava nas proximidades dessa cidade. O melhor de tudo foi que ele disse que estava voltando para sua vila hoje e que se eu quisesse poderia ficar na casa dele por algumas noites.
Aceitei o convite e fui embora para a estrada. As ruas de Lahore não eram nenhuma maravilha e me deram bastante trabalho até sair do perímetro urbano da cidade. Somente depois de 20 quilômetros foi que a estrada começou a melhorar e se tornar mais possível de ser pedalada. A partir daí eu não parei muito, apesar das diversas pessoas que me cumprimentavam e me chamavam para conversar, tomar um chá, comer um chapati ou apenas sentar e descansar.
Parei apenas um vez no meio na estrada para comer um pouco e depois continuei. Quando cheguei em Pattoki percebi que se eu estivesse disposto a ficar por alí teria problemas mesmo. Uma cidade suja de beira de estrada, sem nenhum tipo de acomodação e lotada de gente. Segui então para a próxima cidade, chamada Habibabad, onde – segundo o mapa que Khadim havia desenhado para mim – eu deveria entrar à esquerda e seguir por alguns vilarejos até a vila de Khadim, Bulagary.
Os dias estavam cada vez mais curtos e hoje não foi diferente, às 4 da tarde o sol, já baixo, começou a se esconder atrás da imensa e espessa núvens de poluição. Às 5 horas da tarde me restava apenas poucos minutos para conseguir ver o que havia à minha frente. Foi exatamente nesta hora que eu entrei no estreito caminho para a vila de Khadim. Tive a sorte de poder contar com a ajuda de algumas pessoas que seguiram para lá de carroça e me guiaram até a vila.
Quando cheguei em Bulagary já era noite e eu não tinha a mínima idéia de onde eu deveria ir dentro daquelas ruas de terra sem nome e casas de barro. O local era maior do que eu imaginava também. Perguntei então para um garoto que passava na hora e perguntei se ele sabia onde era a casa de Khadim Hussein. Ele disse que sabia e se propôs a me levar até lá. Não precisei pedalar mais que 50 metros para chegar até a casa de Khadim. O problema foi que ele ainda não havia chegado em sua casa.
Mesmo na ausência de Khadim, a família foi muito simpática comigo me convidando para dentro da casa e me deixando a vontade, ainda que houvesse quase que apenas mulheres na casa e elas não pudessem falar comigo mesmo que soubessem falar inglês, devido à conduta imposta pela religião islãmica (mulher casada não fala, não olha e, muito menos, toca um outro homem). Tomei então um banho, coloquei meu largo traje muçulmano e esperei Khadim.
Durante minha espera chegou um amigo dele, que se indentificou como irmão de Khadim. Conversamos. Bem, tentamos nos comunicar um pouco com mímica e poucas palavras até que chegaram com meu jantar: 2 chapatis, uma porção de vegetais refogados no fogo a lenha do quintal e um copo d’água. Tinha fome para mais, mas fiquei quieto, diante da situação daquele aldeia, capaz de fazer qualquer imagem das secas do nordeste parecer um passeio no parque.
Logo que terminei de comer o amigo de Khadim, me levou para fora da casa para “me mostrar o vilarejo”. Obviamente não havia mulheres nas ruas, já era noite, no entanto parecia que todos os homens estava fora de suas casas. O agrupamento desses homens era algo curioso, sempre em volta de tipo de um nargileh (instrumento usado para se fumar tabaco) típico do Paquistão, com apenas um braço metático de cerca de um metro de diâmetro, porém numa base giratória, que facilitava a socialização da fumaça.
Apesar de dentro desse gigante cachimbo só se queimar tabaco, logo descobri que por alí as pessoas queimavam algo mais. Quase todos os homens do vilarejo fumavam hashish de forma delibarada. Seria fácil julgar esses homens que fumavam essa substância, mas depois de algum tempo com eles, percebi que eles nunca fumavam sozinhos e fora hashish eles não consumiam nenhum outro tipo de droga, nem mesmo álcool, que é mais recriminado que o próprio hashish por aqui. Caso algum deles fosse pego bebendo a metade da quantidade que um adolescente de 15 anos bebe no Brasil, aqui eles já teriam grande problemas com as pessoas, sendo tratados pelo o que a nossa sociedade chama de “drogados” e correndo o risco de ir para a cadeia.
Quando estava nas ruas desta aldeia, Khadim chegou. Com ele alí eu poderia falar com as pessoas, já que ele conseguia entender e falar razoavelmente inglês. Khadim fez questão de me levar para conhecer todas as rodas de amigos de sua aldeia, todas formadas em função do tabaco ou do hashish. Somente quando já era tarde e eu já havia conhecido quase todos os homens da comunidade, fui embora para a casa de Khadim para dormir.
Quarta-feira (14 de novembro de 2007)
Bulagary – Sahiwal (84 km)
Acordei cedo, pelo menos para o Paquistão, onde as pessoas não conseguem acordar antes das 8 da manhã e as escolas começam as aulas às 9 da manhã. Khadim já estava acordado e sua mulher já preparava o café da manhã de todos no fogão a lenha instalado no chão. Comi o mesmo que no jantar de ontem, com a diferença que hoje havia um copo de lassi, que parecia estar estragado, mas o bebi mesmo assim. Logo que acabei de comer, Khadim me convidou para dar uma volta em sua vila e conhecer a vida local.
Eles começou pela sua família, que incluindo tios, primos e todos os parentes possíveis, totalizava quase que o vilarejo inteiro. Todas as casas eram feitas de barro com tijolos, ou de cocô de vaca e barro apenas. As ruas tinham uma poeira avermelhada mais fina que talco, que subia a cada vez que um pé tocava o solo. Os búfalos saiam sozinhos às ruas, onde as cabras já estavam fazia algum tempo, onde os cachorros latiam e as galinhas fugiam das pessoas.
Depois de mostra-me as ruas, Khadim foi me mostrar novamente as pessoas, que em plana manhã já se reuniam para fumar o que fosse. Cada círculo de pessoas me oferecia alguma coisa, gerelmante um copo de chai feito com leite de búfala tirado na hora. Após os amigos, seguimos para outros pontos de interesse como a escola local, a oficina do artesão e o cemitério da vila. O mais curioso foi o cemitério, pois não havia sinal algum para identificar os túmulos, sendo todos apenas um monte de terra batida num terreno repleto de montes de terra batida.
Se eu deixasse, Khadim ficaria me mostrando a vila até a noite, mas eu tinha que ir embora, caso contrário acabaria passando a noite por alí novamente. Voltei então para a casa de onde havia deixado minhas coisas e arrumei tudo para seguir em frente. Despedi-me de todos e segui em frente, com a intenção de chegar em Harappa, mas sem saber se eu chegaria ou não.
Na estrada eu apenas pedalei em direção ao oeste, contra um leve vento e entre algumas pequenas cidades e muitos postos de gasolina, quase sempre amplos e bastante organizados. Ao final da tarde eu estava em Sahiwal, a maior cidade da região, logo antes da vila de Harappa, que era o meu objetivo. Não sabia o que eu encontraria em Harappa e nem a distância que eu teria que percorrer para chegar até lá. Com o sol em já seus últimos minutos eu resolvi ficar por Sahiwal e não arriscar uma pedalada extra.
Parei então a bicicleta no acostamento da estrada, já na parte urbana da cidade, com a intenção de pensar o que eu faria. Infelizmente percebi que pensar não seria possível alí. Em poucos minutos já havia uma roda de mais de 10 pessoas ao meu redor, todas rindo ou falando algo que eu não tinha nem idéia. Isso não era comum no Paquistão, mas estava acontecendo agora. Era um momento indiano fora da Índia (mas não tão longe de lá).
Iria ficar na cidade, mas era melhor encontrar um lugar para ficar, pois já havia percebido que não teria paz com aquelas pessoas. Parei então num hotel e logo tive a resposta padrão da Índia: estamos cheios, mesmo que as chaves dos quartos estivem quase todas alí. Nunca consegui entender o porque deles fazerem isso e gostaria de descobrir. De qualquer forma, tive que procurar outra hospedagem pela beira da estrada.
Não longe de minha primeira tentativa eu encontrei outra hospedagem, um pouco mais afastada da estrada, o que amenizava o ruído dos motores. Consegui um quarto, jantei, descobri que não havia nada para ser visto na cidade e voltei para o quarto para dormir e começar outro dia amanhã.
Quinta-feira (15 de novembro de 2007)
Sahiwal – Harappa – Lahorinwala (51 km)
Sabia que Harappa não estava longe de mim, apenas não sabia o quanto. Pedalei por cerca de 20 quilômetros e resolvi perguntar para alguém. Coincidentemente eu já estava praticamente na entrada da estrada que me levaria até a vila de Harappa e depois para o museu e sítio arqueológico de Harappa. Foram mais 8 quilômetros por entre ruas estreitas e pequenos vilarejos até chegar ao sítio arqueológico de Harappa.
Parei a bicicleta na guarita de entrada, paguei 200 Rúpias e entrei no museu, onde a fotografia era estritamente proibida. O museu não era muito significante, mas bastante interessante para mim que já havia estudado um pouco da civilização do Vale do Rio Indo, a qual é a base da população do que hoje se conhece como sub-continente.
Em poucas palavras, os registro dessa civilização datam de mais de 5000 anos atrás e mostram umas das mais avançadas civilizações da ápoca. Dessa civillização, da qual as informações ainda são bastante escassas, sabe-se que a cidade de Harappa juntamente com Moenjo Daro formavam a capital dessa civilização. Em ambas escavações formam encontradas uma arquitetura avançada, com sistema de água e esgoto, que mostrava que eles se importavam com a higiêne. Também foram encontrados diversos trabalhos em pedra e selos mostrando uma espécie de culto à natureza, animais (especialmente o búfalo) e à mulher.
Depois de meu passeio pelo museu eu segui para o sítio arqueológico que ocupava uma grande área do local. As escavações não eram as melhores que eu já havia visto, já que o máximo que conseguiram reconstituir foi a base das construções. Obviamente isso era interessante, mas estava longe de ser tão cativante como Machu Picchu ou Angkor Wat, mas havia toda a história de uma civilização atrás de cada uma daqueles blocos. Blocos que até pouco tempo estavam sendo roubados para a construção de casas e até mesmo da ferrovia que pessa perto dalí.
Após a visita ao sítio arqueológico eu voltei para a minha bicicleta e fui embora. Diversas pessoas tentaram me ajudar em relação ao caminho, mas no final das contas apenas me confundiram e eu acabei tomando o mesmo caminho que eu havia usado para chegar ao local. Quando eu voltei à estrada perguntei sobre a localização de Lahorinwala e descobri que estava mais próxima do que eu imaginava.
Poucos quilômetros depois eu já estava no vilarejo, onde perguntei sobre a casa de Mohammed Ashraf e todos sabiam me indicar. Quando cheguei na casa não sabia quem procurar, muito menos o que dizer, já que eu não falo a lingüa local, o urdu. Logo M. Ashraf apareceu e me convidou para entrar, já sentando na cama em que eu dormiria nesta noite. Por algum tempo eu fiquei sozinho, mas aos poucos chegaram mais pessoas até um ponto em que o quarto estava repleto de pessoas, quase todas olhando para a minha cara e tentando se comunicar comigo de alguma forma.
Até certo ponto isso foi bastante interessante, mas quando o relógio já marcava 11 horas da noite e todos ainda estavam alí e eu já com sono, percebi que teria que fazer alguma coisa. Fui direto e disse que queria dormir, não tinha o porque de usar um caminho mais longo para dizer isso e quase todos foram embora na mesma hora. Quase todos. Alguns sujeitos ficaram por alí ainda e só me deixaram dormir quando já era quase meia-noite. (tadinho.. porque será que no pak eles tem mania disso? dormem muito tarde, acordam também... nós somos a única diversão deles hehehehe)
Sexta-feira (16 de novembro de 2007)
Lohorinwala – Multan (132 km)
Acordei cedo, hoje não poderia perder muito tempo caso quisesse pedalar uma longa distância. Arrumei tudo rapidamente e logo já estava pronto para a estrada, mas esperei o café da manhã e depois esperei todos da casa virem se despedir de mim, eu tive que esperar os que chegariam na casa para se despedir de mim. Quando já era 9:30 da manhã e eu via que já teria problemas para chegar em Multan durante o dia e decidi ir embora e não esperar mais ninguém.
A manhã estava fria e com uma névoa que não me deixava ver mais do que 10 metrso à minha frente. Precisava contar com minha audição agora. Por algum tempo foram meus ouvidos que me guiaram, mas conforme o sol se levantava, a neblina também ia embora e a temperatura se elevava.
