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Monday, 11 January 2010

Manoel Morgado no Paquistão- diário de viagem

21/6/2006 - Karakorum Highway - percorrendo a Rota da Seda

Desde que passei dois meses caminhando pelos vales do Paquistão em 2000
que vinha sonhando em voltar para este pais maravilhoso. Duas coisas fazem
deste pais um lugar especial. Em primeiro o seu povo que consegue ser
ainda mais hospitaleiro que os nepaleses. Os paquistaneses realmente
ganham o prêmio do povo que melhor trata os estrangeiros. Me lembro de
estar caminhando ao lado de um vilarejo e ver uma senhora andando em nossa
direção com uma jarra de iogurte para nos oferecer. Não queria nada em
troca, nunca tinha nos visto e queria apenas nos oferecer seu delicioso
iogurte como ato de hospitalidade. Assim como desta vez outras tantas
vezes me senti emocionado com a gentileza dos paquistaneses. Além disso a
paisagem do pais é simplesmente deslumbrante para os amantes de montanhas.
O norte do Paquistão é cruzado por três cordilheiras, o Himalaia, o
Karakorum e o Hindu Kush oferecendo paisagens magníficas, imponentes e
cinco das mais altas montanhas do mundo incluindo o famoso K2, a segunda
mais alta da Terra.

Naquele ano fiz dois fantásticos treks, um até a base do K2 e outro
pela região noroeste, próximo da fronteira com o Afeganistão por alguns
vales perdidos, habitados por alguns poucos nômades, yaks, ibex e nada
mais. Poucas vezes em minha vida me senti tão feliz caminhando, explorando
e interagindo com pessoas como nesses dois deliciosos meses.

Não é surpreendente então que desde então eu venha sonhando em voltar para
lá. A chance aconteceu agora quando ao invés de voar para Bishkek, capital
do Kyrgystão, eu tenha decidido ir por terra cruzando o Paquistão e
noroeste da China. A rota que levaria da Índia ate o Kyrgystão não poderia
ser mais intrigante e desafiadora. Ligando Islamabad, capital do
Paquistão, ate Kashgar na China há pouco mais de 20 anos foi completada a
construção de uma das estradas mais bonitas do planeta, a chamada
Karakorum Highway. Esta Estrada pode ser considerada uma das obras de
engenharia mais fabulosas do século. Por mais de 20 anos foram usados
milhares de trabalhadores para cavar uma estrada por entre vales
estreitos, profundos e íngremes, cruzando um dos mais montanhosos terrenos
do planeta. Conta-se que houve uma morte de um trabalhador para cada
quilômetro de estrada!

Depois de minhas desventuras tentando escalar o Mera Peak no Nepal tomei
um vôo para Delhi onde reencontrei a Andrea, minha companheira guatemalteca
que depois do trek do Everest tinha ido para a Índia enquanto eu tentava o
Mera. Ela já estava viajando por mais de 6 meses pela Índia tendo estado
principalmente pelo sul. Mais um caso de amor pela Índia já que ela saiu
da Itália onde vive para passa um mês na Índia mas acabou ficando e
ficando. Quando a convidei para vir comigo para o Paquistão, China e
Kyrgystão aceitou sem pestanejar. Um convite irrecusável para quem tem
aventura no sangue.

De Delhi seguimos de trem para Amritsar, capital do estado do Punjab e
onde está um dos mais lindos templos da Índia, o chamado Golden Temple, da
religião Sikh. Passamos o dia andando pelas ruelas da cidade antiga e a
noite fomos mais uma vez ao templo apreciá-lo completamente iluminado e
com suas luzes refletidas nas águas do lago que o rodeia já que ele foi
construído como uma ilha no meio deste pequeno lago artificial.

