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Monday, 11 January 2010

Manoel Morgado no Paquistão- diário de viagem

21/6/2006 - Karakorum Highway - percorrendo a Rota da Seda

Desde que passei dois meses caminhando pelos vales do Paquistão em 2000
que vinha sonhando em voltar para este pais maravilhoso. Duas coisas fazem
deste pais um lugar especial. Em primeiro o seu povo que consegue ser
ainda mais hospitaleiro que os nepaleses. Os paquistaneses realmente
ganham o prêmio do povo que melhor trata os estrangeiros. Me lembro de
estar caminhando ao lado de um vilarejo e ver uma senhora andando em nossa
direção com uma jarra de iogurte para nos oferecer. Não queria nada em
troca, nunca tinha nos visto e queria apenas nos oferecer seu delicioso
iogurte como ato de hospitalidade. Assim como desta vez outras tantas
vezes me senti emocionado com a gentileza dos paquistaneses. Além disso a
paisagem do pais é simplesmente deslumbrante para os amantes de montanhas.
O norte do Paquistão é cruzado por três cordilheiras, o Himalaia, o
Karakorum e o Hindu Kush oferecendo paisagens magníficas, imponentes e
cinco das mais altas montanhas do mundo incluindo o famoso K2, a segunda
mais alta da Terra.

Naquele ano fiz dois fantásticos treks, um até a base do K2 e outro
pela região noroeste, próximo da fronteira com o Afeganistão por alguns
vales perdidos, habitados por alguns poucos nômades, yaks, ibex e nada
mais. Poucas vezes em minha vida me senti tão feliz caminhando, explorando
e interagindo com pessoas como nesses dois deliciosos meses.

Não é surpreendente então que desde então eu venha sonhando em voltar para
lá. A chance aconteceu agora quando ao invés de voar para Bishkek, capital
do Kyrgystão, eu tenha decidido ir por terra cruzando o Paquistão e
noroeste da China. A rota que levaria da Índia ate o Kyrgystão não poderia
ser mais intrigante e desafiadora. Ligando Islamabad, capital do
Paquistão, ate Kashgar na China há pouco mais de 20 anos foi completada a
construção de uma das estradas mais bonitas do planeta, a chamada
Karakorum Highway. Esta Estrada pode ser considerada uma das obras de
engenharia mais fabulosas do século. Por mais de 20 anos foram usados
milhares de trabalhadores para cavar uma estrada por entre vales
estreitos, profundos e íngremes, cruzando um dos mais montanhosos terrenos
do planeta. Conta-se que houve uma morte de um trabalhador para cada
quilômetro de estrada!

Depois de minhas desventuras tentando escalar o Mera Peak no Nepal tomei
um vôo para Delhi onde reencontrei a Andrea, minha companheira guatemalteca
que depois do trek do Everest tinha ido para a Índia enquanto eu tentava o
Mera. Ela já estava viajando por mais de 6 meses pela Índia tendo estado
principalmente pelo sul. Mais um caso de amor pela Índia já que ela saiu
da Itália onde vive para passa um mês na Índia mas acabou ficando e
ficando. Quando a convidei para vir comigo para o Paquistão, China e
Kyrgystão aceitou sem pestanejar. Um convite irrecusável para quem tem
aventura no sangue.

De Delhi seguimos de trem para Amritsar, capital do estado do Punjab e
onde está um dos mais lindos templos da Índia, o chamado Golden Temple, da
religião Sikh. Passamos o dia andando pelas ruelas da cidade antiga e a
noite fomos mais uma vez ao templo apreciá-lo completamente iluminado e
com suas luzes refletidas nas águas do lago que o rodeia já que ele foi
construído como uma ilha no meio deste pequeno lago artificial.

No dia seguinte cruzamos a fronteira com o Paquistão e fomos para Amritsar
e Islamabad. Na fronteira todos os dia acontece uma cerimônia curiosa.
Dos dois lados da fronteira acontece pontualmente as 18 horas a troca de
guarda e isso é feito de forma extremamente elaborada com cada lado
tentando suplantar o outro aos gritos de apoio de indianos e paquistaneses
que viajam das cidades próximas para exaltar o seu pais. Em nenhum outro
lugar nesses anos todos senti a rivalidade Índia/Paquistão de forma tão
aberta e intensa. Sai da cerimônia um pouco assustado e como sempre
abalado com essas manifestações tão intensas de ufanismo. Governos
fomentando uma inimizade que até antes da divisão Índia/ Paquistão em
1947 não existia.

De Islamabad partimos para nossa jornada pela Karakorum Highway. Mas, como
tudo nesta parte do mundo as coisas não são tão fáceis assim. Quando
chegamos na estação rodoviária descobrimos que o único ônibus diário já
estava lotado (e lotado por aqui significa realmente lotado, com todos os
assentos ocupados e mais um monte de pessoas em pé). Não tivemos outra
opção do que tomar uma pequena van que nos levaria a um vilarejo a pouco
mais de 100 quilômetros onde com alguma sorte poderíamos tomar outra van e
assim continuar por todo o dia. Apos 2 ou 3 horas de viagem pelos planos a
paisagem começou a se tornar mais interessante e após o meio dia já
estávamos percorrendo a região montanhosa do pais. A estrada sinuosa e
estreita corria ao lado do lindo Rio Indus e da pequena janela de nossa
van tínhamos que encostar o rosto no vidro para podermos ver o topo das
montanhas que dos dois lados fechavam o pequeno vale.

Ao final do dia chegamos em um pequeno vilarejo chamado Besham onde
passamos a noite. As 4 horas da manha acordamos para tomar o ônibus que
nos levaria a Gilgit, a maior cidade desta parte do pais. Gilgit tinha
sido meu ponto de partida 6 anos antes para o trek a base do K2 e guardava
alegres memórias desta pequeno lugar. Durante todo o dia nos deliciamos
com a linda paisagem que se descortinava ao nosso redor. Infelizmente
quando passamos ao lado do Nanga Parbat, a oitava mais alta montanha da
Terra, estava nublado e até começava a cair uma fina garoa de modo que não
pudemos avistá-la. Uma boa razão para voltar mais uma vez.