Durante toda a manhã eu não me sentia disposto à pedalar e já previa que eu não conseguiria chegar em Multan hoje, tendo que parar no meio do caminho para continuar a viagem amanhã. Assim, parei algumas vezes para comer e beber e por fim cheguei em uma cidade chamada Khanewal, a qual ficava a apenas 40 quilômetros de Multan. Sabia que qualquer hotel da cidade seria uma porcaria e a melhor opção seria acampar.
Até entrei num hotel para ver as condições e percebi que não eram nada boas. Assim, decidi acampar num gramado de algum posto de gasolina pela estrada. Quando eu encontrei um posto de gasolina razoável, lembrei que eu não tinha comida, não havia nenhuma restaurante por perto e o posto de gasolina não contava nem com água para eu tomar banho de caneca.
O sol estava se pondo e eu percebi que mesmo que eu quisesse eu não conseguiria dormir na barulhenta lateral da estrada. Assim, tomei a decisão de pedalar nem que fosse um pouco durante a noite, mas de chegar em Multan e descansar por um dia na cidade. Subi na bicicleta, coloquei a uma lanterna em minha cabeça e outra na traseira da bicicleta, agora estava pronto para encarar a noite.
Tive luz por mais cerca de 10 quilômetros e depois já era plena noite. Continuei em frente dentro da noite, do frio e da neblina que fazia. Pedalar à noite não é das atividades mais agradáveis de se fazer, ainda mais numa estrada movimentada e num país como o Paquistão. O problema que surgia era a fome, pois eu não tinha comida e a última refeição que havia feito havia sido no café da manhã.
Agora já estava cansado, com fome, com frio e no escuro, mas de uma forma incrível, completamente calmo e tranqüilo, tão tranqüilo que até parei no acostamento 10 quilômetros antes de Multan para comer algumas bolachas que eu lembrei que tinha. Comi traqüilamente as bolachas e depois abri uma folha de papel para descobrir onde eu poderia ir em Multan e onde encontrar um hotel.
No que eu procurava, um sujeito se aproximou de mim para perguntar se estava tudo bem e se eu precisava de ajuda. Disse que estava tudo bem e que eu não precisava de nada a não ser a indicação de um hotel razoável na cidade. O sujeito disse que não sabia me indicar, mas disse que morava perto dalí e que eu poderia dormir na casa dele se eu quisesse. Ele estava de carro com sua família. Achei que não teria problemas e aceitei o convite.
Segui o carro por uma curta distância e cheguei até o vilarejo onde ele morava. No entanto, ele não era um simples morador do local, mas ele era o dono de toda a vila. Sua casa, uma espécie de mansão, ficava no centro dessa aldeia e ele tinha alguns funcionários que trabalhavam para ele, o que é raro por aqui. Logo ao chegar alí ele me deu um quarto, me mostrou o banheiro e disse que em poucos minutos o jantar estaria pronto.
Logo o jantar estava na mesa e eu tive a oportunidade de comer algo que não era bem paquistanês, uma pizza e queijo. Comi muito, como fazia tempo que eu não comia e depois fui para o quarto para uma merecida noite de sono.
Sábado (17 de novembro de 2007)
Multan
Como era sábado toda a família estava na casa, o pai, a mãe e os 3 filhos. Tomamos café da manhã juntos e depois eles foram me mostrar a vila deles, do galinheiro no fundo da casa até a fábrica de blocos e os grande terrenos para o plantio de cana-de-açúcar. Quando eu já havia visto tudo disse que iria até a cidade (Multan) para fazer algumas coisas e ver alguns dos templos da cidade.
Apesar de toda a hospitalidade da família eu não sei dizer até que ponto eles estava felizes em me receber alí. Eu sentia que eles estavam fazendo uma obrigação de me receber na casa deles, especialmente pela mãe da família que era falsa e dissimulava suas atitudes a todo o momento tentando parecer simpática. O pai da da família desde que eu havia dito que não era muçulmano já não fazia questão alguma de conversar comigo. Assim, passar o dia em Multan seria uma ótima saída para hoje.
A idéia do passeio em Multan não foi muito longe. Com alguns argumentos sem pé nem cabeça a família resolveu me levar para conhecer Multan. O passeio programado pela família não me mostrou muito da cidade, com exceção do parque, de um mausoléu e dos lugares que eles queriam ir. Após o passeio voltamos para a casa da família e teve início o momento mais emocionante do dia.
Um dos filhos da família me perguntou o que eu levava para a minha proteção. Mostrei para ele minha perigosíssima faca de menos de 10 centímetros e disse que acreditava em Deus (apesar de não ser fanático por nenhuma religião). Pensei que como bons muçulmanos, que parecem fazer tudo para Allah, eles iriam concordar. Estava enganado. Eles disseram que eu tinha que me proteger melhor, pois estava passando por longares perigosos, e começaram a mostrar a coleção de armas que eles tinham.
Começaram com uma simples espingarda de chumbo, com a qual eles brincavam dentro da casa para o meu espanto. Depois passaram para algumas carabinas e chegaram a uma escopeta e um cinto de cartuchos digno de Silvester Stallone. Passei a notar o quanto os filhos da família eram obcecados em armas. Mesmo após o show das armas eles chegaram com fotos dos melhores momentos da família. Os garotos ainda bebês, a primeira bicicleta, a primeira arma e a primeira experiência com uma metralhadora automática. (eita...)
Depois de tudo isso, eu apenas resolvi ficar sozinho um pouco e arrumar todas minhas coisas para deixar a cidade na manhã de amanhã.
Domingo (18 de novembro de 2007)
Multan – Bahawalpur (103 km)
Pela manhã eu já tinha tudo pronto para deixar a cidade. Havia arrumado minhas malas, me alongado e até passado o protetor solar, mas descobri que seria uma grande falta de educação ir embora sem tomar um café da manhã com a família. Não me sentia muito bem em relação ao estômago, mas mesmo assim sabia que teria que comer para poder conseguir pedalar uma distância de cerca de 100 quilômetros.
Após o refeição eu me despedi de todos e segui em frente, sabendo que teria muito que pedalar hoje. No entanto, antes de começar a pedalar para valer eu tive que procurar um banheiro na estrada. As estradas por aqui nem sempre possibilitam a improvisação de um banheiro devido ao grande número de pessoas que existe por toda a parte, assim tive que parar num posto de gasolina e pedir para usar o banheiro.
Depois de me aliviar emergencialmente eu sabia que estava pronto para pedalar. Com o ar parado e diversos caminhões me ajudando com o movimento de ar que geravam eu tive um empurrão extra hoje, conseguindo desenvolver uma velocidade média acima do comum. Quase não parei pelo caminho e mesmo saindo mais tarde do que eu esperava de Multan, eu consegui chegar cedo em Bahawalpur, onde logo encontrei um lugar barato para passar a noite e depois saí para comer uma boa refeição, para curar meu estômago e encerrar esta semana de boas pedaladas e algumas surpresas.
=) amooooooo
mas parece que essa parte foi meio dark! Dá pra sentir a desaminada dele.
Thursday, 20 August 2009
Diário de Viagem- Semana 1
Muito interessante são 4 semanas de diário de viagem, divirtam-se!
Primeira Parte
Terça-feira (30 de outubro de 2007)
Amritsar – Lahore (61 km)<>
Já sabia que hoje que o meu último de dia de Índia e eu não tinha como negar a felicidade que isso me trazia. Ao mesmo tempo também não podia esconder a certa apreensão que eu tinha dentro de mim por estar entrando no Paquistão, uma terra que carrega tantas histórias e lendas em seu lado de fora. Se todas elas fossem verdade eu já estaria morto antes mesmo de chegar em minha primeira cidade no país, mas precisava saber o que era verdade neste mundo feito de mentiras.
E estava disposto a pagar caro por isso. Pedalei então em direção à fronteira Índia/ Paquistão.
Despedi-me do Templo Dourado e do povo sikh. Depedi-me das hordas de turístas. Despedi-me dos hippies buscadores da felicidade. E finalmente subi na bicicleta. Antes de deixar a cidade, no entanto, eu me perdi pela última vez na Índia e então encontrei o caminho. Pouco mais de uma hora depois eu já estava na fronteira, pronto para iniciar o processo de carimbos, formulários e horas de espera.
O organização do lado indiano não conseguia ser boa mesmo, assim como a educação dos funcionários. Depois de mais de uma hora de espera, eu consegui ganhar o cartão verde para cruzar a fronteira, mas antes fui trocar minhas rúpias indianas que não valiam nada no lado de lá. Depois da troca, tive ainda que assinar mais alguns papeis e enfim cruzei o portão.
Pensei que o lado paquistanês seria pior. Apenas pensei. Com toda a educação e um ótimo inglês os policiais paquistaneses me indiacaram aonde ir. Alí um sujeito me indicou o que fazer e onde deixar a bicicleta. Preenchi o formulário e depois de ter meu passaporte carimbado dentro do centro de imigração que poderia ser de qualquer país desenvolvido, tamanha organização e limpeza, fui passar pela revista de bagagem, mas os simpáticos policiais apenas perguntaram o que eu tinha e me deixaram passar sem abrir nenhuma de minhas malas.
Pronto, estava oficialmente no Paquistão e havia sido mais fácil do que eu imaginava. Pedalei poucos metros para dentro do país e já via uma cultura diferente, um idioma diferente, trajes diferentes e rostos diferentes. Era uma diferença enorme, que não chegavam ao outro lado devido à pesada fronteira que não deixa o caminho livre entre os 2 países.
A estrada continuava boa, assim como era na Índia, masuase não havia carros na pista e os poucos que haviam quase não buzinavam. Não eram excelentes motoristas, mas pelo menos não faziam questão de mostrar suas buzinas. Isso foi um alívio para mim. A poluição continuava pesada e fiz uma breve parada perto de um posto de gasolina ao lado da pista e percebi que diversas pessoas tinham armas, que não eram, mas sim metraladoras e escopetas.
Essa imagem, numa foto tendenciosa – como as que são colocadas nas revistas –, poderia indicar o início de uma guerra, mas a realidade é que até mesmo aquelas pessoas que levavam armas eram simpáticas e educadas. Era uma cena peculiar e, de certa forma, estranha também. De toda forma, não fiquei aí para ver como eles usavam suas armas e segui em frente, na direção de Lahore, a 2ª maior cidade do país.
Na medida em que eu me aproximava de Lahore o trânsito ficava cada vez mais caótico, mas mesmo assim, sem buzinas. Ao entrar na cidade, eu sabia que seria bom ligar para o número de telefone que haviam me dado, mas para isso seria bom conseguir um telefone. Como eu já previa aqui não há telefones públicos e a melhor saída seria comprar um novo chip telefônico para mim e já ter um número paquistanês também.
Estava perdido na cidade e não tinha a menor idéia de que direção eu tinha que tomar, assim resolvi apenas procurar uma loja de celular. Em meio à confusão das ruas foi um pouco difícil me deslocar de um lugar para o outro, mas num tempo menor do que eu previa eu já tinha meu número de celular do Paquistão, por uma quantia equivalente a 6 Reais. Com o telefone funcionando eu resolvi ligar para o número que eu tinha e – sem me surpreender – descobri que o número estava desligado.
Era hora de mudar os planos. Seria bom eu ir para algum hotel da cidade. Segui então para um hotel que é uma instituição na cidade e creio que mais de 90% dos turistas estrangeiros ficam nele quando em Lahore. Vi o nome da rua e fui perguntando pelo caminho. Ao contrário da Índia, as pessoas aqui me informavam com todo o carinho e pareciam realmente preocupadas comigo. Fiquei feliz com isso, mesmo quando eu não entendi nada da informação que eles estavam me dando em urdu (idioma local).
Em pouco tempo e depois de poucas ruas eu cheguei ao local, que à primeira vista, não parecia nada agradável. Localizado numa rua pequena e suja, com apenas uma pequena porta que dizia o nome do hotel: Regale Internet Inn. Depois da porta havia um jogo de escadas que já levava para o 2º andar do prédio. Assim deixei a bicicleta no lado de fora e subi para conferir o lugar.
Os quartos estavam cheios e só havia algumas camas no dormitório. Isso não era um probelma para mim, o mais difícil mesmo foi levar a bicicleta e os alforjes para cima. Depois foi tudo tranqüilo. Conheci o dono do local, Malik, e fui aos poucos conhecendo todos os hóspedes e até mesmo os moradores do local, gente que parece que chegou para ficar. Quando arrumava minhas coisas no quarto para 6 pessoas conheci um casal canadense que estava por alí e depois 3 viajantes da Islândia, o que é realmente difícil de ver, já que este país tem apenas 300.000 habitantes.
