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Thursday, 8 April 2010

Dubai- Uma ditadura disfarçada

Quando se pensa em Dubai se pensa em glamour, mas não é bem assim, vivendo aqui é que se nota o que há por baixo de tantos panos...
A população Árabe local aqui é mínima, cerca de 10%, porém eles tem sobrerania total nos poderes e diretos.
Aqui se é controlado tudo, o que você vê na internet, muitos sites são bloqueados; o que você manda por sms, um casal de amantes foi preso, pois um deles era casado e mandava mensagem impróprias para uma outra; o que se assiste na tv, cenas dos filmes são cortadas.
Os locais pintam e bordam e fazem o que bem querem aqui, pois tudo é ao reino deles, eles tem o total direito, batem nos seus empregados em público, maltraram suas crianças, já vi umas gurias árabes roubando por baixo da abaya.. quem desconfiaria delas? não podem ser revistadas, e ninguém teria coragem de acusá-las né???? porque perderia o emprego na hora e seria deportado, isso se não passasse dias na prisão por ter acusado...
Visto de comparação entre os países Islamicos, Dubai é um dos mais mentes abertas ( na minha opinião só perde para a Tunísia). Nas ruas se ve as fotos das Altezas reais que governam o país, são de forma idolatradas suas figuras, nem me atrevo a pensar mal deles,... deram uma boa repaginada aqui, mas ainda falta muito para tornar esse lugar habitável!
Claro que para os paquistâneses, indianos, etc que estavam acostumados a viver em situação bem pior de submissão do governo e cultura aqui é o paraíso!!!!!!!! Para quem estava livre, é de se estranhar que não se possa abrir a boca para reclamar de alguém somente porque ele é cidadão local ( não inclui natos de pais de outras nacionalidades em terras dos Emirados Árabes, pois não possuem diretos).
Aos olhos dos Árabes, somos trabalhadores deles, meros empregados que não temos direito algum. Tanto que eles tomam os passaportes dos seus empregados para que não corram o risco de fugirem...
Uma coisa que me chocou foi o caso de uma Filipina que ficou grávida depois de se estuprada por seu patrão Árabe, e para não ser presa, eu disse presa! Por ter ficado grávida sem estar casada, ela se jogou do prédio...
Se você é estuprada, e ao te investifgar descobrem que você por exemplo, mora com seu namorado e não tem como provar que são casados, você perde totalmente os seus direitos e vai para a cadeia, de vítima você passa a ser culpada... foda!
Vejam o caso dessa comissária, que por sorte teve o bebê em outro país, caso contrário, ela e o namorado estariam presos agora:


Dubai air stewardess who gave birth to her baby in a hotel room had no idea she was even pregnant.

Liz Curry, who works for Emirates and was alone on a 24-hour layover in South Africa, had thought she was suffering from a stomach ulcer in the months leading up to the dramatic delivery.

Curry says she had no idea she was six months pregnant when she was struck by agonising cramps in her Johannesburg hotel.
“The cramps were horrendous and within a few minutes, there was a baby. It gets a bit hazy after that, I was in complete shock,” she told 7DAYS.

The unmarried stewardess has been forced to stay in South Africa while she tries to sort out all the red tape.

‘My ulcer turned out to be a baby’

As flight attendant Liz Curry writhed in agony in a hotel room in Johannesburg, she feared the worse - she would have to phone in sick ahead of her Emirates flight back to Dubai.

But before she could call a doctor, an excruciating pain ripped through her stomach and minutes later Alexandra ‘Ali’ Johanna was born weighing 1.03kg.

Curry, an Irish expat who has lived in Dubai for eight years, called the hotel’s reception and begged for an ambulance.

As she ran out of the room, a member of staff ran in and discovered the three-month premature baby girl was not breathing.

“I ran out into the corridor shouting ‘oh my god, there’s a baby, there’s a baby’ and the lady had run in,” she said.

“When I followed her (the lady) back in, she was on the phone to a paramedic who asked her to check if Ali was breathing and she wasn’t. That moment was terrifying.

But suddenly we heard a noise and it was Ali teaching herself to breathe for the first time.”

Ali, who was born on January 21, spent two months in an intensive care unit and has amazed doctors with her recovery in the face of her dramatic entrance to the world.

Curry says she had no idea she was pregnant, as she has a history of stomach ulcers and feelings of fatigue, nausea and an out-of-sync menstrual cycle are not uncommon for cabin crew.

“I’d been feeling under the weather for a while. I saw the doctor and explained how I felt and was given a blood and urine test.

That was in December. I never got the results. I asked for them but was told I should just take the ulcer medication, which is what I did. And then a month later, Ali was born.”

Ali’s father, an Australian expat, and Curry have been a couple for two years.

He had just returned to Australia and Curry now plans to emigrate there with Ali.

“I’m on unpaid leave with Emirates at the moment but I can’t come back to work in Dubai - not just because I’m a new mother but also because of the law. As I’m unmarried, if I’d had the baby in Dubai, I would have been arrested.

But now I have Ali, it is still a grey area whether I could be arrested if I ever set foot back in the country... I can’t take the risk.”