Nos hospedamos no agradável pequeno hotel onde tinha ficado na minha
primeira visita e no dia seguinte fizemos uma deliciosa caminhada por um
vale próximo. Descrevo o que aconteceu nesta caminhada pois ela ilustra de
maneira muito clara como os estrangeiros são recebidos aqui. Tomamos um
táxi ate o começo do vale a poucos quilômetros da cidade. Como acontece
com freqüência aqui na Ásia o motorista estava com seu amigo para fazê-lo
companhia e assim fomos eu, a Andrea, o motorista e seu amigo. A estrada
chegar até uma linda estátua de Buda construída a 2 mil anos atrás quando
esta região seguia o Budismo. No caminho o motorista resolveu parar para
subir em uma árvore para colher apricots para nós. Pensei em como isso era
surpreendente. Um motorista perder seu tempo, sujar suas roupas para
colher frutas para nós. Mas dai, eles desceram do carro e resolveram
brincar de guias turísticos e nos levar ate a estátua, mais uma caminhada
de uns 30 minutos cruzando um pequeno riacho. Depois de nos mostrar a
estátua voltaram felizes ao seu trabalho. E tudo isso por uma corrida de
três dólares!! Caminhamos então vale acima até encontramos uma pequena
hidroelétrica onde os trabalhadores nos ofereceram uma carona em seu jeep
até lugar onde iam, isso, claro, depois do habitual chá e muitos
sorrisos e de recitar o time completo da seleção brasileira. Mais uma vez
nos surpreendemos com o calor com que estávamos sendo tratados.

Seguimos então para o Vale de Hunza, um nome quase mítico entre os
aventureiros e turistas que buscam lugares especiais. Hoje a pequena
cidade de Karimabadh tem apenas um lindo forte no alto de uma colina, mas
alguns séculos atrás o governante de Hunza governava uma vasta área e era
temido por todos os povos vizinhos de quem extraia pesados impostos para
passar por seu território. Hunza fazia parte de uma das muitas Rotas da
Seda, esse conjunto de trilhas e pequenas cidades que ligavam a China ao
Mediterrâneo funcionando não só como rota de comércio mas principalmente
como ligação cultural ajudando na divulgação de novas religiões e
filosofias e ajudando na troca de tecnologia entre povos distantes.
Hoje Hunza é um dos lugares mais bonitos de toda a Karakorum Highway, com
sua maravilhosa vista das montanhas, varias rotas de trekking e alguns
deliciosos cafés para passar as tardes lendo sob a sombra de pessegueiros.

Em Hunza fizemos um pequeno trek de dois dias de duração até um passo a
4.000 metros de altitude de onde se vê todo o lindo vale. No primeiro dia
subimos por 5 horas um estreito vale pedregoso que aos poucos foi se
abrindo e revelando lindas montanhas nevadas. Chegamos em uma área mais
plana onde pastavam placidamente ovelhas e yaks e lá decidimos passar a
noite. Não tínhamos trazido barraca então nos instalamos ao lado de uma
grande rocha, colocamos nossos sleeping bags e lá dormimos sob um céu
absolutamente repleto de estrelas e cruzado a cada 5 minutos por
brilhantes estrelas cadentes. Inesquecível! No dia seguinte completamos a
subida até o topo do passo, curtimos a linda vista e descemos de volta a
Hunza com a alma repleta de felicidade.

Mais um dia de ônibus nos levou ao pequeno vilarejo de Sust e no dia
seguinte cruzamos o famoso Kunjurab Pass com 4800 metros de altitude
atravessando assim para a China.

O contraste não podia ser maior. De um lado o povo mais receptivo do
mundo. Do outro a frieza quase rude chinesa. Dormimos em uma cidade com
largas avenidas e sem alma e no dia seguinte partimos para outro lugar que
há muito tempo sonho em visitar, o Lago Karakol. Meu grande amigo Saverio
esteve aqui há alguns anos e me falava maravilhas do lugar. Com certeza
não me decepcionei pois o lago de uns 5 quilômetros de extensão e de cor
azul turquesa e rodeado de grama verde bem viva e a poucos quilômetros se
erguem duas montanhas com mais de 7000 metros. Mágico!

Logo que chegamos fomos abordados por vários homens a cavalo nos oferecendo
para ficarmos em seus yurts, essas casas movies dos nômades Kyrgystanis.
Fomos para uma e nos apaixonamos pelo lugar. O yurts tinha ao redor de 4
metros de diâmetro, feito de lã de camelo, esse de duas corcovas chamado
Bactrian, típico da Ásia Central. Dentro do yurts era todo enfeitado com
tapetes e com o chão também coberto desta forma. Extremamente
aconchegante. O melhor de tudo é que para controlar a temperatura e para
sair a fumaça do pequeno fogão que existe no centro, existe uma abertura
no teto que pode ser aberta ou fechada de acordo com a necessidade. Nos
dormíamos com ela aberta, apesar do frio, para podermos ver as estrelas
durante a noite.

No dia seguinte mais uma caminhada até a base de uma montanha para vermos
a linda paisagem ao redor. Apesar da vontade de ficarmos mais tempo por lá
tínhamos que seguir para a última etapa da Karakorum Highway, Kashgar.
Esta cidade é famosa como centro de comércio da Rota da Seda por mais de 2
milênios e seu bazar de domingo é uma lenda.

Seguimos então os últimos quilômetros desta fascinante estrada e chegamos
em Kashgar com muita expectativa em relação a cidade e seu mercado. Mas,
infelizmente parece que chegamos um pouco atrasados, mais ou menos uns 50
anos... A cidade é super moderna, com largas avenidas e apesar de ter uma
grande e interessante mistura de povos deixou-nos muito frustrados em
relação ao que esperávamos. O tão famoso bazar foi uma decepção ainda
maior. Qualquer mercado indiano é mais agitado, exótico e interessante.

Apesar disso, depois de 20 dias percorrendo a maravilhosa Karakorum
Highway não podíamos reclamar...Foram dias maravilhosos com paisagens
deslumbrantes e experiências com pessoas incrivelmente receptivas.
Próxima etapa: Kyrgystao!