Com os islandeses eu saí para comer. Eles eram muito simpáticos e naquele momento já estavam há mais de uma mês no Paquistão, onde ficaram em Karachi, inclusive durante o incidente da bomba. Eles não estavam apenas viajando, mas sim a procura de um outro lugar para viver, já que a Islândia parecia não agradá-los. Tudo indicava que eles não sairiam mais do Paquistão e agora eles estavam apenas escolhendo um lugar para montar uma casa.
Depois de tanto tempo de Índia, o Paqusitão parecia um milagre em meu caminho. Limpo (comparando com a Índia), sem buzinas, com pessoas educadas e até mesmo carne de vaca, era tudo o que eu queria. Podia até mesmo comer sem me preocupar tanto como na Índia, onde não me lembro de ter comido algum prato sem uma cabelo, mosquito ou algo que eu não consegui identificar. Parecia que meu caminho estava mudando e para melhor.
Quarta-feira (31 de outubro de 2007)
Lahore
Lahore pedia alguns dias para ser conhecida. Aparentemente não havia muita coisa para ser vista nesta cidade de 12 milhões de habitantes, mas fazia tempo que eu não me sentia tão bem como na hospedagem onde eu estava. No pequeno hotel onde eu estava já conhecia quase todos e me sentia em casa, o que eu poderia fazer era aproveitar um pouco dessa boa sensação que eu não conseguia sentir na Índia.
Hoje eu tirei o dia para ver alguns locais da cidade, o que eu queria fazer logo pela manhã, mas no começo do dia de hoje eu descobri que o comércio aqui abre apenas por volta das 10 horas da noite, o que fez que eu demorasse para encontrar um mercado aberto para comprar meu café da manhã. Somente depois disso é que eu saí, com rumo à cidade velha, aonde está localizado o Forte de Lahore.
Ao chegar no local tive uma surpresa, ele estava fechado. Não fazia sentido, ele não fechava para almoço, tampouco para siesta, mas os policiais não estavam deixando ninguém entrar. Perguntei o que estava acontecendo e eles disseram que algum político americano estava alí dentro e enquanto ele estivesse alí, ninguém poderia entrar. Como não tinha escolha, fui para o parque da cidade, logo à frente do forte, para esperar o tempo passar.
Alí vi muita gente e muitas dessas pessoas vinha conversar comigo. Nessas conversas eu fui descobrindo que o paquistanês, ao contrário do que a mídia diz, é um sujieto muito bom. Eles acreditam que a Índia é uma país bom e não tem nada contra os Estados Unidos, o que me chamou muito a atenção. Já os indianos nunca falam nada de bom do Paquistão e os americanos vêem o país como o novo celeiro de terroristas do mundo. Era interessante descobrir um pouco mais do Paquistão.
As conversas foram interessantes e me senti bem com os paqusitaneses, com quem fiquei conversando até os portões do Forte se abrirem somente após as 3 da tarde, quando os americanos resolveram deixar o local. O forte é um resquício da dinastia Mughal, a mesma que dominou a Índia durante séculos e levantou as construções mais famosas do país, entre elas o Taj Mahal. A idade precisa do forte não é sabida, mas o que se sabe é que sua forma atual foi dada pelo imperador Akbar, o qual transformou Lahore em sua capital em 1566.
Seguindo as mesmas linhas das construções muçulmanas encontradas no norte indiano, o Forte de Lahore, conta com diversas divisões, palácios e templos, incluindo até mesmo uma caminho para elefantes, o que era comum naquela época. Igualmente grandioso e mais elaborado que o forte está a Mesquita Badshasi (Badshasi Mosque), que foi finalizada em 1647 por Aurangzeb (filho de Shah Jahan), tornando-se uma das maiores mesquitas do mundo.
Estar alí durante o pôr-do-sol apenas deixou o lugar ainda mais especial. Vi o dia acabar diante daquela imponente mesquista e somente então voltei para a minha hospedagem, encontrando ainda mais gente que havia chegado hoje, especialmente para aproveitar a quinta-feira de Lahore, que trás uma agenda recheada de eventos Sufi – o misticismo muçulmano.
Depois de conversar com tanta gente comecei a perceber que eu não poderia simplesmente deixar o país sem conhecer a região norte do Paquistão, uma região conhecida pelas suas montanhas (as mais altas do mundo), pela hospitalidade das pessoas e por ter o maior números de geleiras (glaciares) do mundo, depois da Antártida. Pedalar seria praticamente impossível, levando em consideração o meu tempo no país, mas um ônibus poderia resolver isso. De qualquer forma, ainda tinha a quinta-feira em Lahore para decidir.
Quinta-feira (1º de novembro de 2007)
Lahore
Pela manhã eu saí com algumas missões a cumprir, entre elas encontrar o correio, uma bicicletaria, comprar uma roupa tradicional, chamada shalwar-kamiz (algo como “calça e camisa”), a qual todos os homens usam e assim eu poderia passar despercebido em algumas regiões do país, com os trajes tradicionais e minha barba de alguns meses.
Encontrar o correio foi fácil, as bicicletarias também, até mesmo as lojas de roupas não foi assim tão difícil, porém não consegui fazer nada. Algumas das coisas que eu queria enviar para o Brasil era proibido aqui no Paquistão, como um simples DVD, eu precisava pegar minha bicicleta e levá-la para a bicicletaria e as roupas que eu encontrei não eram bem aquelas que iriam me fazer passar despercebido, pois tinham tantos detalhes, que eu chamaria mais a atenção usando elas que não usando nada.
Quando eu voltei para a hospedagem já era depois do meio-dia e as pessoas já se preparavam para ir até uma mesquita da cidade para conferir uma série de apresentações de música devocional muçulmana, chamada de qawwali (desse gênero musical o maior expoente é, sem dúvida, Nusrat Fateh Ali Khan, que morreu há uma década mas deixou uma grande obra que ainda pode ser apreciada).
Depois de rodar pela cidade, com mais de 20 turistas, cheguei à mesquita da cidade, onde via de regra havia apenas homens, todos sentados, olhando apenas e, algumas vezes, 1 ou 2 dançado ao som da música que o grupo tocava. Os cantores eram muito bons e a aprensatação que deixava cada banda tocar apenas 1 música durou por mais de 1 hora. Depois das apresentações que eram retribuidas não com palmas, mas sim com uma banho de dinheiro (recolhido durante a performance) sobre os músicos, seguimos para uma sala do local, onde nos serviriam o almoço, que comemos com as mãos.
Após todo o processo, voltamos para a hospedagem, mas no meio do caminho os grupos se separaram e acabaram cada um seguindo um caminho diferente. Quando eu cheguei na hospedagem, fiquei boa parte do tempo conversando com algumas pessoas e buscando organizar algumas atividades que eu tinha que fazer, porém quando eu vi já estava com fome, saindo para comer mais uma vez e depois já me preparando para ir conferir uma outra apresentação de música qawwali, porém desta vez, num estilo mais ritualístico.
Todos nós subimos novamente nos pequenos rickshaws e seguimos até um ponto distante da cidade, numa mesquista diferente que mais parecia uma casa. Porém, mas diferente que a mesquita era o que estava acontecendo dentro dela. Uma multidão se concentrava dentro do local para ver 2 sujeitos tocarem tambores num ritmo frenético, que conduzia as pessoas para um estado de transe. Como se não bastanssem os tambores, todos alí na platéia fumavam hashish quase que sem parar, num ato que faz parte da religião deles.
Mesmo aqueles que não fumavam já estavam entrando em transe também com a repetição da música e a dança de alguns poucos, que me lembrava algo como um terrero de umbanda no Brasil. A atmosfera do local foi apenas quebrada quando um sujeito chegou alí para tocar seu saxofone. Nada contra saxofones, porém naquele momento onde apenas os tambores falavam, algo ao estilo de Kenny G. não parecia se encaixar muito bem no repertório.
O sujeito sofreu com seu saxofone, já que o som de seu instrumento era incompatível com o som dos tambores. Eles foi persistente, mas num determinado momento teve que desistir. A partir daquele instante os tambores passaram a tocar mais alto e os cigarros carregados de hashish voltaram a se tornar apenas fumaça. Entretanto, eu já estava cansado daquilo e resolvi ir embora de volta para a hospedagem e encerrar este dia carregado de misticismo muçulmano.
Sexta-feira (2 de novembro de 2007)
Lahore
Meus planos era de hoje já deixar a cidade, mas no decorrer do dia persebi que isso não seria possível, pelo menos não hoje. Após o café da manhã muita gente foi embora, já que muitos ficam na cidade apenas para conferir as noites de música e rituais antes de seguirem seus rumos. A hospedagem que não tinha mais espaço nos útimos dias e obrigava as pessoas a dormirem no terraço do prédio, agora estava quase vazia.
Despedi-me de todos e voltei para minhas missões de dias atrás. Agora segui para o correio do país e não perdi muito tempo alí. Depois fui até um bicicletaria e alinhei minha roda traseira, que havia se tornado oval após a Índia e, em conseqüencia disso, os raios estavam sempre quebrando. Arrumei a bicicleta também. A única coisa que ainda me faltava, mas que a essa altura eu já havia desistido era um traje paquistanês.
Decidi então almoçar antes de voltar para a hospedagem e durante o meu almoço eu conheci um juíz do tribunal de justiça de Lahore. Fomos conincidentemente colocados na mesma mesa do restaurante e acabamos conversando bastante, antes de encerrarmos nossa refeição e cada um seguir o seu rumo.
Pela tarde na hospedagem, busquei atualizar meus diários e fotos antes de deixar a cidade, o que eu faria amanhã mesmo de qualquer forma. Segui até a noite escrevendo e buscando algumas informações sobre o país e coisas do gênero, até que fui interrompido pela chegada de alguns músicos que iriam tocar (qawwali) no terraço do prédio. Segui então para o terraço e assisti à aprensatação dos músicos, que fizeram tudo de forma gratuita. Ao final do show eu voltei para o computador, mas acabei dormindo na frente da tela, tão cansado que eu estava.
Sábado (3 de novembro de 2007)
Lahore – Islamabad – caminho às montanhas do norte
Eu acordei cedo e logo comecei a separar o que eu levaria em minha curta viagem e o que eu deixaria em Lahore, quase tudo. Sabia que se eu ficasse em Lahore, cercado de tanta gente interessante, eu não conseguiria trabalhar e seria melhor eu sair dalí o quanto antes. E meu destino eu já havia decido, o norte do país.
Eu que me sentia em casa na hospedagem onde eu estava, passei a reparar um ponto interessante: o quanto o Paquistão é diferente da Índia. Mesmo estando tão perto há inúmeras diferenças, inclusive em relação aos seus turístas. Aqui ninguém vem em busca de mestre, atrás de resposta ou como marinheiro de primeira viagem, aqui só vem quem sabe viajar e, especialmente, aqueles que não acreditam em tudo o que a imprensa diz, porque os que acreditam tem medo até mesmo de pensar no nome deste país.
Todos os estrangeiros que eu conheci aqui tinham uma história incrível. Diversos viajando de bicicleta, de moto, de paraglider, ou mesmo vindo de países como Afeganistão e Iraque. Não havia como negar que as histórias que eram contadas nesta hospedagem eram as melhores que eu já havia ouvido. Além disso havia uma grande troca de informações entre os viajantes que quase sempre seguiam em direções opostas.
Mesmo atraído pelo ambiente eu deixei a hospedagem hoje, por volta do meio dia, com apenas uma mochila, uma bolsa e minha câmera. Segui para a periferia da cidade, até um terminal de ônibus, da onde eu tomaria um coletivo para Islamabad, a capital do país. Isso foi fácil, um rickshaw me levou até o terminal onde os ônibus saia para a capital do país a cada 20 minutos. O ônibus era muito melhor do que eu poderia esperar: ar condicionado, assentos espaçosos e tudo muito organizado.
Numa estrada perfeita o veículo percorreu quase 300 quilômetros em apenas 4 horas e meia. Parecia que algo estava errado, tudo estava muito perfeito. Quando eu cheguei em Islamabad, com a ajuda de um senhor que eu conhecera no ônibus eu tomei um táxi para a cidade vizinha, Rawapindi, aonde estava o terminal da NATCO (Northern Areas Transport Company), de onde partiam os ônibus para as regiões nórdicas do país.