No dia seguinte cruzamos a fronteira com o Paquistão e fomos para Amritsar
e Islamabad. Na fronteira todos os dia acontece uma cerimônia curiosa.
Dos dois lados da fronteira acontece pontualmente as 18 horas a troca de
guarda e isso é feito de forma extremamente elaborada com cada lado
tentando suplantar o outro aos gritos de apoio de indianos e paquistaneses
que viajam das cidades próximas para exaltar o seu pais. Em nenhum outro
lugar nesses anos todos senti a rivalidade Índia/Paquistão de forma tão
aberta e intensa. Sai da cerimônia um pouco assustado e como sempre
abalado com essas manifestações tão intensas de ufanismo. Governos
fomentando uma inimizade que até antes da divisão Índia/ Paquistão em
1947 não existia.

De Islamabad partimos para nossa jornada pela Karakorum Highway. Mas, como
tudo nesta parte do mundo as coisas não são tão fáceis assim. Quando
chegamos na estação rodoviária descobrimos que o único ônibus diário já
estava lotado (e lotado por aqui significa realmente lotado, com todos os
assentos ocupados e mais um monte de pessoas em pé). Não tivemos outra
opção do que tomar uma pequena van que nos levaria a um vilarejo a pouco
mais de 100 quilômetros onde com alguma sorte poderíamos tomar outra van e
assim continuar por todo o dia. Apos 2 ou 3 horas de viagem pelos planos a
paisagem começou a se tornar mais interessante e após o meio dia já
estávamos percorrendo a região montanhosa do pais. A estrada sinuosa e
estreita corria ao lado do lindo Rio Indus e da pequena janela de nossa
van tínhamos que encostar o rosto no vidro para podermos ver o topo das
montanhas que dos dois lados fechavam o pequeno vale.

Ao final do dia chegamos em um pequeno vilarejo chamado Besham onde
passamos a noite. As 4 horas da manha acordamos para tomar o ônibus que
nos levaria a Gilgit, a maior cidade desta parte do pais. Gilgit tinha
sido meu ponto de partida 6 anos antes para o trek a base do K2 e guardava
alegres memórias desta pequeno lugar. Durante todo o dia nos deliciamos
com a linda paisagem que se descortinava ao nosso redor. Infelizmente
quando passamos ao lado do Nanga Parbat, a oitava mais alta montanha da
Terra, estava nublado e até começava a cair uma fina garoa de modo que não
pudemos avistá-la. Uma boa razão para voltar mais uma vez.

Nos hospedamos no agradável pequeno hotel onde tinha ficado na minha
primeira visita e no dia seguinte fizemos uma deliciosa caminhada por um
vale próximo. Descrevo o que aconteceu nesta caminhada pois ela ilustra de
maneira muito clara como os estrangeiros são recebidos aqui. Tomamos um
táxi ate o começo do vale a poucos quilômetros da cidade. Como acontece
com freqüência aqui na Ásia o motorista estava com seu amigo para fazê-lo
companhia e assim fomos eu, a Andrea, o motorista e seu amigo. A estrada
chegar até uma linda estátua de Buda construída a 2 mil anos atrás quando
esta região seguia o Budismo. No caminho o motorista resolveu parar para
subir em uma árvore para colher apricots para nós. Pensei em como isso era
surpreendente. Um motorista perder seu tempo, sujar suas roupas para
colher frutas para nós. Mas dai, eles desceram do carro e resolveram
brincar de guias turísticos e nos levar ate a estátua, mais uma caminhada
de uns 30 minutos cruzando um pequeno riacho. Depois de nos mostrar a
estátua voltaram felizes ao seu trabalho. E tudo isso por uma corrida de
três dólares!! Caminhamos então vale acima até encontramos uma pequena
hidroelétrica onde os trabalhadores nos ofereceram uma carona em seu jeep
até lugar onde iam, isso, claro, depois do habitual chá e muitos
sorrisos e de recitar o time completo da seleção brasileira. Mais uma vez
nos surpreendemos com o calor com que estávamos sendo tratados.