Fonte: http://www.manoelmorgado.com.br/textos_blog.asp?IdTexto=61
Com muito mais textos e fotos! Excelente

Monday, 28 December 2009

Aonde eu viajo no Paquistão

Paquistão é o país que veio uma maneira longa, sobrevivendo aos terramotos devastadores que desintegraram quase suas estruturas econômicas e físicas. Se você viaja a Paquistão, você descobrirá um país amigável e bonito orgulhoso de sua herança. Paquistão é situado na parte ocidental do subcontinente indiano com Afeganistão e Irã no oeste, India no leste, e o Arabian Sea no sul. O Urdu e o ingles são as línguas oficiais em Paquistão e há outras línguas como o Punjabi, o Pushto, o sindhi e o Baluchi. Com muitos lugares e possibilidades ilimitadas para a caminhada, trekking e os esportes, um desengate a Paquistão pode ser seu fabricante final do feriado. Onde pode se visitar uma vez suas terras planas neste lado do globo?

Paquistão tem diversos picos e povos da montanha alta de pelo mundo inteiro vindos escalar o Karakorums, os Himalayas, a montanha em segundo a mais elevada do pico- da reunião de Hindu Kush e da montanha K2 no mundo. Todo o estes são encontrados nas áreas do norte. Taxila é um do local archeological o mais famoso no mundo. Há 18 posições nesta área que são locais do património mundial.

Um outro lugar excitante a viajar é Lahore; ele ’ s uma cidade velha que olhe como um drama medieval, com cavalos, asnos e os carros boi-desenhados. Os edifícios incríveis de Mughal o – um da mesquita do forte e do Badshahi de Lahore dos mundos os maiores, são uma obrigação a ver. Você pode comer o comensal no terraço do antro convertido do ’ s de Haveli Cocco.

A estrada de Karakorum é referida como a estrada a mais elevada no mundo e enrola através da escala de montanha de Karakorum que conecta a China através da passagem de Khunjerab. Tècnica, ele ’ s a única maneira às atracções turísticas das áreas do norte.

Karimabad é ficado situado no vale luxúria de Hunza e é uns oásis do turista. As ruas crammed com as lojas que vendem artesanatos locais tais como xailes e tapetes junto com frutas, antiguidades e pedras de gema secadas locais. Um outro lugar hilariante é o mausoléu do ’ s de Jahangir dos jardins e do imperador de Shalimar. Não visita este lugar é como a visita de Roma sem considerar o Colosseum. O lugar de Mohotta é um museu autêntico que carreg coleções provisórias. A estrutura é construída no estilo Hindu-Britânico e feita da pedra cor-de-rosa que lhe dá um estilo distintivo.

O mausoléu de Jinnah é um marco famoso em Karachi. É um símbolo icónico de Karachi e é situado no coração da cidade. É compo do mármore branco com os arcos de Moorish curvados. O sactum interno fresco reflete o verde de um candelabro de cristal quatro-estratificado dado pelos povos de China. O túmulo de incandescência pode ser visto das milhas na noite. A parada de Jehangir Kothari é um lugar dedicado ao público e é um exemplo bonito da arquitetura colonial.

Moenjodero foi considerado uma das cidades as mais espectaculares dos tempos antigos. É ficado situado 350 quilômetros fora de Karachi. Ande ao longo das sobras desta cidade velha e testemunhe a maneira de vida onde o paquistanês viveu há muito tempo. O lago Ansoo é um lago teardrop-dado forma famoso em Paquistão encontrado em Kaghan Valley na escala Himalayan. Karachi é igualmente uma área urbana ocupada que hospede um número museus, lojas, consoles, clubes, beachfronts, edifícios coloniais, parques de diversões e de mais.

Apesar do estado subdesenvolvido da indústria de turista paquistanesa, o país tem alguns das paisagens e dos lugares impressionantes no mundo. Você soube que os tempos da refeição são uma celebração e um presente em Paquistão? Onde quer que você vai a, de um acampamento da barraca de refugiados do terremoto às multi milhão casas da libra do mercado ascendente Islamabad, você será convidado a um comensal simples mas entusiasta do caril dhal e da galinha ou da cabra com chapattis .
Fonte (tradução muito tosquinha)

Thursday, 12 November 2009

Diário de Bordo - Paquistao

De acordo com os ensinamentos islâmicos, receber visitas é considerado uma expressão da benção de Deus e até mesmo o muçulmano mais pobre sairá de seu rumo para ajudar o próximo, nunca esperando algo em troca...

Isso é o Paquistão! Apesar da sua imagem deteriorada e de sua má fama de pais terrorista, o Paquistão possui um dos povos mais hospitaleiros da face da Terra. Para nós, foi uma surpresa cruzar a fronteira India/Paquistão e encontrar pessoas tão diferentes e amigáveis do lado de cá. Todo paquistanês que cruzava o nosso caminho ou com quem conversávamos nos dava a mão e as boas vindas ao seu pais. Queriam saber de onde viemos, se achávamos que viajar por ali era perigoso, se estávamos gostando... e quando falávamos que estamos adorando, ficavam todos orgulhosos.

O Paquistão, cujo significado é Terra da Espiritualidade Pura, possui apenas 60 anos de existência. O pais foi criado quando a Inglaterra, exausta depois da Segunda Guerra Mundial, percebeu que não teria mais condições de manter todo o seu império unido. Então, em 1947, os ingleses tiveram que abrir mão da “Jóia da Coroa”, India, e declarar sua independência. Primeiramente, os ingleses queriam deixar para trás um único país, porém os indianos muçulmanos estavam receosos de serem reprimidos pela maioria hindu. Sobre a liderança de Mohammed Ali Jinnah, os muçulmanos persuadiram os ingleses de que deveriam ser criados dois paises distintos: India e Paquistão e, após muita relutância, a Inglaterra desenhou uma linha no mapa demarcando os dois territórios. A demarcação teve nexo apenas no papel, pois na realidade tornou-se um pesadelo, pois resultou num dos maiores movimentos humanos. Milhares de muçulmanos deixaram suas casas e trabalhos e mudaram-se a pé ou de trem para as áreas que se tornariam o Paquistão e, enquanto eles iam para oeste, encontraram milhares de hindus viajando em direção contrária, resultando em uma guerra sangrenta. Durante o tempo em que os líderes indianos puderam reestruturar seu pais baseados no legado deixado pelos britânicos, os paquistaneses tiveram que construir seu pais do zero.