Eu estava pensando em dormir uma noite em Islamabad, mas resolvi já reguir de uma vez para o norte do país e assim ganhar um dia de viagem. Ao chegar na estação de ônibus já era noite e eu não tinha almoçado e nem mesmo jantado e pelo visto iria seguir assim mesmo. Comprei então a minha passagem de ônibus, cuja saída estava marcada para as 8 da noite, para uma viagem nada fácil que prometia durar de 15 até 18 horas.
Seriam mais de 24 horas dentro de um ônibus e eu já sabia que não seria fácil, mas eu não tinha escolha caso quisesse mesmo chegar ao norte do país. Comprei um pacote de bolacha, uma garrafa de água e subi no ônibus para a longa jornada. A viagem começou bem, e eu não demorei muito para pegar no sono. O problema era que o meu assento quase não se reclinava, não havia muito espaço para as minhas pernas, espacialmente pelo fato de eu ter que levar minhas malas comigo, além do fato do sujeito de meu lado também gostar que de se esparramar.
No meio da noite eu já não aguentava mais ficar alí e numa das paradas do ônibus eu resolvi procurar algum assento vazio para tentar dormir. Sorte ou não, eu encontrei a última fileira de assentos vazia, o que deixaria eu dormir na horizontal alí. A desvantagem era que justamente no final do ônibus era onde o veículo mais trepidava e oscilava. De qualquer forma deitei nos assentos sujos e até me cobri com meu lençol, para ter mais conforto.
Dormir bem alí era uma missão quase impossível. O ônibus pulava tanto que eu constantemente voava dos assentos e algumas vezes até caia fora dele. Fora isso pela estrada havia uma espécie de controle policial rigoroso que me fazia descer do ônibus a todo o momento com meu passaporte para preencher um livro com minhas informações. Mesmo assim a viagem seguiu.
Domingo (4 de novembro de 2007)
À caminho das montanhas do norte – Gilgit
O dia nasceu e eu sabia que eu ainda tinha muito chão pela frente, pois não haviam se passado nem 12 horas ainda. Bastava paciência. Eu não tinha mais sono, mas me sentia cansado. Eu não queria dormir mais, mas não tinha o que fazer e no final das contas sempre acabava dormindo mais uma vez.
O ônibus parou mais uma vez para o café da manhã e naquele momento eu já sentia um pouco da região, incluindo a paisagem montanhosa e frio que fazia. Comi um ovo frito e um chapati, mais uma xícara de chá com leite e depois o ônibus seguiu em frente. Somente por volta das 13 horas, 17 horas depois da partida eu chegava em Gilgit, a maior cidade da região norte do Paquistão. A maior, mas mesmo assim apenas com cerca de 25 mil habitantes.
No momento que eu pisei na cidade meu pai me telefonou, senti que ele estava aflito, mais que o normal. Descobri então o porque: o Paquistão havia declado estado de emergência. Isso nunca é bom, mas eu ainda não sabia o quanto ruim isso era neste caso. De toda a forma, eu estava numa parte do país onde nada chegava, nem mesmo os conflitos políticos. Sabia que poderia ficar por aqui até a poeira baixar também, isto é, se houvesse mesmo poeira para baixar.
Busquei conversar com algumas pessoas sobre a situação política do país e todas já sabiam, mas não estavam se importando, pois sabiam que era apenas mais um jogo político de Musharraf, que é muito bem aceito pela população em geral, especialmente a população rural. O estado de emergência, apesar de deixar o país virtualmente “sem leis” não afetava o dia-a-dia das pessoas, muito menos dos turistas, que, por um ponto de vista, estariam ainda mais protegidos sob a asa deste Estado militar ainda mais fortalecido.
Alguns turistas, os que nem deveriam estar aqui, já estavam arrumando as malas para sair do país, como se todos fossem morrer. Estavam seguindo para a Índia em busca de segurança. Certo ou errados, na minha visão é mais fácil morrer de diarréia na Índia que por algum conflito aqui no Paquistão. De qualquer forma, eles estavam tomando as decisões deles. (huaauahauhaa)
Caminhei um pouco pela cidade e depois de alguns minutos eu decobri que não havia nada para ser visto na cidade, mas também descobri que as pessoas eram muito simpáticas e hospitaleiras nesta região do país, onde as pessoas tem outra fisionomia, mais parecida com a do centro asiático – Tajiquistão, Kazaquistão e outros “quistãos”. Descobri que na cidade eu poderia fazer uma trilha até perto de uma das mais altas e perigosas montanhas do mundo – Nanga Parbat, com seus 8.125 metros – ou assitir à uma emocionante partida de pólo, jogo comum na região.
A trilha seria interessante, mas iria me tomar muito tempo, assim resolvi amanhã mesmo sair da cidade, seguindo mais ao norte até um famoso vale da região, o Hunza Valley. Mas isso já parte da semana que vem.
Para ver fotos de mais paisagens clique aqui:
http://www.nohorizons.net/Countries/Pakistan/Files/Karimabad%20(2).htm
Primeira Parte
Terça-feira (30 de outubro de 2007)
Amritsar – Lahore (61 km)<>
Já sabia que hoje que o meu último de dia de Índia e eu não tinha como negar a felicidade que isso me trazia. Ao mesmo tempo também não podia esconder a certa apreensão que eu tinha dentro de mim por estar entrando no Paquistão, uma terra que carrega tantas histórias e lendas em seu lado de fora. Se todas elas fossem verdade eu já estaria morto antes mesmo de chegar em minha primeira cidade no país, mas precisava saber o que era verdade neste mundo feito de mentiras.
E estava disposto a pagar caro por isso. Pedalei então em direção à fronteira Índia/ Paquistão.
Despedi-me do Templo Dourado e do povo sikh. Depedi-me das hordas de turístas. Despedi-me dos hippies buscadores da felicidade. E finalmente subi na bicicleta. Antes de deixar a cidade, no entanto, eu me perdi pela última vez na Índia e então encontrei o caminho. Pouco mais de uma hora depois eu já estava na fronteira, pronto para iniciar o processo de carimbos, formulários e horas de espera.
O organização do lado indiano não conseguia ser boa mesmo, assim como a educação dos funcionários. Depois de mais de uma hora de espera, eu consegui ganhar o cartão verde para cruzar a fronteira, mas antes fui trocar minhas rúpias indianas que não valiam nada no lado de lá. Depois da troca, tive ainda que assinar mais alguns papeis e enfim cruzei o portão.
Pensei que o lado paquistanês seria pior. Apenas pensei. Com toda a educação e um ótimo inglês os policiais paquistaneses me indiacaram aonde ir. Alí um sujeito me indicou o que fazer e onde deixar a bicicleta. Preenchi o formulário e depois de ter meu passaporte carimbado dentro do centro de imigração que poderia ser de qualquer país desenvolvido, tamanha organização e limpeza, fui passar pela revista de bagagem, mas os simpáticos policiais apenas perguntaram o que eu tinha e me deixaram passar sem abrir nenhuma de minhas malas.
Pronto, estava oficialmente no Paquistão e havia sido mais fácil do que eu imaginava. Pedalei poucos metros para dentro do país e já via uma cultura diferente, um idioma diferente, trajes diferentes e rostos diferentes. Era uma diferença enorme, que não chegavam ao outro lado devido à pesada fronteira que não deixa o caminho livre entre os 2 países.
A estrada continuava boa, assim como era na Índia, masuase não havia carros na pista e os poucos que haviam quase não buzinavam. Não eram excelentes motoristas, mas pelo menos não faziam questão de mostrar suas buzinas. Isso foi um alívio para mim. A poluição continuava pesada e fiz uma breve parada perto de um posto de gasolina ao lado da pista e percebi que diversas pessoas tinham armas, que não eram, mas sim metraladoras e escopetas.
Essa imagem, numa foto tendenciosa – como as que são colocadas nas revistas –, poderia indicar o início de uma guerra, mas a realidade é que até mesmo aquelas pessoas que levavam armas eram simpáticas e educadas. Era uma cena peculiar e, de certa forma, estranha também. De toda forma, não fiquei aí para ver como eles usavam suas armas e segui em frente, na direção de Lahore, a 2ª maior cidade do país.
Na medida em que eu me aproximava de Lahore o trânsito ficava cada vez mais caótico, mas mesmo assim, sem buzinas. Ao entrar na cidade, eu sabia que seria bom ligar para o número de telefone que haviam me dado, mas para isso seria bom conseguir um telefone. Como eu já previa aqui não há telefones públicos e a melhor saída seria comprar um novo chip telefônico para mim e já ter um número paquistanês também.
Estava perdido na cidade e não tinha a menor idéia de que direção eu tinha que tomar, assim resolvi apenas procurar uma loja de celular. Em meio à confusão das ruas foi um pouco difícil me deslocar de um lugar para o outro, mas num tempo menor do que eu previa eu já tinha meu número de celular do Paquistão, por uma quantia equivalente a 6 Reais. Com o telefone funcionando eu resolvi ligar para o número que eu tinha e – sem me surpreender – descobri que o número estava desligado.
Era hora de mudar os planos. Seria bom eu ir para algum hotel da cidade. Segui então para um hotel que é uma instituição na cidade e creio que mais de 90% dos turistas estrangeiros ficam nele quando em Lahore. Vi o nome da rua e fui perguntando pelo caminho. Ao contrário da Índia, as pessoas aqui me informavam com todo o carinho e pareciam realmente preocupadas comigo. Fiquei feliz com isso, mesmo quando eu não entendi nada da informação que eles estavam me dando em urdu (idioma local).
Em pouco tempo e depois de poucas ruas eu cheguei ao local, que à primeira vista, não parecia nada agradável. Localizado numa rua pequena e suja, com apenas uma pequena porta que dizia o nome do hotel: Regale Internet Inn. Depois da porta havia um jogo de escadas que já levava para o 2º andar do prédio. Assim deixei a bicicleta no lado de fora e subi para conferir o lugar.
Os quartos estavam cheios e só havia algumas camas no dormitório. Isso não era um probelma para mim, o mais difícil mesmo foi levar a bicicleta e os alforjes para cima. Depois foi tudo tranqüilo. Conheci o dono do local, Malik, e fui aos poucos conhecendo todos os hóspedes e até mesmo os moradores do local, gente que parece que chegou para ficar. Quando arrumava minhas coisas no quarto para 6 pessoas conheci um casal canadense que estava por alí e depois 3 viajantes da Islândia, o que é realmente difícil de ver, já que este país tem apenas 300.000 habitantes.
Com os islandeses eu saí para comer. Eles eram muito simpáticos e naquele momento já estavam há mais de uma mês no Paquistão, onde ficaram em Karachi, inclusive durante o incidente da bomba. Eles não estavam apenas viajando, mas sim a procura de um outro lugar para viver, já que a Islândia parecia não agradá-los. Tudo indicava que eles não sairiam mais do Paquistão e agora eles estavam apenas escolhendo um lugar para montar uma casa.
Depois de tanto tempo de Índia, o Paqusitão parecia um milagre em meu caminho. Limpo (comparando com a Índia), sem buzinas, com pessoas educadas e até mesmo carne de vaca, era tudo o que eu queria. Podia até mesmo comer sem me preocupar tanto como na Índia, onde não me lembro de ter comido algum prato sem uma cabelo, mosquito ou algo que eu não consegui identificar. Parecia que meu caminho estava mudando e para melhor.
Quarta-feira (31 de outubro de 2007)
Lahore
Lahore pedia alguns dias para ser conhecida. Aparentemente não havia muita coisa para ser vista nesta cidade de 12 milhões de habitantes, mas fazia tempo que eu não me sentia tão bem como na hospedagem onde eu estava. No pequeno hotel onde eu estava já conhecia quase todos e me sentia em casa, o que eu poderia fazer era aproveitar um pouco dessa boa sensação que eu não conseguia sentir na Índia.
Hoje eu tirei o dia para ver alguns locais da cidade, o que eu queria fazer logo pela manhã, mas no começo do dia de hoje eu descobri que o comércio aqui abre apenas por volta das 10 horas da noite, o que fez que eu demorasse para encontrar um mercado aberto para comprar meu café da manhã. Somente depois disso é que eu saí, com rumo à cidade velha, aonde está localizado o Forte de Lahore.
Ao chegar no local tive uma surpresa, ele estava fechado. Não fazia sentido, ele não fechava para almoço, tampouco para siesta, mas os policiais não estavam deixando ninguém entrar. Perguntei o que estava acontecendo e eles disseram que algum político americano estava alí dentro e enquanto ele estivesse alí, ninguém poderia entrar. Como não tinha escolha, fui para o parque da cidade, logo à frente do forte, para esperar o tempo passar.
