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Friday, 23 July 2010

Diário de viagem- Lahore- Badshahi Mosque

Badshahi Mosque
Como prometido vou escreve quase tudo que rolou lá em LHE

Fomos ao Badshahi Mosque, que fica no mesmo lugar que o forte de Lahore.
A mesquista é super bonita por fora, mas por dentro é super pequena e não tem nada, nada,... vejam as fotos e me digam, eu entrei, quer dizer ela já é aberta, e disse kd a mesquista? (é isso,.. acabou!)
Segredo: se vc cochicha em um canto da mesquista, qualquer outra pessoa que esteja no outro canto pode ouvir =) tipo tele sem fio hhehehe
Iqbal's mausoleum (na frente da mesquita)
Problemas: eu tive um problema nessa mesquista e sai de lá bufando! Todo mundo estava lá tirando fotos e tals, e eu pedi para que meu amore fosse e rezasse e pedi para ele se eu podia tirar fotos dele enquanto rezasse e do resto da mesquista... eis que ele foi e enquanto eu tirava foto um grupo de 4 homens me abordou e um deles começou a brigar comigo... =(
falando o que eu pensava que estava fazendo, que aquilo era uma MESQUISTA e que eu deveria saber disso não deveria tirar fotos... e eu respondi que sabia o que era uma mesquista e só estava tirando fotos do meu MARIDO qu estava rezando, e que se ele quisesse que esperasse ele terminar e pergutnasse para ele...
aff quase chorei por causa do jeito que ele gritava comigo...
super humilhação..
e se eu fosse muçulmana? como ele saberia?? eu estava la toda cobertinha
e tipo de gente assim que acaba com a fama dos muçulmanos
Quando amore terminou de rezar eu contei para ele, ele ficou mtoooooooooooooooooooooooooooo bravo e saiu me arrastando para achar quem eram aqueles caras pq ele queria acabar com eles (palavras dele), ele então falou com os seguranças, e no final tinha uma galera querendo bater nos caras, ainda bem que eu não fui capaz de achá-los ou reconhecê-los, afinal esse povo tem td a mesma cara...
fiquei mto triste... ( vc tira o seu sapato e anda no chão super quente e sujo até chegar lá)


Badshahi Mosque
Local: Lahore
Preço: na faixa
Nota: 9 pela arquitetura, 5 pelo estado de conservação, já que ninguém cuida do patrinomonio...
Tempo de permanencia: em 10 minutos você consegue ver tudo, afinal não tem nada. hehehehe tire sua fotinha e vá feliz =)


Badshahi Mosque
From Wikipedia, the free encyclopedia


The Badshahi Mosque (Urdu: بادشاھی مسجد) or the 'Emperor's Mosque' in Lahore is the second largest mosque in Pakistan and South Asia and the fifth largest mosque in the world. Epitomising the beauty, passion and grandeur of the Mughal era, it is Lahore's most famous landmark and a major tourist attraction.

Capable of accommodating 10,000 worshippers in its main prayer hall and a further 100,000 in its courtyard and porticoes, it remained the largest mosque in the world from 1673 to 1986 (a period of 313 years), when overtaken in size by the completion of the Faisal Mosque in Islamabad. Today, it remains the second largest mosque in Pakistan and South Asia and the fifth largest mosque in the world after the Masjid al-Haram (Grand Mosque) of Mecca, the Al-Masjid al-Nabawi (Prophet's Mosque) in Medina, the Hassan II Mosque in Casablanca and the Faisal Mosque in Islamabad.

To appreciate its large size, the four minarets of the Badshahi Mosque are 13.9 ft (4.2 m) taller than those of the Taj Mahal and the main platform of the Taj Mahal can fit inside the 278,784 sq ft (25,899.9 m2) courtyard of the Badshahi Mosque, which is the largest mosque courtyard in the world.
Construction of the Badshahi Mosque was ordered in May 1671 by the sixth Mughal Emperor, Aurangzeb, who assumed the title 'Alamgir', meaning 'Conqueror of the World.' Construction took about two years and was completed in April 1673[1]. The construction work was carried out under the supervision of Aurangzeb's foster brother Muzaffar Hussain (also known as Fidaie Khan Koka) who was appointed Governor of Lahore in May 1671 and held this post until 1675. He was also Master of Ordnance to the Emperor. The mosque was built opposite the Lahore Fort, illustrating its stature in the Mughal Empire. In conjunction with the building of the mosque, a new gate was built at the Fort, named Alamgiri Gate after the Emperor

Wednesday, 13 January 2010

Não conta para minha mãe que estou no Paquistão

Seriado parecido com o Não conta lá em casa do Multishow
The Economist called Pakistan "the worlds most dangerous place." And so Diego Buñuel had to head over there to see for himself. In his show "Dont Tell My Mother," Diego travelled for a month across Pakistan. And after some 2000 kilometers, he discovered an incredibly diverse and surprising land, where stereotypes and assumptions about religion and pakistanis came crashing down one after another. Get ready to see Pakistan like youve never imagined it before.

vale a pena ver:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Monday, 11 January 2010

Manoel Morgado no Paquistão- diário de viagem

21/6/2006 - Karakorum Highway - percorrendo a Rota da Seda

Desde que passei dois meses caminhando pelos vales do Paquistão em 2000
que vinha sonhando em voltar para este pais maravilhoso. Duas coisas fazem
deste pais um lugar especial. Em primeiro o seu povo que consegue ser
ainda mais hospitaleiro que os nepaleses. Os paquistaneses realmente
ganham o prêmio do povo que melhor trata os estrangeiros. Me lembro de
estar caminhando ao lado de um vilarejo e ver uma senhora andando em nossa
direção com uma jarra de iogurte para nos oferecer. Não queria nada em
troca, nunca tinha nos visto e queria apenas nos oferecer seu delicioso
iogurte como ato de hospitalidade. Assim como desta vez outras tantas
vezes me senti emocionado com a gentileza dos paquistaneses. Além disso a
paisagem do pais é simplesmente deslumbrante para os amantes de montanhas.
O norte do Paquistão é cruzado por três cordilheiras, o Himalaia, o
Karakorum e o Hindu Kush oferecendo paisagens magníficas, imponentes e
cinco das mais altas montanhas do mundo incluindo o famoso K2, a segunda
mais alta da Terra.

Naquele ano fiz dois fantásticos treks, um até a base do K2 e outro
pela região noroeste, próximo da fronteira com o Afeganistão por alguns
vales perdidos, habitados por alguns poucos nômades, yaks, ibex e nada
mais. Poucas vezes em minha vida me senti tão feliz caminhando, explorando
e interagindo com pessoas como nesses dois deliciosos meses.

Não é surpreendente então que desde então eu venha sonhando em voltar para
lá. A chance aconteceu agora quando ao invés de voar para Bishkek, capital
do Kyrgystão, eu tenha decidido ir por terra cruzando o Paquistão e
noroeste da China. A rota que levaria da Índia ate o Kyrgystão não poderia
ser mais intrigante e desafiadora. Ligando Islamabad, capital do
Paquistão, ate Kashgar na China há pouco mais de 20 anos foi completada a
construção de uma das estradas mais bonitas do planeta, a chamada
Karakorum Highway. Esta Estrada pode ser considerada uma das obras de
engenharia mais fabulosas do século. Por mais de 20 anos foram usados
milhares de trabalhadores para cavar uma estrada por entre vales
estreitos, profundos e íngremes, cruzando um dos mais montanhosos terrenos
do planeta. Conta-se que houve uma morte de um trabalhador para cada
quilômetro de estrada!

Depois de minhas desventuras tentando escalar o Mera Peak no Nepal tomei
um vôo para Delhi onde reencontrei a Andrea, minha companheira guatemalteca
que depois do trek do Everest tinha ido para a Índia enquanto eu tentava o
Mera. Ela já estava viajando por mais de 6 meses pela Índia tendo estado
principalmente pelo sul. Mais um caso de amor pela Índia já que ela saiu
da Itália onde vive para passa um mês na Índia mas acabou ficando e
ficando. Quando a convidei para vir comigo para o Paquistão, China e
Kyrgystão aceitou sem pestanejar. Um convite irrecusável para quem tem
aventura no sangue.

De Delhi seguimos de trem para Amritsar, capital do estado do Punjab e
onde está um dos mais lindos templos da Índia, o chamado Golden Temple, da
religião Sikh. Passamos o dia andando pelas ruelas da cidade antiga e a
noite fomos mais uma vez ao templo apreciá-lo completamente iluminado e
com suas luzes refletidas nas águas do lago que o rodeia já que ele foi
construído como uma ilha no meio deste pequeno lago artificial.

No dia seguinte cruzamos a fronteira com o Paquistão e fomos para Amritsar
e Islamabad. Na fronteira todos os dia acontece uma cerimônia curiosa.
Dos dois lados da fronteira acontece pontualmente as 18 horas a troca de
guarda e isso é feito de forma extremamente elaborada com cada lado
tentando suplantar o outro aos gritos de apoio de indianos e paquistaneses
que viajam das cidades próximas para exaltar o seu pais. Em nenhum outro
lugar nesses anos todos senti a rivalidade Índia/Paquistão de forma tão
aberta e intensa. Sai da cerimônia um pouco assustado e como sempre
abalado com essas manifestações tão intensas de ufanismo. Governos
fomentando uma inimizade que até antes da divisão Índia/ Paquistão em
1947 não existia.

De Islamabad partimos para nossa jornada pela Karakorum Highway. Mas, como
tudo nesta parte do mundo as coisas não são tão fáceis assim. Quando
chegamos na estação rodoviária descobrimos que o único ônibus diário já
estava lotado (e lotado por aqui significa realmente lotado, com todos os
assentos ocupados e mais um monte de pessoas em pé). Não tivemos outra
opção do que tomar uma pequena van que nos levaria a um vilarejo a pouco
mais de 100 quilômetros onde com alguma sorte poderíamos tomar outra van e
assim continuar por todo o dia. Apos 2 ou 3 horas de viagem pelos planos a
paisagem começou a se tornar mais interessante e após o meio dia já
estávamos percorrendo a região montanhosa do pais. A estrada sinuosa e
estreita corria ao lado do lindo Rio Indus e da pequena janela de nossa
van tínhamos que encostar o rosto no vidro para podermos ver o topo das
montanhas que dos dois lados fechavam o pequeno vale.