In the meantime, a dhs250,000 medical bill and a sea of red tape mean the pair will have to stay in South Africa for several more weeks

Dubai me agrada ao ser cosmopolitano, conhecer pessoas de países que eu nem sonhava que existiam ehehe, e também é bem mais seguro que São Paulo, aonde eu nem atendia o celular na rua, aqui saio tranquilamente vestida como eu quero, levando e usando o que bem intendo sem estar preocupada em ser assaltada, claro que não é como a Suiça.. aonde você poderia deixar sua bicicleta do lado de fora de casa sem corrente e três semanas depois ela estar intacta, aqui em Dubai a Kari me ensinou a não se arriscar tanto...

=)

Saturday, 22 August 2009

Escravidão moderna ainda domina no Golfo Pérsico

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4591541,00.html?maca=bra-aa-news-874-rdf

No Golfo Pérsico a situação de centenas de milhares de trabalhadores estrangeiros está atrelada ao empregador. Bahrein e Kuwait concederam-lhes agora mais direitos. A "escravidão moderna" chegou ao fim?

Ilhas das Palmeiras em Dubai, torres reluzentes em Qatar, plataformas de extração de petróleo em Abu Dhabi: tudo isso não seria possível sem as centenas de milhares estrangeiros que lá trabalham.

As economias das monarquias do petróleo no Golfo Pérsico se baseiam no trabalho de imigrantes. Seu visto de trabalho está acoplado ao emprego: quem quiser procurar outro trabalho necessita da permissão do empregador, que é denominado "garante" ou "patrocinador". Em árabe, o sistema se chama kafala.

Um trabalhador que é maltratado pode reclamar, mas arrisca-se a perder tudo. Sarah Leah Whitson, ativista da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), explica que "Consequentemente ele talvez perca o emprego – e o direito de viver no país. E como o visto está atrelado ao patrão, o empregado não tem direito de ir e vir nem de escolher um emprego".

O sistema kafala

O ministro do Trabalho do pequeno reino de Bahrein compara isso à escravidão e quer mudanças. Desde o início deste mês, entrou em vigor uma nova lei, segundo a qual estrangeiros têm o direito de trabalhar onde quiserem. O imigrante não precisa mais da anuência do antigo empregador para trocar de emprego.

Tarek Yousef, reitor da Escola de Governo de Dubai, diz que não é nenhuma surpresa que Bahrein seja precursor na questão. Segundo Yousef, de todos os Estados do Golfo, Bahrein é o que apresenta mais abertura política, respeita a liberdade de imprensa e tem um Parlamento que funciona, tem voz, e é receptível a opiniões externas.

O sistema kafala é criticado mundialmente como a grande mácula na imagem dos países do Golfo. O rei de Bahrein quer ir mais além e pretende adotar mais regras internacionais, como no direito trabalhista. Assim, ele pretende atenuar também o elevado nível de desemprego.

Mercado de trabalho mais eficiente

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Economia dos Estados do Golfo depende de imigrantes
O desemprego é, aliás, um problema que atinge todos os Estados do Golfo Pérsico. Para os habitantes locais, a maioria dos trabalhos executados por migrantes do Paquistão ou Bangladesh são muito mal remunerados. E os melhores empregos são ocupados, geralmente, por trabalhadores ocidentais com melhor formação profissional.
Por esse motivo, a partir de agora em Bahrein, quem empregar estrangeiros tem que pagar uma taxa. Esse dinheiro será destinado à formação profissional da população local.

No entanto, a resistência dos empregadores em Bahrein é grande, afirma o reitor da Escola de Governo de Dubai, Tarek Yousef. "Eles não estão nada satisfeitos, pois agora têm que ser muito mais competitivos em termos de remuneração. Para que as pessoas continuem a trabalhar para eles, não adianta mais negar a permissão para a troca de emprego. Em minha opinião, o mercado de trabalho agora ficará mais dinâmico e eficiente".

Bom e velho capitalismo

Recentemente, o Kuwait também anunciou reformas. Quem passar dois anos trabalhando de forma íntegra no país poderá trocar o posto de trabalho à vontade, disse o ministro responsável pela questão.

Para Yousef, os Emirados Árabes Unidos (EAU) poderão ser os próximos. "No momento eles estão, segundo me consta, avaliando as opções. E se os EAU forem nesta direção, então talvez Omã e Qatar os acompanhem."

Contudo, nem todos compartilham o otimismo do politólogo. A indústria da construção civil, por exemplo, não se dará facilmente por vencida, já que o antigo sistema trazia óbvias vantagens para o setor.

Eckhart Woerz, diretor do departamento de Economia do Centro de Pesquisas do Golfo em Dubai, explica que no antigo sistema: "Não se paga pela formação profissional da força de trabalho, não se paga quando ficam desempregados, não se paga aposentadoria. Todos os encargos sociais são terceirizados, por assim dizer, de forma brutalmente capitalista. Admitamos: é o 'bom e velho' capitalismo, não há outra definição".