Alí vi muita gente e muitas dessas pessoas vinha conversar comigo. Nessas conversas eu fui descobrindo que o paquistanês, ao contrário do que a mídia diz, é um sujieto muito bom. Eles acreditam que a Índia é uma país bom e não tem nada contra os Estados Unidos, o que me chamou muito a atenção. Já os indianos nunca falam nada de bom do Paquistão e os americanos vêem o país como o novo celeiro de terroristas do mundo. Era interessante descobrir um pouco mais do Paquistão.
As conversas foram interessantes e me senti bem com os paqusitaneses, com quem fiquei conversando até os portões do Forte se abrirem somente após as 3 da tarde, quando os americanos resolveram deixar o local. O forte é um resquício da dinastia Mughal, a mesma que dominou a Índia durante séculos e levantou as construções mais famosas do país, entre elas o Taj Mahal. A idade precisa do forte não é sabida, mas o que se sabe é que sua forma atual foi dada pelo imperador Akbar, o qual transformou Lahore em sua capital em 1566.
Seguindo as mesmas linhas das construções muçulmanas encontradas no norte indiano, o Forte de Lahore, conta com diversas divisões, palácios e templos, incluindo até mesmo uma caminho para elefantes, o que era comum naquela época. Igualmente grandioso e mais elaborado que o forte está a Mesquita Badshasi (Badshasi Mosque), que foi finalizada em 1647 por Aurangzeb (filho de Shah Jahan), tornando-se uma das maiores mesquitas do mundo.
Estar alí durante o pôr-do-sol apenas deixou o lugar ainda mais especial. Vi o dia acabar diante daquela imponente mesquista e somente então voltei para a minha hospedagem, encontrando ainda mais gente que havia chegado hoje, especialmente para aproveitar a quinta-feira de Lahore, que trás uma agenda recheada de eventos Sufi – o misticismo muçulmano.
Depois de conversar com tanta gente comecei a perceber que eu não poderia simplesmente deixar o país sem conhecer a região norte do Paquistão, uma região conhecida pelas suas montanhas (as mais altas do mundo), pela hospitalidade das pessoas e por ter o maior números de geleiras (glaciares) do mundo, depois da Antártida. Pedalar seria praticamente impossível, levando em consideração o meu tempo no país, mas um ônibus poderia resolver isso. De qualquer forma, ainda tinha a quinta-feira em Lahore para decidir.
Quinta-feira (1º de novembro de 2007)
Lahore
Pela manhã eu saí com algumas missões a cumprir, entre elas encontrar o correio, uma bicicletaria, comprar uma roupa tradicional, chamada shalwar-kamiz (algo como “calça e camisa”), a qual todos os homens usam e assim eu poderia passar despercebido em algumas regiões do país, com os trajes tradicionais e minha barba de alguns meses.
Encontrar o correio foi fácil, as bicicletarias também, até mesmo as lojas de roupas não foi assim tão difícil, porém não consegui fazer nada. Algumas das coisas que eu queria enviar para o Brasil era proibido aqui no Paquistão, como um simples DVD, eu precisava pegar minha bicicleta e levá-la para a bicicletaria e as roupas que eu encontrei não eram bem aquelas que iriam me fazer passar despercebido, pois tinham tantos detalhes, que eu chamaria mais a atenção usando elas que não usando nada.
Quando eu voltei para a hospedagem já era depois do meio-dia e as pessoas já se preparavam para ir até uma mesquita da cidade para conferir uma série de apresentações de música devocional muçulmana, chamada de qawwali (desse gênero musical o maior expoente é, sem dúvida, Nusrat Fateh Ali Khan, que morreu há uma década mas deixou uma grande obra que ainda pode ser apreciada).
Depois de rodar pela cidade, com mais de 20 turistas, cheguei à mesquita da cidade, onde via de regra havia apenas homens, todos sentados, olhando apenas e, algumas vezes, 1 ou 2 dançado ao som da música que o grupo tocava. Os cantores eram muito bons e a aprensatação que deixava cada banda tocar apenas 1 música durou por mais de 1 hora. Depois das apresentações que eram retribuidas não com palmas, mas sim com uma banho de dinheiro (recolhido durante a performance) sobre os músicos, seguimos para uma sala do local, onde nos serviriam o almoço, que comemos com as mãos.
Após todo o processo, voltamos para a hospedagem, mas no meio do caminho os grupos se separaram e acabaram cada um seguindo um caminho diferente. Quando eu cheguei na hospedagem, fiquei boa parte do tempo conversando com algumas pessoas e buscando organizar algumas atividades que eu tinha que fazer, porém quando eu vi já estava com fome, saindo para comer mais uma vez e depois já me preparando para ir conferir uma outra apresentação de música qawwali, porém desta vez, num estilo mais ritualístico.
Todos nós subimos novamente nos pequenos rickshaws e seguimos até um ponto distante da cidade, numa mesquista diferente que mais parecia uma casa. Porém, mas diferente que a mesquita era o que estava acontecendo dentro dela. Uma multidão se concentrava dentro do local para ver 2 sujeitos tocarem tambores num ritmo frenético, que conduzia as pessoas para um estado de transe. Como se não bastanssem os tambores, todos alí na platéia fumavam hashish quase que sem parar, num ato que faz parte da religião deles.
Mesmo aqueles que não fumavam já estavam entrando em transe também com a repetição da música e a dança de alguns poucos, que me lembrava algo como um terrero de umbanda no Brasil. A atmosfera do local foi apenas quebrada quando um sujeito chegou alí para tocar seu saxofone. Nada contra saxofones, porém naquele momento onde apenas os tambores falavam, algo ao estilo de Kenny G. não parecia se encaixar muito bem no repertório.
O sujeito sofreu com seu saxofone, já que o som de seu instrumento era incompatível com o som dos tambores. Eles foi persistente, mas num determinado momento teve que desistir. A partir daquele instante os tambores passaram a tocar mais alto e os cigarros carregados de hashish voltaram a se tornar apenas fumaça. Entretanto, eu já estava cansado daquilo e resolvi ir embora de volta para a hospedagem e encerrar este dia carregado de misticismo muçulmano.
Sexta-feira (2 de novembro de 2007)
Lahore
Meus planos era de hoje já deixar a cidade, mas no decorrer do dia persebi que isso não seria possível, pelo menos não hoje. Após o café da manhã muita gente foi embora, já que muitos ficam na cidade apenas para conferir as noites de música e rituais antes de seguirem seus rumos. A hospedagem que não tinha mais espaço nos útimos dias e obrigava as pessoas a dormirem no terraço do prédio, agora estava quase vazia.
Despedi-me de todos e voltei para minhas missões de dias atrás. Agora segui para o correio do país e não perdi muito tempo alí. Depois fui até um bicicletaria e alinhei minha roda traseira, que havia se tornado oval após a Índia e, em conseqüencia disso, os raios estavam sempre quebrando. Arrumei a bicicleta também. A única coisa que ainda me faltava, mas que a essa altura eu já havia desistido era um traje paquistanês.
Decidi então almoçar antes de voltar para a hospedagem e durante o meu almoço eu conheci um juíz do tribunal de justiça de Lahore. Fomos conincidentemente colocados na mesma mesa do restaurante e acabamos conversando bastante, antes de encerrarmos nossa refeição e cada um seguir o seu rumo.
Pela tarde na hospedagem, busquei atualizar meus diários e fotos antes de deixar a cidade, o que eu faria amanhã mesmo de qualquer forma. Segui até a noite escrevendo e buscando algumas informações sobre o país e coisas do gênero, até que fui interrompido pela chegada de alguns músicos que iriam tocar (qawwali) no terraço do prédio. Segui então para o terraço e assisti à aprensatação dos músicos, que fizeram tudo de forma gratuita. Ao final do show eu voltei para o computador, mas acabei dormindo na frente da tela, tão cansado que eu estava.
Sábado (3 de novembro de 2007)
Lahore – Islamabad – caminho às montanhas do norte
Eu acordei cedo e logo comecei a separar o que eu levaria em minha curta viagem e o que eu deixaria em Lahore, quase tudo. Sabia que se eu ficasse em Lahore, cercado de tanta gente interessante, eu não conseguiria trabalhar e seria melhor eu sair dalí o quanto antes. E meu destino eu já havia decido, o norte do país.
Eu que me sentia em casa na hospedagem onde eu estava, passei a reparar um ponto interessante: o quanto o Paquistão é diferente da Índia. Mesmo estando tão perto há inúmeras diferenças, inclusive em relação aos seus turístas. Aqui ninguém vem em busca de mestre, atrás de resposta ou como marinheiro de primeira viagem, aqui só vem quem sabe viajar e, especialmente, aqueles que não acreditam em tudo o que a imprensa diz, porque os que acreditam tem medo até mesmo de pensar no nome deste país.
Todos os estrangeiros que eu conheci aqui tinham uma história incrível. Diversos viajando de bicicleta, de moto, de paraglider, ou mesmo vindo de países como Afeganistão e Iraque. Não havia como negar que as histórias que eram contadas nesta hospedagem eram as melhores que eu já havia ouvido. Além disso havia uma grande troca de informações entre os viajantes que quase sempre seguiam em direções opostas.
Mesmo atraído pelo ambiente eu deixei a hospedagem hoje, por volta do meio dia, com apenas uma mochila, uma bolsa e minha câmera. Segui para a periferia da cidade, até um terminal de ônibus, da onde eu tomaria um coletivo para Islamabad, a capital do país. Isso foi fácil, um rickshaw me levou até o terminal onde os ônibus saia para a capital do país a cada 20 minutos. O ônibus era muito melhor do que eu poderia esperar: ar condicionado, assentos espaçosos e tudo muito organizado.
Numa estrada perfeita o veículo percorreu quase 300 quilômetros em apenas 4 horas e meia. Parecia que algo estava errado, tudo estava muito perfeito. Quando eu cheguei em Islamabad, com a ajuda de um senhor que eu conhecera no ônibus eu tomei um táxi para a cidade vizinha, Rawapindi, aonde estava o terminal da NATCO (Northern Areas Transport Company), de onde partiam os ônibus para as regiões nórdicas do país.
Eu estava pensando em dormir uma noite em Islamabad, mas resolvi já reguir de uma vez para o norte do país e assim ganhar um dia de viagem. Ao chegar na estação de ônibus já era noite e eu não tinha almoçado e nem mesmo jantado e pelo visto iria seguir assim mesmo. Comprei então a minha passagem de ônibus, cuja saída estava marcada para as 8 da noite, para uma viagem nada fácil que prometia durar de 15 até 18 horas.
Seriam mais de 24 horas dentro de um ônibus e eu já sabia que não seria fácil, mas eu não tinha escolha caso quisesse mesmo chegar ao norte do país. Comprei um pacote de bolacha, uma garrafa de água e subi no ônibus para a longa jornada. A viagem começou bem, e eu não demorei muito para pegar no sono. O problema era que o meu assento quase não se reclinava, não havia muito espaço para as minhas pernas, espacialmente pelo fato de eu ter que levar minhas malas comigo, além do fato do sujeito de meu lado também gostar que de se esparramar.
No meio da noite eu já não aguentava mais ficar alí e numa das paradas do ônibus eu resolvi procurar algum assento vazio para tentar dormir. Sorte ou não, eu encontrei a última fileira de assentos vazia, o que deixaria eu dormir na horizontal alí. A desvantagem era que justamente no final do ônibus era onde o veículo mais trepidava e oscilava. De qualquer forma deitei nos assentos sujos e até me cobri com meu lençol, para ter mais conforto.
Dormir bem alí era uma missão quase impossível. O ônibus pulava tanto que eu constantemente voava dos assentos e algumas vezes até caia fora dele. Fora isso pela estrada havia uma espécie de controle policial rigoroso que me fazia descer do ônibus a todo o momento com meu passaporte para preencher um livro com minhas informações. Mesmo assim a viagem seguiu.
Domingo (4 de novembro de 2007)
À caminho das montanhas do norte – Gilgit
O dia nasceu e eu sabia que eu ainda tinha muito chão pela frente, pois não haviam se passado nem 12 horas ainda. Bastava paciência. Eu não tinha mais sono, mas me sentia cansado. Eu não queria dormir mais, mas não tinha o que fazer e no final das contas sempre acabava dormindo mais uma vez.
O ônibus parou mais uma vez para o café da manhã e naquele momento eu já sentia um pouco da região, incluindo a paisagem montanhosa e frio que fazia. Comi um ovo frito e um chapati, mais uma xícara de chá com leite e depois o ônibus seguiu em frente. Somente por volta das 13 horas, 17 horas depois da partida eu chegava em Gilgit, a maior cidade da região norte do Paquistão. A maior, mas mesmo assim apenas com cerca de 25 mil habitantes.