Ao final do dia chegamos em um pequeno vilarejo chamado Besham onde
passamos a noite. As 4 horas da manha acordamos para tomar o ônibus que
nos levaria a Gilgit, a maior cidade desta parte do pais. Gilgit tinha
sido meu ponto de partida 6 anos antes para o trek a base do K2 e guardava
alegres memórias desta pequeno lugar. Durante todo o dia nos deliciamos
com a linda paisagem que se descortinava ao nosso redor. Infelizmente
quando passamos ao lado do Nanga Parbat, a oitava mais alta montanha da
Terra, estava nublado e até começava a cair uma fina garoa de modo que não
pudemos avistá-la. Uma boa razão para voltar mais uma vez.

Nos hospedamos no agradável pequeno hotel onde tinha ficado na minha
primeira visita e no dia seguinte fizemos uma deliciosa caminhada por um
vale próximo. Descrevo o que aconteceu nesta caminhada pois ela ilustra de
maneira muito clara como os estrangeiros são recebidos aqui. Tomamos um
táxi ate o começo do vale a poucos quilômetros da cidade. Como acontece
com freqüência aqui na Ásia o motorista estava com seu amigo para fazê-lo
companhia e assim fomos eu, a Andrea, o motorista e seu amigo. A estrada
chegar até uma linda estátua de Buda construída a 2 mil anos atrás quando
esta região seguia o Budismo. No caminho o motorista resolveu parar para
subir em uma árvore para colher apricots para nós. Pensei em como isso era
surpreendente. Um motorista perder seu tempo, sujar suas roupas para
colher frutas para nós. Mas dai, eles desceram do carro e resolveram
brincar de guias turísticos e nos levar ate a estátua, mais uma caminhada
de uns 30 minutos cruzando um pequeno riacho. Depois de nos mostrar a
estátua voltaram felizes ao seu trabalho. E tudo isso por uma corrida de
três dólares!! Caminhamos então vale acima até encontramos uma pequena
hidroelétrica onde os trabalhadores nos ofereceram uma carona em seu jeep
até lugar onde iam, isso, claro, depois do habitual chá e muitos
sorrisos e de recitar o time completo da seleção brasileira. Mais uma vez
nos surpreendemos com o calor com que estávamos sendo tratados.

Seguimos então para o Vale de Hunza, um nome quase mítico entre os
aventureiros e turistas que buscam lugares especiais. Hoje a pequena
cidade de Karimabadh tem apenas um lindo forte no alto de uma colina, mas
alguns séculos atrás o governante de Hunza governava uma vasta área e era
temido por todos os povos vizinhos de quem extraia pesados impostos para
passar por seu território. Hunza fazia parte de uma das muitas Rotas da
Seda, esse conjunto de trilhas e pequenas cidades que ligavam a China ao
Mediterrâneo funcionando não só como rota de comércio mas principalmente
como ligação cultural ajudando na divulgação de novas religiões e
filosofias e ajudando na troca de tecnologia entre povos distantes.
Hoje Hunza é um dos lugares mais bonitos de toda a Karakorum Highway, com
sua maravilhosa vista das montanhas, varias rotas de trekking e alguns
deliciosos cafés para passar as tardes lendo sob a sombra de pessegueiros.

Em Hunza fizemos um pequeno trek de dois dias de duração até um passo a
4.000 metros de altitude de onde se vê todo o lindo vale. No primeiro dia
subimos por 5 horas um estreito vale pedregoso que aos poucos foi se
abrindo e revelando lindas montanhas nevadas. Chegamos em uma área mais
plana onde pastavam placidamente ovelhas e yaks e lá decidimos passar a
noite. Não tínhamos trazido barraca então nos instalamos ao lado de uma
grande rocha, colocamos nossos sleeping bags e lá dormimos sob um céu
absolutamente repleto de estrelas e cruzado a cada 5 minutos por
brilhantes estrelas cadentes. Inesquecível! No dia seguinte completamos a
subida até o topo do passo, curtimos a linda vista e descemos de volta a
Hunza com a alma repleta de felicidade.

Mais um dia de ônibus nos levou ao pequeno vilarejo de Sust e no dia
seguinte cruzamos o famoso Kunjurab Pass com 4800 metros de altitude
atravessando assim para a China.

O contraste não podia ser maior. De um lado o povo mais receptivo do
mundo. Do outro a frieza quase rude chinesa. Dormimos em uma cidade com
largas avenidas e sem alma e no dia seguinte partimos para outro lugar que
há muito tempo sonho em visitar, o Lago Karakol. Meu grande amigo Saverio
esteve aqui há alguns anos e me falava maravilhas do lugar. Com certeza
não me decepcionei pois o lago de uns 5 quilômetros de extensão e de cor
azul turquesa e rodeado de grama verde bem viva e a poucos quilômetros se
erguem duas montanhas com mais de 7000 metros. Mágico!

Logo que chegamos fomos abordados por vários homens a cavalo nos oferecendo
para ficarmos em seus yurts, essas casas movies dos nômades Kyrgystanis.
Fomos para uma e nos apaixonamos pelo lugar. O yurts tinha ao redor de 4
metros de diâmetro, feito de lã de camelo, esse de duas corcovas chamado
Bactrian, típico da Ásia Central. Dentro do yurts era todo enfeitado com
tapetes e com o chão também coberto desta forma. Extremamente
aconchegante. O melhor de tudo é que para controlar a temperatura e para
sair a fumaça do pequeno fogão que existe no centro, existe uma abertura
no teto que pode ser aberta ou fechada de acordo com a necessidade. Nos
dormíamos com ela aberta, apesar do frio, para podermos ver as estrelas
durante a noite.

No dia seguinte mais uma caminhada até a base de uma montanha para vermos
a linda paisagem ao redor. Apesar da vontade de ficarmos mais tempo por lá
tínhamos que seguir para a última etapa da Karakorum Highway, Kashgar.
Esta cidade é famosa como centro de comércio da Rota da Seda por mais de 2
milênios e seu bazar de domingo é uma lenda.

Seguimos então os últimos quilômetros desta fascinante estrada e chegamos
em Kashgar com muita expectativa em relação a cidade e seu mercado. Mas,
infelizmente parece que chegamos um pouco atrasados, mais ou menos uns 50
anos... A cidade é super moderna, com largas avenidas e apesar de ter uma
grande e interessante mistura de povos deixou-nos muito frustrados em
relação ao que esperávamos. O tão famoso bazar foi uma decepção ainda
maior. Qualquer mercado indiano é mais agitado, exótico e interessante.

Apesar disso, depois de 20 dias percorrendo a maravilhosa Karakorum
Highway não podíamos reclamar...Foram dias maravilhosos com paisagens
deslumbrantes e experiências com pessoas incrivelmente receptivas.
Próxima etapa: Kyrgystao!

Fonte: http://www.manoelmorgado.com.br/textos_blog.asp?IdTexto=61
Com muito mais textos e fotos! Excelente

Monday, 28 December 2009

Aonde eu viajo no Paquistão

Paquistão é o país que veio uma maneira longa, sobrevivendo aos terramotos devastadores que desintegraram quase suas estruturas econômicas e físicas. Se você viaja a Paquistão, você descobrirá um país amigável e bonito orgulhoso de sua herança. Paquistão é situado na parte ocidental do subcontinente indiano com Afeganistão e Irã no oeste, India no leste, e o Arabian Sea no sul. O Urdu e o ingles são as línguas oficiais em Paquistão e há outras línguas como o Punjabi, o Pushto, o sindhi e o Baluchi. Com muitos lugares e possibilidades ilimitadas para a caminhada, trekking e os esportes, um desengate a Paquistão pode ser seu fabricante final do feriado. Onde pode se visitar uma vez suas terras planas neste lado do globo?

Paquistão tem diversos picos e povos da montanha alta de pelo mundo inteiro vindos escalar o Karakorums, os Himalayas, a montanha em segundo a mais elevada do pico- da reunião de Hindu Kush e da montanha K2 no mundo. Todo o estes são encontrados nas áreas do norte. Taxila é um do local archeological o mais famoso no mundo. Há 18 posições nesta área que são locais do património mundial.

Um outro lugar excitante a viajar é Lahore; ele ’ s uma cidade velha que olhe como um drama medieval, com cavalos, asnos e os carros boi-desenhados. Os edifícios incríveis de Mughal o – um da mesquita do forte e do Badshahi de Lahore dos mundos os maiores, são uma obrigação a ver. Você pode comer o comensal no terraço do antro convertido do ’ s de Haveli Cocco.

A estrada de Karakorum é referida como a estrada a mais elevada no mundo e enrola através da escala de montanha de Karakorum que conecta a China através da passagem de Khunjerab. Tècnica, ele ’ s a única maneira às atracções turísticas das áreas do norte.

Karimabad é ficado situado no vale luxúria de Hunza e é uns oásis do turista. As ruas crammed com as lojas que vendem artesanatos locais tais como xailes e tapetes junto com frutas, antiguidades e pedras de gema secadas locais. Um outro lugar hilariante é o mausoléu do ’ s de Jahangir dos jardins e do imperador de Shalimar. Não visita este lugar é como a visita de Roma sem considerar o Colosseum. O lugar de Mohotta é um museu autêntico que carreg coleções provisórias. A estrutura é construída no estilo Hindu-Britânico e feita da pedra cor-de-rosa que lhe dá um estilo distintivo.

O mausoléu de Jinnah é um marco famoso em Karachi. É um símbolo icónico de Karachi e é situado no coração da cidade. É compo do mármore branco com os arcos de Moorish curvados. O sactum interno fresco reflete o verde de um candelabro de cristal quatro-estratificado dado pelos povos de China. O túmulo de incandescência pode ser visto das milhas na noite. A parada de Jehangir Kothari é um lugar dedicado ao público e é um exemplo bonito da arquitetura colonial.

Moenjodero foi considerado uma das cidades as mais espectaculares dos tempos antigos. É ficado situado 350 quilômetros fora de Karachi. Ande ao longo das sobras desta cidade velha e testemunhe a maneira de vida onde o paquistanês viveu há muito tempo. O lago Ansoo é um lago teardrop-dado forma famoso em Paquistão encontrado em Kaghan Valley na escala Himalayan. Karachi é igualmente uma área urbana ocupada que hospede um número museus, lojas, consoles, clubes, beachfronts, edifícios coloniais, parques de diversões e de mais.

Apesar do estado subdesenvolvido da indústria de turista paquistanesa, o país tem alguns das paisagens e dos lugares impressionantes no mundo. Você soube que os tempos da refeição são uma celebração e um presente em Paquistão? Onde quer que você vai a, de um acampamento da barraca de refugiados do terremoto às multi milhão casas da libra do mercado ascendente Islamabad, você será convidado a um comensal simples mas entusiasta do caril dhal e da galinha ou da cabra com chapattis .
Fonte (tradução muito tosquinha)

Wednesday, 25 November 2009

Brasileiro vivendo no Paquistão

A leitora Neide me enviou o Link do Paulo Siqueira que mora no Paquistão ultimamente e trabalha na Unicef em Islamabad. O blog dele é muito bacana e já adicionei aqui no blog para agente acompanha-lo, porém ainda não tive tempo para lê-lo inteiro.
Para quem tiver curiosidade eis aqui: http://blog.exadigital.com.br/index.php/tag/paquistao/

Professor universitário, com mestrado em Engenharia de Software pelo IPT e mais de 27 anos de experiência profissional. Paulo Siqueira trabalha para a UNICEF no Paquistão. Como Gerente de TI é responsável pelos escritório de Islamabad e cinco escritórios regionais.