Autor: Carsten Kühntopp

Friday, 7 August 2009

Conheça Doha








Descubra Doha, a pérola do Golfo Pérsico, em 36 horas




Há poucos anos, era quase possível ouvir os amarantos sendo soprados por esta cidade, a capital do Qatar. Atualmente, quaisquer amarantos restantes estão colidindo contra os arranha-céus gigantes e amplos megaprojetos que estão brotando das areias. Ainda forrada de petrodólares apesar da continuidade da montanha-russa econômica, o lar da rede de TV Al Jazeera continua gastando em hotéis de luxo, vilas spa de classe mundial, super shopping centers do tamanho de Las Vegas, espaços culturais projetados por renomados arquitetos e ilhas artificiais que visam expulsar da água a rival e vizinha Dubai.


Sexta-feira18h - Tratamento realVocê provavelmente enfrentou um longo voo até Doha, então uma ida no fim da tarde ao Six Senses Resorts & Spas, no amplo e ao estilo mouro Sharq Village and Spa (Ras Abu Aboud Street; 974-425-6999; http://www.sixsenses.com/), é uma coisa óbvia. Esfoliação com açúcar e hidratante? Massagem com pedra quente do deserto? Terapia de banho marroquino? O menu internacional está repleto de tratamentos que você poderia encontrar nos Hamptons - e outros que certamente não. Massagens e tratamentos que duram uma hora geralmente custam entre 500 e 700 riais (US$ 135 a US$ 189, com o dólar contado a 3,7 riais). Para aqueles que procuram por aquele relaxamento pós jantar, o spa, que faz parte de uma rede com propriedades em 16 países, fica aberto todo dia até as 23h.20h - Do mar para a mesaNo interior iluminado por velas do restaurante Al Dana (974-425-6227; http://www.sharqvillage.com/), na Sharq Village, os animados garçons servem especialidades fusion globais com uma ênfase em peixes e frutos do mar: ostras no molho chili com limão; mexilhões em curry tailandês e leite de coco; lagosta de Omã com arroz jasmim. O camarão tigre do Golfo grelhado, tão carnudo quanto filés de peixe, recebe um toque excelente do curry vermelho ao estilo Goa, enquanto o crème brûlée de capim cidreira com compota de abacaxi dá um toque tailandês ao clássico gaulês. Um jantar para dois, sem vinho, custa cerca de 400 riais.21h30 - Um tipo especial de baratoCom sua música de lounge de DJ, superfícies brilhantes, sofás baixos felpudos e vistas deslumbrantes - cortesia de uma localização no 15º andar do elegante hotel La Cigale - o Sky View Bar - (60 Suhaim Bin Hamad Street; 974-428-8204; http://www.lacigalehotel.com/) ao ar livre não poderia emanar mais sex appeal se misturassem feromônios nas bebidas. A clientela é repleta de financistas britânicos engravatados, socialites libanesas que beijam sem se tocar e diferentes tipos inescrupulosos internacionais que compõem a robusta comunidade estrangeira da cidade. Peça um coquetel So High in the Sky (Martini Rosso, gim Tanqueray e Campari; 70 riais), volte sua atenção para o lado de fora e desfrute do horizonte sempre em mutação de Doha. É recomendado fazer reservas.
Sábado10h30 - As artes árabesNenhum prédio anuncia mais ousadamente a ascensão de Doha do que o novo Museu de Arte Islâmica (Corniche; 974-422-4444; http://www.mia.org.qa/), que teve sua inauguração de gala em novembro de 2008. Projetado por I.M. Pei, esta mistura de retângulos e cubos brancos está repleta de criações primorosamente trabalhadas - móveis, livros, azulejos, tecidos, instrumentos científicos - cobrindo mais de um milênio e um território do Marrocos até a China. Entre algumas das peças mais impressionantes estão cerâmicas medievais centro-asiáticas e complexos astrolábios mouros do século 14, cujas engrenagens, alavancas e mostradores dourados rivalizam o trabalho dos melhores relojoeiros suíços. Entrada franca.14h - Uma pausa persaIemenitas, turcos, iraquianos, marroquinos: as opções culinárias ao longo da rua principal do imenso Souq Waqif de Doha - um mercado do início do século 20 que recebeu uma elegante reforma em 2006 - oferece um curso intensivo de culinária árabe e do Oriente Médio. Explore o seu xeque interior e sente-se em um canto almofadado do Isfahan Gardens (rua principal, Souq Waqif; 974-528-7521). Este restaurante iraniano exibe uma decoração impressionantemente colorida que combina mosaicos intricados, candelabros ornamentados e milhares de espelhos minúsculos. Após o gratuito pão chato quente com sementes de gergelim, experimente o suculento jojeh kababmasti (frango marinado em coalhada com repolho vermelho) ou um dos ensopados que mudam diariamente. Uma refeição com três pratos para dois custa cerca de 250 riais. Sem álcool.15h30 - Pechinchas de beduínoÉ difícil encontrar um falcão de caça decente atualmente. Felizmente, o Souq também é lar do Birds Center (Bird Souq, Souq Waqif; 974-468-4366 ou 974-468-7029). Mesmo que você não tenha milhares de riais para gastar em um amigo emplumado, os falcões e acessórios da loja (poleiros, sistemas eletrônicos de guia) oferecem uma janela divertida para este