Após a independência, o Paquistão era uma nação dividida em duas partes, leste e oeste, com mais de 1.000km de distância entre elas. As dificuldades para governar dois territórios separados foram enormes e foi inevitável a sua separação, a qual aconteceu em 1971, após mais uma sangrenta guerra, quando o Paquistão do leste tornou-se Bangladesh.

Mesmo tendo sido desenhada a divisão entre India e Paquistão, o território de fronteira, que se chama Caxemira (norte), até hoje está sendo disputado no mais alto campo de batalha do mundo, a 6.000m de altitude. Temperaturas de -50˚C, ventos fortes e ar rarefeito mataram mais soldados do que a própria disputa, que apesar do atual cessar-fogo, está longe de ser resolvida.
Depois de tantas guerras trágicas, aconteceu o episódio de 11 de setembro e o governo paquistanês entrou na luta contra o terrorismo, apoiado pelos Estados Unidos. Muitos não-muçulmanos, pessoas que trabalham para o governo e policiais passaram a ser o alvo dos fundamentalistas Talibãs,. Além de tudo isso, o pais ainda possui problemas com suas diversas tribos existentes em seu território, das quais, algumas lutam por independência, e outras, aplicam suas próprias leis em seus territórios onde o governo não possui nenhum poder.

Bom, mas deixando toda a história de lado, vamos falar um pouco de nossas experiências por lá...

Quando entramos em território paquistanês, seguimos direto para Islamabad (capital) por uma rodovia perfeita e sem comparações com as estradas indianas. Foi um alívio ver as coisas mudando da água para o vinho e tornando-se mais organizadas e limpas.
Na capital, fomos surpreendidos quando encontramos um camping para turistas bem no meio da cidade. Lugar perfeito para montar acampamento e organizar as nossas coisas. Islamabad é uma cidade planejada e muito diferente de todo o resto do país. Cada bloco possui o seu comércio, que é cheio de vida e comidas que nunca mais tínhamos visto, como carne de boi.
Logo ali do lado, na cidade vizinha Rawalpindi, pudemos apreciar uma das mais importantes e significativas artes do país, a decoração e ornamentação de caminhões. Mais impressionante do que ver os acessório e como eles são feitos, é ver um típico caminhão paquistanês rodando pelas estradas. Existe até uma competição entre eles, onde ninguém quer ficar para trás e sempre querem ter o caminhão mais bonito e mais decorado. Um caleidoscópio de cores e enfeites que animaram a nossa viagem pelas ruas e rodovias do Paquistão. Nem as motos, tuk-tuks e tratores escapam e são cheios de penduricalhos.

Porém, o nosso maior objetivo nesta parte da Ásia era dirigir por uma das rodovias mais bonitas do mundo, a Karakoram Highway. Esta rodovia com 1.200km foi construída entre 1966 e 1982, através de uma parceria entre Paquistão e China com o objetivo de ligar os dois países através do Passe Khunjerab (4.730m de altitude). Deslizamentos, calor, frio, e acidentes tiraram a vida de um paquistanês a cada 1.5 quilômetros. Além desta massiva obra, essa região é muito famosa por possuir a maior concentração de picos altos e glaciares do mundo, incluindo o K2 de 8.611m, segunda montanha mais alta do planeta, além de ser cheia de história e cultura. Foi através dela que o budismo se espalhou pela China e Tibet, por ela que o islamismo chegou ao Paquistão e a região foi palco da luta entre ingleses e russos pelo Afeganistão.
Colocamos o pé na estrada e lá fomos nós sentido o norte. Uma das grandes vantagens dessa rodovia é que ela não é cheia de sobe e desce, mas sim, vai acompanhando o Rio Indus e subindo aos poucos. As primeiras cidades foram tumultuadas e com bastante trânsito, porém, quanto mais subíamos, melhor a estrada ficava e mais impressionante a paisagem se tornava.

O tempo não estava dos melhores, pois havia uma espécie de fumaça no ar e não podíamos enxergar muito longe, tampouco ver as montanhas com muita definição. Portanto, os melhores momentos da ida foram com as pessoas. O Paquistão possui uma grande diversidade de pessoas e o que mais nos chocou neste pais foi a predominância masculina, onde vilas eram dominadas por homens e nenhuma, mas nenhuma mulher mesmo, era vista. Muitas vezes a Michelle se sentia incomodada, pois mesmo toda coberta com roupa comprida e lenço na cabeça, ela chamava a atenção, sendo a única mulher nas ruas e restaurantes.

A Karakoram é cheia de postos policiais, pois além de seus limites é uma terra sem leis, onde as tribos ditam as regras e o governo não tem muita interferência. Numa de nossas primeiras noites por lá, achamos um lugar bem legal e com uma linda vista a beira da estrada para passar a noite, mas quando estávamos prestes a ir para a cama, escutamos uma sirene e 3 policiais vieram nos avisar que era muito perigoso passar a noite por ali. Nos aconselharam segui-los e acampar no posto policial. Nos convidaram para tomar chá, como em todos os lugares que fomos por lá, e até nos trouxeram pão e molho para a janta. Sempre querendo ajudar!!
Nos dias seguintes foi a mesma história. Era só pararmos em um posto policial e eles já nos convidavam para um chai (chá). Depois de tanta hospitalidade, chegou a nossa vez de ajudar também. Um carro havia sofrido um acidente, quando vinha em alta velocidade e após passar um monte de areia, que havia se acumulado sobre a estrada, rodou e desceu de ré um barranco de uns 6m de altura. Os 3 passageiros foram sortudos que o carro parou a 1cm de cair do muro de contenção, onde seriam mais muitos metros de barranco até o rio. Colocamos nosso guincho para funcionar e puxamos o carro barranco acima assistidos por uma platéia de curiosos barbudos. Em menos de uma hora, o carro quase que intacto e os passageiros a salvo, continuaram sua viagem e nós a nossa. O cenário a cada quilometro era mais espetacular, com montanhas cada vez mais altas e nevadas. Duas partes de todo o trajeto nos chamaram mais a atenção por sua beleza: as cidades de Ghulmet e Karimabad, rodeadas por picos de mais de 7.000m de altitude; e o vilarejo de Passu, com seus glaciares e as montanhas pontudas que formam as catedrais. A vontade era de não sair mais dali...