No blog há sobre seu dia a dia no pak, sobre a cultura local, religião, sua visão..

Monday, 16 November 2009

Samba em Lahore!

40 horas de viagem - revista do samba do brasil ao paquistao

Grupo leva samba ao Paquistão!

Thursday, 12 November 2009

Diário de Bordo - Paquistao

De acordo com os ensinamentos islâmicos, receber visitas é considerado uma expressão da benção de Deus e até mesmo o muçulmano mais pobre sairá de seu rumo para ajudar o próximo, nunca esperando algo em troca...

Isso é o Paquistão! Apesar da sua imagem deteriorada e de sua má fama de pais terrorista, o Paquistão possui um dos povos mais hospitaleiros da face da Terra. Para nós, foi uma surpresa cruzar a fronteira India/Paquistão e encontrar pessoas tão diferentes e amigáveis do lado de cá. Todo paquistanês que cruzava o nosso caminho ou com quem conversávamos nos dava a mão e as boas vindas ao seu pais. Queriam saber de onde viemos, se achávamos que viajar por ali era perigoso, se estávamos gostando... e quando falávamos que estamos adorando, ficavam todos orgulhosos.

O Paquistão, cujo significado é Terra da Espiritualidade Pura, possui apenas 60 anos de existência. O pais foi criado quando a Inglaterra, exausta depois da Segunda Guerra Mundial, percebeu que não teria mais condições de manter todo o seu império unido. Então, em 1947, os ingleses tiveram que abrir mão da “Jóia da Coroa”, India, e declarar sua independência. Primeiramente, os ingleses queriam deixar para trás um único país, porém os indianos muçulmanos estavam receosos de serem reprimidos pela maioria hindu. Sobre a liderança de Mohammed Ali Jinnah, os muçulmanos persuadiram os ingleses de que deveriam ser criados dois paises distintos: India e Paquistão e, após muita relutância, a Inglaterra desenhou uma linha no mapa demarcando os dois territórios. A demarcação teve nexo apenas no papel, pois na realidade tornou-se um pesadelo, pois resultou num dos maiores movimentos humanos. Milhares de muçulmanos deixaram suas casas e trabalhos e mudaram-se a pé ou de trem para as áreas que se tornariam o Paquistão e, enquanto eles iam para oeste, encontraram milhares de hindus viajando em direção contrária, resultando em uma guerra sangrenta. Durante o tempo em que os líderes indianos puderam reestruturar seu pais baseados no legado deixado pelos britânicos, os paquistaneses tiveram que construir seu pais do zero.

Após a independência, o Paquistão era uma nação dividida em duas partes, leste e oeste, com mais de 1.000km de distância entre elas. As dificuldades para governar dois territórios separados foram enormes e foi inevitável a sua separação, a qual aconteceu em 1971, após mais uma sangrenta guerra, quando o Paquistão do leste tornou-se Bangladesh.

Mesmo tendo sido desenhada a divisão entre India e Paquistão, o território de fronteira, que se chama Caxemira (norte), até hoje está sendo disputado no mais alto campo de batalha do mundo, a 6.000m de altitude. Temperaturas de -50˚C, ventos fortes e ar rarefeito mataram mais soldados do que a própria disputa, que apesar do atual cessar-fogo, está longe de ser resolvida.
Depois de tantas guerras trágicas, aconteceu o episódio de 11 de setembro e o governo paquistanês entrou na luta contra o terrorismo, apoiado pelos Estados Unidos. Muitos não-muçulmanos, pessoas que trabalham para o governo e policiais passaram a ser o alvo dos fundamentalistas Talibãs,. Além de tudo isso, o pais ainda possui problemas com suas diversas tribos existentes em seu território, das quais, algumas lutam por independência, e outras, aplicam suas próprias leis em seus territórios onde o governo não possui nenhum poder.

Bom, mas deixando toda a história de lado, vamos falar um pouco de nossas experiências por lá...

Quando entramos em território paquistanês, seguimos direto para Islamabad (capital) por uma rodovia perfeita e sem comparações com as estradas indianas. Foi um alívio ver as coisas mudando da água para o vinho e tornando-se mais organizadas e limpas.
Na capital, fomos surpreendidos quando encontramos um camping para turistas bem no meio da cidade. Lugar perfeito para montar acampamento e organizar as nossas coisas. Islamabad é uma cidade planejada e muito diferente de todo o resto do país. Cada bloco possui o seu comércio, que é cheio de vida e comidas que nunca mais tínhamos visto, como carne de boi.
Logo ali do lado, na cidade vizinha Rawalpindi, pudemos apreciar uma das mais importantes e significativas artes do país, a decoração e ornamentação de caminhões. Mais impressionante do que ver os acessório e como eles são feitos, é ver um típico caminhão paquistanês rodando pelas estradas. Existe até uma competição entre eles, onde ninguém quer ficar para trás e sempre querem ter o caminhão mais bonito e mais decorado. Um caleidoscópio de cores e enfeites que animaram a nossa viagem pelas ruas e rodovias do Paquistão. Nem as motos, tuk-tuks e tratores escapam e são cheios de penduricalhos.

Porém, o nosso maior objetivo nesta parte da Ásia era dirigir por uma das rodovias mais bonitas do mundo, a Karakoram Highway. Esta rodovia com 1.200km foi construída entre 1966 e 1982, através de uma parceria entre Paquistão e China com o objetivo de ligar os dois países através do Passe Khunjerab (4.730m de altitude). Deslizamentos, calor, frio, e acidentes tiraram a vida de um paquistanês a cada 1.5 quilômetros. Além desta massiva obra, essa região é muito famosa por possuir a maior concentração de picos altos e glaciares do mundo, incluindo o K2 de 8.611m, segunda montanha mais alta do planeta, além de ser cheia de história e cultura. Foi através dela que o budismo se espalhou pela China e Tibet, por ela que o islamismo chegou ao Paquistão e a região foi palco da luta entre ingleses e russos pelo Afeganistão.
Colocamos o pé na estrada e lá fomos nós sentido o norte. Uma das grandes vantagens dessa rodovia é que ela não é cheia de sobe e desce, mas sim, vai acompanhando o Rio Indus e subindo aos poucos. As primeiras cidades foram tumultuadas e com bastante trânsito, porém, quanto mais subíamos, melhor a estrada ficava e mais impressionante a paisagem se tornava.

O tempo não estava dos melhores, pois havia uma espécie de fumaça no ar e não podíamos enxergar muito longe, tampouco ver as montanhas com muita definição. Portanto, os melhores momentos da ida foram com as pessoas. O Paquistão possui uma grande diversidade de pessoas e o que mais nos chocou neste pais foi a predominância masculina, onde vilas eram dominadas por homens e nenhuma, mas nenhuma mulher mesmo, era vista. Muitas vezes a Michelle se sentia incomodada, pois mesmo toda coberta com roupa comprida e lenço na cabeça, ela chamava a atenção, sendo a única mulher nas ruas e restaurantes.

A Karakoram é cheia de postos policiais, pois além de seus limites é uma terra sem leis, onde as tribos ditam as regras e o governo não tem muita interferência. Numa de nossas primeiras noites por lá, achamos um lugar bem legal e com uma linda vista a beira da estrada para passar a noite, mas quando estávamos prestes a ir para a cama, escutamos uma sirene e 3 policiais vieram nos avisar que era muito perigoso passar a noite por ali. Nos aconselharam segui-los e acampar no posto policial. Nos convidaram para tomar chá, como em todos os lugares que fomos por lá, e até nos trouxeram pão e molho para a janta. Sempre querendo ajudar!!
Nos dias seguintes foi a mesma história. Era só pararmos em um posto policial e eles já nos convidavam para um chai (chá). Depois de tanta hospitalidade, chegou a nossa vez de ajudar também. Um carro havia sofrido um acidente, quando vinha em alta velocidade e após passar um monte de areia, que havia se acumulado sobre a estrada, rodou e desceu de ré um barranco de uns 6m de altura. Os 3 passageiros foram sortudos que o carro parou a 1cm de cair do muro de contenção, onde seriam mais muitos metros de barranco até o rio. Colocamos nosso guincho para funcionar e puxamos o carro barranco acima assistidos por uma platéia de curiosos barbudos. Em menos de uma hora, o carro quase que intacto e os passageiros a salvo, continuaram sua viagem e nós a nossa. O cenário a cada quilometro era mais espetacular, com montanhas cada vez mais altas e nevadas. Duas partes de todo o trajeto nos chamaram mais a atenção por sua beleza: as cidades de Ghulmet e Karimabad, rodeadas por picos de mais de 7.000m de altitude; e o vilarejo de Passu, com seus glaciares e as montanhas pontudas que formam as catedrais. A vontade era de não sair mais dali...

Nos últimos quilômetros, mais precisamente 85, subimos cerca de 2.000m de altitude e passamos por um dos vales mais estreitos da rodovia até chegarmos no Parque Nacional Khunjerab. As paredes deste vale são compostas por um pedregulho preto, o que origina o nome kara koram. Acampamos a 4.050m de altitude e a uns 17km do passe, onde tivemos uma noite congelante o que realmente contrastava com o calor de mais de 40 graus que vinha fazendo nas partes mais baixas. O Parque Khunjerab é o habitat de um grande carneiro chamado Marco Polo, o qual possui um chifre encaracolado e que é muito raro (cerca de 100 exemplares que só existem neste parque), além dos chifrudos ibex, marmotas cor de ouro, lobos e leopardos da neve.

A paisagem lá no topo era espetacular, longa, plana, com rios e lagos congelados, montanhas fantásticas e cheias de yaks pastando. Passamos algumas horas curtindo o lugar e até colocamos um pé na China, mesmo que só por debaixo do portão. A China não faz parte de nossos planos nesta viagem, mas confessamos que a vontade de continuar pela rodovia e desbravar o território chinês foi enorme. Depois de mais um convite para chá, tomamos nossa caminho de volta. Pensamos que iria ser uma volta entediante, vendo as mesmas paisagens e vilas, porém o cenário foi totalmente diferente indo no outro sentido. As montanhas eram vistas de outros ângulos, outras eram a primeira vez a serem vistas e o melhor, o tempo mudou de 8 para 80 e o céu azul tornou tudo muito mais bonito e mais claro do que na vinda. A cada curva dávamos um suspiro, pois a paisagem era mesmo de tirar o fôlego.