passatempo qatariano. Você encontra uma espécie de liquidação de beduíno no Al Rumailah (rua principal, Souq Waqif; 974-672-4152), que está repleto de adagas, jóias, cobertores listrados e outros itens colecionáveis. Dentro da Zubair Shop (rua principal, Souq Waqif; 974-657-2004), auto-harpas árabes, ouds de 12 cordas e o instrumento de percussão darbuka o colocam no caminho de uma jam session do Oriente Médio. Em cada loja, pechinchar é essencial.19h - Caminhada ao crepúsculoO entardecer é um momento ideal para uma caminhada pelo Corniche, ao longo da curva em forma de lua crescente da Baía de Doha. A temperatura refresca. As luzes brilham na água. Casais de todas as nacionalidades saem para caminhar. Por uma jornada pela evolução de Doha, comece no leste da baía e trace um arco na direção oeste. Gradualmente, elementos do passado de Doha - Souq Waqif, minaretes de mesquitas, os pequenos barcos a vela árabes atracados - dão espaço a altos arranha-céus de aço e vidro, torres de hotel de luxo e ao ostentoso shopping City Center. A vista noturna do oeste da baía para o leste, que pega o brilho branco do Museu de Arte Islâmica e a torre em espiral do Centro Cultural Islâmico do Qatar, pode ser a melhor da cidade.21h - Bocados de BeiruteNão é possível passar por Doha sem ir a um restaurante libanês. Os fãs da cozinha árabe mais célebre devem seguir o Al Mourjan (edifício Balhambar, Corniche; 974-483-4423; http://www.almourjanrest.com/). Aberto no ano passado, o restaurante à beira da baía já está conquistando o público mais chique da cidade com seu interior branco elegante, vistas maravilhosas da baía e ótimos pratos levantinos. O babaganuche está no ponto ideal entre empelotado e cremoso, enquanto as linguiças sojok são muito bem temperadas e servidas com um saboroso molho de tomate. Não há bebida alcoólica, mas os sucos de fruta espessos, café árabe e fumar em um narguilé são acompanhamentos satisfatórios. Uma refeição completa para duas pessoas custa cerca de 300 riais.Meia-noite - Caindo no agitoPassando as lamborghinis estacionadas, o vistoso Pearl Lounge Club (Doha Marriott Hotel, Ras Abu Aboud Street; 974-429-8444) é tanto uma experiência antropológica intrigante quanto um ótimo lugar para se livrar de dinheiro indesejado. O seu interior é tão escuro que seria possível revelar filme lá dentro. A trilha sonora de house music e pop árabe é tão alta que mal dá para ouvir os porteiros exigindo o couvert de 150 riais. Mas a mistura de negociadores internacionais endinheirados, garotos de clube globais, mulheres vestidas impecavelmente e bebida alcoólica correndo solta demolirá qualquer noção de que "vida noturna no mundo islâmico" é um paradoxo. Adicione alguns drinques White Pearls (gim e Cointreau; 45 riais), e o Pearl lança um encanto inegável.
Domingo11h - Veneza ao estilo Las VegasSe alguma vez você se perguntou como escrever "Krispy Kreme" em caligrafia árabe, a resposta se encontra dentro do bombástico Villaggio Mall (Al Waab Street), ao estilo Las Vegas. É uma fascinante mistura de culturas e um dos melhores lugares da cidade para observas as pessoas - e exibe uma semelhança notável com o Venetian de Las Vegas. Sob um vasto céu em trompe l'oeil, remadores filipinos dão as boas-vindas às famílias para passeios de gôndola (15 riais) ao longo de um canal margeado por butiques. Não há esqui indoor, como em Dubai, mas entusiastas de esportes de inverno podem visitar um rink de patinação (30 riais), bem protegido de temperaturas que passam facilmente dos 40ºC. Então junte-se aos estrangeiros ocidentais e mulheres locais trajando véus pretos na Virgin Megastore, para CDs de pop libanês e belos livros de mesa sobre o Qatar. Ou apenas compre um donut de baunilha (5 riais) naquele Krispy Kreme. Você sentirá quase em casa.O básicoApós a inauguração neste ano, o W Doha Hotel and Residences (West Bay; 973-453-5353; http://www.starwoodhotels.com/whotels/), que conta com 445 quartos, um spa Bliss, bar Crystal Lounge e o restaurante Spice Market de Jean-Georges Vongerichten, é o endereço badalado do momento. Os quartos duplos custam a partir de 1.700 riais (cerca de US$ 460, com o dólar cotado a 3,7 riais), taxas inclusas, com bônus como dois drinques gratuitos no Crystal Lounge e um passeio por Souq Waqif.O Hotel Souq Waqif (margem norte de Souq Waqif, perto da Al Souq Street; 974-443-3030; http://www.hotelsouqwaqif.com.qa/), que abriu no final de 2008, se gaba de ser o primeiro hotel butique de Doha. Os 13 quartos e suítes possuem uma decoração árabe chique. Os quartos simples custam a partir de 980 riais.Roger Federer, Andrea Bocelli e outros VIPs já se hospedaram no luxuoso La Cigale (60 Suhaim Bin Hamad Street, 974-428-8888; http://www.lacigalehotel.com/), que também foi inaugurado em 2008. Além do bar Sky View, o hotel de 227 quartos é popular por seu Madison Piano Bar e seu Cigar Lounge. Quartos duplos na baixa temporada custam a partir de 1.500 riais.