Seguimos então para o Vale de Hunza, um nome quase mítico entre os
aventureiros e turistas que buscam lugares especiais. Hoje a pequena
cidade de Karimabadh tem apenas um lindo forte no alto de uma colina, mas
alguns séculos atrás o governante de Hunza governava uma vasta área e era
temido por todos os povos vizinhos de quem extraia pesados impostos para
passar por seu território. Hunza fazia parte de uma das muitas Rotas da
Seda, esse conjunto de trilhas e pequenas cidades que ligavam a China ao
Mediterrâneo funcionando não só como rota de comércio mas principalmente
como ligação cultural ajudando na divulgação de novas religiões e
filosofias e ajudando na troca de tecnologia entre povos distantes.
Hoje Hunza é um dos lugares mais bonitos de toda a Karakorum Highway, com
sua maravilhosa vista das montanhas, varias rotas de trekking e alguns
deliciosos cafés para passar as tardes lendo sob a sombra de pessegueiros.

Em Hunza fizemos um pequeno trek de dois dias de duração até um passo a
4.000 metros de altitude de onde se vê todo o lindo vale. No primeiro dia
subimos por 5 horas um estreito vale pedregoso que aos poucos foi se
abrindo e revelando lindas montanhas nevadas. Chegamos em uma área mais
plana onde pastavam placidamente ovelhas e yaks e lá decidimos passar a
noite. Não tínhamos trazido barraca então nos instalamos ao lado de uma
grande rocha, colocamos nossos sleeping bags e lá dormimos sob um céu
absolutamente repleto de estrelas e cruzado a cada 5 minutos por
brilhantes estrelas cadentes. Inesquecível! No dia seguinte completamos a
subida até o topo do passo, curtimos a linda vista e descemos de volta a
Hunza com a alma repleta de felicidade.

Mais um dia de ônibus nos levou ao pequeno vilarejo de Sust e no dia
seguinte cruzamos o famoso Kunjurab Pass com 4800 metros de altitude
atravessando assim para a China.

O contraste não podia ser maior. De um lado o povo mais receptivo do
mundo. Do outro a frieza quase rude chinesa. Dormimos em uma cidade com
largas avenidas e sem alma e no dia seguinte partimos para outro lugar que
há muito tempo sonho em visitar, o Lago Karakol. Meu grande amigo Saverio
esteve aqui há alguns anos e me falava maravilhas do lugar. Com certeza
não me decepcionei pois o lago de uns 5 quilômetros de extensão e de cor
azul turquesa e rodeado de grama verde bem viva e a poucos quilômetros se
erguem duas montanhas com mais de 7000 metros. Mágico!

Logo que chegamos fomos abordados por vários homens a cavalo nos oferecendo
para ficarmos em seus yurts, essas casas movies dos nômades Kyrgystanis.
Fomos para uma e nos apaixonamos pelo lugar. O yurts tinha ao redor de 4
metros de diâmetro, feito de lã de camelo, esse de duas corcovas chamado
Bactrian, típico da Ásia Central. Dentro do yurts era todo enfeitado com
tapetes e com o chão também coberto desta forma. Extremamente
aconchegante. O melhor de tudo é que para controlar a temperatura e para
sair a fumaça do pequeno fogão que existe no centro, existe uma abertura
no teto que pode ser aberta ou fechada de acordo com a necessidade. Nos
dormíamos com ela aberta, apesar do frio, para podermos ver as estrelas
durante a noite.

No dia seguinte mais uma caminhada até a base de uma montanha para vermos
a linda paisagem ao redor. Apesar da vontade de ficarmos mais tempo por lá
tínhamos que seguir para a última etapa da Karakorum Highway, Kashgar.
Esta cidade é famosa como centro de comércio da Rota da Seda por mais de 2
milênios e seu bazar de domingo é uma lenda.