Foram apenas oito dias que passamos neste lugar e sabemos que não foi o suficiente devido haver muita coisa para se explorar por lá. Com certeza, voltaremos novamente para a Karakoram Highway, ou de carro, ou de bicicleta, ou simplesmente para fazer umas das diversas caminhadas que são possíveis de se fazer nas montanhas paquistanesas.

Dois dias de descanso em Islamabad e pisamos no acelerador sentido Irã. Foram 4 longos dias de viagem, onde nos dois primeiros, com um calor de 45 graus, cruzamos diversas cidades mais ao sul do país e nos outros dois, com o mesmo calor, cruzamos o Deserto do Baluchistan. Tínhamos que dirigir com a janelas fechadas, pois o vento que vinha de fora era de queimar a pele, mas o cenário desértico e montanhoso foi compensador e os pequenos vilarejos no caminho pareciam uma coleção de abrigos de barro, secos e sujos.

Viajar pelo Paquistão foi uma das melhores experiências que tivemos em nossas vidas. Quebramos paradigmas e imagens distorcidas e conhcemos a realidade desse pais tão enigmático e hospitaleiro e isso, levaremos para nossa vida toda.

In Sha’ Allah, nos vemos no Irã!

PS 1 - Uma particularidade entre os homens paquistaneses é o modo de cumprimentarem-se. Por ser uma sociedade masculina, falta de afeto constante com uma mulher e restrições religiosas, os homens são muito sinestésicos com seus amigos e companheiros. Abraços apertados, dar as mãos e segurá-las durante uma conversa, andar de mãos dadas na rua é algo muito comum de ser ver. Para nossa sociedade isso seria motivo para um Mmmhhh (o que nós dois fazíamos quando víamos essas cenas), mas que para eles é muito normal e não afeta em nada a sua masculinidade. Quando o Roy chegava a primeira vez para conversar com eles, todos davam as mãos, mas se os encontrássemos pela segunda vez, já vinham para o abraço. Ainda bem que não encontramos ninguém pela terceira vez...

PS 2 – Se o Roy era recebido com apertos de mão e abraços, a Michelle, pelo contrário, era muitas vezes ignorada e nem a olhavam na cara. Se precisávamos receber algum troco ou alguma informação nunca ninguém falaria com ela, somente com o Roy. O engraçado era vê-los muitas vezes surpresos, pois ao invés de ela ficar submissa e quieta no canto dela (comportamento normal de uma mulher muçulmana), ela se metia nas conversas e nos acontecimentos e todos a olhavam com um olhar de choque.

PS 3 – Depois dos comprimentos e do convite para o chá, vinham os imensos questionários a serem respondidos, e sempre eram as mesmas perguntas.

- Que pais?
- Com o que você trabalha?
- Amiga ou esposa? Essa sempre temos que mentir aqui na Ásia, pois para a cultura deles, um casal estar viajando juntos e não ser casado é um absurdo. E se falamos que não, temos que explicar pra eles como isso funciona e isso é praticamente uma tarefa impossível. Um guarda até chegou a comentar conosco, indignado, que existem vários casais que vão viajar e são apenas namorados.
- Vocês não tem filhos? Por quê? Não precisamos explicar a difícil questão de sermos namorados e estarmos viajando juntos, mas temos que explicar o porque que não temos filhos depois de casados. Para um muçulmano, ter muitos filhos é uma dádiva de Deus e é ele que decide quantos você terá (três, cinco, sete ou mais que dez!!).
- Sem banho? Quando nos encontravam em nosso acampamento, sempre vinham com essa pergunta, pois nunca viam um chuveiro em nossa casa. Para eles, a limpeza é muito importante e eles são meio que vidrados nisso, portanto lavam-se antes de comer, de orar, de dormir, depois da relações sexuais e tudo mais... e ver-nos naquele calor infernal e sem banho, era um tremendo baque para eles. Mas nós tomamos banho, viu?

Fonte e mais fotos: http://www.mundoporterra.com.br/diario/diario-de-bordo-no-36---paquistao/

Wednesday, 11 November 2009

Diários do Paquistão: o trabalho forçado neste lado do mundo

No Paquistão, há casos em que a dívida é passada de geração em geração, aumentada por mecanismos que a tornam impagável, ligando essas pessoas e seus filhos à terra e a seus senhores por anos

Por Leonardo Sakamoto

Islamabad - Cheguei hoje ao Paquistão, no Sudoeste da Ásia, para uma visita de nove dias a projetos de combate e prevenção ao trabalho forçado desenvolvidos por organizações da sociedade civil. O convite foi feito pela Trôcaire, agência da igreja católica irlandesa para o desenvolvimento e a justiça social, que apóia organizações sociais que atuam nessa área no Paquistão e no Brasil. Estimativas apontam que há pelo menos um milhão de trabalhadores nessas condições por aqui, devido a uma antiga prática de endividamento denominada peshgi: pessoas pobres tomam dinheiro ou mantimentos emprestados de proprietários rurais, empenhando o próprio trabalho e de sua família como garantia. Essa forma de exploração foi declarada ilegal em 1992, mas a sua erradicação ainda está longe de acontecer devido ao interesse da manutenção da situação pelos poderosos senhores de terra e a falta de empenho dos governos central e locais.

Apesar de mecanismos de endividamento também serem usados por latifundiários brasileiros para manter trabalhadores cativos em fazendas de gado, cana, algodão e soja, por exemplo, a situação nos dois países é diferente. O trabalho escravo brasileiro é empregado em serviços temporários, sejam de expansão de empreendimentos agropecuários (derrubada de floresta, limpeza da terra, produção de cercas, implantação de pastos), seja em fases de plantio e colheita ou na produção de carvão vegetal. A relação de patrão e empregado dura, em média, três meses. Quando o serviço acaba, a maioria dos trabalhadores é dispensada - sem nenhum pagamento.

No Paquistão, há casos em que a dívida é passada de geração em geração, aumentada por mecanismos que a tornam impagável, ligando essas pessoas e seus filhos à terra e a seus senhores por anos. Há trabalho escravo também na mineração, na produção de tijolos e de carpetes, em muitos casos envolvendo crianças.

Por aqui, a situação se assemelha à servidão existente na Europa durante o feudalismo, com o senhor de terras recebendo parte da produção de seus servos. No Brasil, a prática é usada para a obtenção do lucro e para a expansão de empreendimentos agrícolas através da superexploração do trabalho. O trabalhador é um instrumento usado em um momento da produção e depois descartado. Por aqui, o trabalhador é quase um patrimônio.

Outra diferença é a quantidade de vítimas. Apesar de não haver dados precisos e científicos em nenhum dos países, trabalhamos no Brasil com a estimativa de algumas dezenas de milhares - um universo pequeno, se comparado com a situação daqui. No Paquistão, o problema se concentra no centro/sul do país, nas províncias de Punjab e Sindh.

O país tem 163 milhões de habitantes (está na cola do Brasil, que tem 180 milhões), mas, ao mesmo tempo, tem uma área dez vezes menor. Cerca de 45% da sua população está na agricultura e 44% das terras estão nas mãos de apenas 5 mil famílias. Uma das conseqüências de tamanha concentração: 35% do país está abaixo da linha da pobreza.

Em um mundo globalizado, em que a exploração não conhece fronteiras, é claro que tanto no Brasil quanto no Paquistão, essas formas de exploração possuem conexão com o capitalismo e sua busca desenfreada pelo lucro.

Vou tentar postar aqui neste espaço minhas impressões e as do meu companheiro de viagem, Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra. Não posso prometer uma atualização diária devido à dificuldade de se encontrar um acesso à internet em alguns locais pelas quais passaremos, como o deserto ao sul ou pequenos vilarejos. Mas estarei por aqui sempre que possível.

Diários do Paquistão: vizinhos da Mesquita Vermelha

O jornalista Robert Fisk, um dos maiores correspondentes da atualidade, disse que o Paquistão é hoje o lugar mais perigoso do mundo. O fato do vigia da nossa pensão ter uma espingarda calibre 12 empunhada o tempo todo vai nesse sentido

Por Leonardo Sakamoto

Islamabad - Há dois dias, o Paquistão e a Índia comemoraram os 60 anos de sua independência da Inglaterra. Mas, apesar das festividades nas ruas, o clima ainda é de tensão por aqui. (2007)

Nos últimos meses, cresceu a oposiçao ao presidente Pervez Musharraf devido à sua proximidade com a administração Bush. Os Estados Unidos têm nele um parceiro estratégico para a guerra que vêm promovendo no Afeganistão desde o 11 de setembro e que levou à destituição do regime dos Talebans, ao início da caçada frustrada a Osama Bin Laden e ao massacre de milhares de civis.

A quase totalidade do Paquistão (97% da população) é muçulmana. Musharraf está sendo pressionado, de um lado, por grupos islâmicos que querem que o governo se afaste dos Estados Unidos e, por outro, pelo próprio governo e parlamento norte-americano, que quer estender a "guerra ao terror" ao território paquistanês. O governo daqui seria permissivo demais com grupos tribais localizados na faixa de fronteira próxima ao Afeganistão que dariam suporte aos Talebans e à Al Qaeda.

No dia da independência, membros do governo paquistanês repudiaram as declarações dos EUA, afirmando que todas as medidas seriam tomadas para evitar que a soberania fosse ferida. Uma lembrança indireta que o país possui arsenal nuclear e poderia usá-lo.

No dia 10 de julho, o governo paquistanês ordenou a invasão à Mesquita Vermelha, onde grupo muçulmanos de oposição e pró-Taleban haviam se entrincheirado. Estimativas oficiais falam em pelo menos 100 mortos, muitos mulheres e crianças, mas organizações internacionais dizem que o número pode ser muito maior.

A esse massacre, seguiu-se uma série de atentados terroristas em Islamabad e em outras regiões do país, que causaram mais de 200 mortos até agora. Estamos em uma pensão em Islamabad a alguns quarteirões do local do massacre. A orientação é para não se aproximar daquela região. Estrangeiros que moram na cidade falam de um clima de tensão e desconfiança após os massacres. Musharraf quase decretou Estado de Emergência mas, por enquanto, desistiu da idéia.

Hoje, confrontos entre o exército e grupos islâmicos, deixaram, pelo menos, 32 mortos.

Há outros problemas também enfrentados pelo Paquistão. Estamos na época de monções, ou seja, de grande calor e chuvas torrenciais. Karachi, antiga capital e para onde nós vamos no domingo, na costa do oceano Índico, estava com parte de sua área submersa por dois metros de água.