Nos últimos quilômetros, mais precisamente 85, subimos cerca de 2.000m de altitude e passamos por um dos vales mais estreitos da rodovia até chegarmos no Parque Nacional Khunjerab. As paredes deste vale são compostas por um pedregulho preto, o que origina o nome kara koram. Acampamos a 4.050m de altitude e a uns 17km do passe, onde tivemos uma noite congelante o que realmente contrastava com o calor de mais de 40 graus que vinha fazendo nas partes mais baixas. O Parque Khunjerab é o habitat de um grande carneiro chamado Marco Polo, o qual possui um chifre encaracolado e que é muito raro (cerca de 100 exemplares que só existem neste parque), além dos chifrudos ibex, marmotas cor de ouro, lobos e leopardos da neve.

A paisagem lá no topo era espetacular, longa, plana, com rios e lagos congelados, montanhas fantásticas e cheias de yaks pastando. Passamos algumas horas curtindo o lugar e até colocamos um pé na China, mesmo que só por debaixo do portão. A China não faz parte de nossos planos nesta viagem, mas confessamos que a vontade de continuar pela rodovia e desbravar o território chinês foi enorme. Depois de mais um convite para chá, tomamos nossa caminho de volta. Pensamos que iria ser uma volta entediante, vendo as mesmas paisagens e vilas, porém o cenário foi totalmente diferente indo no outro sentido. As montanhas eram vistas de outros ângulos, outras eram a primeira vez a serem vistas e o melhor, o tempo mudou de 8 para 80 e o céu azul tornou tudo muito mais bonito e mais claro do que na vinda. A cada curva dávamos um suspiro, pois a paisagem era mesmo de tirar o fôlego.

Foram apenas oito dias que passamos neste lugar e sabemos que não foi o suficiente devido haver muita coisa para se explorar por lá. Com certeza, voltaremos novamente para a Karakoram Highway, ou de carro, ou de bicicleta, ou simplesmente para fazer umas das diversas caminhadas que são possíveis de se fazer nas montanhas paquistanesas.

Dois dias de descanso em Islamabad e pisamos no acelerador sentido Irã. Foram 4 longos dias de viagem, onde nos dois primeiros, com um calor de 45 graus, cruzamos diversas cidades mais ao sul do país e nos outros dois, com o mesmo calor, cruzamos o Deserto do Baluchistan. Tínhamos que dirigir com a janelas fechadas, pois o vento que vinha de fora era de queimar a pele, mas o cenário desértico e montanhoso foi compensador e os pequenos vilarejos no caminho pareciam uma coleção de abrigos de barro, secos e sujos.

Viajar pelo Paquistão foi uma das melhores experiências que tivemos em nossas vidas. Quebramos paradigmas e imagens distorcidas e conhcemos a realidade desse pais tão enigmático e hospitaleiro e isso, levaremos para nossa vida toda.

In Sha’ Allah, nos vemos no Irã!

PS 1 - Uma particularidade entre os homens paquistaneses é o modo de cumprimentarem-se. Por ser uma sociedade masculina, falta de afeto constante com uma mulher e restrições religiosas, os homens são muito sinestésicos com seus amigos e companheiros. Abraços apertados, dar as mãos e segurá-las durante uma conversa, andar de mãos dadas na rua é algo muito comum de ser ver. Para nossa sociedade isso seria motivo para um Mmmhhh (o que nós dois fazíamos quando víamos essas cenas), mas que para eles é muito normal e não afeta em nada a sua masculinidade. Quando o Roy chegava a primeira vez para conversar com eles, todos davam as mãos, mas se os encontrássemos pela segunda vez, já vinham para o abraço. Ainda bem que não encontramos ninguém pela terceira vez...

PS 2 – Se o Roy era recebido com apertos de mão e abraços, a Michelle, pelo contrário, era muitas vezes ignorada e nem a olhavam na cara. Se precisávamos receber algum troco ou alguma informação nunca ninguém falaria com ela, somente com o Roy. O engraçado era vê-los muitas vezes surpresos, pois ao invés de ela ficar submissa e quieta no canto dela (comportamento normal de uma mulher muçulmana), ela se metia nas conversas e nos acontecimentos e todos a olhavam com um olhar de choque.

PS 3 – Depois dos comprimentos e do convite para o chá, vinham os imensos questionários a serem respondidos, e sempre eram as mesmas perguntas.

- Que pais?
- Com o que você trabalha?
- Amiga ou esposa? Essa sempre temos que mentir aqui na Ásia, pois para a cultura deles, um casal estar viajando juntos e não ser casado é um absurdo. E se falamos que não, temos que explicar pra eles como isso funciona e isso é praticamente uma tarefa impossível. Um guarda até chegou a comentar conosco, indignado, que existem vários casais que vão viajar e são apenas namorados.
- Vocês não tem filhos? Por quê? Não precisamos explicar a difícil questão de sermos namorados e estarmos viajando juntos, mas temos que explicar o porque que não temos filhos depois de casados. Para um muçulmano, ter muitos filhos é uma dádiva de Deus e é ele que decide quantos você terá (três, cinco, sete ou mais que dez!!).
- Sem banho? Quando nos encontravam em nosso acampamento, sempre vinham com essa pergunta, pois nunca viam um chuveiro em nossa casa. Para eles, a limpeza é muito importante e eles são meio que vidrados nisso, portanto lavam-se antes de comer, de orar, de dormir, depois da relações sexuais e tudo mais... e ver-nos naquele calor infernal e sem banho, era um tremendo baque para eles. Mas nós tomamos banho, viu?

Fonte e mais fotos: http://www.mundoporterra.com.br/diario/diario-de-bordo-no-36---paquistao/

Thursday, 20 August 2009

Diário de Viagem - Semana 2

Por isso que eu amo o Pak!!!!!!!

Essa série está tudo de bom, que nem pude esperar pra postar a segunda parte.
Eu tinha colocado o link do site, mas deu erro em tudo aqui.. aff, no último post eu coloco oks?