No momento que eu pisei na cidade meu pai me telefonou, senti que ele estava aflito, mais que o normal. Descobri então o porque: o Paquistão havia declado estado de emergência. Isso nunca é bom, mas eu ainda não sabia o quanto ruim isso era neste caso. De toda a forma, eu estava numa parte do país onde nada chegava, nem mesmo os conflitos políticos. Sabia que poderia ficar por aqui até a poeira baixar também, isto é, se houvesse mesmo poeira para baixar.
Busquei conversar com algumas pessoas sobre a situação política do país e todas já sabiam, mas não estavam se importando, pois sabiam que era apenas mais um jogo político de Musharraf, que é muito bem aceito pela população em geral, especialmente a população rural. O estado de emergência, apesar de deixar o país virtualmente “sem leis” não afetava o dia-a-dia das pessoas, muito menos dos turistas, que, por um ponto de vista, estariam ainda mais protegidos sob a asa deste Estado militar ainda mais fortalecido.
Alguns turistas, os que nem deveriam estar aqui, já estavam arrumando as malas para sair do país, como se todos fossem morrer. Estavam seguindo para a Índia em busca de segurança. Certo ou errados, na minha visão é mais fácil morrer de diarréia na Índia que por algum conflito aqui no Paquistão. De qualquer forma, eles estavam tomando as decisões deles. (huaauahauhaa)
Caminhei um pouco pela cidade e depois de alguns minutos eu decobri que não havia nada para ser visto na cidade, mas também descobri que as pessoas eram muito simpáticas e hospitaleiras nesta região do país, onde as pessoas tem outra fisionomia, mais parecida com a do centro asiático – Tajiquistão, Kazaquistão e outros “quistãos”. Descobri que na cidade eu poderia fazer uma trilha até perto de uma das mais altas e perigosas montanhas do mundo – Nanga Parbat, com seus 8.125 metros – ou assitir à uma emocionante partida de pólo, jogo comum na região.
A trilha seria interessante, mas iria me tomar muito tempo, assim resolvi amanhã mesmo sair da cidade, seguindo mais ao norte até um famoso vale da região, o Hunza Valley. Mas isso já parte da semana que vem.
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Monday, 17 August 2009
Por que os indianos gostam tanto de usar bigode?

Achei ótima essa reportagem do site da Globo.com
Realmente os indianos usam bastante bigodes, principalmente os hindus. Os mulçumanos usam mais a barba em homenagem a Maomé. Dizem que os hindus usam o bigode em homenagem a Arjuna, o companheiro de Krishna no Mahabharata, um dos cinco irmãos Pandavas. Mas se for feita uma uma pesquisa, a maioria dos indianos não vai saber o porquê do uso do bigode, provavelmente vão dizer que usam porque são homens. O hábito vai passando de um para o outro, assim como já foi costume há algum tempo atrás no Brasil quase todos os homens usarem bigodes ou cavanhaques. Depois esse hábito acabou como acabou o hábito do uso do chapéu. Na Índia, a origem do uso do bigode foi para homenagear Arjuna. Os Rajputs (uma linhagem de tribos do Rajastão) usavam e continuam usando bigodes diferentes, que fazem curvas como espiral, misturados com as barbas, e até bigodes gigantescos, e eles ostentam estes bigodes com o maior orgulho de um Rajput. Confira o vídeo em que Gopal conversa com Wal sobre os bigodes dos indianos!
Monday, 3 August 2009
Lugares para lembrar do seu Amor
Are! Alguns lugares de aqui de sampa que eu recomendo pra você pensar mais um pouquinho no seu amor, aprender sobre outras culturas e se divertir um pouco:
Khan El Khalili
site ->http://www.blogger.com/www.khanelkhalili.com.br
É um tradicional ponto turístico de cultura árabe, pioneiro na Cidade de São Paulo (desde 1982), visitado por pessoas do mundo inteiro. É uma casa típica que agrada a público de todas as idades e nacionalidades. São 15 ambientes com capacidade total para 400 pessoas.
Aproveite no site tem dicas de turismo, sobre história do Egito, tradições, fotos,etc.
Eu fui com algumas amigas lá e gostei bastante, porém fomos de sábado e aguardamos bastamente, chegamos por volta das 7 e só entramos as 9 e pouco..
Eis um videozinho que eu fiz na época:
Alibabar
Site-> http://www.alibabar.com.br/
Sou suspeita pra falar do ALibabar, gosto bastante de lá, principalmente de domingo porque tem música árabe ao vivo e depois dança do ventre.
Tem um na vila Olimpia e um em Santana.
Delhi Palace Culinária Indiana
Site-> www.delhipalace.com.br
fica na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1132. fui algumas vezes lá e gostei bastante da comida, o preço é médio, a comida é muito parecida com a do pak, vale a pena dar uma paçadinha.
Todas as quartas-feiras, jantar com música ao vivo.
Mande dica de lugares das Arábiasssss
Khan El Khalili
site ->http://www.blogger.com/www.khanelkhalili.com.br
É um tradicional ponto turístico de cultura árabe, pioneiro na Cidade de São Paulo (desde 1982), visitado por pessoas do mundo inteiro. É uma casa típica que agrada a público de todas as idades e nacionalidades. São 15 ambientes com capacidade total para 400 pessoas.
Aproveite no site tem dicas de turismo, sobre história do Egito, tradições, fotos,etc.
Eu fui com algumas amigas lá e gostei bastante, porém fomos de sábado e aguardamos bastamente, chegamos por volta das 7 e só entramos as 9 e pouco..
Eis um videozinho que eu fiz na época:
Alibabar
Site-> http://www.alibabar.com.br/
Sou suspeita pra falar do ALibabar, gosto bastante de lá, principalmente de domingo porque tem música árabe ao vivo e depois dança do ventre.
Tem um na vila Olimpia e um em Santana.
Delhi Palace Culinária Indiana
Site-> www.delhipalace.com.br
fica na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1132. fui algumas vezes lá e gostei bastante da comida, o preço é médio, a comida é muito parecida com a do pak, vale a pena dar uma paçadinha.
Todas as quartas-feiras, jantar com música ao vivo.
Mande dica de lugares das Arábiasssss
Tuesday, 21 July 2009
Paquistanês confessa participação em atentados de Mumbai
O paquistanês Mohammed Ajmal Amir, conhecido como "Kasab", capturado durante o ataque terrorista à cidade indiana de Mumbai em novembro de 2008, confessou hoje ao juiz sua participação nos fatos, revelou o promotor do caso.
Kasab, que desde o começo do julgamento, em março, alegava inocência, mudou hoje o testemunho e contou ao tribunal como o comando terrorista que cometeu o atentado em Mumbai chegou à cidade de barco a partir de Karachi, no Paquistão.
O suposto terrorista fez a confissão perante o juiz especial encarregado do caso, M.L. Tahiliyani, a quem deu os nomes de quatro organizadores do atentado, entre eles o de Zakiur Rehman Lakhvi, comandante do grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), segundo a imprensa indiana.
A Polícia indiana acusou do atentado o LeT, grupo com base no Paquistão, e identificou Lakhvi como o "cérebro" da operação, algo que Kasab também fez hoje em sua confissão.
Lakhvi foi detido no Paquistão, dentro de uma investigação paralela do atentado aberta por esse país perante as pressões indianas para que atuasse contra o LeT.
No total, 47 pessoas estão na folha de acusações indiana, o que inclui os 10 membros do comando terrorista -nove dos quais foram mortos por agentes indianos- e membros do LeT que supostamente estão no Paquistão.
Kasab admitiu hoje também a participação no ataque à estação de trens Chhatrapati Shivaji Terminus (CST) de Mumbai, onde as câmeras de segurança o filmaram armado e com uma mochila nas costas, e após o qual foi detido pelas forças de segurança indianas.
O promotor do caso, Ujwal Nikam, disse à imprensa ao sair do tribunal -segundo retransmitiu o canal "NDTV"- que a confissão do acusado surpreendeu tanto a Promotoria quanto a Polícia, já que Kasab tinha recorrido a "diferentes táticas" para dilatar o processo contra ele.
O paquistanês e os indianos Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, que supostamente deram apoio logístico ao comando que atacou a cidade portuária, são os únicos três detidos na Índia pelo atentado de 2008, que matou 166 pessoas em três dias. Fonte: Terra.com.br
Kasab, que desde o começo do julgamento, em março, alegava inocência, mudou hoje o testemunho e contou ao tribunal como o comando terrorista que cometeu o atentado em Mumbai chegou à cidade de barco a partir de Karachi, no Paquistão.
O suposto terrorista fez a confissão perante o juiz especial encarregado do caso, M.L. Tahiliyani, a quem deu os nomes de quatro organizadores do atentado, entre eles o de Zakiur Rehman Lakhvi, comandante do grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), segundo a imprensa indiana.
A Polícia indiana acusou do atentado o LeT, grupo com base no Paquistão, e identificou Lakhvi como o "cérebro" da operação, algo que Kasab também fez hoje em sua confissão.
Lakhvi foi detido no Paquistão, dentro de uma investigação paralela do atentado aberta por esse país perante as pressões indianas para que atuasse contra o LeT.
No total, 47 pessoas estão na folha de acusações indiana, o que inclui os 10 membros do comando terrorista -nove dos quais foram mortos por agentes indianos- e membros do LeT que supostamente estão no Paquistão.
Kasab admitiu hoje também a participação no ataque à estação de trens Chhatrapati Shivaji Terminus (CST) de Mumbai, onde as câmeras de segurança o filmaram armado e com uma mochila nas costas, e após o qual foi detido pelas forças de segurança indianas.
O promotor do caso, Ujwal Nikam, disse à imprensa ao sair do tribunal -segundo retransmitiu o canal "NDTV"- que a confissão do acusado surpreendeu tanto a Promotoria quanto a Polícia, já que Kasab tinha recorrido a "diferentes táticas" para dilatar o processo contra ele.
O paquistanês e os indianos Fahim Ansari e Sabahuddin Ahmed, que supostamente deram apoio logístico ao comando que atacou a cidade portuária, são os únicos três detidos na Índia pelo atentado de 2008, que matou 166 pessoas em três dias. Fonte: Terra.com.br
Sunday, 21 June 2009
Paquistao campeao Mundial de Cricket 2009
Paquistao acaba de ganhar mais um titulo mundial de Cricket contra o Srilanka...
Parabenssssssssssssssssssssssssssssssss, Congratulations to all Pakistanis
Parabenssssssssssssssssssssssssssssssss, Congratulations to all Pakistanis Nunca vi um povo tao patriota e louco por cricret, quando derretou a India entao.. aff pareciam que tinham ganhado uma guerra ..
Confesso que nao entendo na desse jogo, acho super sem graca.. mas dou maior apoio pra ele, porque isso o faz feliz..

Para assistir alguns canais: http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Dawn-News/, http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Geo-News/, http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Express-News/
ICC World Twenty20 final, Lord's: Pakistan 139-2 (18.4 overs) beat Sri Lanka 138-6 by eight wickets
Pakistan won the ICC World Twenty20 in an exciting finish at a noisy Lord's when Sri Lanka's total of 138-6 was overhauled with 10 balls remaining.
Shahid Afridi, man of the match in the semi-final, was again the hero, hitting 54 not out from 40 balls to steer Pakistan to an eight-wicket win.
Sri Lanka's star batsman Tillakaratne Dilshan fell in the first over and they were soon 2-2 after choosing to bat.
Kumar Sangakkara's 64 gave them hope but Pakistan paced their chase well.
Sri Lanka had progressed through the tournament smoothly, winning all their matches and relying on the brilliant batting of Dilshan and some superb bowling led by Ajantha Mendis.
But on the grand stage, both their leading players fluffed their lines, and Pakistan ruthlessly seized the initiative.
Pakistan had lost two of their first three matches and needed a win against the Netherlands just to make the last eight. But they turned a corner when thrashing New Zealand - from which point they never looked back.
They began the final in ideal fashion, with a wicket-maiden from 17-year-old sensation Mohammad Aamer.
It wasn't just any wicket-maiden - a rare event indeed in this format. The fact that the tournament's leading run-scorer Dilshan had been dismissed made Aamer's over extra special.
Dlishan craves deliveries on a good length so he can sweep and drive, but keeping the ball short and straight, Aamer bowled four dot-balls then enticed a top-edged pull to short fine-leg.
The wicket seemed to scare Sri Lanka's other batsmen, who had not enjoyed particularly good tournaments, and it was the fast-medium bowler Abdul Razzaq who reaped the rewards.