Isso sem contar a eterna disputa com a Índia pelo controle da Caxemira, ao Norte, que há décadas faz mortos nos dois lados.

Tudo isso me lembra o jornalista Robert Fisk, um dos maiores correspondentes da atualidade, que disse que o Paquistão é, hoje, o lugar mais perigoso do mundo. O fato do vigia da nossa pensão ter uma espingarda calibre 12 empunhada o tempo todo vai nesse sentido.

O fato é que o Paquistão está em ebulição, seja na política, seja nas suas florescentes organizações de trabalhadores, e com certeza, ele não será mais o mesmo.

Tuesday, 10 November 2009

Diários do Paquistão: Islamabad - parte 1

Assim como Brasília, a capital do Paquistão possui apenas algumas centenas de milhares de habitantes, mas é cercada de cidades mais pobres e populosas no entorno, que lhe fornecem mão-de-obra

Por Leonardo Sakamoto

Islamabad - Uma cidade planejada, de avenidas largas e prédios públicos monumentais, foi contruída no interior do país, substituindo a antiga capital que ficava à beira-mar. O objetivo era promover a integração do país, facilitando o acesso ao poder central. Brasília? Não. Islamabad.

A construção da nova capital teve início em 1961 e, cinco anos depois, começou a funcionar o primeiro edifício governamental na cidade. Assim como Brasília, ela possui apenas algumas centenas de milhares de habitantes, mas é cercada de cidades mais pobres e populosas no entorno, que lhe fornecem mão-de-obra.

Em ambas, as contradições sociais estão escondidas dos olhos dos visitantes: enquanto não muito longe do Palácio do Planalto, temos um bairro pobre nascido de uma ocupação irregular, em Islamabad há uma favela com esgoto a céu aberto escondida em um descampado nos fundos do parlamento nacional. Islamabad, assim como Brasília, também é uma ilha de irrealidade social, com uma elite mergulhada em sua própria corrupção e no incesto do público e do privado. Mas isso é história para depois.



As crianças, brincando na frente de uma favela, não fogem das fotos como os adultos.)

Islamabad é mais cosmopolita do que as demais cidades paquistanesas, dizem seu moradores. Por isso a força de tradições religiosas, apesar de existirem, é mais amena que no interior do país. Mas a cidade também é, por assim dizer, muito chata, com a falta de alternativas culturais e de lazer, com exceção de alguns parques. Mas sair para dar uma corridinha não contribui muito para a saúde, pois a poluição é um problema. Sou paulistano e já me acostumei com o ar melequento da minha cidade. Mas o mal-estar aqui é agravado pela umidade e o calor dessa época do ano, que tornam o caldo bem indigesto.

Como comentei em outro post, no último dia 10 de julho, o governo paquistanês invadiu a Mesquita Vermelha para debelar um princípio de insurreição de grupos islâmicos radicais, deixando um rastro de mais de 100 mortos. Um leitor me mandou um e-mail dizendo que isso o fez lembrar do massacre da Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, e a ação estúpida do governo paulista, que fez 111 vítimas em 1992. É, caro leitor, a estupidez não obedece credos ou fronteiras, é universal.

Por aqui o assunto virou tabu. Não se fala no tema e desconfia-se de quem toca no assunto.

O administrador de empresas Ali diz que a razão disso é que o governo possui muitos agentes secretos e informantes que podem causar problemas caso você faça um comentário mais enfático a respeito do massacre ou dos grupos radicais que estão em conflito com o governo (ele mesmo ficou preocupado sobre o motivo da minha pergunta.)

Nosso taxista, Assef, é um sujeito extremamente simpático. Apesar de não entender muito o que a gente fala, sempre sorri. Mas quando a Mesquita Vermelha foi trazida para dentro da conversa, fechou a cara, ficou claramente contrariado e não disse mais nada.

Passamos em frente ao local do massacre hoje, mas não conseguimos entrar, nem tirar fotos. O prédio foi pintado e limpo e na praça em frente, há um grande efetivo de militares, incluindo um veículo semelhante ao "caveirão" carioca, que recepciona os visitantes na porta de entrada.

A mesquita é bem pequena e apagada, a bem da verdade. Fica perto do Enclave Diplomático - uma verdadeira cidade cercada e protegida que concentra escritórios, residências, escolas e demais facilidades para os funcionários das embaixadas - e não muito distante da sede do governo federal, do tribunal islâmico e da suprema corte. Em Brasília, por exemplo, as embaixadas ficam em um setor da cidade, mas sua porta da frente é acessível por qualquer um. Ou seja, dá para realizar manifestações em frente delas - a embaixada norte-americana que o diga...

A Mesquita Vermelha desaparece se comparada com a gigantesca Mesquita Rei Faissal, a maior do Paquistão, localizada também em Islamabad. O mármore do chão do complexo escaldado pelo sol (visitantes devem deixar os calçados na entrada) comporta de 75 a 300 mil pessoas (de acordo com a fonte de informação). Lá, conheci pessoas mais simpáticas do que no restante da cidade - achei Islamabad uma cidade fria tanto no trato com as pessoas de fora, quanto nos moradores entre si. Pode ser que a simpatia seja causada pela impressão de que eu era muçulmano. Devo confessar que comprei um livro do alcorão. Se eu tinha cara de terrorista antes, quero ver o comportamento da imigração inglesa agora.



Os quatro minaretes da mesquita, com 88 metros de altura cada, são alvo de uma teoria esquisita de alguns moradores da cidade que dizem que a CIA acha que as quatro torres são mísseis balísticos escondidos. Dá para ter uma idéia do tipo de relacionamento saudável que os Estados Unidos desenvolveram com este país.

Mas que parecem mísseis, isso parecem.

Os Estados Unidos provocam múltiplas reações e aparentemente não há um consenso sobre o aliado. Em uma das inúmeras lojas de tapetes da cidade, um vendedor diz que o modelo com bandeirinhas norte-americanas tem saída. "Tem gente que gosta."

Enquanto isso, o presidente Pervez Musharraf afirma que o governo decidiu entrar na "guerra ao terror" devido a interesses do próprio Paquistão, retrucando implicitamente quem diz que o país obedece aos EUA (ele só não falou que a fatura entregue aos EUA não foi baixa...)

Ao mesmo tempo, garantiu que vai concorrer a um novo mandato. Mas a Constituição o obriga a renunciar ao seu generalato se quiser tentar se reeleger, o que ele não quer fazer de jeito nenhum. Ou seja, as coisa vão esquentar, principalmente na já estremecida relação com a suprema corte, que teve o seu presidente destituído recentemente pelo próprio Musharraf - e depois restituído pelos colegas juízes.

Monday, 9 November 2009

Diários do Paquistão: cara de terrorista

Diários do Paquistão: cara de terrorista
Não fui o primeiro nem serei o último a ser rejeitado pelos súditos da rainha. Mas, com certeza, tem um quê de paranóia pós-11 de setembro nessa recusa.

Por Leonardo Sakamoto

Islamabad - Gostaria de fazer um pequeno flash back para contar algo pitoresco. No caminho para cá, fui impedido de entrar na Inglaterra.

"Por que e para que o senhor está indo para o Paquistão?; Que interesse teria um brasileiro no Paquistão?; O que o senhor foi fazer em Frankfurt no ano passado? Trocar experiências sobre o combate ao trabalho escravo? Sei...; O senhor tem alguma prova disso que está me dizendo?"

No final, optaram, educamente, pela minha não-saída da área de embarque do aeroporto de Heatrow.

A sacanagem não está no tempo, foram apenas algumas horas até a conexão, mas a intenção. Não fui o primeiro nem serei o último a ser rejeitado pelos súditos da rainha. Mas, com certeza, tem um quê de paranóia pós-11 de setembro nessa recusa.

OK, a favor deles está o fato que um sujeito com cara de indonésio e passaporte brasileiro indo para o Paquistão para discutir trabalho escravo soa mais como desculpa esfarrapada para alguma coisa ilegal. O que talvez seja reforçado pelo fato de meu companheiro de viagem, o francês Xavier Plassat, ter passado direto pela imigração paquistanesa, enquanto eu tive que esperar... e responder perguntas.

(pior é ainda na volta, quando fazem todos abrirem as malas, perguntei se num tinha raio x... ele disse sim, mas pra frente.. aff)

continua nos próximos capítulos

Diários do Paquistão: mulheres

Diários do Paquistão: mulheres
A Justiça daqui julga uma ação contra um homem que jogou ácido no rosto de uma mulher na rua porque ele estava descoberto, o que contraria as intepretações islâmicas radicais

Por Leonardo Sakamoto
Comentários: Carolina Padovezi (em itálico)


Islamabad - No Paquistão, as mulheres têm poucos direitos. Logo no aeroporto de Islamabad, na verificação de passaportes, além de filas para estrangeiros, diplomatas e naturais do país, há outra para crianças e MULHERES desacompanhadas. Ou seja, mulheres que viajam sem os pais, maridos, irmãos ou outro responsável por elas.
(ai depende do ponto de vista de cada um, acho ótimo ter uma fila VIP, porém elas precisam de autorização para sair e entrar no país)
*

Há um julgamento em curso na Justiça daqui contra um homem que jogou ácido no rosto de uma mulher na rua porque ele estava descoberto, o que contraria as intepretações islâmicas radicais. A defesa do réu tem a seu favor o discurso da tradição.
(tenho minhas dúvidas que isso tenha ocorrido no pak)
*

Sob o sol forte e a grande umidade daqui, aquele modelo de burca preta e grossa fede à distância. Imagine, então, para as mulheres que estão dentro. Mas em Islamabad e em grandes cidades, elas são mais raras e há mais mulheres andando com rostos à mostra, com um xale na cabeça ou nos ombros.
(maioria das pak somente usam dupatta para cobrir os ombros, e os cabelos quando no chamado de oração, burcas e afim somente próximo a fronteiras)
*

Normalmente, as regras sociais são semelhantes a outros países onde a tradição islâmica tem mais força que as leis seculares: não aperte a mão de uma paquistanesa sem pedir permissão ao seu responsável. Beijar no rosto então, pode dar em morte se o deslize acontecer em partes do interior do país.
(nunca beije um homem tão pouco, um salam já estã bom, nas mulheres 2 a 3 beijinhos no rosto, no caso de nós mulheres)
*

De acordo com um relatório lançado nesta quinta pela Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Paquistão, três mulheres morrem a cada hora no país vítimas de complicações associadas à gravidez.
(duvido que façam pré-natal ou visita regular ao ginecologista)
*

Segundo o relatório, o governo tem recebido doações e empréstimos de organismos internacionais para melhorar a saúde das paquistanesas, mas falha na aplicação correta desses recursos. Médicos dizem que há dinheiro para comprar BMWs para os ministros, mas não para investimento em hospitais.
(ricos são muito ricos, já os pobres são miseráveis!)
*

O câncer de mama é uma das grandes causas de mortes de mulheres no Paquistão. A elite, que tem dinheiro, consegue tratamento para doença, uma vez que os hospitais públicos garantem atendimento apenas para 20% da população. Aos pobres, resta pedir a Alá.
(isso é quando é descoberto antes, em um video que eu vi na cnn mostrava o oriente médio, e um médio disse a uma paciente com câncer de mama que quando ela se casasse isso passaria!??? aff ainda existe muita ignorância!)