Seguimos então os últimos quilômetros desta fascinante estrada e chegamos
em Kashgar com muita expectativa em relação a cidade e seu mercado. Mas,
infelizmente parece que chegamos um pouco atrasados, mais ou menos uns 50
anos... A cidade é super moderna, com largas avenidas e apesar de ter uma
grande e interessante mistura de povos deixou-nos muito frustrados em
relação ao que esperávamos. O tão famoso bazar foi uma decepção ainda
maior. Qualquer mercado indiano é mais agitado, exótico e interessante.

Apesar disso, depois de 20 dias percorrendo a maravilhosa Karakorum
Highway não podíamos reclamar...Foram dias maravilhosos com paisagens
deslumbrantes e experiências com pessoas incrivelmente receptivas.
Próxima etapa: Kyrgystao!

Fonte: http://www.manoelmorgado.com.br/textos_blog.asp?IdTexto=61
Com muito mais textos e fotos! Excelente

Monday, 28 December 2009

Aonde eu viajo no Paquistão

Paquistão é o país que veio uma maneira longa, sobrevivendo aos terramotos devastadores que desintegraram quase suas estruturas econômicas e físicas. Se você viaja a Paquistão, você descobrirá um país amigável e bonito orgulhoso de sua herança. Paquistão é situado na parte ocidental do subcontinente indiano com Afeganistão e Irã no oeste, India no leste, e o Arabian Sea no sul. O Urdu e o ingles são as línguas oficiais em Paquistão e há outras línguas como o Punjabi, o Pushto, o sindhi e o Baluchi. Com muitos lugares e possibilidades ilimitadas para a caminhada, trekking e os esportes, um desengate a Paquistão pode ser seu fabricante final do feriado. Onde pode se visitar uma vez suas terras planas neste lado do globo?

Paquistão tem diversos picos e povos da montanha alta de pelo mundo inteiro vindos escalar o Karakorums, os Himalayas, a montanha em segundo a mais elevada do pico- da reunião de Hindu Kush e da montanha K2 no mundo. Todo o estes são encontrados nas áreas do norte. Taxila é um do local archeological o mais famoso no mundo. Há 18 posições nesta área que são locais do património mundial.

Um outro lugar excitante a viajar é Lahore; ele ’ s uma cidade velha que olhe como um drama medieval, com cavalos, asnos e os carros boi-desenhados. Os edifícios incríveis de Mughal o – um da mesquita do forte e do Badshahi de Lahore dos mundos os maiores, são uma obrigação a ver. Você pode comer o comensal no terraço do antro convertido do ’ s de Haveli Cocco.

A estrada de Karakorum é referida como a estrada a mais elevada no mundo e enrola através da escala de montanha de Karakorum que conecta a China através da passagem de Khunjerab. Tècnica, ele ’ s a única maneira às atracções turísticas das áreas do norte.

Karimabad é ficado situado no vale luxúria de Hunza e é uns oásis do turista. As ruas crammed com as lojas que vendem artesanatos locais tais como xailes e tapetes junto com frutas, antiguidades e pedras de gema secadas locais. Um outro lugar hilariante é o mausoléu do ’ s de Jahangir dos jardins e do imperador de Shalimar. Não visita este lugar é como a visita de Roma sem considerar o Colosseum. O lugar de Mohotta é um museu autêntico que carreg coleções provisórias. A estrutura é construída no estilo Hindu-Britânico e feita da pedra cor-de-rosa que lhe dá um estilo distintivo.

O mausoléu de Jinnah é um marco famoso em Karachi. É um símbolo icónico de Karachi e é situado no coração da cidade. É compo do mármore branco com os arcos de Moorish curvados. O sactum interno fresco reflete o verde de um candelabro de cristal quatro-estratificado dado pelos povos de China. O túmulo de incandescência pode ser visto das milhas na noite. A parada de Jehangir Kothari é um lugar dedicado ao público e é um exemplo bonito da arquitetura colonial.