Diário de Viagem - Segunda Parte




Segunda-feira (5 de novembro de 2007)
Gilgit – Karimabad (3 horas)


A noite havia sido fria. Fria como havia tempo que eu não via. Apesar do frio, os dias estavam espetaculares neste começo de outono, quando o clima ainda está bastante seco e o céu completamente azul. Dei uma volta pela cidade logo pela manhã, em busca de do centro de informação e de descobrir o preço da passagem aérea de volta, já que eu não estava nem um pouco interessado em tomar aquele ônibus mais uma vez.

O centro de informação parecia que não iria abrir tão cedo nesta segunda-feira, a companhia aérea cobrava uma valor mais caro do que eu esperava e a úncia coisa boa desta minha caminhada foi que eu encontrei a roupa paquistanesa que eu queria numa loja de roupas usadas e o melhor, por uma camisa e calça que eu queria, paguei apenas cerca de 7 Reais.

Depois disso eu voltei para a minha hospedagem, arrumei minhas coisas e parti para o ponto de ônibus, para tomar um veículo rumo à turística cidade de Karimabad, localizada no coração do Vale do Hunza (a melhor tradução que eu encontrei para Hunza Valley). A van comportava 18 pessoas e não sairia da estação enquanto não estivesse completa. Esperei cerca de 30 minutos até que o veículo estivesse lotado e então, espremido num dos bancos do veículo, segui para o norte.

A viagem foi muito melhor que a de ontem. Desta vez a estrada estava em bom estado – ela só não estava no trecho anterior porque ela foi devastada pelo terremoto de 2004, que também matou centenas de pessoas – e a viagem foi mais agradável, especialmente pelo fato de ter durado apenas 3 horas. No início da tarde eu já estava em Karimabad, numa hospedagem simples, barata e acolhedora, onde encontrei mais alguns viajantes.

Alí eu via a beleza da região em sua melhor forma. Algumas das montanhas mais altas do mundo, picos nevados, vales e geleiras, além de uma gente altamente hospitaleira e simpática, as quais levam a vida de uma forma serena e pacata, sendo muçulmanos, mas sem as paranóias que o islamismo por vezes cultiva. Senti-me em casa logo nos primeiros instantes no local.

Ao final do dia, após um pôr-do-sol de tirar o fôlego, todos os hóspedes do hotel jantaram juntos e conversaram durante horas, até o sono chegar.

Terça-feira (6 de novembro de 2007)
Karimabad e arredores

Acordei cedo, junto com o sol na realidade. Queria ver o sol dar início ao dia iluminando primeiro o topo das montanhas que cercavam o vale. Relutando um pouco devido ao frio, eu coloquei diversas camadas de roupa e subi até o terraço da casa onde estava. O frio estava forte e as pequenas poças d’água pelo chão estavam congeladas. Apesar disso, a vista compensou o esforço: um céu sem nuvens e os raios de sol, quase que visíveis, chegavam apenas nos altos picos das montanhas com seus 8 e 7 mil metros.

Na medida que o sol iluminava de dourado cada um desses picos a neve derretia e pequenas núvens se formavam ao redor dos cumes. Fora eu e o o Ji (o dono da hospedagem, que sempre falava “ji” no final de cada frase, assim passei a chamá-lo de Ji), todos na hospedagem estavam dormindo, mas aos poucos começaram a acordar, na medida que o sol chegava e esquentava o ambiente.

Tomei um simples café da manhã e fui para o Baltiti Forte, como é conhecido este forte de mais de 800 anos que fica no alto de uma montanha, com picos de 7 mil metros ao seus fundo. Ao caminhar pelas ruas da cidade, passei pelo campo de polo, já desativado, pois não há mais cavalos na cidade, cruzei com alguns yaks (espécie de búfalos presente nas regiões mais altas) e cheguei ao forte.

Não havia quase ninguém na cidade e ninguém no forte, que ainda estava fechado e já eram 9 da manhã. A vida nas montanhas era mesmo diferente. Encontrei um guarda e ele disse que o forte logo abriria as suas portas. Enquanto esperava, observei algumas família começarem o seu dia. A população desta parte do país não carrega a fisionomia do sul asiático, mas sim do centro deste continente, de países que um dia já foram parte da URSS, como Kazaquistão, Tajiquistão e Usbequistão (os vizinhos mais próximos desta região).

Mais que a diferente fisionomia, o comportamento das pessoas também é bastante diferente. Uma grande hospitalidade e uma enorme simpatia faz parte dessas pessoas. Depois de esquecer do tempo vendo a vida daquelas pessoas, o guarda do forte veio me avisar que o local já havia aberto suas portas e que eu poderia entrar.

No valor do ticket de entrada, que não era barato para o Paquistão, estava incluso um guia e boa parte daquele dinheiro iria para ajudar na restauração do local. Logo apareceu o guia e me mostrou todo o local, que para a residência de uma “família real” não era assim tão grande e mais rústico que o normal. O prédio como um todo era marcado por linhas e formas tibetanas, já que na época que foi construído a região estava mais influenciado por esse povo, incusive tendo o budismo como religião.

No subsolo do prédio de 3 andares, estava um pequeno calabouço para os desertores, que ficavam detidos alí por pouco tempo antes de serem tranferidos para o que é o hoje a fronteira entre China e Paquistão, onde eram apenas largados por lá. Alguns morriam, outros ficavam por lá e outros ainda conseguiam voltar, depois de anos, para o Vale do Hunza.

No andar intermediário, ficava a cozinha, ainda negra pela fumaça, com panelas de pedra e algumas de metal – trazidas da China –, também havia o armazém de frutas secas, que ficavam estocadas para o inverno. Somente no 3º andar havia outras influências que não tibetanas, no caso especialmente da Kashemira. Neste andar estavam os cômodos da família real, um para o verão e outro para o inverno, este com mais tapetes e cobertores, além da sala de instrumentos musicais, onde ocorriam as celebrações. Por fim, havia o terraço, com vista para o vale e para as montanhas, com uma decoração sem muitos detalhes.

Após a visita ao forte, eu já estava próximo das montanhas e de uma gelereira, resolvi então caminhar até lá, apesar de saber que não seria uma caminhada fácil. Comecei cruzando o vale e já subindo uma ingreme elevação repleta de pedras e areia o que foi a primeira dificuldade para os meus tênis de sola completamente lisa. Depois tive que cruzar um pequeno rio caminhando sobre pedras soltas. Até aí tudo bem, mas depois havia pedras gigantes em meu caminho e passagens realmente difícies. Ao chegar na metade, tive que admitir que não seria mais possível, assim voltei para o pequeno vilarejo, já com algumas bolhas nos pés e cortes nas mãos.