Tuesday, 13 October 2009

Trekking no K2, visto e dicas de viagem

O K2 VISTO DE BAIXO
Skardu é a única cidade do Baltistão, no Norte do Paquistão, situada em zona sensível a nível político e militar, próxima da fronteira indiana e da disputada área do Caxemira. Já foi capital de um reino mais vasto e território budista nos sécs. III e IV; a ocupação tibetana do séc. VIII deixou marcas na arquitectura e uma estátua de Buda a poucos quilómetros da cidade.
A partir do séc. X esta influência declinou, e um certo Ibrahim Shah, provavelmente de origem caxemirense, deu início ao período mais grandioso do Baltistão, que se prolongou, com interrupções, pelos sécs. XVI e XVII. Mas hoje, Skardu é apenas uma grande aldeia que se estende na areia branca do rio Indo, no sopé do monte Karpochu. Cada vez há mais tráfego e construções de cimento com telhado de zinco, mas o vale continua lindíssimo: a vegetação é abundante e os minaretes das mesquitas levantam-se no meio do verde, cercados pelo serrilhado escuro das montanhas do Karakorum. É ponto de partida para muitos trekkings e escaladas: numa área de apenas cerca de cento e cinquenta quilómetros encontramos a maior concentração do mundo de picos com mais de sete mil metros de altitude, paredes gigantes que se levantam de todos os lados num serrilhado impressionante e quase intransponível.

TRILHOS DE MONTANHA
Os trilhos começam na aldeia de Askole, onde um jipe nos deposita depois de um dia a rodopiar por uma estrada de terra estreita e perigosa. O trilho leva-nos depois por moreias* até ao glaciar Baltoro, que tem cerca de sessenta quilómetros de comprimento. Não é de um branco ofuscante e azulado: está coberto por montes de terra e pedras que arrasta consigo, é rasgado por crevasses** e pequenos lagos de água esverdeada. Uma camada de cascalho desliza entre os nossos pés e o gelo. Formas extraordinárias vão aparecendo ao longo do caminho: a erosão por baixo de alguns pedregulhos forma “cogumelos” gigantes e do chão saem seracs ou penitentes de gelo, como é costume chamar a estas formações de um branco puro, em forma de torre ou vela de barco.

Os primeiros três locais de acampamento foram organizados por uma ONG que interveio na sustentabilidade ecológica do trilho, demasiado poluído pela passagem de dezenas de expedições por ano, e instalou aqui uma série de cabinas de casas de banho, água entubada e uma pequena casa-abrigo que vende coisas básicas; a partir de Urdukas, estamos por nossa conta. O acampamento de Goro2 fica a um dia de distância, num local que alguns têm dificuldade em alcançar, atravessando sobre troncos periclitantes o furioso jorro de água que o divide, fruto do avançar do dia e do calor. Mesmo quando não é profunda, a corrente é fortíssima e a água gelada; com os pés mal assentes sobre as pedras do leito e a força poderosa da água a desequilibrar, é fácil cair e ser arrastado com a carga às costas. A temperatura da água é tão baixa que provoca paragens cardíacas em alguns minutos, e há rochedos enormes escondidos na água baça. A sobrevivência é impossível.


APROXIMAÇÃO AO K2


Concordia é a zona de confluência dos glaciares Baltoro, Godwin Austen e de mais um punhado de glaciares menores. E é também o local onde se avista pela primeira vez o fabuloso K2, a imagem perfeita da montanha perfeita, recortada num céu índigo. A banda sonora também é impressionante: constantemente se ouve o estrondo de enormes avalanches que vão resvalando pelas encostas. E até onde a vista alcança, é impossível avistar uma pincelada de verde.

Só no dia seguinte tentámos aproximar-nos mais um pouco deste gigante que parecia fechar o vale; com 8.611 metros de altura, é a segunda montanha mais alta do mundo. Subimos dunas de gelo frente à parede branca e ofuscante de luz que nos atrai como um íman. O Godwin-Austen, verdadeiro manto branco que lhe escorre do sopé, é a nossa nova estrada, e dos lados deslizam silenciosamente outros glaciares. Apesar de parecer próximo, o K2 fica a quinze quilómetros de Concordia - e duas horas e meia mais tarde fui vencida pela altitude e pelo cansaço. Há que ser filósofo durante um trekking: o verdadeiro prazer está distribuído por todo o caminho e não acumulado num só local. Mas para montanhistas como o João Garcia, este é um passeio pelo jardim antes da verdadeira caminhada. Alguém que consegue fazer nove picos de oito mil metros sem oxigénio, deve sentir-se à beira-mar neste oceano de gelo, a mais de quatro mil metros de altitude...


COMO VIAJAR PARA O PAQUISTÃO
Antes de voar para Islamabade, deve pedir o visto na Embaixada do Paquistão em Lisboa, na Av. da República 20-1. A British Airways voa para Islamabade. A partir daí, ficará nas mãos da agência que escolheu - a que utilizo há anos é a Lost Horizon.



QUANDO VIAJAR PARA O PAQUISTÃO
A única possibilidade é o Verão, de meados de Junho a meados de Setembro. O frio abranda, embora a visibilidade fique por vezes afectada com as nuvens da monção que reina do outro lado das montanhas.


ALOJAMENTO DURANTE O TREKKING NO K2
O trekking tem de ser feito através de uma agência, uma vez que se situa numa área restrita. Assim sendo, será a agência a cuidar de toda a estadia, desde hotel em Islamabade a tendas para o trekking.


GASTRONOMIA
Em Skardu há alguns restaurantes populares e um punhado de hotéis com restaurante, mas é mais fácil e prático comer na própria pensão/hotel. No Paquistão a carne é parte essencial das refeições, mas há bons caris de legumes, assim como pão.


INFORMAÇÕES ÚTEIS
O dinheiro troca-se em banco ou agentes de câmbio. Esqueça os ATM e não conte muito com o cartão de crédito. O nível de vida é muito baixo e 1 euro vale cerca de 90 Rupias. Sendo o Paquistão um país islâmico e Skardu uma pequena povoação, aconselho às mulheres o uso do shalwar kamize, o tradicional conjunto de túnica e calças. Os homens deveriam abster-se de usar calções e nunca se apresentar de tronco nu em público. Na montanha impõem-se a roupa própria e os carregadores estão habituados a isso. A língua internacional mais falada é o inglês, a língua nacional é o urdu. Não há nenhuma vacina obrigatória, mas é preciso cuidado com a higiene: nada de alimentos crus ou fruta com casca, beber água engarrafada ou desinfectada com comprimidos.

Fonte: http://www.almadeviajante.com/trekking/k2.php

Friday, 21 August 2009

Diário de Viagem - Semana 4

Diário da Viagem ao Paquistão- Quarta e última Parte

Segunda-feira (19 de novembro de 2007)
Bahawalpur – perto do vilarejo de Bela Khan (102 km)


O que eu iria encontrar pelo caminho a partir de agora era imprevisível. Desta vez eu não conhecia mais ninguém para me dar um teto ou um prato de comida e sabia que contar com a sorte que eu tive em Multan não era uma boa idéia. Apenas poderia me preparar para acampar em algum lugar pelo meio do caminho e levar comida para alguns dias comigo.

Pela manhã eu deixei Bahawalpur por uma estrada bastante diferente da que eu me acostumei a percorrer aqui no Paquistão, desta vez o caminho era ruim e com muitos buracos e defeitos. Pensei que o caminho seria assim até eu chegar ao meu destino, mas por sorte estava enganado. Depois de 10 quilômetros eu entrei novamente na autopista (National Highway n. 5) e voltei a pedalar da forma que estou acostumado.

Mais uma vez contei com a sorte e com a ajuda dos caminhões que pasavam ao meu lado e por vezes geravam o “vácuo” que eu precisava para escapar do vento e desenvolver uma velocidade boa. Com isso, consegui passar pelo caminho monótono e desértico mais rápido até um momento que acreditei estar na metade do caminho até a próxima cidade e resolvi parar para acampar num posto de gasolina do caminho.

Procurei um posto grande, 24 horas e com um segurança. Quando encontrei pedi para acampar no pequeno gramado no fundo do posto de gasolina, que ficava levemente afastado da estrada, por onde passavam os caminhões mais barulhentos que eu já vira. A princípio tive bastante sorte, o posto era bom, tinha um banheiro limpo e não fazia muito frio, o suficiente para eu não precisar tirar meu equipamento de frio da mala.

Depois de uma banho frio e comer no restaurante que ficava a poucos metros do posto de gasolina eu entrei em minha barraca e somente por volta das 9 horas da noite eu resolvi dormir. No entanto, descobri que mesmo estando numa região seca e desértica, a noite era fria e úmida. Fui obrigado a colocar a segunda capa da barraca e até mesmo a entrar no meu saco de dormir para completar a barulhenta noite.


Terça-feira (20 de novembro de 2007)
Perto do vilarejo de Bela Khan – Sadiqabad (104 km)


Acordei cedo, porém sabia que teria que esperar um bom tempo até a minha barraca secar. Da forma que ela estava eu não conseguiria guardá-la. Aproveitei o tempo para tomar um café da manhã e guardar tudo enquanto esperava a barraca secar. Nesse meio tempo, entre acordar e partir, eu vi uma caminhão carregado de óleo diesel chegar no posto e ter a válvula que controlava a saída do combustível estourarda. Isso resultou num banho de diesel em alguns homens que tentavam controlar o desastre e numa pequena piscina no chão do posto.

Após o show eu já estava coma barraca seca e pronto para guardá-la. Mais alguns bons minutos e pronto, tudo certo para ir embora. Subi na bicicleta e segui na direção de Sadiqabad, a próxima cidade de porte médio em meu caminho. Pensei que o caminho seria fácil com o dos dias anteriores, mas me enganei. O vento soprou contra mim hoje e os caminhões não foram tão amigos quanto os dos dias anteiros.