Saturday, 20 June 2009

Dubai: Reino Islamico Moderno

Eu achei excelente essa materia sobre Dubai, espero que gostem:

O reino encantado
As monumentais obras arquitetônicas de Dubai, no Oriente Médio, são o lado mais vistoso de uma experiência econômica e cultural que pode indicar uma resposta ao choque entre o Ocidente e o Islã. Pequeno e com o petróleo quase esgotado, o emirado cresce a um ritmo mais acelerado que a China graças à capacidade de mirar na diversificação da economia. A base da estratégia é vender o minúsculo reino como um porto seguro a empresas estrangeiras, investidores e turistas, em meio ao conturbado mundo árabe.

As ilhas artificiais privadas do The World: a mais barata custa 10 milhões de dólares


Nos manuais de etiqueta para executivos no exterior e em guias de viagem de Dubai, são apresentadas algumas regras que os estrangeiros em visita à cidade-estado deveriam seguir para não ferir os costumes muçulmanos. Recomenda-se, por exemplo, que as mulheres se vistam de maneira conservadora, com saias longas e mangas compridas, e que não se tente marcar compromissos de trabalho na sexta-feira, que para os muçulmanos é o dia de descanso e de rezas. Algumas horas em Dubai e logo fica claro que essas orientações são desobedecidas sem cerimônia a todo instante – e ninguém parece se incomodar seriamente com isso. O que dizer das turistas loiras passeando no shopping com as pernas vermelhas do sol e usando shortinho de dar inveja às foliãs do Carnaval de Salvador? O máximo que se ouve é algum residente local, sentado em um café de uma rede americana, dizendo quase em tom de piada: "Russas...". Tampouco alguém parece se importar quando vê casais gay trocando carícias comedidas dentro dos centros comerciais ou no hall de hotéis. Isso em um país em que um xeque tradicional tem o poder absoluto, as mulheres usam manto negro e cobrem os cabelos e as disputas familiares obedecem à sharia, o rígido conjunto de leis baseado em escritos religiosos milenares. Disneylândia árabe, Las Vegas do Oriente Médio, Xangai do deserto, Dubai merece também uma outra classificação. Para os céticos que crêem na incompatibilidade do mundo islâmico com a cultura ocidental, o pequeno e florescente emirado é apresentado como o laboratório onde está sendo criado o antídoto contra o choque de civilizações.
A fórmula de tolerância de Dubai, uma das sete cidades-estado que compõem os Emirados Árabes Unidos, confederação que tem o Golfo Pérsico de um lado, a Arábia Saudita do outro e um mar de petróleo embaixo, consiste em uma cultura disseminada entre a população de pensar com o bolso. Todos os moradores da cidade – e nisso os cidadãos de Dubai se equiparam aos estrangeiros – parecem concentrados em uma só meta: ganhar dinheiro. A intolerância cultural, nesse contexto, seria incompatível com o desejo de atrair cada vez mais investimentos externos e de aumentar o já alucinante número de turistas que visitam a cidade a cada ano – o equivalente a cinco vezes a população permanente de 1,2 milhão de pessoas. "De nossa cultura, certamente vamos conseguir manter as roupas típicas, a culinária e a música", contabiliza o xeque Ahmed bin Saeed Al Maktoum, presidente da estatal Emirates, a companhia aérea que mais cresce no mundo, com 50 bilhões de dólares investidos apenas na compra de novas aeronaves. No início de outubro(2007), a Emirates inaugura o primeiro vôo direto ligando São Paulo a Dubai, diariamente. "O mundo está mudando em relação à maneira de fazer negócios e, se queremos fazer parte dessas transformações, temos de ser abertos e tolerantes", diz o executivo, que é tio de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o chefe da família reinante em Dubai.


SOL, NEVE, COMPRAS Dubai recebe 6,1 milhões de turistas por ano, o equivalente ao número de estrangeiros que visitam o Brasil, país com território 2 200 vezes maior. A taxa de ocupação média dos hotéis é de 85% (contra 64% no Brasil). Os turistas são atraídos pelos paraísos artificiais nos hotéis imensos, pelas compras em shoppings que têm até pista de esqui e pelos eventos esportivos como o Dubai World Cup, de corrida de cavalos.