Moenjodero foi considerado uma das cidades as mais espectaculares dos tempos antigos. É ficado situado 350 quilômetros fora de Karachi. Ande ao longo das sobras desta cidade velha e testemunhe a maneira de vida onde o paquistanês viveu há muito tempo. O lago Ansoo é um lago teardrop-dado forma famoso em Paquistão encontrado em Kaghan Valley na escala Himalayan. Karachi é igualmente uma área urbana ocupada que hospede um número museus, lojas, consoles, clubes, beachfronts, edifícios coloniais, parques de diversões e de mais.

Apesar do estado subdesenvolvido da indústria de turista paquistanesa, o país tem alguns das paisagens e dos lugares impressionantes no mundo. Você soube que os tempos da refeição são uma celebração e um presente em Paquistão? Onde quer que você vai a, de um acampamento da barraca de refugiados do terremoto às multi milhão casas da libra do mercado ascendente Islamabad, você será convidado a um comensal simples mas entusiasta do caril dhal e da galinha ou da cabra com chapattis .
Fonte (tradução muito tosquinha)

Tuesday, 13 October 2009

Trekking no K2, visto e dicas de viagem

O K2 VISTO DE BAIXO
Skardu é a única cidade do Baltistão, no Norte do Paquistão, situada em zona sensível a nível político e militar, próxima da fronteira indiana e da disputada área do Caxemira. Já foi capital de um reino mais vasto e território budista nos sécs. III e IV; a ocupação tibetana do séc. VIII deixou marcas na arquitectura e uma estátua de Buda a poucos quilómetros da cidade.
A partir do séc. X esta influência declinou, e um certo Ibrahim Shah, provavelmente de origem caxemirense, deu início ao período mais grandioso do Baltistão, que se prolongou, com interrupções, pelos sécs. XVI e XVII. Mas hoje, Skardu é apenas uma grande aldeia que se estende na areia branca do rio Indo, no sopé do monte Karpochu. Cada vez há mais tráfego e construções de cimento com telhado de zinco, mas o vale continua lindíssimo: a vegetação é abundante e os minaretes das mesquitas levantam-se no meio do verde, cercados pelo serrilhado escuro das montanhas do Karakorum. É ponto de partida para muitos trekkings e escaladas: numa área de apenas cerca de cento e cinquenta quilómetros encontramos a maior concentração do mundo de picos com mais de sete mil metros de altitude, paredes gigantes que se levantam de todos os lados num serrilhado impressionante e quase intransponível.

TRILHOS DE MONTANHA
Os trilhos começam na aldeia de Askole, onde um jipe nos deposita depois de um dia a rodopiar por uma estrada de terra estreita e perigosa. O trilho leva-nos depois por moreias* até ao glaciar Baltoro, que tem cerca de sessenta quilómetros de comprimento. Não é de um branco ofuscante e azulado: está coberto por montes de terra e pedras que arrasta consigo, é rasgado por crevasses** e pequenos lagos de água esverdeada. Uma camada de cascalho desliza entre os nossos pés e o gelo. Formas extraordinárias vão aparecendo ao longo do caminho: a erosão por baixo de alguns pedregulhos forma “cogumelos” gigantes e do chão saem seracs ou penitentes de gelo, como é costume chamar a estas formações de um branco puro, em forma de torre ou vela de barco.

Os primeiros três locais de acampamento foram organizados por uma ONG que interveio na sustentabilidade ecológica do trilho, demasiado poluído pela passagem de dezenas de expedições por ano, e instalou aqui uma série de cabinas de casas de banho, água entubada e uma pequena casa-abrigo que vende coisas básicas; a partir de Urdukas, estamos por nossa conta. O acampamento de Goro2 fica a um dia de distância, num local que alguns têm dificuldade em alcançar, atravessando sobre troncos periclitantes o furioso jorro de água que o divide, fruto do avançar do dia e do calor. Mesmo quando não é profunda, a corrente é fortíssima e a água gelada; com os pés mal assentes sobre as pedras do leito e a força poderosa da água a desequilibrar, é fácil cair e ser arrastado com a carga às costas. A temperatura da água é tão baixa que provoca paragens cardíacas em alguns minutos, e há rochedos enormes escondidos na água baça. A sobrevivência é impossível.