Jehan Mubarak, promoted up the order, skied a catch into the off-side, Sanath Jayasuriya crashed a six and two fours but then dragged one on, before Mahela Jayawardene edged an attempted late-cut to slip.
Sangakkara and Chamara Silva had a major repair operation on their hands, coming together with the score 32-4 in 5.3 overs. They put on 35 from 36 balls which at least stopped the rot, but the arrival of Umar Gul dented Sri Lanka's renaissance.
Silva mistimed a pull to midwicket and Isuru Udana swished and missed the last two balls of a fine over. It got even better for Pakistan when Afridi bowled Udana to leave the score 70-6 from 13 overs.

(dil dil dil dil dil dil)
aisee zameen aur aasmaan
in kay siwaa jaanaa kahaan
parti rahay yeh roshni
chalta rahay yeh karwaan
dil (dil dil dil) dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
dil dil say miltay hain to payaar ka chehrah banta hai
(chehrah banta hai)
pphool ik laree main piroyayn to phir sehrah banta hai
(chehrah banta hai)
dil (dil dil dil) dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
aisee zameen aur aasmaan
in kay siwaa jaanaa kahaan
parti rahay yeh roshni
chalta rahay yeh karwaan
dil (dil dil dil) dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
ghar apna to sab ko jee jaan say payaara lagta hai
(taara lagta hai)
ham ko bhi apnay har armaan say payaara lagta hai
(taara lagta hai)
ho…o…o…o
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil dil dil dil)
Confesso que nao entendo na desse jogo, acho super sem graca.. mas dou maior apoio pra ele, porque isso o faz feliz..

Para assistir alguns canais: http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Dawn-News/, http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Geo-News/, http://www.yaaad.net/tv/channel/pakistan/Express-News/
ICC World Twenty20 final, Lord's: Pakistan 139-2 (18.4 overs) beat Sri Lanka 138-6 by eight wickets
Pakistan won the ICC World Twenty20 in an exciting finish at a noisy Lord's when Sri Lanka's total of 138-6 was overhauled with 10 balls remaining.
Shahid Afridi, man of the match in the semi-final, was again the hero, hitting 54 not out from 40 balls to steer Pakistan to an eight-wicket win.
Sri Lanka's star batsman Tillakaratne Dilshan fell in the first over and they were soon 2-2 after choosing to bat.

Kumar Sangakkara's 64 gave them hope but Pakistan paced their chase well.
Sri Lanka had progressed through the tournament smoothly, winning all their matches and relying on the brilliant batting of Dilshan and some superb bowling led by Ajantha Mendis.
But on the grand stage, both their leading players fluffed their lines, and Pakistan ruthlessly seized the initiative.

Pakistan had lost two of their first three matches and needed a win against the Netherlands just to make the last eight. But they turned a corner when thrashing New Zealand - from which point they never looked back.
They began the final in ideal fashion, with a wicket-maiden from 17-year-old sensation Mohammad Aamer.
It wasn't just any wicket-maiden - a rare event indeed in this format. The fact that the tournament's leading run-scorer Dilshan had been dismissed made Aamer's over extra special.
Dlishan craves deliveries on a good length so he can sweep and drive, but keeping the ball short and straight, Aamer bowled four dot-balls then enticed a top-edged pull to short fine-leg.
The wicket seemed to scare Sri Lanka's other batsmen, who had not enjoyed particularly good tournaments, and it was the fast-medium bowler Abdul Razzaq who reaped the rewards.
Jehan Mubarak, promoted up the order, skied a catch into the off-side, Sanath Jayasuriya crashed a six and two fours but then dragged one on, before Mahela Jayawardene edged an attempted late-cut to slip.
Sangakkara and Chamara Silva had a major repair operation on their hands, coming together with the score 32-4 in 5.3 overs. They put on 35 from 36 balls which at least stopped the rot, but the arrival of Umar Gul dented Sri Lanka's renaissance.
Silva mistimed a pull to midwicket and Isuru Udana swished and missed the last two balls of a fine over. It got even better for Pakistan when Afridi bowled Udana to leave the score 70-6 from 13 overs.

(dil dil dil dil dil dil)
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dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil)
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
dil dil pakistan
jaan jaan pakistan
(dil dil dil dil dil dil)
Dil= Coracao
Jaan= querido
Monday, 15 June 2009
Mitos e Perguntas
Mande tambem suas duvidas e perguntas para mim, com certeza eu me divirto.. hehe
Tem amaciantes de roupas. no Pakistan .. sei lá .... depois do choque que eu tive com os banheiros fiquei meio ... sei lá ... parece que é realmente outro mundo .então quero saber pequeninos detalhes :)
tem simmmmmmm eh bemmmm barato, cheira bom!!! tem ariel! surf, hehehee varias marcas conhecidas.
Existem cremes hidratantes , protetores solar e repelentes para se comprar por lá ?
hidratantes sim, otimos, dove, etc,super barato tb, protetor solar eu num vi, mas deve ter sim,, repelentes tem sim, mas sempre levei daqui.
O sistema hospitalar lá funciona?
funciona sim, tb tinha receio ate precisar, mas procure bons bairros e fique smpre atentar a higiene, hospitais catolicos sao famosos pela excelencia.
Vc viu algum óleo de amendoas ??? ou oleos corporais lá ... Castanhas ou nozes?
tem oleo de corpo para bebe, pelo menos foi so o que euvi, esse tipos de sementes como amendoas, nozes, etc sao mto caras fora so brasill. entao acho dificil vc achar.
O policiamento lá funciona ou são corruptos como no Brasil ?? E os Politicos?
Existem varios tipos de policiais, alguns corruptos, mas os militares e os de trasitos sao muito sempre elogiados. Policia armada por todos os cantos.
Chefe de justica eh o unico em que todos confiam, o resto eh.. blah quse pior que aqui.
Faz um tópico só falando dos doces pakistan... amu doces ... eles tem muito chocolate nos doces deles ??
faco sim, mas vou prcisar de algumas ajudas pq os nomes sao dificeis, mas sao bonsssssssssssssssssssssmto choco! mas o os doces ne padaria num! sao puro acucar, bolachas hummmmmmmmmm que fome.
Vc viu pessego em calda por lá ??
Peach, essas coisas so em frutas, esses tipos de frutas "chiques" eheh como melancia, morango, pera, pessego, sao raras e caras..
e cerejas .. tem por lá ??
iche.. mira arriba, nem vi no bolo...
Gatos .. akeles de 4 patas(ahuahauahuahuaa) vc já viu por lá ??? é um habito do povo lá ter pets assim .. como gatos. (cachorro eu sei que naum é muito)
sim sim gatos e cachorros, mas eles gostam eh de gatos, dizem que aonde ha cachorros nao entra anjos, mas em um site eu vi que na verdade eh que o profeta Maome na verdade fora mordido por um uma vez. tem racao nos mercados, nao ha petshop, nunca vi, animais nao sao bem de estimacao, pouquissimassssss pessoas tem.. mto raroooooooooooo, nada desses frufrus brasileiros. Vi uns macados nos mercados.. aff um nojo! Igual na India, na coleira e tudo..
Tem cabeleireiro por lá ??? dakeles que a gente fica um dia inteiro .. e passa um dia de princesa ???
Tem sim, saloes de beleza aos montes, dias de princesa tb especialmentes antes do casario. saloes de depilex especialmente para homens, la eh tudo separado sempre.
Há crianças correndo nas ruas ?
Sim aos montes, ainda mais nos lugares mais pobres.. descalcos..
Os Pakistanys(em geral) preferem que tipo de mulher?? gorda,magra ,alta ,baixa ,etcc
Ate aonde eu sei gostam de magras, mas tudo o qeh diferente atrai mais, se loira, olhos claros chama mto mais atencao pra eles, pq eh mtoooooo raro la. as pak sao lokas para emagrecer heheh
Islamabad é uma cidade muito bagunçada ou as coisas são "arrumadinhas"?
Perto de rawalpindi eh meio zuado, mas em geral islamabad eh otimo, quase uma replica de brasilia, bem orgaizada e limpa
Exixte algum embargo de coisas "americanizadas" no Paquistão?
Ah mto, tudo que vem de fora eh melhor, amam as coisas dos americanos (mas nao a america) e ingleses... tanto nas comidas como bolachas, produtos e cosmeticos vem de la mtas roupas da china tb.
A família dele é legal com vc ???
Eh sim, me tratam mto bem, bom nao entendo urdu hehehehe espero que nao falaram mal pelas costas..
A sua Sogra ... ela é legal com vc ??? (morro de medo da minha ser uma naja igual na novela
Eh sim, ela eh uma mulher forte e viuva, criou dois filhos, apesar que ja tivemos alguns problemas(como desligar quando eu ligava la, fingir nao me entender mesmo se eu falava em urdu..-tudo isso por tel) tento respeita-la por respeito
a eleaahuahauahuahauhauhaua pois ela é indiana tbm .. xiii sei lá o que eu vou achar por lá
Todos que teem cerca de 60 anos ou mais sao indianos, mesmo que eles num gostem de ser chamados assim e terem o rg pak, mas ate 60 anos atras pak e india era um! Arebaba, esse negocio de chave do armario eu nunca vi no pak ainda bem, existem mtas coisas das quais eh diferente no pak, o que eu acho otimo!
A coisa mais estranha que vc comeu,cheirou e viu no Pakistan....
tinha um negocio que eles colocam no iorgute para se comer com a salada, parece uma sementinha, afff detestei aquilo! eu comi kebbad.. passei mal depois achei gorduroso, mas comivel. Uma coisa que eu comentei que nao gostei do cheiro foi o Ka desodorante (azul), parece que todos so usam aquilo, tudo cheiro geral da nacao paquistanesa hehehe.
O que tem na geladeira dos Pakistanys .. tipo .. o que naum pode faltar ?
frango! mto frango!, iorgute, margarina, chai (preto), leite, suco shazan, curry, pimenta, banana, laranja, manga (amam), farinha para fazer naam e rooti, mtoo ovos, oleo (em pasta que develvem a lata apos o uso.. eca isso mesmo)... so o que lembrei que eles amam!
Tem algum link para assim que vc atualizar o blog eu receber notificações no email ??
sei que vc pode se tornar seguidora(fotinhas baixo) do blog ae te aparecera algumas atualizacoes, so conheco dessa forma
Eu estou querendo entrar em contato com a embaixada do paquistão,e com o consulado em são paulo mas gostaria de saber se devo escrever o email, em ingles ou em portugues. Pois não sei se o pessoal da embaixada fala portugues, ou somente ingles.
Pode escrever ambos em ingles, esse vice consul eh brasileiro e esta em islamabad. nao ha consulado em Sao Paulo, somente embaixada em Brasilia, ate onde tenho conhecimento.
boa sorte
Carlos Eduardo de Campos Armando Vice-Cônsul, Chefe do Setor ConsularVice Consul, Head of Consular & Visa Section Embaixada do Brasil - Embassy of Brazil 50 Ataturk Avenue - G-6/3 Islamabad, Pakistan tels: (9251) 227-9690 / 9691 fax:(9251) 282-3034 email: brasemb_pk_cons@yahoo.com Embassy of Pakistan, BrasíliaTel +55 61 3364 1632 / 1634Fax +55 61 3248 0246parepbrasilia@yahoo.com
Embaixada no Brasil: Embaixada da República Islâmica do Paquistão - Brasília - DFSHIS QL 12, conj. 02, casa 19 - Lago SulCEP 71630-225 - Brasília - DF
tel. (0xx61) 3364-1632 e 3364-1761tel. 61-2252 EPAQ BRfax (0xx61) 3248-0246e-mail: parepbra@brnet.com.brExpediente(s): segunda a sexta-feira - 08:30 - 16:00 hs
http://www.pakistan.org.br/ - site para maiores informacoes
Clique em Consular Services- visa form
http://www.pakistan.org.br/services/visaform.pdf
Visto de entrada unica custa 50,00 reais, tem validade por 3 meses
Tem amaciantes de roupas. no Pakistan .. sei lá .... depois do choque que eu tive com os banheiros fiquei meio ... sei lá ... parece que é realmente outro mundo .então quero saber pequeninos detalhes :)
tem simmmmmmm eh bemmmm barato, cheira bom!!! tem ariel! surf, hehehee varias marcas conhecidas.
Existem cremes hidratantes , protetores solar e repelentes para se comprar por lá ?
hidratantes sim, otimos, dove, etc,super barato tb, protetor solar eu num vi, mas deve ter sim,, repelentes tem sim, mas sempre levei daqui.
O sistema hospitalar lá funciona?