Meu início tardio resultou numa chegada igualmente tardia. O caminho foi monótono e igual ao dos outros dias, exceto pelo fato de hoje eu ter visto não apenas um caminhão tombado na pista, mas sim 3 e outros veículos batidos. Fora isso o caminho foi feito de deserto e poeira. Quando cheguei em Sadiqabad, queria apenas encontrar um hotel para passar a noite e ter um bom descanso.

Perguntei para um sujeito que falava inglês onde poderia encontrar um hotel e ele me indicou 2. Melhor do que isso, mandou um de seus funcionários me levar até o hotel mais próximo. Pelo caminho logo descobri que o funcionário além de não falar inglês (até aí tudo bem), não tinha a mínima idéia de onde ficava o hotel e também era completamente analfabeto (assim como boa parte da população do Paquistão). O resultado da ajuda do funcionário foi nulo, já que além de tudo ele me levou para um hotel que não aceitava estrangeiros.

Percebi que eu estaria melhor sozinho que acompanhado por aquele sujeito que parecia mais perdido do que eu. Segui então para o centro da cidade com a esperança de encontrar um lugar para passar a noite. Logo encontrei o que queria e este hotel sim aceitava estrageiros, provavelmente o único da cidade que fazia isso. Instalei-me alí e depois segui para um restaurante para comer e descansar para continuar minha jornada pelas estradas do Paquistão.

Quarta-feira (21 de novembro de 2007)
Sadiqabad – Ghotki (91 km)


Logo que acordei ao som de marteladas, serras, buzinas e jumentos debaixo da minha janela, localizada no centro de Sadiqabad, percebi que seria bom não perder muito tempo iniciar minhas atividades. Minha prioridade hoje era arrumar a roda da minha bicicleta que havia tido um raio quebrado ontem logo que entrei nesta cidade. Tomei um dos raios reservas que levo comigo, que por sinal já estão acabando e desci até uma espécie de sala de motores onde eu havia sido obrigado a colocar minha magrela.

Alí troquei o raio quebrado e descobri que havia mais alguns probremas na roda. Enfim, arrumar tudo e alinhar a roda me tomou mais de 30 minutos e só então eu podia ir tomar meu café da manhã. Não sei porque, mas eu já não aguento mais tomar o café da manhã daqui. Nada contra chapatis e vegetais apimentados, mas creio que meu corpo está pedindo algo mais com a cara do que eu comia no Brasil: um pão francês, queijos, yogurt e frutas.

Como eu sou obrigado a comer o que tiver para poder pedalar, eu saí para as ruas em busca de algo. O pão de estilo europeu e o queijo eu não encontrei, mas já sabia que não encontraria – ainda mais em Sadiqabad. O yogurt eu também não encontrei, mas poderia haver em algum canto da cidade. Por fim, encontrei frutas, que não existem numa variedade enorme como no Brasil, mas sempre tem uma cara boa. A frutas que sempre há por aqui são: banana, um tipo de mexerica, uma goiaba que tem forma de pêra (é verdade), maçãs e a favorita deles, romã, que não tem comparação com a pobre romã que eu via no Brasil. Aqui a romã tem quase um tamanho de um côco pequeno, tem uma cor viva e conta com sementes bastante suculentas.

Com o que eu enontrei, fiz meu café da manhã com frutas, incluindo uma romã, que de tão grande deu até trabalho para comer. Ao final da minha refeição e de arrumar tudo para seguir viagem já era próximo das 10 da manhã, mas eu tinha a vantagem de ter que pedalar menos de 100 quilômetros hoje. Pela pobreza das ruas desta cidade eu cheguei até a auto estrada e logo me deparei com o que seria o meu maior problema hoje: o vento contra (mim).

Nenhum momento da pedalada foi fácil e eu nem tinha idéia da onde iria chegar. Havia apenas visto um pequeno povoado chamado Ghotki no mapa e achei que seria uma boa ficar por alí hoje. Com minha velocidade comprometida devido ao vento que me segurava de forma incrível, segui de forma mais lenta e parei algumas vezes para descansar. Minha salvação foi entrar atrás de um lento caminhão que passava na estrada e seguir atrás dele, protegido do vento.

De toda a forma, minha pedalada nesta região árida do país foi mais demorada que o normal no dia de hoje. Cheguei em Ghotki próximo do final da tarde e percebi que o local era mesmo pequeno e não contava com estrutura alguma. Para a minha sorte, depois de pedalar um pouco pelo local eu encontrei um pequeno hotel na beira da estrada, já na saída da pequena cidade.

Não era um local exemplar, mas era suficiente para uma noite e para não precisar montar minha barraca. No final da tarde já fazia frio e eu tomei uma banho rápido para então cair na cama e me preparar para descansar e continuar minha pedalada até a cidade de Sukkur amanhã.

Quinta-feira (22 de novembro de 2007)
Ghotki – Sukkur (61 km)


Ao começar o dia de hoje eu percebi que já estava cansado de pedalar sem parar por tantos dias. Precisava de um descanso e esse descanso eu me daria em Sukkur minha próxima parada. Mesmo assim o descanso teria que ser curto, pois meu visto para o país estava acabando eu precisava chegar até Quetta para estendê-lo e ganhar mais alguns dias no país o que seria suficiente para terminar minha pedalada por aqui.

Depois de um café da manhã de frutas e um chapatti eu segui para a estrada, que passava na porta da hospedagem onde eu estava ficando. Alí percebi que não me falatava muito para chegar em Sukkur, quase 60 quilômetros e isso seria bom para mim, que já estava cansado. O ruim foi que o vento ainda seguia contra mim e não me dava nenhum descanso pelo caminho. Hoje eu já não tinha nem mais energia para acelerar e conseguir entrar no “vácuo”da traseira de uma caminhão. Contentei-me em seguir num ritmo mais lento, sabendo que não estava longe de meu objetivo.

Como havia saído cedo de Ghotki eu consegui chegar não muito tarde em Sukkur, onde demorei para encontrar um hotel, já que a cidade era dividida e contava com o lado pobre, de hotéis baratos, mas completamente insalúbres, e o lado menos pobre, de hotéis melhores, porém caros. Percebi que ficar no lado pobre seria um desafio e para descansar (a única coisa que eu queria) seria quase impossível. Segui então para o lado menos pobre, onde consegui negociar um preço melhor em uma das hospedagens e então ficar por alí por uma noite.

Comi bem hoje, descansei e planejei minha ida até as ruínas de Moenjo Daro, que ficava numa cidade próxima de Sukkur, aonde eu iria de ônibus amanhã.

Sexta-feira (23 de novembro de 2007)
Sukkur – Moenjo Daro – Sukkur (ônibus)


Hoje não coloquei o despertador para tocar e despertei um pouco mais tarde, mas ainda a tempo de seguir para Moenjo Daro e ver um pouco das ruínas dessa civilização de mais de 5000 anos. Logo pela manhã percebi que não seria fácil chegar lá. Do meu hotel tive que tomar um rickshaw até o terminal de ônibus, a cerca de 5 quilômetros de distância. Depois tomei um ônibus até a cidade de Larkana, base da família Bhutto e localizada a apenas 30 quilômetros de Moenjo Daro.

Quando cheguei em Larkana, depois de 1 hora e meia de viagem, tive que tomar outro pequeno táxi até o local da onde saiam os veículos para Moenjo Daro. O problema foi que no caminho o taxista encucou que eu tinha que ir até a polícia para obter um guarda-costas e depois segui para onde eu queria. Ele parou numa delegacia e os policiais deram risada da cara dele e o mandaram para outro lugar. No outro lugar o policial fez uma cara de “saco-cheio” e disse que eu poderia ir sozinho que a escolta policial seria me dada em Moenjo Daro.

Segui então para a van lotada, que levou 1 hora para percorrer os 30 quilômetros que separavam as duas cidades. Quando em Moenjo Daro, os policiais me chamaram para a sala deles, onde eu teria que preencher alguns papéis e pegar meu policial guarda-costas. Conversei com os policiais, que gostaram da minha barba muçulamana, e depois de alguns minutos eles me disseram que não havia problema com brasileiros e me deixaram seguir sem ninguém, para a minha alegria.

Conversando com as pessoas descobri que agora, que seria o pico da estação turística do país, eu havia sido o único turista da semana toda. Todos os estrageiros haviam fugido do país com medo de algum conflito e os que haviam planejado vir, mudaram de idéia após o Estado de Emergência declarado por Musharraf há pouco tempo. Em outras palavras, eu tinha as ruínas de Moenjo Daro quase que só para mim.

Não precisei de muito tempo para percorrer todo o local e depois de 3 horas alí já era hora de voltar para Sukkur, pois sabia que a viagem de volta também seria longa. Assim dei início ao retorno. Um rickshaw até o cruzamento das vans. Uma van até Larkana. Um rickshaw até o terminal de ônibus. Um ônibus até Sukkur. E um rickshaw até o hotel onde eu estava. Enfim, o passeio durou o dia todo, sendo que eu passei mais horas dentro dos desconfortáveis transportes que nas ruínas em si.

Agora eu tinha que deixar tudo pronto para segui na direção de Quetta amanhã ainda.

Sábado (24 de novembro de 2007)
Sukkur – Shikarpur (44 km)


Já me sentia bem para pedalar novamente e não levei muito tempo para deixar tudo pronto para seguir em frente. Como não queria perder muito tempo para me organizar, pedi um café da manhã do hotel. Esta simples refeição demorou mais que o normal e não foi nada de especial, mas o suficiente para me alimentar para uma boa pedalada.

Depois de comer eu já tinha tudo pornto para seguir em frente. Fui então para a estrada, onde tudo parecia normal. Em pouco mais de 1 hora de pedalada, comecei a sentir uma forte dor no estômago e não sabia o que era. Achei que poderia ser pelo café que eu havia tomado, mas na medida que a dor foi crescendo eu percebi que se fosse o café ele deveria estar estragado.

A dor foi se tornando tão intensa que eu já não conseguia pedalar. Fui obrigado a parar então na beira da pista, sentar no chão e apenas ficar parado, percebendo que eu tinha um grande problema agora. Quando levantei senti uma forte tontura e ânsia de vômito. Achei melhor vomitar aquilo que estava me fazendo mal e vomitei, mas não tanto quanto eu esperava e, aparentemente, longe do necesário também.

Subi na bicicleta mais uma vez e com a velocidade extremamente baixa eu segui em frente. Quando cheguei numa bifurcação não sinalizada eu resolvi parar no posto de gasolina e perguntar qual era o caminho para Jacobabad, onde eu queria chegar. Eles disseram que era o da direita. Perguntei então se eles tinham água, eles então perceberam que eu não estava bem e disseram que iriam me trazer água. Sentei então numa cadeira e esperei.