APROXIMAÇÃO AO K2


Concordia é a zona de confluência dos glaciares Baltoro, Godwin Austen e de mais um punhado de glaciares menores. E é também o local onde se avista pela primeira vez o fabuloso K2, a imagem perfeita da montanha perfeita, recortada num céu índigo. A banda sonora também é impressionante: constantemente se ouve o estrondo de enormes avalanches que vão resvalando pelas encostas. E até onde a vista alcança, é impossível avistar uma pincelada de verde.

Só no dia seguinte tentámos aproximar-nos mais um pouco deste gigante que parecia fechar o vale; com 8.611 metros de altura, é a segunda montanha mais alta do mundo. Subimos dunas de gelo frente à parede branca e ofuscante de luz que nos atrai como um íman. O Godwin-Austen, verdadeiro manto branco que lhe escorre do sopé, é a nossa nova estrada, e dos lados deslizam silenciosamente outros glaciares. Apesar de parecer próximo, o K2 fica a quinze quilómetros de Concordia - e duas horas e meia mais tarde fui vencida pela altitude e pelo cansaço. Há que ser filósofo durante um trekking: o verdadeiro prazer está distribuído por todo o caminho e não acumulado num só local. Mas para montanhistas como o João Garcia, este é um passeio pelo jardim antes da verdadeira caminhada. Alguém que consegue fazer nove picos de oito mil metros sem oxigénio, deve sentir-se à beira-mar neste oceano de gelo, a mais de quatro mil metros de altitude...


COMO VIAJAR PARA O PAQUISTÃO
Antes de voar para Islamabade, deve pedir o visto na Embaixada do Paquistão em Lisboa, na Av. da República 20-1. A British Airways voa para Islamabade. A partir daí, ficará nas mãos da agência que escolheu - a que utilizo há anos é a Lost Horizon.



QUANDO VIAJAR PARA O PAQUISTÃO
A única possibilidade é o Verão, de meados de Junho a meados de Setembro. O frio abranda, embora a visibilidade fique por vezes afectada com as nuvens da monção que reina do outro lado das montanhas.


ALOJAMENTO DURANTE O TREKKING NO K2
O trekking tem de ser feito através de uma agência, uma vez que se situa numa área restrita. Assim sendo, será a agência a cuidar de toda a estadia, desde hotel em Islamabade a tendas para o trekking.


GASTRONOMIA
Em Skardu há alguns restaurantes populares e um punhado de hotéis com restaurante, mas é mais fácil e prático comer na própria pensão/hotel. No Paquistão a carne é parte essencial das refeições, mas há bons caris de legumes, assim como pão.


INFORMAÇÕES ÚTEIS
O dinheiro troca-se em banco ou agentes de câmbio. Esqueça os ATM e não conte muito com o cartão de crédito. O nível de vida é muito baixo e 1 euro vale cerca de 90 Rupias. Sendo o Paquistão um país islâmico e Skardu uma pequena povoação, aconselho às mulheres o uso do shalwar kamize, o tradicional conjunto de túnica e calças. Os homens deveriam abster-se de usar calções e nunca se apresentar de tronco nu em público. Na montanha impõem-se a roupa própria e os carregadores estão habituados a isso. A língua internacional mais falada é o inglês, a língua nacional é o urdu. Não há nenhuma vacina obrigatória, mas é preciso cuidado com a higiene: nada de alimentos crus ou fruta com casca, beber água engarrafada ou desinfectada com comprimidos.

Fonte: http://www.almadeviajante.com/trekking/k2.php

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