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Vc viu algum óleo de amendoas ??? ou oleos corporais lá ... Castanhas ou nozes?
tem oleo de corpo para bebe, pelo menos foi so o que euvi, esse tipos de sementes como amendoas, nozes, etc sao mto caras fora so brasill. entao acho dificil vc achar.
O policiamento lá funciona ou são corruptos como no Brasil ?? E os Politicos?
Existem varios tipos de policiais, alguns corruptos, mas os militares e os de trasitos sao muito sempre elogiados. Policia armada por todos os cantos.
Chefe de justica eh o unico em que todos confiam, o resto eh.. blah quse pior que aqui.
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Gatos .. akeles de 4 patas(ahuahauahuahuaa) vc já viu por lá ??? é um habito do povo lá ter pets assim .. como gatos. (cachorro eu sei que naum é muito)
sim sim gatos e cachorros, mas eles gostam eh de gatos, dizem que aonde ha cachorros nao entra anjos, mas em um site eu vi que na verdade eh que o profeta Maome na verdade fora mordido por um uma vez. tem racao nos mercados, nao ha petshop, nunca vi, animais nao sao bem de estimacao, pouquissimassssss pessoas tem.. mto raroooooooooooo, nada desses frufrus brasileiros. Vi uns macados nos mercados.. aff um nojo! Igual na India, na coleira e tudo..
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Islamabad é uma cidade muito bagunçada ou as coisas são "arrumadinhas"?
Perto de rawalpindi eh meio zuado, mas em geral islamabad eh otimo, quase uma replica de brasilia, bem orgaizada e limpa
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A coisa mais estranha que vc comeu,cheirou e viu no Pakistan....
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O que tem na geladeira dos Pakistanys .. tipo .. o que naum pode faltar ?
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Eu estou querendo entrar em contato com a embaixada do paquistão,e com o consulado em são paulo mas gostaria de saber se devo escrever o email, em ingles ou em portugues. Pois não sei se o pessoal da embaixada fala portugues, ou somente ingles.
Pode escrever ambos em ingles, esse vice consul eh brasileiro e esta em islamabad. nao ha consulado em Sao Paulo, somente embaixada em Brasilia, ate onde tenho conhecimento.
boa sorte
Carlos Eduardo de Campos Armando Vice-Cônsul, Chefe do Setor ConsularVice Consul, Head of Consular & Visa Section Embaixada do Brasil - Embassy of Brazil 50 Ataturk Avenue - G-6/3 Islamabad, Pakistan tels: (9251) 227-9690 / 9691 fax:(9251) 282-3034 email: brasemb_pk_cons@yahoo.com Embassy of Pakistan, BrasíliaTel +55 61 3364 1632 / 1634Fax +55 61 3248 0246parepbrasilia@yahoo.com
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Monday, 8 June 2009
Entendendo os Talebans
Duvidas sobre Taleban? Mr Wiii explica pra nos

Carol.... diz:
ye
мя ш i i i diz:
And report said that material used in that suicide bomb was a thing is used to cut/blast big mountians, that was the reason that many buildings in that area blown down and left with huge damege, blasts were so strong that water from the depth of the earth may be (150 feet) came up on the main road
So uma coisa ainda paira no ar.. por aonde andas o senhor Osama Bin Laden? Provavelmente ele esteja em Copacabana vendendo agua de coco, porque da dinheiro!
Nao acredite somente na midia, veja o verdadeiro lado da historia.

Pakistan's success in cleaning up the Swat valley the Taliban were now leaving Afghanistan to head into Pakistan to help their Brother insurgents
мя ш i i i diz:
Pakistan has almost killed all talibans you know?
Carol.... diz:
is nice to kill them?
Carol.... diz:
Whether it is done in Pakistan or Afghanistan does not matter" - Bloody matters to me. I live here. a stupid guy said it.
мя ш i i i diz:
no he is right carol
Carol.... diz:
no
мя ш i i i diz:
Because fighting against talibans is causing us big big time lost of everything, you know?
мя ш i i i diz:
cricket has been finished from pak. World Cricket Cup were supposed to be held in Pak, but Cause of it, we lost the cup and billions of dollars.
Carol.... diz:
sad
мя ш i i i diz:
no team is allowed to enter here by internatinal cricket organazation
мя ш i i i diz:
everyday now a suicide bomb killling 100 ppl
Carol.... diz: =(
мя ш i i i diz:
thats why he is saying this
Carol.... diz:
humm
мя ш i i i diz:
u know
мя ш i i i diz:
a week ago a suicide bomb blast happend in Lahore
мя ш i i i diz:
killing 300 ppl
мя ш i i i diz:
Pakistan has almost killed all talibans you know?
Carol.... diz:
is nice to kill them?
Carol.... diz:
Whether it is done in Pakistan or Afghanistan does not matter" - Bloody matters to me. I live here. a stupid guy said it.
мя ш i i i diz:
no he is right carol
Carol.... diz:
no
мя ш i i i diz:
Because fighting against talibans is causing us big big time lost of everything, you know?
мя ш i i i diz:
cricket has been finished from pak. World Cricket Cup were supposed to be held in Pak, but Cause of it, we lost the cup and billions of dollars.
Carol.... diz:
sad
мя ш i i i diz:
no team is allowed to enter here by internatinal cricket organazation
мя ш i i i diz:
everyday now a suicide bomb killling 100 ppl
Carol.... diz: =(
мя ш i i i diz:
thats why he is saying this
Carol.... diz:
humm
мя ш i i i diz:
u know
мя ш i i i diz:
a week ago a suicide bomb blast happend in Lahore
мя ш i i i diz:
killing 300 ppl
Carol.... diz:ye
мя ш i i i diz:
And report said that material used in that suicide bomb was a thing is used to cut/blast big mountians, that was the reason that many buildings in that area blown down and left with huge damege, blasts were so strong that water from the depth of the earth may be (150 feet) came up on the main road
Carol.... diz:
sad =(
Carol.... diz:
Was Taleban?
мя ш i i i diz:
no
мя ш i i i diz:
India+Talibans
мя ш i i i diz:
u know India is supporting talibans?
Carol.... diz:
Why?
мя ш i i i diz:
Cuz talibans wanna distroy pak and india wanna the same
мя ш i i i diz:
so helping talibans to do it rather to attack itself
Carol.... diz:
are all Talebans from Afhganistan?
мя ш i i i diz:
cuz if India willl atack ppl will say oh idnia did it blah blah
мя ш i i i diz:
yap
мя ш i i i diz:
talibans in afghanistan are dif but same intentions
Carol.... diz:
hummm
Carol.... diz:
so pakistan are kiiling them with US' help?
мя ш i i i diz:
no alone
мя ш i i i diz:
no one is helping
Carol.... diz:
hummmm
Carol.... diz:
so why US trops said was there?
мя ш i i i diz:
US is giving money thts it
мя ш i i i diz:
its in Afghanistan babe not in pak
Carol.... diz:
hummmmmm
Carol.... diz:
Swat vally isnt in pakistan?
мя ш i i i diz:
it is in pak, it is beautiful place in whole asia
Carol.... diz:
I thought talebans were there
мя ш i i i diz:
in swat?
мя ш i i i diz:
yes they came there too na
мя ш i i i diz:
so thts y we r killing them
Carol.... diz:
hummmmmm
Carol.... diz:
sounds bad but i hope they die. hehe
мя ш i i i diz:
yes
мя ш i i i diz:
they should
мя ш i i i diz:
but today
мя ш i i i diz:
a group of talibans announced to help army to kill other talibans
Carol.... diz:
many kids of talebans?
мя ш i i i diz:
what?
Carol.... diz:
a group of them are helping pak army to kill others?
Carol.... diz:
good talebans n bad talebans?
мя ш i i i diz:
yap exactly
Carol.... diz:
hum
мя ш i i i diz:
talibans fighting in afghnistan are gud cuz they never killed innocent ppl but just us army and they announce if someone kills innocent and say tht i am talibans police should arrest them
Carol.... diz:
so y they are talebans?
мя ш i i i diz:
taliban is a word which means person who learns
мя ш i i i diz:
its not a sin to called a taliban
sad =(
Carol.... diz:
Was Taleban?
мя ш i i i diz:
no
мя ш i i i diz:
India+Talibans
мя ш i i i diz:
u know India is supporting talibans?
Carol.... diz:
Why?
мя ш i i i diz:
Cuz talibans wanna distroy pak and india wanna the same
мя ш i i i diz:
so helping talibans to do it rather to attack itself
Carol.... diz:
are all Talebans from Afhganistan?
мя ш i i i diz:
cuz if India willl atack ppl will say oh idnia did it blah blah
мя ш i i i diz:
yap
мя ш i i i diz:
talibans in afghanistan are dif but same intentions
Carol.... diz:
hummm
Carol.... diz:
so pakistan are kiiling them with US' help?
мя ш i i i diz:
no alone
мя ш i i i diz:
no one is helping
Carol.... diz:
hummmm
Carol.... diz:
so why US trops said was there?
мя ш i i i diz:
US is giving money thts it
мя ш i i i diz:
its in Afghanistan babe not in pak
Carol.... diz:
hummmmmm
Carol.... diz:
Swat vally isnt in pakistan?
мя ш i i i diz:
it is in pak, it is beautiful place in whole asia
Carol.... diz:
I thought talebans were there
мя ш i i i diz:
in swat?
мя ш i i i diz:
yes they came there too na
мя ш i i i diz:
so thts y we r killing them
Carol.... diz:
hummmmmm
Carol.... diz:
sounds bad but i hope they die. hehe
мя ш i i i diz:
yes
мя ш i i i diz:
they should
мя ш i i i diz:
but today
мя ш i i i diz:
a group of talibans announced to help army to kill other talibans
Carol.... diz:
many kids of talebans?
мя ш i i i diz:
what?
Carol.... diz:
a group of them are helping pak army to kill others?
Carol.... diz:
good talebans n bad talebans?
мя ш i i i diz:
yap exactly
Carol.... diz:
hum
мя ш i i i diz:
talibans fighting in afghnistan are gud cuz they never killed innocent ppl but just us army and they announce if someone kills innocent and say tht i am talibans police should arrest them
Carol.... diz:
so y they are talebans?
мя ш i i i diz:
taliban is a word which means person who learns
мя ш i i i diz:
its not a sin to called a taliban
mя ш i i i diz:
babe they r those ppl who were bught from all muslims countries like Saudi Arabia, Bosnia, Uzbikisan, Morroco etc etc no one is pakistani in them, Usa bought them in 80s when Russia attacked Afganistan and wanted to take over all this region, so us played game and used muslims to finish super power of Russia, after muslims won there usa ignored all thse people so they start living in Afghnistan
мя ш i i i diz:
and Pak is near so they come here too
babe they r those ppl who were bught from all muslims countries like Saudi Arabia, Bosnia, Uzbikisan, Morroco etc etc no one is pakistani in them, Usa bought them in 80s when Russia attacked Afganistan and wanted to take over all this region, so us played game and used muslims to finish super power of Russia, after muslims won there usa ignored all thse people so they start living in Afghnistan
мя ш i i i diz:
and Pak is near so they come here too
мя ш i i i diz:
Another proof is that movie Rambo
Another proof is that movie Rambo
мя ш i i i diz:
they showed that Rambo helped taliban in 80s and called them heroes and fight with russia in help of talibans
they showed that Rambo helped taliban in 80s and called them heroes and fight with russia in help of talibans
мя ш i i i diz:
few days back, Hillary Clinton said waht is going on in pak and afghnistan is cuz of USA, we USA created talibans
Carol.... diz:
she said? great!
few days back, Hillary Clinton said waht is going on in pak and afghnistan is cuz of USA, we USA created talibans
Carol.... diz:
she said? great!
мя ш i i i diz:
but all world knowz this
but all world knowz this
Carol.... diz:
yes but none ever said
мя ш i i i diz:
thats true
мя ш i i i diz:
osama was best friend of usa u know?
мя ш i i i diz:
still has business in USA by name of bin laden and corporation
yes but none ever said
мя ш i i i diz:
thats true
мя ш i i i diz:
osama was best friend of usa u know?
мя ш i i i diz:
still has business in USA by name of bin laden and corporation
мя ш i i i diz:
well its not abt islam war
мя ш i i i diz:
its abt money war
well its not abt islam war
мя ш i i i diz:
its abt money war
Estados Unidos esta sofrendo com a suposta "crise" mas continua financiando muitas guerras, inclusive a inutil contra Iraque.
Como dito EUA foi quem criou os talibans para ajudar contra a Russia, lembram das aulas de historia? Pois entaum, agora eles sao "inimigos" por nao fazerem o que eles querem.
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