O resultado dessa atmosfera pró-negócios é de fazer arrepiar o mais blasé dos estatísticos. No ano passado, o PIB de Dubai cresceu a uma taxa de 16%, enquanto o da China alcançou 10,5%. O índice de desemprego de Dubai é tecnicamente nulo (era antes da crise). A população cresce a uma taxa de 10% ao ano, principalmente devido à imigração, e a demanda por imóveis é incessante. Não há outro lugar no mundo em que a indústria da construção civil esteja tão atarefada: um terço das gruas do planeta está lá, muitas funcionando dia e noite, como na China – com a diferença de que esta tem população 1 000 vezes maior. O setor ocupa um quarto de toda a mão-de-obra, e, no total, estão sendo erguidos 110 novos arranha-céus entre o mar o deserto. O hotel mais alto do mundo fica lá, em uma pequena ilha artificial rente às águas do Golfo Pérsico (ou Golfo Árabe, segundo a terminologia local). Com 321 metros de altura e 56 andares, o Burj Al Arab é considerado um dos dois únicos hotéis sete-estrelas do mundo. O outro, o Emirates Palace, fica em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes.
Uma boa maneira de decifrar Dubai é observar os cartazes de propaganda e as placas de rua. Logo na chegada ao moderno aeroporto internacional vêem-se os anúncios de bancos e consultorias que prometem ajudar os clientes a fazer seus negócios sem ferir as regras islâmicas – os empréstimos a juros, por exemplo, são proibidos, mas sempre se encontra um malabarismo financeiro que permite a uma empresa tomar dinheiro sem ficar mal com a lei divina. Igualmente reveladoras são as inúmeras placas que indicam o caminho para chegar a lugares que ainda não existem ou nem sequer podem ser visitados. A cidade não está pronta, mas aponta freneticamente para o futuro. Das três ilhas artificiais em forma de palmeira que vão abrigar 100 hotéis e dezenas de milhares de residências, por exemplo, apenas uma, a Palm Jumeirah, já foi parcialmente inaugurada. Qualquer mapa turístico de Dubai, no entanto, indica a localização de cada uma delas. O padrão estético desses empreendimentos é escancaradamente mirabolante – de perto, as casas parecem formar um condomínio temático das Mil e Uma Noites –, mas atende um público que parece querer exatamente isso: muito dourado, muito mármore, muita coisa gritando dinheiro. Quando começou a criar a infra-estrutura para tornar Dubai um destino turístico de luxo no Oriente Médio, na década passada, o governo dos xeques logo percebeu uma séria limitação geográfica: a natureza só lhes deu 70 quilômetros de costa (contra os 8.000 quilômetros do litoral brasileiro), constituídos de mar de um lado e deserto do outro. A construção de ilhas, no entanto, vai multiplicar a extensão de praias para 1.500 quilômetros. Isso inclui um arquipélago artificial com o formato do mapa-múndi que poderá ser visto do espaço.


FUTURO COM VINTE FILHOS

Funcionário do governo central dos Emirados Árabes, o motorista Raeed Ahwadi, de 27 anos, vai se casar neste ano com uma prima do Iêmen. Seguindo a tradição, pagará um dote de 4 000 dólares ao pai da noiva, mais jóias e roupas. Ele pretende ter uma segunda esposa no futuro, porque assim fica mais fácil atingir sua meta de ter vinte filhos. "O Islã é muito bom porque permite que um homem tenha até quatro mulheres, desde que trate todas da mesma forma", diz o motorista. A ajuda que o governo dos Emirados dá aos cidadãos é importante para equilibrar as despesas: "Aqui, o governo paga a festa de casamento e ainda por cima dá 20 000 dólares e uma bela casa de presente ao casal". Sexo antes do casamento? "Nem pensar", diz Raeed.

Dubai é o lugar onde as mais exacerbadas alucinações arquitetônicas se tornam realidade. Só na construção do Palm Jumeirah e do Palm Jebel Ali serão utilizados 100 milhões de metros cúbicos de areia e pedras, o suficiente para soterrar dezesseis vezes a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Já começou a sair do papel Hidrópolis, o primeiro resort subaquático do mundo, e o Burj Dubai, candidato a edifício mais alto do mundo, tem entrega marcada para 2009. A cada semana, o espigão cresce dois andares. Também estão em construção os dois shoppings que levarão o título de os maiores do planeta. Num lugar onde as compras são paixão nacional e atração turística, os shopping centers funcionam ainda como centro da vida social, inclusive por razões climáticas – no verão, a temperatura durante o dia chega a quase 50 graus e não há quem agüente ficar na rua, longe do ar-condicionado. Resultado: os shoppings de Dubai levam ao extremo o conceito de centros de entretenimento, mais do que simplesmente de compras. No Emirates Mall, uma pista de esqui indoor com temperatura ambiente de menos 4 graus reproduz o ambiente alpino mesmo que lá fora a realidade seja de fornalha. No futuro, a cidade quer sediar os Jogos Olímpicos de Inverno, já que outra pista de esqui ainda maior será construída em um gigantesco parque temático chamado Dubailândia. Lá os turistas também poderão apreciar uma réplica dos Jardins Suspensos da Babilônia e uma da Torre Eiffel – 20 metros mais alta que a original, de Paris. O dinheiro para essas lucrativas excentricidades vem em sua maior parte do governo, que cria estatais para tocar os projetos. O restante dos investimentos em megaprojetos vem de empresas privadas, principalmente de países árabes. Uma das empreiteiras mais ativas é a saudita Bin Laden Group. A piada que corre entre os estrangeiros que vivem e trabalham em Dubai é que o emirado é o lugar mais seguro do mundo para investir porque a Al Qaeda não ousaria atacar o reduto dos negócios da família de seu terrorista-chefe, o barbudo Osama bin Laden.
De maneira tortuosa, Osama bin Laden realmente contribuiu para o boom da construção civil em Dubai. "Depois dos atentados de 11 de setembro, uma grande quantidade do dinheiro de investidores árabes que estava nos Estados Unidos e na Europa voltou para o Oriente Médio, em parte porque as restrições bancárias aumentaram", diz Mohammed Ahmed bin Abdul Aziz, subsecretário de Planejamento do Ministério da Economia dos Emirados Árabes. Esse capital precisava ser aplicado de alguma forma, e Dubai pareceu o lugar mais promissor para isso. O governo local, no entanto, cuida para que os investimentos de estrangeiros chovam apenas onde lhe convém. Empresas do exterior, por exemplo, só podem comprar propriedades em uma das 33 zonas livres de Dubai – com incentivos fiscais generosos. "Se não fosse assim, os chineses viriam para cá e comprariam cada pedacinho de nosso pequeno território", afirma Aziz.