Quando a água chegou eu tomei boa parte da garrafa num gole só e depois deitei numa cama suja que eles havia trazido para mim. Acabei dormindo alí e quando levantei minha ânsia estava ainda mais forte, assim como as dores que eu sentia no estômago. Percebi que era hora de vomitar. Desta vez eu vomitei tudo ou quase tudo. Mas junto com o vômito, veio também uma diarréia. Nesse momento tive que admitir que eu não chegaria em Jacobabad hoje. Teria que ficar por Shikarpur e seguir viagem pela manhã.

Perguntei se havia algum hotel na cidade e eles disseram que sim, porém como turista, eu era obrigado a ser escoltado por policiais nesta cidade. Assim, eles ligaram para a polícia, que chegou em pouco tempo e me conduziu até a delegacia da pequena cidade. Na delegacia que parecia mais uma mercado de peixe, eu preenchi meus dados em algumas folhas e depois tive que esperar um policial chegar para me conduzir até o hotel, localizado a 50 metros da delegacia.

Devo confessar que aquilo não era nada agradável. Eu não podia ir para lugar algum sem o policial e eles eram chatos. O hotel era uma porcaria e sujo e os policiais ficavam a cada 5 minutos batendo em minha porta ou entrando em meu quarto. Um deles até arrombou a porta do meu quarto, para meu susto, pensando que um grito que ele havia escutado viera de dentro do quarto que eu estava. Bem, em resumo, a noite não foi fácil.

Eu que não tinha apetite algum, me contentei em comer algumas tangerinas e bananas, para então guardar minhas energias para conseguir deixar a cidade ainda amanhã.

Domingo (25 de novembro de 2007)
Shikarpur – Jacobabad (41 km) – Quetta


Às 6 da manhã os policiais já batiam à minha porta, o que me fez despertar nenhum um pouco feliz. Falei para eles pararem de bater na porta e que eu já iria começar a arrumar tudo para ir embora em pouco tempo. Depois de mais algumas dezenas de batidas na porta e de entrarem no quarto, eu estava com tudo pronto para seguir viagem.

Não me sentia muito bem, mas sabia que poderia pedalar um pouco. Mesmo assim, um veículo chegou até a porta do pulgueiro onde eu estava ficando e me obrigou a colocar a bicicleta na caçamba da caminhonete dele. Como não tinha escolha, coloquei. Ele então deu uma volta pela cidade e quando chegou na estrada, esperou um outro policial chegar e me levar escoltar até Jacobabad.

Este oputro policial estava de moto e me deixou pedalar. Assim, eu pedalei até Jacobabad, cerca de 40 quilômetros, o que não foi uma boa idéia, já que eu ainda não estava em condições de pedalar longas distâncias, devido à minha saúde. Quando chegamos em Jacobabad, os policiais disseram que me levariam até Quetta. Assim, eu pedalei até o limite onde eu poderia pedalar, a fronteira com o Balochistão. O motivo disso era simples, a 2 dias atrás foi morto um dos líderes e guerrilheiros da região, chamado Balach Khan Mari, parente de Nawab Akber Khan Bhugti, que foi morto no ano passado, pelas tropas do exército paquistanês. Isso resulou e resulta numa certa instabilidade na região que se opõe a Musharraf e se envolve em conflitos com os militares.

Da fronteira em diante, coloquei minha bicicleta na caçamba de uma caminhonete e segui em frente. Pensei que eles me levariam diretamente até Quetta, que estava a mais de 300 quilômetros dalí, mas percebi que não. A cada 10 quilômetros, eles faziam a troca, ou seja, eu tinha que pular de uma caminhonete para outra com minha bicicleta. Aquilo não era nada agradável, pois o tempo perdido em cada troca não era pequeno, sendo que em cada veículo havia 4 ou 5 policiais e nenhum deles me ajudava.

Depois de 7 caminhonetes e cerca de 50 quilômetros, eu percebi que aquilo era a coisa mais imbecil que eu já tinha visto. Apesar dos policiais não falarem inglês eu tentei me comunicar com eles para que eles me deixassem num ônibus direto para Quetta, o que seria menos doloroso que ficar trocando de veículo a cada 10 minutos e agüentando os policiais, o que talvez fosse o pior de tudo.

Eu já havia pedido isso antes, mas eles apenas havia me dito que me levariam até o terminal de ônibus, mas não levavam. Tive a impressão que eles gostavam de conduzir turistas pela estrada. Mas desta vez, estes policiais me levaram até o terminal de ônibus, que era no meio da estrada, no meio de uma cidade e no meio de um mercado de frutas, ou seja, algo completamente caótico. Os sujeitos do ônibus colocaram minhas malas e bicicleta no topo do veículo e quando eu entrei no ônibus percebi que não havia lugar para mim a não ser também no topo do ônibus.

Fui para cima e ganhei uma vista incrível enquanto viajava os 300 quilômetros que me separavam de Quetta. De cima do ônibus, eu pude ver o porque da polícia não deixar ninguém viajar sozinho pela região. O local é completamente deserto, para onde se olhe só se vê pedras e terra, nada mais. Até mesmo as cidades que me mapa mostrava, não era mais que um conjunto de casas feitas de barro. Percebi que mesmo sem os perigos dos terroristas, eu teria bastante trabalho para pedalar por alí.

A viagem durou cerca de 5 horas e somente do final do dia eu cheguei em Quetta, um pouco perdido nesta cidade fria, de pessoas bastante peculiares. Não há ninguém na rua que não use algum pano ou um tipo de chapéu diferente em sua cabeça. O motivo disso é simples, a população é simples e, basicamente, de origem tribal, como quase todo o Balochistão, região dividida entre o Paquistão, Afeganistão e Irã.

Fui então para o centro da cidade, onde para procurar um lugar para ficar dentro das noites frias de Quetta. Encontrar hotéis foi fácil, porém encontrar um para ficar foi mais difícil. Não sei porque, mas muitos deles estavam lotados (ou simplesmente disseram que estava lotados porque não queriam turistas e outros eram ruins de verdade, quase que indianos). Depois de diversas tentativas encontrei um lugar razoável para ficar, onde apenas coloquei minhas coisas e depois saí para comer.

Encontrei um restaurante bom e resolvi comer um peixe frito, o que parecia ser uma boa idéia. Comi bastante e logo percebi que era cedo demais para fazer uma refeição como essa, depois de todos os problemas que eu havia tido. Ao voltar para o hotel eu já não me sentia bem, mas o cansaço logo me levou para a cama e apenas adiou os efeitos desta pesada refeição.

Segunda-feira (26 de novembro de 2007)
Quetta


Ainda na cama, não demorei a descobrir que eu tinha sérios probelmas. Logo pela manhã eu já não conseguia mais sair do banheiro, numa disenteria complicada, que estava até me desidratando, de tanta água que eu estava perdendo. Pelos sintomas que eu estava tendo percebi que o que eu tinha era um parasita chamado Giardia lambia, geralmente chamada apenas de giardia. (eu tive isso, perdi 5 kilos em uma semana)

Estava arrotando bastante, sempre com gosto de “ovo”, sendo que eu não havia comido ovo, tinha uma disenteria forte e não tinha apetite. Enfim, tinha giardia. Agora precisava saber o que fazer para acabar com o problema. Já não queria perder meu tempo indo até um médico, pois o que ele iria me receitar eu já sabia. Resolvi apenas confirmar na internet, nuns sites de medicina e pronto, já tinha meu auto-diagnóstico e meu auto-medicamento. (também fiz isso hehehe)

Precisava tomar uma dose alta de tinidazol, a mesma droga que eu tomei contra a ameba, porém desta vez numa dose única e pesada, aparentemente suficiente para acabar com o meu problema. Comprei então o remédio, comprei yogurt e alguns probiótios para ajudar a recuperar a minha flora intestinal. Agora me restava descansar e não gastar energia. Fiquei vendo televisão e depois fui para a internet ver alguns e-mails, para resumir o meu dia.

Terça-feira (27 de novembro de 2007)
Quetta – direção à fronteira com o Irã


Acordei já me sentindo melhor. A diarréia havia acabado e já não me sentia tão fraco. Sentindo-me bem resolvi solucionar os probelmas que eu tinha com o meu visto, que iria acabar amanhã, assim para ficar mais no país eu teria que estendê-lo, porém para fazer isso eu teria primeiro que saber se eu poderia pedalar até a fronteira, o que eu teria que descobrir com a polícia.

Fui então até a delegacia da cidade e perguntei para o delegado se eu poderia pedalar até a fronteira. A resposta que ele me deu, eu já esperava: não. A polícia poderia me conduzir até fornteira se eu quisesse, fazendo dezenas de trocas de caminhonetes como eu havia feito antes, por isso, eles aconselhavam todos os viajantes a tomar um ônibus e evitar problemas.

Com essa resposta eu já não tinha muito o que pensar. Não havia mais razão para estender meu visto, sendo que eu já não poderia pedalar pelo país. Agora me restava arrumar tudo para deixar o país. Quando já tinha tudo pronto, resolvi então visitar uma fundação presente em Quetta, relacionada à saúde pública do Paquistão. A chamada Fundação Maulana Muhammadumar tinha uma papel importante na saúde de Quetta e de todo o Balochistão, já que a maioria da população desse estado segue para Quetta quando precisa de atendimento médico.

Após toda esta conversa, eu tinha pouco tempo para tomar meu ônibus até a cidade de Taftan, localizada na fronteira Paquistão/Irã. O ônibus sairia às 6 horas da tarde e levaria de 10 a 12 horas para chegar até o borda do país. Às 5:30 eu saí da minha hospedagem em direção terminal de ônibus e alí percebi o que me esperava. Por fora o ônibus parecia bom, mas por dentro não era muito confortável, especialmente para uma viagem de 12 horas, de qualquer forma, era o melhor que havia para lá.

A viagem começou e logo eu percebi qual seria a maior dificuldade, a estrada. A estrada era horrível, não contava com asfalto e estava impregnadas de pedras e buracos, o que fazia o ônibus trepidar bastante e o ato de dormir um desafio para qualquer passageiro. Mesmo assim, me esforcei para dormir e quando conseguia sempre havia algo para me acordar. O motorista acendendo as luzes do ônibus de brincadeira ou colocando a música mais alto que de costume, a polícia entrando no ônibus para me fazer descer e preencher papéis que não serviam de nada ou, simplesmente, todos descendo para comer e beber no meio do deserto.

Foi nessa viagem desconfortável, fria e insalubre que eu vi meus dias de Paquistão acabarem no meio desta noite e darem lugar para uma outra parte do mundo, o Oriente Médio. Mas esta já é outra história.

The End
=)
Espero que tenham gostado

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