No vale eu almocei e depois fui até o Rio Hunza, justamente na base do vale. Além do fato de estar na base do vale, alí eu podia ver algumas formações rochosas curiosas e pontes frágeis sobre o rio. Após o passeio eu tinha que voltar e não queria subir caminhando até o vilarejo, assim eu usei a técnica que as pessoas nativas usam: corri atrás de uma van, saltei e agarrei num suporte metálico que há na traseira do veículo. Agarrado alí eu subi a montanha e quando era hora de descer eu apenas saltei do veículo e caminhei por mais alguns metros até minha hospedagem, para então ver o sol se pôr, jantar e me preparar para mais uma noite fria.

Quarta-feiram (7 de novembro de 2007)
Karimabad – Passu – Gilgit


Acordei com uma dúvida: voltaria para Gilgit para depois seguir para Islamabad ou seguiria mais ao norte, perto da fronteira com a China, na bela cidade de Passu. Todos os que estava na hospedagem haviam ido embora e eu ainda tinha essa dúvida em minha cabeça. Fui para cidade para comprar um mapa que eu queria, mas descobri que o o comércio abriria suas portas somente depois das 11 da manhã, como de costume.

Assim, resolvi sair da cidade sem meu mapa mesmo, agora com um destino certo, mais ao norte. Pulei então em outro carro, agarrei na barra de ferro e segui até a próxima cidade, 5 quilômetros dalí, Aliabad. Em Aliabad ainda pensava se valeria mesmo a pena seguir para Passu, mas resolvi não pensar muito e apenas entrar na van lotada de gente e segui até lá.

O motorista estava correndo bem e a viagem foi mais rápida do que eu esperava, os problemas, entretanto, começaram quando eu cheguei ao local. A aldeia parecia uma cidade fantasma. Não havia ninguém por alí, havia placas de hoteis, mas todos eles estavam fechados, assim como as 5 vendas do vilarejo. Bati na porta dos hoteis e ninguém apareceu, busquei entrar alguém pelas ruas e nada. Depois de algum tempo encontrei um bando de crianças jogando cricket, mas infelizmente nenhuma delas falava inglês.

Não sabia mais o que fazer. Um sujeito então parou seu carro na beira da estrada, perto da onde eu estava e eu fui falar com ele. Não tive boas notícias, parecia que hoje era algum dia especial no local (ou fora do local) e diversos do moradores dalí haviam ido para outra cidade. Talvez eles voltassem pela noite, mas ainda era incerto. O pior mesmo era que não havia mais nenhum tipo de transporte para eu voltar agora. Sem comida, sem local para ficar, eu sabia que estava com problemas e quando o sol fosse embora eu poderia congelar alí.

Voltei para a estrada e no mesmo instante eu vi um carro passando, estendi a mão e pedi uma carona. No mesmo instante o carro parou e me convidou para entrar. Os 2 sujeitos dos bancos dianteiros pareciam simpáticos, no entanto não falavam uma palavra em inglês e eu quase nada de urdu. A comunicação estava prózima de zero, mas o suficiente para eu conseguir explicar que eu queria sair dalí. Inicialmente falei de Aliabad, mas eles disseram que estava indo para Gilgit, aonde eu queria chegar. Segui com eles até Gilgit, da onde eu iria tomar um avião para Islamabad amanhã.

Quando cheguei na cidade, por volta das 5:30 da tarde, tinha dúvidas se encontraria o escritório da companhia aérea ainda aberto. Todas instituições fecham antes das 4 por aqui. Corri então para o escritório da PIA (nome da companhia aérea) e como eu já esperava eles estavam fechados. Não desisti, nunca desisto tão cedo. Bati na porta e ninguém. Bati na porta novamente e apareceu alguém. Falei com o senhor e ele disse para eu voltar amanhã, pois hoje eles já estavam fechados. Tentei falar com ele e ele, que já estava sem paciência, chamou outro funcionário.

Ao falar com este outro funcionário disse que tinha uma reserva e ele abriu a porta para mim. Agora poderia comprar meu ticket sem problemas. O problema foi que ao comprar meu ticket de avião, me sobraram quase 300 Rúpias (menos de 10 Reais) e eu ainda tinha que dormir e comer com esse dinheiro. Voltei então para a hospedagem onde eu estava ficando e pedi o quarto mais barato, 150 Rúpias, e uma prato de comida barato e que me sustentasse, mais 100 Rúpias.

Tinha ainda mais 40 Rúpias, o que não daria para muita coisa, mas pelo manos eu chegaria até Islamabad, onde poderia encontrar um caixa eletrônico para sacar mais dinheiro. Agora, não me restava muito a fazer, senão dormir e esperar.

Quinta-feira (8 de novembro de 2007)
Gilgit – Islamabad


Acordei cedo, tomei um banho quente, não tomei um café da manhã hoje, pois não tinha dinheiro e apenas esperei chegar a hora de seguir para o aeroporto. Paguei o hotel e eles me ajudaram dando um desconto de 100 Rúpias, na minha conta, dizendo que eu iria precisar desse dinehiro quando eu chegasse em Islamabad. Aceitei o desconto e fui embora para o aeroporto.

Caminhei até o aeroporto que tinha sua única pista quase que no centro da cidade. No entanto, havia chegado cedo demais e tive que esperar na rua, já que eles não tem sala de espera. Quando chegou o momento de entrar fui revistado algumas vezes e depois cheguei a uma pequena sala destinada apenas aos passageiros. Esperei por mais uma hora até abrirem a porta para os passageiros caminharem até a pista e entrarem no único avião do local.

Eu tinha 2 motivos para estar tomando uma avião. O primeiro era a vista que eu ganharia do avião, que poderia mostrar diversas das altas montanhas da região, incluindo o Nanga Parbat, com seus 8.125 metros, o segundo motivo era que eu não queria realizar mais uma vez a viagem insalubre de 17 horas entre Gilgit e Islamabad. Por isso, pedi um assento na janela do lado esquerdo do avião ao embarcar. Fui atentido, podem me deram o pior assento, justo debaixo da asa.