Suhair Mortada é uma das apresentadoras do Al Arabiya, um canal privado de notícias por satélite com base em Dubai que disputa com a Al Jazira o posto de preferido dos telespectadores árabes. "A diferença básica entre eles e nós é que somos contra fazer uma abordagem populista de temas que possam incitar a população à violência", diz o editor executivo da Al Arabiya, o palestino Nabil Khatib. Ele cita o caso das charges de Maomé feitas por um jornal dinamarquês, no ano passado. "A Al Jazira parecia que se esforçava para atiçar os ânimos dos manifestantes", diz Khatib. No Al Arabiya, apresentadoras sem véu na cabeça são mais freqüentes do que na Al Jazira, subsidiada pelo governo do Catar.


Até meados do século passado, Dubai não passava de um pequeno entreposto comercial, que sobrevivia em condições primitivas da localização marítima, da pesca e da coleta de pérolas. Em 1958, jorrou petróleo em Abu Dhabi e, oito anos depois, em Dubai. Ao contrário do reino vizinho, no entanto, Dubai tinha reservas muito pequenas – estima-se que a última gota seja tirada em menos de uma década. Segundo a mitologia nacional fervorosamente repetida – o que não significa que não tenha base na realidade –, o grande feito da família Al Maktoum, que comanda o lugar há quase 200 anos, foi ter visão para perceber a necessidade de criar fontes alternativas de riqueza. Em 1979, o xeque Rashid bin Saeed Al Maktoum decidiu construir um porto artificial em Dubai. Hoje, está entre os dez mais movimentados do mundo. O xeque criou também uma zona franca vizinha ao porto, o embrião da tradição de incentivos fiscais que caracteriza o emirado hoje. Com isso, o país conseguiu se livrar da maldição da petrodependência e se abriu para o espírito empreendedor que o tornou um lugar único. A filosofia dos Al Maktoum sempre foi: "Construa e eles virão". Diz a lenda que o xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes, antes de morrer, fez com que lhe prometessem que, em sua rota irrefreável rumo ao desenvolvimento econômico, Dubai ao menos não cederia à construção de cassinos. Todo o restante cardápio de tentações do consumismo e do liberalismo que os radicais islâmicos consideram atávico ao Ocidente, no entanto, pode ser encontrado ali. Isso inclui prostitutas de luxo e, com um certo esforço, drogas. As bebidas alcoólicas são permitidas nos hotéis e restritas aos consumidores não muçulmanos. Alguns hotéis, no entanto, têm uma oferta tão variada de bares e casas noturnas que a função de receber hóspedes parece mais um acessório. E, em lugares mais reservados, não é difícil ver jovens árabes detonando um escocês – o uísque, claro.

MILAGRE NO DESERTO

A principal avenida de Dubai na década de 80 e hoje, margeada de arranha-céus: a meta de todos é ganhar dinheiro.

Tanta permissividade em pleno mundo muçulmano, em um lugar onde está sendo construída a maior mesquita do globo (em Abu Dhabi), e Dubai passa imune à praga dos atentados terroristas movidos a fanatismo religioso? A realidade não é tão simples. A Al Qaeda usava bancos de Dubai para lavar dinheiro, dois dos suicidas do 11 de Setembro tinham passaporte dos Emirados Árabes e a enorme população de trabalhadores estrangeiros – os cidadãos locais são apenas 15% do total –, na maioria vindos de países muçulmanos pobres, provê um ambiente de vulnerabilidade. O fato, no entanto, é que não existem grupos terroristas com base nos Emirados Árabes, tampouco o país é um celeiro de jovens fanáticos, violentos e revoltados – um fenômeno incontrolável na vizinha Arábia Saudita, celeiro de suicidas com destino ao Iraque. Em comum, dubaienses e sauditas têm a mesma matriz cultural – descendem das tribos de beduínos do deserto –, a fartura, embora irregularmente distribuída, do petróleo e a rigidez religiosa. Os homens mantêm a tradição de usar a túnica branca chamada dishdasha e de cobrir as mulheres de negro. São governados por chefes tribais que se proclamam nobres e controlam a burocracia religiosa com fartos subsídios. Comparado com a Arábia Saudita, no entanto, Dubai é um bastião de tolerância e flexibilidade. Em relação ao restante do Oriente Médio, com o quadro de horrores do Iraque, o Líbano sendo mais uma vez sugado para o abismo e a desgraça palestina aumentada atualmente por iniciativa própria, Dubai parece um milagre.
"O governo e a população de Dubai agem com a convicção de que é preciso, antes de tudo, ter prosperidade e desenvolvimento", diz o palestino Nabil Khatib, editor executivo da Al Arabiya, um canal de notícias sediado em Dubai que disputa com a Al Jazira a audiência do público árabe. Esse modelo influencia os países vizinhos, como Omã, o Iêmen e a própria Arábia Saudita. Todos querem imitar um pouco do ar de modernidade que Dubai criou para si. A questão é saber se conseguirão transpor as enormes barreiras culturais. "Queremos estimular os outros países da região a assumir o nosso modelo de abertura e concorrência global", diz o subsecretário do Ministério da Economia Abdulla bin Ahmed Al-Saleh. "Não podemos garantir o sucesso de nossa experiência se nossos vizinhos não adotarem o princípio do desenvolvimento econômico como meio para reduzir a violência." É precipitado e arriscado dizer que Dubai poderia sinalizar um caminho para tirar o Oriente Médio de seu estado de convulsão permanente. Mas o ambiente de miragens arquitetônicas que brotam do deserto propicia um sonho assim.

ENTRE A PRESSÃO SOCIAL DA TRADIÇÃO, O SHOPPING CENTER E O NAMORO POR CELULAR

VÉU COM JEANS


Ola Al-Alawi é uma típica e rica jovem de Dubai: faz faculdade e só sai na rua maquiada, grifada e coberta de preto (na foto à direita, fazendo compras com a irmã Aldana). Por baixo da túnica preta, está sempre dentro da moda ocidental, como aqui, em sua casa em um condomínio de luxo.

Os jovens de Dubai enfrentam o dilema entre tradição e modernidade de forma intensa e constante, refletindo os valores que os Emirados Árabes têm de equilibrar como nação. Da escolha sobre o que vestir aos relacionamentos amorosos, tudo lembra que eles vivem em um país com o olhar voltado para o Ocidente e os pés fincados no mundo islâmico. É comum ver rapazes vestidos com as túnicas brancas que são o traje nacional masculino e boné de beisebol no lugar do tradicional kaffiyeh, o lenço branco na cabeça. À noite, quando vão aos bares onde se fuma narguilé, os rapazes preferem jeans e camiseta. Garotas modernas como as irmãs Ola e Aldana Al-Alawi só saem em público de lenço na cabeça e abaia – vestido negro, tradicional na Arábia Saudita e nos países do Golfo, usado sobre as outras roupas para não deixar ver o contorno do corpo das mulheres. Em Dubai, o uso da abaia não é obrigatório, mas muitas mulheres não saem de casa descobertas por pressão dos pais, do marido ou até das amigas. "O bom da abaia é que, dessa forma, o que escondemos por baixo do pano fica reservado para o futuro marido", diz Aldana, estudante de contabilidade na Universidade Americana (nas faculdades de Dubai, todas as aulas são em inglês). Elas têm abaias, feitas por estilistas locais renomados, que chegam a custar 1 000 dólares. "Pela abaia dá para saber a que classe social pertence a mulher", diz Zena, a mãe das garotas. Ela própria não se sente obrigada a usar a roupa tradicional.
As irmãs são fascinadas por bolsas e sapatos de grife, os poucos acessórios que aparecem em público. "Mas por baixo da abaia também nos preocupamos com a qualidade das roupas, porque gostamos de estar bem vestidas quando vamos à casa das amigas", diz Ola, que já morou no Canadá e hoje estuda finanças na mesma universidade que a irmã. Uma beldade de longos cabelos e olhos que evocam os mistérios do Oriente, Ola já sonhou em ser modelo – é uma admiradora da baiana Adriana Lima. Mas desistiu quando lhe disseram em uma agência que devia começar distribuindo panfletos. Apesar de acatar a pressão social para se cobrir de negro em público, ela desfruta uma liberdade inimaginável em países vizinhos como a Arábia Saudita, onde as mulheres são proibidas de dirigir e de viajar sozinhas. No frescor de seus 20 anos, Ola diz que não pretende se casar. "Os homens não são confiáveis", queixa-se. Filha de um alto executivo da indústria do aço, ela pertence a uma classe social em que os casamentos arranjados diminuem e os namoros – por celular – prosperam.

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