Ao avião decolou e na medida do possível eu consegui ter uma boa visão das montanhas mais altas do mundo. A incrível paisagem permaneceu durante toda a curta viagem de 55 minutos. Aterrissar no aeroporto de Islamabad, o qual é usado para vôos domesticos, internacionais e militares, foi tranqüilo, o problema foi que os caixa-eletrônicos do aeroporto estava quebrados e eu continuava sem dinheiro.

Resolvi pedir uma carona para Islamabad, que estava a alguns quilômetros dalí. Ninguém me deu uma carona, mas um sujeito me deu 100 Rúpias. Agora já tinha 200 Rúpias de esmola e poderia tomar um táxi. Pedi para o táxi seguir para um banco, ele conhecia bem a cidade, mas o que eu não sabia é que quase nenhum banco era compatível ao sistema internacional que eu uso para sacar dinheiro, Cirrus. (eu tb usava esse.. mto ruim de achar, somente o Banco Samba aceita, hauhauahua conhecidencia?)

Depois de uma longa jornada e diversos caixas-eletrônicos, cheguei ao CitiBank, que pelo visto era o único que funcionava. Saquei o dinheiro e segui para o departamento de vistos e passaportes, para perguntar como poderia fazer para extender meu visto caso necessário. Descobri que poderia fazer alí, porém eles haviam fechado as portas fazia mais de 2 horas e amanhã não abriria devido a um feriado especial. Não poderia ser pior, agora seria melhor não perder tempo para começar a pedalar.

Encontrei também a Embaixada do Brasil, onde seria bom ter uma conversa, mas ela também já estava fechada em plena tarde de quinta-feira e, claro, também não abriria amanhã devido ao feriado que havia sido declarado derrepente. Não poderia fazer muita coisa a não ser conhecer um pouco da cidade então. Entretanto, Islamabad não conta com muitas atrações, sendo mais uma cidade política que turística.

Segui para um dos poucos pontos de interessa da cidade, a Mesquita Faisad, a qual foi considerada a maior mesquita do mundo durante a década de 80. Hoje ela não é mais a maior do mundo, mas dizem que segue sendo a maior da Ásia, o que já é bastante. Eu cheguei ao local na hora do pôr-do-sol, o que deixou a beleza da mesquita ainda maior. Com o Sol se pondo de um lado e uma cadeia de montanhas do outro, eu estava no local certo na hora certa.

Dalí segui para a cidade, atrás de algo para comer, pois já era noite e eu ainda estava com o estômago vazio. Demorei para encontrar um restaurante, mas valeu a pena. Dalí tomei um pequeno táxi até a hospedagem onde eu estava e me preparei para encerar mais um dia e planejar minha ida para Lahore amanhã.

Sexta-feira (9 de novembro de 2007)
Islamabad – Lahore


Acordei sozinho no quarto para 4 pessoas e depois de uma banho quase frio, arrumei minha bagagem para seguir para Lahore. Fui para a rua e tomei um táxi para o terminal de ônibus. Alí descobri que não era uma boa idéia tomar um daqueles ônibus, que além de demorar não eram lá muito confortáveis. Segui então para outra companhia de ônibus, um pouco mais longe e pelo caminho, vi que havia uma confusão na estrada, o que estava obrigando o taxista a contornar em plena rodovia e seguir pela contra-mão.

Depois de algumas manobras arriscadas eu descobrir o motivo da confusão, haviam acabado de matar 2 sujeitos na pista e as ambulâncias já estava alí e a polícia a caminho. Num determinado ponto, não era mais possível mais seguir no táxi, pois todas as pistas haviam sido fechadas, agora eu tinha que caminhar até a companhia de ônibus.

Essa companhia apesar de organizada tinha uma demanda muito grande que resultava em enormes filas para comprar as passagens. Tive apenas tempo de comprar a minha passagem e entrar no ônibus, que era mesmo confortável, mais até do que eu esperava, e seguir tranqüilamente para Lahore. A viagem durou exatamente o tempo previsto e por volta das 3 da tarde eu já estava num ponto de Lahore que eu nem fazia idéia. Tomei então um rickshaw para a hospedagem onde eu estava e pelo caminho descobri que o feriado havia chegado em Lahore também, pelo menos nas instituições governamentais.

Ao chegar na hospedagem descobri que não havia cama para mim e acabei encontrando quase todas as pessoas que estavam alí durante a semana passada. Parecia que ninguém queria ir embora dalí. Fiquei conversando com todos e com as novas caras também e até entrando numa discussão, pelo simples fato de eu dizer que não gosto da Índia para os amantes do país.

O dia acabou comigo dormindo no terraço e sabendo que ainda teria amanhã pela frente, mas que seria basicamente um dia de trabalho.

Sábado (10 de novembro de 2007)
Lahore


Apesar da hospedagem oferecer algumas falicidades para seus hóspedes, como água tratada e máquina de lavar roupa, tudo gratuitamente, esses benefícios era altamente disputados. Ontem eu não havia conseguido lavar a minha roupa e hoje estava brigando para usar a máquina e por algum lugar no varal. Após lavar meu saco de roupa suja eu resolvi inciar o processo de atualização do meu site, que só não pode ser realizado pois a energia elétrica da cidade acabou e não tinha previsão de voltar.

A energia voltou pela tarde e eu consegui fazer um pouco do que precisava, pelo menos até a noite chegar e todos os hóspedes decidirem fazer um churrasco e até comprar cervejas. Malik, o dono da hospedagem, também entrou na festa e até convidou alguns músicos para participar, o que musicou o churrasco realizado no terraço do prédio localizado no centro de Lahore.

Domingo (11 de novembro de 2007)
Lahore


Apesar dos meus planos de iniciar minhas pedaladas ainda hoje eu percebi que se quisesse fazer as atualizações que queria isso não seria possível. Assim, desisti de começar a pedalar hoje e passei quase todo o dia na frente do computador para finalizar o que eu tinha que fazer. Quase todos os turistas foram embora e de cheia, a hospedagem ficou quase vazia no final desta semana paquistanesa.



Amooooooooooooooooooooooooooooooooooo
Essa saudade deixa meu coração apertado!
Deu vontade de conhecer o Pak??

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